Uma lembrança sobre malas…

malabrasilNas últimas rodadas deste Brasileirão, como acontece em todos os anos, reapareceu no meio da bola a figura assombrosa do homem da mala. Aquele mesmo que todos conhecem e ninguém vê. E como acontece em todos os anos voltou à tona a velha discussão sobre a cor das malas.

Primeiramente esta história de mala preta e mala branca carrega resquícios dos tempos do chicote, do açoite. Tempos em que a dualidade do preto e do branco, do mal e do bem, era amplamente difundida pela cruz e pela espada dos donos do poder.

Por isto não tratarei aqui de cores. Quero ater-me ao assunto mala, as malas da discórdia e da hipocrisia.

Chega a ser com tristeza que vejo a defesa, quase indiscriminada, do incentivo financeiro para que times vençam suas partidas. Primeiro pela coisa em si, que vai contra qualquer definição de esporte que se possa imaginar. Qualquer time, qualquer jogador deve entrar em campo pra vencer. Se não for assim não tem sentido, assim como não tem sentido pagar um extra para que façam isto.

Também não vou falar de moral. Este é um conceito individual demais para que tratemos de forma genérica.  A Moral, como nos ensinaram os gregos, é uma construção pessoal. Cada um tem a sua e vive com ela como quer ou como pode. E o que me interessa não é o indivíduo separado, mas o que engloba o coletivo.

Pensemos nas malas do ponto de vista da ética, da legalidade, conceitos que se encaixam no todo, na discussão do que chamamos sociedade. E se partirmos deste pressuposto não existe espaço pra malas brancas ou pretas, destinadas a comprar vitórias ou derrotas.

maladollarO argumento de que a mala do bem não faz mal é superficial demais e legitima a ultrapassada teoria maquiavélica de que os fins justificam os meios. Pagar – por baixo dos panos – pra perder nem pensar, mas pra vencer pode. Ou seja, se o fim é, teoricamente, bom, então podemos passar por cima do acordo social chamado ética… e está tudo bem. Acho que a história moderna da humanidade mostra que este conceito é, no mínimo, equivocado, além de ter servido para legitimar atrocidades de todos os fins.

Algumas perguntas também podem nos ajudar com a questão: Dinheiro sem origem é ilegal? Injetar dinheiro sem origem na economia formal é lavar dinheiro? O homem da mala leva nota? E os incentivos financeiros são lançados nos balanços dos clubes que os enviam?

Se estas perguntas não têm importância então tudo bem, vamos chamar o Kia Joorabchian de volta! Aproveitamos e pedimos a ele que traga a russaiada toda, os russos e todos os demais que queiram lavar seu sujo dinheirinho aqui. Nossa lavanderia será a maior do mundo!

É impressionante como nossa memória é curta. Faz pouco mais de 3 anos que malas e cuecas cheias de dinheiro pipocaram na mídia como pivôs de um dos maiores escândalos políticos do Brasil.

Aos poucos as manchetes foram cessando, a indignação foi passando e o povo se esquecendo. Assim fazemos. Primeiro nos calamos, depois fechamos os olhos. E deixamos que o tempo cumpra seu papel de apagar o que não queremos ver.

O vento só não apaga a história, embora a gente teime em esquecê-la.

 

O Príncipe – Nicolau Maquiavel

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11 Respostas

  1. Realmente o brasileiro tem a memória muito curta.
    e isto dá espaço para que os antigos erros voltem a acontecer.
    é triste, mas é verdade.
    Abraços!

  2. Ótimo devaneio!
    Essa coisa que temos de esquecer e deixar pra lá é foda, foda mesmo.
    Abraços!

  3. Belíssimo post…
    As malas são um absurdo.
    Onde ja se viu um jogador ter que receber extra pra ganhar?

  4. Fala sério, qual o problema de dar uma graninha pros caras jogarem com mais vontade, pra correr um pouco mais?
    Errado é pagar pra perder, pra vencer não pode ser errado, nao tem nada errado.
    As empresas nao dao bonus de fim deano?
    esse é o bonus do futebol…

  5. Vc tá doido?
    Pq a mala branca é ilegal?
    Se não existe suborno nenhum… é um incentivo pela vitória que é algo legal.

  6. Será que um dia tudo isso irá mudar?
    Abraços!

  7. Bruno e Pedro, não sei se vocês leram o post inteiro, por suas perguntas acredito que não…
    Vocês me perguntam de porquês, bem, meus porquês vocês estão expressados ali…
    Abraços

  8. muito bom, Bê. Muito bom ter o ópio – ao que parece não sou só eu quem tenho que me explicar diante de tantos porquês sem sentido algum. A cada dia fico mais assustada com a inversão de valores das pessoas. Tudo tão normal: ‘dar uma graninha pros caras correrem mais (hãn, mas eles não deveriam fazer isso sempre?).

    Eh, Brasil… já fui mais otimista com o Senhor, mas o seu povo – com essa mentalidade que não se resume às malas do futebol – não ajuda não, viu?

    Beijos!

  9. Eh Valzita,
    vc sabe como eu me choco com estas coisas…
    Aquele negócio que eu te falo, ter valor tá mó fora de moda, o negócio hoje em dia é que as pessoas deixaram de ter valores pra ter preço…
    E aí complica demais…
    Bjoks!

  10. Arriéguaaaaaaaaaa!
    A corrupção não tem fim neste país.
    Seja por mala, cueca ou ingressos da Madonna.
    Abraços!

  11. Continuo nao vendo problema na mala branca.

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