O Divino João Cabral

Há exatos 9 anos o mundo perdia o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto.

Mestre das palavras, João Cabral também mandava bem com a bola no pé.

Em 1935 chegou a ser campeão pernambucano juvenil jogando pelo Náutico.

Por sorte ele desistiu do futebol para nos encantar com sua poesia.

Mas do amado esporte…

 nos deixou algumas pérolas….

 

O DIVINO, ADEMIR DA GUIA

 

Ademir impõe com seu jogo

o ritmo do chumbo ( e o peso)

da lesma, da câmera lenta,

do homem dentro do pesadelo.

 

Ritmo Líquido se infiltrando

no adversário, grosso, de dentro,

impondo-lhe o que ele deseja,

mandando nele, apodrecendo-o.

 

Ritmo morno, de andar na areia,

de água doente de alagados,

entorpecendo e então atando

o mais irriquieto adversário.

O TORCEDOR DO AMÉRICA F.C.

O desábito de vencer

não cria o calo da vitória;

não dá à vitória o fio cego

nem lhe cansa as molas nervosas.

Guarda-a sem mofo: coisa fresca,

pele sensível, núbil, nova,

ácida à língua igual cajá,

salto do sol no Cais da Aurora.

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2 Respostas

  1. Meigo, delicado, lindo! Arretado no último! João do meu Timbú!!!!!!

  2. 🙂

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