Um beija flor entre os leões indomáveis

O Giuseppe Meazza nunca mais foi o mesmo depois daquele oito de junho. Quantos derbys dellaa madonnina já passaram, quantos craques já pisaram seu gramado, quantas vezes as redes já balançaram ali, mas nunca mais como naquela mágica tarde de oito de junho.

De um lado os argentinos com toda sua tradição, classe e soberba. Envoltos no manto alviceleste, os hermanos desfilavam pálidos, lúridos, atônitos com tamanho fulgor vindo dos adversários; aqueles verdadeiros leões vestidos de verde, amarelo e vermelho que, com seu negrume, pareciam carregar todas as cores do mundo.

El pibe deoro não conseguia brilhar, era ofuscado pelas presas africanas que logo se converteriam em predadoras, destruindo em segundos a glória de dois mundiais, a história de mais de um século de futebol em terras platinas.

Aos vinte e dois minutos do segundo tempo uma falta que Makanaky desviou meio sem jeito no primeiro pau. A bola subiu, roçou as nuvens de Milão e, provavelmente, foi tocada por um dos Deuses dos estádios, quem sabe Schiavio, quem sabe Santagostino ou até mesmo Meazza.

Quando a esfera atingiu o topo de sua parábola, faltando muito pra voltar ao campo de jogo, François Omam-Biyik saltou e os argentinos o olharam com estranheza. O camisa sete esguio e desengonçado não se deteve com o assombro dos adversários e simplesmente pairou. Durante minutos ficou ali, parado sobre a cabeça de Néstor Sensini, como um beija flor. Sem se importar com o tempo nem com a distância, só esperando pacientemente a bola voltar.

E quando ela voltou bastou um leve toque de cabeça para vencer o goleiro argentino e encher de alegria as redes do San Siro. As cores da África invadiam a Itália, pintavam o mundo.

Naquela tarde de oito de junho, o verde, o amarelo e o vermelho representaram muito mais que a união do continente negro, simbolizaram o conúbio de todo universo da bola com aqueles guerreiros de ébano, com aqueles leões indomáveis.

E entre os leões, havia um beija flor.

Imagem: Kenyan List
Vídeo: Obsessional TV

I Seminário do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa

Neste fim de semana, Belo Horizonte recebe o I Seminário do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa.

O objetivo é discutir os impactos da Copa de 2014 no Brasil e, principalmente, em BH.

Embora a grande mídia apresente a Copa como uma consolidação da estabilidade econômica no país e uma fonte de oportunidades e criação de renda para a população, megaeventos desta magnitude trazem também uma série de interferências sociais que podem culminar em um Estado de Exceção, propício a todos os desmandos e desrespeitos aos direitos humanos e sociais.

Sem falar na torneirinha de dinheiro público que jorra, jorra, sem o menor controle das autoridades que deveriam ser responsáveis pelo correto uso do erário público.

Além dos painéis de debate e dos grupos de trabalho que se formarão no Seminário, o evento terminará com um campeonato de pelada que será realizado na Praça da Estação, um dos espaços públicos de BH com uso mais questionado pela poluação no último ano.

Abaixo, a programação do I Seminário do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa.

Sexta – 13/05

18 Horas – Painel 1 – Os Megaeventos e as violações aos direitos humanos e sociais

Sábado – 14/05

9 Horas – Painel 2 – A Cidade de Exceção e a Copa do Mundo

11 Horas – Painel 3 – Mobilidade Urbana pra quem?

14 – HorasGrupos de Trabalho

18 Horas – Painel 4 – Impactos de economia e urbanística decorrentes da realização do Mundial da Fifa no Brasil

Local dos painéis e dos grupos de trabalho: Auditório da Faculdade de Direito da UFMG (avenida João Pinheiro, 100, centro de Belo Horizonte).

Domingo – 15/05

Copelada – Campeonato de Pelada (inscrições às 15 horas e início dos jogos às 16 horas).

Local do Copelada: Praça da Estação, centro de Belo Horizonte.

O Comitê Popular dos Atingidos pela Copa 2014 é composto por pessoas de diversos setores da sociedade e busca discutir e entender os processos para a realização da Copa do Mundo de 2014. O objetivo do coletivo é fiscalizar e pressionar as autoridades quanto à utilização do dinheiro público na Copa, assim como o usofruto dos benefícios do evento por parte das cidades e suas populações.

Pra quem curte o tema, o Ópio do Povo tem a campanha 2014 – Eu não quero pagar a conta, participe!

