O jogo da pizza

pizzaA origem da pizza não é de toda conhecida. Embora a associação seja direta com a Itália, sabe-se que tal iguaria não nasceu na Bota.

Hoje já é de conhecimento geral que diversas civilizações pré cristianas – seja no Egito, no Oriente Médio ou pelas bandas do Império Grego – já  assavam, em  fornos rústicos ou pedras quentes, misturas à base de água e farinha.

Por um caminho ou por outro a pizza chegou à Itália e de lá correu o mundo. Passou de alimento dos pobres e famintos do sul do país a ícone máximo da culinária italiana em todo mundo, embora meus amigos cordobeses insistam que ela é argentina, e inventada em Córdoba, aliás, como quase tudo veio de lá.

Mas se hoje a Itália é tida como a terra da pizza, o Brasil é o país onde tudo acaba em pizza. Em todas as esferas e poderes da política, na mídia, no esporte e no dia-a-dia.

Pizza, pizza e mais pizza. Não aquela que matava a fome em Nápoles ou na Calábria, mas a pizza da impunidade, da justiça cega, surda e muda que diferencia ricos e poderosos de pobres infelizes que muitas vezes nem têm o que comer. A pizza do silêncio do aparato midiático, a pizza da nossa resignação diária nos sinais e nas esquinas das grandes cidades.

Por isso eu pensava, tá certo, Brasil e Itália têm que jogar em Londres mesmo. E no Emirates. Que Maracanã, que San Siro que nada. Nossas máfias, PCC, CV, Cosa Nostra, Ndrangheta e afins, não se comparam às deles.

Os mafiosos oficiais que usurparam meio mundo capturando negros e os vendendo como bichos pelas Américas de cabo a rabo. Os mesmos gangsters que impuseram ao mundo um novo modelo escravista e tiveram a cara de pau de chamar revolução industrial. Os mesmos que moldaram o sistema às suas necessidades, seus desejos, seus caprichos. Esta Inglaterra abrigo para todo tipo de párias e salafrários do mercado internacional, de George Kouros a Roman Abramovich, passando por Kia Joorabchian e Boris Berezovsky. Estes mesmos senhores que movimentaram trilhões de dólares que nem sequer existiam e que hoje todo mundo paga as contas pelo golpe, enquanto eles tomam um café no starbucks da esquina enquanto esperam a próxima festa no iate particular de não sei quantos milhões.

Se fosse em outros tempos estaria eu vibrando pelo jogo de amanhã. 9 títulos mundiais em campo, as duas maiores escolas de futebol do planeta. Os craques dos dribles, dos gols, da irreverência  contra os craques da defesa, dos desarmes.  Foi se o tempo em que éramos conhecidos por nossos dribles. Ultimamente nossos craques têm aparecido mais em páginas policiais e colunas de celebridades que nos cadernos de esporte.

Mas o estranho é que o amistoso de hoje não me move em nada. Hoje, só consigo pensar que o jogo é em Londres. Nem Rio, nem Roma, nem Recife, nem Veneza, o amistoso é em Londres. Se pelo menos fosse em Wembley. Mas como diz seu Sílvio, no duro, acho que prefiro que seja assim.

Doces Lembranças

mini be 3Na copa de 82 eu era só um bebê, um mini BÊ.

Em 70 ainda nem pensava em nascer.

Em 94 já era grandinho e entendia tudo. Ou pelo menos achava isto. Se entendia tudo ou não, eu não sei. Mas o certo é que eu já tinha o discernimento suficiente para saber que aquela era a copa mais chata de todas as copas.

E, sinceramente, a vitória nos pênaltis não me encantou. E os gritos de É Tetra do Galvão me deram aquela enxaqueca que implacavelmente me acompanhou na adolescência.

Por isso o Brasil X Itália que mais me marcou não valeu título nem mandou ninguém pra casa. Foi só um amistoso, sem muita importância.

A diferença é que a partida foi disputada em Bolonha. E na época eu ainda pensava que a pizza era italiana e que o mundo era bem mais cor de rosa que este gris que me cerca hoje.

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5 Respostas

  1. […] first collected Added 09 Feb 09 from opiodopovo.wordpress.com Flag as inappropriate or […]

  2. Lembro-me mais desse gol do André Cruz do que de qualquer outro Brasil x Itália. Por sermos de uma mesma época (eu era mais bonitinho que você nesse época da foto), acho que essa lembrança é mais forte que o tetra. Galvões Buenos, Ricardos Teixeiras, Zizas e outros mais tiraram um pouco da alegria que eu tinha pelo futebol. Brasil x Itália, hoje?
    Que nada. Vou ficar com minha namorada. Quem sabe comendo uma bela pizza e ouvindo uma boa música brasileira.

  3. É exatamente isso João, certas coisas vão minando o amor pelo futebol.
    Ainda não estou no nível ignorar o jogo, sei que verei e que, provavelmente, não gostarei. E que possivelmente reclamarei, até. Mas sei que vou assistir…
    Abraços

  4. Oi Bernardo! Gostei do jogo de hoje, os meninos jogaram bem. Foi importante ganhar dos atuais campeões mundiais, dá um pouco mais de confiança no elenco… porém, o Dunga pra mim ainda não desce. Hahahaha!

  5. Eaí Camila, td tranq?
    Não sei se são meus olhos, e confesso que seja mesmo, mas não consigo ver muita coisa mais na seleção, nem quando fazem um jogo acima da média como o de ontem.
    E sobre o Dunga, nunca o considerei nem jogador, agora então, de treineiro que não dá mesmo… ele é muito tosco…
    Eu queria ver o Zico na seleção!
    Abraços!

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