Peso e História – A camisa do Flamengo

Há cerca de um mês, recebi um presente do pessoal da Olympikus.

Uma caixa preta pesadíssima, de aproximadamente uns dois quilos.

Ao abrir, a seguinte mensagem:

Você está sentindo o que os adversários vão sentir em breve:
O Peso da Nova Camisa do Hexacampeão Brasileiro.

Dentro da caixa, uma belíssima camisa do Fla, número 10 e com meu nome! Por dentro da bela caixa preta, em um fundo falso, um saco de areia, responsável pelo dito peso. Muito bem amarrada a ação, muito bacana mesmo.

Ontem recebi mais um presente da Olympikus. A nova camisa 3 do Flamengo! Azul e ouro como nos primórdios da equipe de remo, quando ainda nem havia futebol no clube.

Linda, linda, linda! Não só a camisa, mas todo o entorno da ação. O regalo chegou em uma bela caixa estilo festa. Dentro, um convite com aqueles lacres antigos de cera derretida e uma réplica da carta de fundação do clube.

Tudo muito bem feito, com muito zelo.

A camisa rubro negra não posso sortear pra vocês porque, afinal, tem o meu nome nela né? E a azul e ouro também não porque, apesar de não ser flamenguista, curti tanto a camisa que já até usei!

Mas não fique triste não, no perfil do twitter da Olympikus Fla sempre tem promoções. É só segui-los, esperar pela próxima e torcer pra você ser o felizardo!

Imagens: Bloco 2
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A arte da defesa

O Barça é o time espetacular dos craques espetaculares. E uma derrota não é capaz de apagar isto.

A Inter não embasa seu jogo no espetáculo, não precisa de aplausos para se satisfazer, basta vencer. E isto não a diminui.

Defender também uma arte. Uma difícil arte.

Um time para ser campeão não precisa ser Barcelona. Até porque – sem Messi, Xavi, Iniesta e companhia –  fazer o que os catalães fazem é utopia.

A Inter fez o que pôde. E o fez com primazia.

Com um jogador a menos e dois gols de vantagem, o que fazer no Camp Nou contra uma Barça de sonhos? Mourinho pensou que a melhor – e talvez a única possível – estratégia seria defender. Com unhas, dentes e coração.

Assim foi a Inter e a proposta de jogo italiana surtiu resultado. O Barça dominou toda a partida, teve 76% de posse de bola, mas pouco ultrapassou o ferrolho interista. Tanto que dos 15 chutes do Barça, apenas 4 foram ao gol de Júlio César.

Defendo até o último dia o estilo vistoso do Barcelona. É este o futebol que eu gosto de ver, o que me dá prazer. Mas entendo que defender faz parte do jogo e não é tarefa nada fácil, ainda mais quando do outro lado estão Messi, Xavi e Ibrahimovic.

Por isto aplaudo a disciplina e a aplicação tática da Inter. A forma como o time italiano se defendeu foi impressionante e digna de elogios. E a classificação foi mais que merecida.

Mesmo assim, pra mim, o Barça segue sendo o melhor time do mundo. E o melhor jogador? Claro que nada mudou, Messi!

Imagens: Corriere della Sera

A obsessão por chegar a Madrid

Mourinho classificou bem, chegar à final da Champions virou uma obsessão para o Barcelona.

E existe uma razão para isto. Levantar o troféu de clubes mais cobiçado do mundo em pleno Bernabéu com uma equipe que atua com pelo menos 7 jogadores feitos em casa tem um sabor pra lá de especial!

Principalmente em uma temporada onde o Real gastou uma fortuna para reviver os dias galácticos.

Seria um título especial não só para os torcedores barcelonistas, mas também para este grupo de jogadores que tão bem entendeu o espírito do clube catalão.

A obsessão chegou ao Youtube. Em seu canal oficial, o Barça soltou dois vídeos sobre a esperada virada. E você pode vê-los logo abaixo!

Canal do Youtube: FC Barcelona

Com autoridade

Com 3 gols do atacante croata Ivica Olic, o Bayern de Munique passou fácil pelo Lyon, 3 X 0, e garantiu sua vaga na final da Champions.

Os bávaros já haviam vencido na Alemanha por 1 X 0 e agora esperam Inter de Milão ou Barcelona.

É a oitava vez que o Bayern chega à final da Champions, nas outra sete faturou o caneco 4 vezes.

A última final dos alemães foi em 2001, contra o Valencia. A partida decisiva foi jogada no San Siro, em Milão, e o Bayern ficou com o título nos pênaltis, 5 X 4, depois de 1 X 1 no tempo normal e 0X 0 na prorrogação.

Para ver os 3 gols de Olic, clique aqui!

Lamentável

Neymar deu uma dedada no próprio olho. Mas o título do post não tem nada a ver com isto, embora tenha sido uma pena, o jovem craque não virá ao Mineirão e não poderei ver seu exuberante futebol de perto.

Mas o lamentável diz respeito a outro tema, a entrevista concedida pelo jogador do Santos à jornalista Débora Bergamasso, publicada na coluna da Sonia Racy, no Estadão. Uma chuva de bobagens.

Não vou nem entrar na questão do alisamento de cabelo, do dízimo ou dos sonhos de conhecer a Disney e ter um Porsche e uma Ferrari na garagem. Embora eu não congregue dos mesmos valores, acho que estas coisas são pequenices pessoais e não merecem críticas, como diz o dito popular, gosto é gosto e cada um tem o seu.