Imagens: Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa – BH

Abram se as torneiras…

Nesta segunda, 19 de julho, o presidente Lula anunciou investimentos na ordem de 23,5 bilhões de reais para as obras necessárias para a realização da Copa do Mundo de 2014 e assinou a medida provisória que aumenta o limite de endividamento das cidades que sediarão jogos do mundial.

Sobre os investimentos, a maior parte será destinada à questão da mobilidade urbana, metrôs, linhas de ônibus, anéis rodoviários, viadutos e afins. 11,5 bilhões de reais serão alocados nesta questão que engessa as metrópoles brasileiras.

5,5 bilhões de reais serão destinados à melhoria dos aeroportos e outros 740 milhões de reais serão investidos na revitalização de 7 portos.

1 bilhão de reais será investido na ampliação e incremento da rede hoteleira. O BNDES também criará uma linha especial de crédito para a construção e reforma de estádios estimada em 4,8 bilhões de reais.

Sobre a MP, ela passa por cima de um acordo firmado em 2001 entre União e Municípios que fixava o limite de endividamento das cidades em 100% de suas receitas líquidas anuais. Com a assinatura da medida provisória, os municípios podem agora contrair dívidas no valor de 120% da receita.

Lula disse que não quer que a história do Pan de 2007 se repita. Pelas primeiras páginas do conto, dá pra imaginar que o final não será o mesmo?

Os Destaques da Copa

Craque Andrés Iniesta (Espanha).

Jogador Revelação (Sub 21) – Thomas Müller (Alemanha).

Melhor GoleiroIker Casillas (Espanha).

Melhor DefensorPer Mertesacker (Alemanha).

Melhor MeiaAndrés Iniesta (Espanha).

Melhor Atacante Diego Forlán (Uruguai).

Melhor TécnicoJoachim Löw (Alemanha).

Melhor ÁrbitroRavsham Irmatov (Uzbequistão).

Melhor Bandeira Rafael Ilyasov (Uzbequistão).

Melhor Defesa Luis Suárez (Uruguai) no jogo contra Gana nas quartas.

Gol Mais Bonito Quagliarella (Itália) no jogo contra a Eslováquia na primeira fase.

Personagem – Polvo Paul.

Melhor Imagem: A entrada em campo da seleção sulafricana na partida inaugural contra o México.

Melhor Jogo Alemanha 4 X 1 Inglaterra.

Jogo Mais EmocionanteUruguai 1 X 1 Gana.

A Seleção da Copa

Publico agora a minha, ou melhor, as minhas seleções da Copa.

Primeiro e segundo time porque escolher só 11 é muito difícil.

Primeiro Time (3-2-3-2)

Segundo Time (4-1-3-2)

Imagem Original: Submarino
Efeitos: Picnik

O futebol agradece

Iniesta curtindo o troféu de campeão. O meia do Barça foi o autor do gol do inédito título espanhol.

A Espanha é campeã do mundo… e o futebol agradece!

A conquista espanhola mostra que a beleza não exclui a competitividade e coloca um ponto final na falácia de que para vencer uma Copa os elementos fundamentais são força, garra e brutalidade. Depois da Fúria, ninguém há de dizer que é necessário jogar feio pra ser campeão.

A Espanha venceu a Copa na África do Sul com todos os méritos. Trabalho árduo que teve início na primeira metade dos anos 90, momento em que o país ibérico descobriu e acreditou que o esporte seria capaz de mudar a nação. Desde 1999, os títulos e os bons resultados nas seleções de base se acumulam. O reflexo do trabalho sério e duradouro nas categorias inferiores apareceu no time adulto com os títulos da Euro 2008 e da Copa do Mundo de 2010.

Falando só sobre dentro do campo, também não dá pra falar que a Espanha não seja uma campeã meritória. Nas últimas 54 partidas a Fúria venceu 49, empatou 3 e só perdeu duas. No Mundial os comandados de Vicente del Bosque não começaram bem, mas cresceram ao longo da competição.

Nos 7 jogos da Copa, em 6 a Espanha teve mais que 57% de posse de bola. É o time que mais gosta de ter a gorducha nos pés, é o time que melhor a trata. Dos 7 maiores passadores do Mundial, 6 são espanhóis. O principal deles o genial Xavi Hernández que acertou nada menos que 544 passes em 669 tentados, uma eficiência de 81%. Xavi acertou 116 passes a mais que o segundo colocado, o alemão Bastian Schweinsteiger. E se engana quem acha que a Espanha só toca a bola de lado e por isto detém números tão expressivos. A efetividade do time impressiona, 81% nos passes curtos, 84% nos passes médios e 63% nos lançamentos longos.

