Pra ler na rede

Nas palavras de Eduardo Galeano o futebol transcende as fronteiras do esporte, do jogo e se transforma em lenda.

É cultura, política, identidade de um povo.

Galeano, como todo uruguaio, é apaixonado por futebol e neste livro faz do jogo a maior das festas pagãs.

Onde ídolos e carrascos se confundem. E a desgraça e o esplendor convivem quase harmoniosamente.

Futebol ao Sol e à Sombra reúne pequenos e deliciosos textos do escritor uruguaio sobre uma de suas maiores paixões.

É impossível não se deliciar com as histórias de Garrincha, Maradona, Pelé, Obdúlio Varella e a mítica Seleção Uruguai dos MOÑOS.

É um daqueles livros gostoso saborosos… Ideal pra ler na rede… ou na cama.

Pra quem gosta e pra quem não gosta de futebol!

Vale lembrar que a LP&M Pocket tem no Brasil uma versão popular do livro. Em média sai por 16 reais nas grandes livrarias ou na web.

O Ídolo – Eduardo Galeano

Em um belo dia a Deusa dos ventos  beija o pé do homem, o maltratado, desprezado pé, e desse beijo nasce o ídolo do futebol. Nasce em berço de palha e barrcao de lata e vem ao mundo abraçado a uma bola.

Desde que aprende a andar, sabe jogar. Quando criança alegra os descampados e baldios, joga e joga e joga nos ermos dos subúrbios até que a noite cai e ninguém mais consegue ver a bola. E, quando jovem, voa e faz voar nos estádios. Suas artes de malabarista convocam multidões, domingo após domingo, de vitória em vitória, de ovação a ovação.

A bola o procura, o reconhece, precisa dele. No peito de seu pé, ela descanse e se embala. Ele lhe dá brilho e a faz falar,  e neste diálogo entre os dois, milhões de mudos conversam.  Os Zé Ninguém, os condenados a serem para sempre ninguém, podem sentir-se alguém por um momento, por obra e graça desses passes devolvidos em um toque, essas fintas que desenham os zês na grama, esses golaços de calcanhar ou de bicicleta: quando ele joga o time tem doze jogadores.

_ Doze? Tem quinze! Vinte!

A bola ri, radiante, no ar. Ele a amortece, a adormece, diz galanteios, dança com ela, e vendo essas coisas nunca vistas, seus adoradores sentem piedade por seus netos ainda não nascidos,  que não estão vendo o que acontece.

Mas o ídolo é ídolo apenas por um momento, humana eternidade, coisa de nada; e quando chega a hora do azar para o pé de ouro, a estrela conclui sua viagem do resplendor à escuridão. Esse corpo está com mais remendos que roupa de palhaço, o acrobata virou paralítico, o artista é uma besta:

_ Com a ferradura, não!

A fonte da felicidade pública se transforma no pára-raios do rancor público:

_ Múmia!

Às vezes, o ídolo não cai inteiro. E às vezes, quando se quebra, a multidão o devora aos pedaços.

Texto Retirado do Livro:

Futebol ao Sol e à Sombra

de Eduardo Galeano

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