La gente camina triste y sola por Manzanares

O Bom e Velho Calderón      O Bom e Velho Calderón
                                                                                                      As manhãs à beira do Rio Manzanares não são mais as mesmas. A gente, tão sorridente de outrora, caminha triste, cabisbaixa. Alguns até choram. As pessoas trazem na fisionomia um ar de espanto, aparentam não acreditar. E uma pergunta paira no ar, por que?    

Sob a chuva rala e persistente do fim do outono madrilenho, uma senhora de pele enrugada e um menino, ainda brotado de espinhas, carregam um cartaz que diz: Não nos tirem o Calderón!

Um senhor caminha sozinho e sozinho pragueja contra o mundo. E pouco atrás um garoto, que seguramente não passa dos 20, repete incessantemente: ele está aqui há 42 anos, não o tirem daqui.

O motivo de tanta tristeza é que a diretoria do Atlético de Madrid anunciou esta semana que o time está de mudança. Até 2012 um novo estádio, maior e mais moderno será construído nos arredores de Madrid.

O projeto do novo estádio...

O projeto do novo estádio...

                                                            A diretoria promete que o novo Calderón será muito melhor, que a torcida blanca y roja terá uma casa à sua altura. Mas o povo de Manzanares não quer saber disto, sabe que luxo é coisa da outra torcida da capital espanhola.

Vicente Calderón foi palco da maior glória da história do Atlético, o Mundial Interclubes de 74, conquistado em cima do mítico Independiente da Argentina, tetra campeão da Libertadores. Naquela época o mundial ainda era disputado em melhor de dois jogos, cada um em um lado do atlântico. No Calderón o Atlético venceu por 2X0 com gols de Irureta Rubén Ayala, o Ratón original. E como em Avellaneda havia perdido por 1X0, o time espanhol  sagrou-se campeão mundial.

 Mas não é só de glórias que vive o Calderón. O gigante de Manzanares também foi a casa do Atlético em seus dias mais difíceis. Tempos de segunda divisão, tempos de rival galáctico.

Tudo isto é história. E a torcida atleticana não quer ver sua história transformada em pó e entulho. Não deseja o luxo do Bernabéu, muito menos a ostentação merengue. Não, a torcida atleticana só quer caminhar à beira do Manzanares e sentir-se acompanhada, protegida e acolhida pelo velho Calderón.

Vicente Calderón, o próprio...

Vicente Calderón, o próprio...

 

 

Concebido a partir

de um email do amigo

Sr. Carnaval,

morador de Manzanares

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4 Respostas

  1. como sempre, meus devaneios favoritos … e esse eu ouvi em primeira mão, direto do autor! Adorei Bê. E sou doida pra conhecer o ‘Sr. Carnaval’…!
    beijos

  2. Há uma visita prometida para o ano que vem…
    Esperemos o Sr. Carnaval!
    😉

  3. me alegro por ter ajudado o ópio. val, já nos conheceremos, por foto já te conheço, em breve será pessoalmente. quanto à visita, bueno, bueno, prometida está e farei todo o possível pra cumprir. em breve passarei pra ver os amigos, ou o que sobrou deles.
    beijos e abraços.

  4. Ótimo texto!
    Já morei em Madrid, cidade que amo por sinal!!!!!
    E gostei muito do post!
    Bjuss!

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