A Espanha também mereceu porque soube ousar. Pedro, que antes do Mundial nunca havia vestido a camisa da seleção profissional, foi titular na final da Copa. Uma lição pra Dunga que se negou a chamar o Ganso porque o meia do Santos não tinha experiência com a amarelinha.

Na final não teve muita discussão. A Holanda chegou a assustar e poderia até ter vencido no tempo normal, mas a Espanha foi bem superior. Começou o jogo marcando pressão e ao longo da partida teve 57% da posse de bola. Sem muito o que fazer, os holandeses abriram a caixa de ferramentas, cometeram 28 faltas e terminaram o cotejo com um jogador expulso e 9 amarelados.

Xavi e Iniesta foram verdadeiros maestros, ditaram o ritmo e deram o compasso ao jogo. Busquets e Xabi Alonso também tiveram boas atuações, assim como a dupla de zaga Piqué e Puyol e o goleiro Iker Casillas, que salvou a Fúria em pelo menos duas oportunidades claras nos pés de Robben.

A Espanha é campeã do mundo com todos os méritos e glórias! Um time de jogadores virtuosos que consegue encantar e ser competitivo, um futebol maravilhosos e envolvente, de muito toque de bola e refinada técnica.

O futebol comemora seu novo campeão e mostra a todos que, antes de tudo, para vencer é preciso jogar bem. E parafraseando o poetinha, que me perdoem os guerreiros, mas beleza – até no futebol – é fundamental.

Imagem: Fifa

Análise e Palpite da Grande Final

Espanha e Holanda nunca se enfrentaram em Copas do Mundo. Fora dos Mundiais foram 9 confrontos, 4 vitórias para cada lado e um único empate. Equilíbrio histórico que deve se repetir no Soccer City neste domingo.

Dois times que gostam da gorduchinha. Espanha e Holanda baseiam seus jogos na posse de bola, o que pode representar um grande duelo no meio de campo. Do lado laranja, Sneijder é quem deve ditar o ritmo. Do lado ibérico todo o jogo deve passar pelos pés de Xavi e Iniesta.

A Holanda tem uma campanha irrepreensível nesta Copa do Mundo. Venceu seus 6 jogos e mais além dos resultados, o que mais impressionou foi a segurança com que os comandados de Bert van Marwijk conseguiram as vitórias. Uma equipe madura que sabe exatamente o que fazer dentro de campo.

Já quanto à campanha espanhola na África do Sul existem reservas. A Fúria estreou com derrota para a fraquíssima Suiça e cambaleou na primeira fase. Mas o time espanhol vem crescendo e mostrou suas garras na semifinal, quando não deu a menor chance à Alemanha, equipe sensação do Mundial.

A Holanda tem um grande time e isto é inegável. Uma equipe muito bem armada, consciente e com dois craques, Arjen Robben e Wesley Sneijder. Mas a Espanha é bem mais que um grande time.

A Fúria é a síntese daquilo que se convencionou chamar de futebol bonito. Um estilo de jogo clássico, plástico e ainda assim eficiente.  Muita posse de bola, troca de passes e movimentação, uma equipe que encanta. É verdade que às vezes falta um pouco de profundidade ao time, mas a entrada de Pedro melhorou muito esta questão.

E se a Holanda tem dois craques, a Espanha conta com dois monstros, dois verdadeiros fenômenos. Xavi e Iniesta são dois dos jogadores mais inteligentes da história do futebol. Rápidos, técnicos e incrivelmente lúcidos, os meias do Barça se complementam perfeitamente e formam a melhor dupla de meio de campo do mundo. E como é bom vê-los jogar, tudo parece tão fácil, tão simples.

Se a Holanda é a seleção há mais tempo invicta no futebol mundial, a Espanha é aquela que mais encantou nos últimos 4 anos. Dos últimos 53 jogos, a Fúria venceu 48, empatou 3 e perdeu apenas dois. Curiosamente, as duas derrotas aconteceram na África do Sul; 3 X 0 para o Estados Unidos na Copa das Confederações do ano passado e 1 X 0 para a Suiça na estréia deste Mundial.

Aonde quero chegar é que se existe justiça no universo da bola, a Espanha tem que vencer esta final!

Meu Palpite: Espanha 3 X 1 Holanda.