Mas outras respostas do craque santista me incomodaram de verdade. Não por ele, nada pessoal. Mas a entrevista reflete de forma clara e transparente o modelo esportivo brasileiro que se preocupa única e exclusivamente com a formação de craques e se esquece completamente de que o atleta é, antes de tudo, um cidadão.

Entre outras coisas, Neymar disse que nunca sofreu com o racismo, até porque não é negro. Mostrou total indiferença com a questão política do país declarando que só está tirando o título eleitoral pela obrigatoriedade dos 18 anos, além de não ter a menor idéia de quais serão os candidatos à presidência da república e não ter nenhuma opinião, nem a mais evasiva possível, sobre os dois mandatos do Lula.

Há os que dirão, e daí? Eu, certamente, não sou um destes. Acho lamentável as declarações da jovem estrela. A cidadania não é um direito, é um dever de todos. Ainda mais quando falamos de uma figura pública com tanta penetrabilidade na sociedade como são os jogadores de futebol no Brasil, principalmente os craques, os extra classes.

Gosto muito de ver o Neymar jogando. É um verdadeiro prazer vê-lo brincar com a bola. E minhas críticas nada tem de pessoais. Mas sua genialidade dentro de campo não o exime de ser cidadão. E cá pra nós, besteira tem limites.

Imagem: Santos Sempre Santos

Que saudades do Eto’o

Ontem, a Inter de Milão, jogando em casa, bateu o Barcelona por 3 X 1 e deu um grande passo para chegar à final Champions, algo que não consegue desde 1972, quando os italianos foram derrotados por 2 X0 pelo histórico time do Ajax (Holanda), tri campeão europeu em 71, 72 e 73.

Mas o que mais doeu ontem não foi a derrota, foi ver Samuel Eto’o esbanjando vontade e categoria pelo lado interista.

Eu sei que Milito fez um gol e deu duas assistências, que Sneijder marcou um e deu o passe para o outro e que Thiago Motta roubou duas bolas que resultaram em tentos para os italianos. Eu sei disto tudo, mas mesmo assim, pra mim, o homem do jogo foi Samuel Eto’o.

Ele não fez gol e não deu assistência, pelo menos não diretamente, mas jogou demais!

Do pé do camaronês saiu o passe para Milito rolar pra Sneijder empatar a partida. E do pé dele saiu o cruzamento para a cabeçada de Sneijder que resultou no gol impedido de Diego Milito. Sem falar que no segundo gol, quem puxou toda a defesa para Maicon entrar livre e marcar foi Eto’o.

O ex centroavante do Barça – que tem 2 títulos de Champions com o time catalão, e marcando nas duas finais – ainda ajudou muito na marcação, combatendo os avanços de Maxwell e Keita pelo lado direito da defesa italiana.

Eto’o vem mostrando que além muito talento, também é capaz de jogar taticamente em função do time, um jogador completo.

E vem fazendo falta ao Barça. Embora Ibra também seja um craque, o futebol de Samuel Eto’o casa muito melhor com o estilo de jogo do time catalão. Ibra joga muito, mas Eto’o também. E o camaronês tem um futebol mais leve, mais fluente, muito mais condizente com o estilo barcelonista.

E confesso, ontem deu saudades…

Imagem: OleOle

Sem desculpas

Não me venham dizer que isso é coisa do jogo. A falta é do jogo, a briga é do jogo, racismo e cusparadas não.

Não me venham dizer que ele foi agredido, pois para isto existe a outra face. E se o revide é inevitável, como manda o ensinamento da vó, é dado na mesma moeda.

Não me venham dizer que o futebol é um mundo à parte. Não é. O futebol faz parte da nossa sociedade, está inserido em nossa cultura, nada de à parte.

Sem desculpas para Danilo.

Se o zagueiro palmeirense – antes de cuspir e ofender – foi agredido por Manoel, esta é outra história que deveria ter sido cuidada pelo árbitro da partida e se não foi, que fique por conta do STJD.

o que fez Danilo é caso de polícia, de algema. O crime de racismo está previsto no código penal brasileiro

1) Constituição Federal de 1988:
“Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…)
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;”

2) Código Penal, artigo 140:
“Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem:
Pena: reclusão de um a três anos e multa.”(inserido pela Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997).”

Infelizmente, na esfera criminal a coisa já foi aliviada e como quase sempre acontece Danilo deve responder a processo por Injúria Racial, crime mais brando que o de Racismo que é inafiançavel e imprescritível.

Já a justiça esportiva deve ser mais dura com o valentão alvi verde. Pode pegar 22 jogos de suspensão, sem falar na multa que pode chegar aos 100 mil reais. É pouco pelo que ele fez.

E antes que me chamem de xiita, radical ou qualquer outra coisa, reafirmo, é pouco.

Danilo desceu ao patamar mais baixo a que um homem pode chegar. Humilhou, desumanizou um companheiro de profissão e, pior, um garoto que ele viu subir da base do Furacão.

Danilo não cuspiu em Manoel, cuspiu em todos nós.

Ao chamar Manoel de macaco não ofendeu apenas o jovem e promissor zagueiro do Atlético Paranense, mas toda sociedade que ainda é obrigada a conviver com este tipo de coisa.

Porque o racismo não é um problema dos negros, é um problema de todos.

Por isto, sem desculpas para Danilo.

Imagem: Um tiro no escuro