Imagens Originais: Spanskespanol e NowPublic
Colagem: Picnik

Análise e Palpite da Disputa pelo 3º lugar

Alemanha e Uruguai entram em campo neste sábado, em Porto Elizabeth, para saber quem fica com o 3º lugar da Copa do Mundo. As duas seleções podem ser consideradas as grandes sensações do Mundial. Os alemães pelo belo futebol apresentado, especialmente contra Inglaterra e Argentina, já a Celeste pela garra e superação, características marcantes da campanha uruguaia.

A Alemanha fez aquilo que está acostumada e aquilo que dela se espera. É a décima primeira vez os germânicos ficam entre os 4 primeiros da Copa, sem dúvida a seleção mais copeira da história dos Mundiais. Muita gente anda dizendo que o time de Joachim Low entra desmotivado na partida deste sábado, mas quem conhece a história do país e do futebol alemão sabe que isto não é verdade. A Alemanha entrará pra ganhar e igualar a posição na última Copa. Além do objetivo coletivo, faltam apenas dois gols para que Miroslav Klose ultrapasse Ronaldo e se torne o maior artilheiro de todas as Copas. E o time vai querer ajudá-lo a atingir a marca histórica.

Diante das expectativas, podemos dizer que o Uruguai fez um Mundial soberbo! Alcançou as semifinais, algo que não acontecia há 40 anos. A Celeste voltou a ser grande e a missão já foi mais do que cumprida. Mesmo assim o jogo de amanhã vale muito para os sulamericanos que, com certeza absoluta, querem fechar a campanha com a vitória e a terceira posição na competição, ultrapassando a campanha de 1970. Aliás, no México os uruguaios foram derrotados na disputa de terceiro lugar pela própria Alemanha, 1 X 0, gol de Overath.

Indiscutivelmente a Alemanha tem mais time que o Uruguai. Os sulamericanos podem estar mais motivados pelo retorno à elite do futebol mundial, mas os germânicos não entrarão em campo pra brincar. Thomas Muller volta querendo mostrar que poderia ter feito a diferença na semifinal, Klose que quer virar o maior artilheiro da história das Copas.

Meu Palpite: Alemanha 4 X 2 Uruguai.

Imagens Originais: ETF Trends e DHnet
Colagem: Picnik

2014 – Eu Não Quero Pagar a Conta!

Ontem, 8 de julho, foi apresentada ao mundo a logomarca da Copa de 2014 que, como todos devem saber, acontecerá no Brasil.

A logo é até bonita, mas conhecendo a realidade tupiniquim fica impossível não relaciona-la às falcatruas e ao mau uso do dinheiro público, coisas tão comuns em nosso país.

Aproveitando a deixa da mãozinha na taça, o Ópio do Povo lança a campanha: 2014 – Eu Não Quero Pagar a Conta!

Nada contra uma Copa do Mundo no Brasil, uma espécie de Disneylândia para um viciado em futebol como eu. O problema não é o Mundial em si, mas quem vai pagar a conta. E conhecendo nossa história, é óbvio que o dinheiro virá – quase em sua totalidade – do setor público. E com isto não posso concordar.

Apóio a Copa do Mundo do Brasil, desde que o dinheiro para bancá-la saia do setor privado. Afinal, é só ele que ganha com o evento. Que os governos estaduais, municipais e, claro, o federal coloquem recursos públicos em infra estrutura das cidades, tudo bem, este é um de seus deveres. Mas pelo que vimos do Pan de 2007 e pelo nosso histórico, o suado dinheiro do contribuinte será despejado aos milhões na construção e reforma de estádios, o que é um absurdo. Sem falar nos tradicionais superfaturamentos e desvios de verba, realidades que não podemos ignorar.

Um exemplo disto vem de São Paulo. O Morumbi não agrada Fifa e CBF que pressionam o poder público pela construção de um novo e desnecessário estádio na capital paulista. Como sempre lembra o Mauro Cezar Pereira, por que a entidade máxima do futebol brasileiro não junta seus 10 patrocinadores e constrói uma nova arena em São Paulo? Porque nossa cultura e nossa história dizem que é só esperar para que o Estado – pai dos pobres e amigo dos poderosos – abra as torneiras e despeje o dinheiro público nesta Copa.

Eu quero ver a Copa do Mundo no Brasil, mas não quero pagar a conta pois entendo que existem um milhão de coisas bem mais urgentes em nosso país. Se você também pensa assim, apóie nossa Campanha, ponha o selo em seu blog, divulgue! Como cidadãos, devemos dizer aos nossos representantes eleitos que não apoiamos a farra do boi.

2014 – Eu Não Quero Pagar a Conta!

Pra participar é só colocar o selo em seu blog ou sítio. O código html está logo abaixo, basta colá-lo na barra lateral do seu blog ou onde queira estampar a campanha!

Código HTML: <a href=”httphttps://opiodopovo.wordpress.com/2010/07/09/2014-eu-nao-quero-pagar-a-conta/” target=”_blank”><img src=”https://opiodopovo.files.wordpress.com/2010/07/selo1-copia.jpg ” width=”170″ height=”268″>

Arte: Val Prochnow

Quem pagará sua dívida?

Fernando Torres e Robin Van Persie são dois ótimos jogadores. Técnicos, habilidosos, com um excelente trato de bola e faro de gol.

Mas ambos não demonstraram essas qualidades nos gramados da África do Sul e estão devendo nesta Copa.

Torres atuou na seis partidas da Espanha, totalizando 277 minutos em campo. Foi titular 5 vezes e não marcou nenhum gol. Deu 13 chutes e somente dois acertaram a meta adversária, baixíssimo aproveitamento para um atacante tão bom quanto Torres.

Van Persie foi titular nas seis partidas da Holanda e só marcou um golzinho contra Camarões. Passou 479 minutos em campos e finalizou 15 vezes, tendo acertado o alvo em apenas 6 oportunidades, o que dá uma média de apenas um chute certo por jogo. Van Persie ainda ficou impedido 8 vezes, número alto se comparado com suas finalizações corretas.

Torres e Van Persie estão devendo até aqui. Mas os dois têm uma chance de ouro para que ninguém se lembre de suas más atuações na África do Sul. Basta um golzinho no domingo, um gol que garanta o inédito título da Copa do Mundo para Espanha ou Holanda e pronto, um dos dois vira herói.

E aí, quem vai pagar a dívida?

Imagens Originais: Edu Garcia Lopez e GameSpot Unions
Colagem: Picnik

A profecia de Milton Nascimento e Leila Diniz

José Trajano é o jornalista esportivo mais musical que eu conheço. Tenho me divertido com suas dancinhas no videoblog, uma graça!

Ele tem fama de mal humorado, mas quem acompanha a transmissão da Copa do Mundo pela ESPN Brasil tem visto outro Trajano na África do Sul, sorridente, brincalhão e cheio de graça.

Mas não é sobre isto que eu quero falar. Ontem, após a semifinal que garantiu a Espanha na decisão, Trajano trouxe à luz uma bela canção de Milton Nascimento e Leila Diniz chamada Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco.

Esta música foi lançada originalmente no álbum Sentinela, de 1980, mas foi composta bem antes já que Leila faleceu em 1972.

Os primeiros versos da canção:

Brigam Espanha e Holanda
pelos direitos do mar.

Espanhóis e holandeses brigam neste domingo pelo título da Copa do Mundo. A final será em Joanesburgo, longe do mar. Mas a lembrança vale em tom de profecia.

Salve Milton e Leila! Salve a boa música e o bom futebol!

Clique no rádio logo abaixo para ouvir a versão original da música Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco. A versão conta com uma gravação da própria Leila Diniz, lindíssima!

Análises e Palpites das Semifinais – II

Alemanha e Espanha fazem a segunda semifinal da Copa do Mundo da África do Sul, uma repetição da decisão da última Eurocopa. Há dois anos, em Viena, deu Espanha 1 X 0, gol de Fernando Torres. Em Mundiais, estas duas seleções já se encontraram 3 vezes. Duas vitórias alemãs por 2 X 1 – em 66 e em 82 – e um empate, 1 X 1 em 94.

Muita expectativa em torno deste jogo. De um lado a tradicional Alemanha, equipe veloz, organizada e letal; melhor time da Copa até aqui. Do outro a Espanha da posse de bola, dos toques curtos e envolventes; a Fúria que jogou o melhor futebol entre as Copas de 2006 e 2010.

O favoritismo, logicamente, é alemão. Pela camisa, pela história, pela tradição copeira e, principalmente, pelo futebol apresentado na África do Sul. A Alemanha passou bem pela Inglaterra e simplesmente não tomou conhecimento da Argentina, 4 X 0, fora o baile. Para a semi, Joachim Low não poderá contar com o ótimo Thomas Muller, suspenso pelo segundo cartão amarelo, o que é um grande problema. O favoritismo germânico existe, mas é moderado. A Espanha é um grande time e pode sim chegar à final.

Fernando Torres, autor do gol do título na Euro 2008, está muito mal fisicamente e deve perder a vaga de titular na semifinal. Infelizmente, as notícias dão conta que Vicente del Bosque escolherá David Silva para seu lugar, eu preferia Cesc Fàbregas. Com Busquets e Xabi Alonso no time, acho que o treinador espanhol poderia tentar uma linha de 3 armadores atrás de David Villa, com Iniesta, Xavi e Fàbregas. Outra coisa, se pro lugar de Torres a opção é por algum jogador que atue mais pelo lado do campo, que coloque o Pedro, muito melhor que o David Silva e que o Jesús Navas.

Promessa de jogão! Eu também considero a Alemanha a grande favorita ao caneco. Mas, contraditoriamente, aposto na Espanha para a conquista do título. Nem sempre os favoritos vencem e acho que chegou a hora da Fúria.

Meu Palpite: A Espanha vence por 3 X 1.

Imagens Originais: Spanskespanol e ETF Trends
Efeitos: Picnik

Análises e Palpites das Semifinais – I

Holanda e Uruguai fazem uma das semifinais da Copa do Mundo da África do Sul. Um confronto que tem uma pitada de história pois, como bem lembrou o PVC, foi uma partida entre estas duas seleções, no Mundial de 74, que marcou a saída uruguaia e a entrada holandesa na elite do futebol.

Para o jogo de hoje, na Cidade do Cabo, a Holanda é franca favorita. Mas isto não quer dizer que a partida será fácil ou que o Uruguai já está fora, nada disto. A tendência é de um jogo complicado e nervoso, afinal, é semifinal.

O Uruguai é a maior e melhor surpresa desta Copa. Como é bom ver novamente a camisa celeste entre os finalistas, entre os melhores do mundo. O time tem muitos problemas. Suárez e Fucile suspensos, além do miolo de zaga titular que estará desfalcado. Godin e Lugano, machucados, são dúvidas e apenas um deles deve entrar em campo. Talvez nenhum.

Na Holanda também não é tudo cor de rosa. Van Persie deve jogar, mas ainda sente a contusão no braço esquerdo. Mathijsen, que se machucou no aquecimento da partida contra o Brasil, é dúvida e também são dois os suspensos do lado laranja, o lateral Van der Wiel e o volante Nigel De Jong. Demy De Zeew, que deve entrar no meio de campo, é um excelente jogador. É verdade que pega um pouco menos que De Jong, em compensação, com a bola nos pés, tem bem mais qualidade que o titular.

A Holanda é melhor e disto não tenho dúvidas, mas o Uruguai é um time bem organizado, super motivado, que marca muito e, mesmo sem Luis Suárez, é extremamente perigoso na frente, principalmente com Diego Forlán que vem fazendo uma excelente Copa do Mundo.

A Holanda é favorita, mas não vejo a barbadinha que está sendo cantada por aí. Acredito em um jogo pegado, nervoso, com o Uruguai vendendo muito caro a derrota.

Meu Palpite: A Holanda vence por 1 X 0.

Imagens Originais: DHnet e NowPublic
Efeitos: Picnik

A Alemanha do inexplicável e a tradição copeira

A Alemanha é apontada por quase todos como o grande time da Copa do Mundo. Um futebol rápido e extremamente coletivo que vem encantando a todos.

Dois jogadores, pilares desta equipe, são exemplos de que o futebol nem sempre é muito lógico.

Arne Friedrich é o equilíbrio da defesa alemã. Bem no combate, bem na sobra e nas eventuais subidas ao ataque, Friedrich aparece em quase todas as listas dos melhores da Copa. Algo pouco provável se olharmos para sua temporada.

Friedrich foi o líder e capitão do Hertha Berlim, time que teve uma temporada pífia e acabou rebaixado para segunda divisão do campeonato alemão. Depois de 34 rodadas, o Hertha venceu apenas 5 jogos, marcou somente 24 pontos e terminou na última colocação da Bundesliga. E a defesa tomou notáveis 56 gols.

O atacante Miroslav Klose já balançou as redes 4 vezes neste Mundial. Briga pela artilharia não só desta edição, mas da história das Copas. Com 14 gols anotados em 3 mundiais, o alemão está a apenas um golzinho de igualar e dois de ultrapassar o recorde de Ronaldo. Sem falar que está a dois jogos do título.

Em compensação, Klose fez apenas 11 partidas como titular do Bayern de Munique nesta temporada. Saindo do banco, entrou em campo outras 14 vezes e marcou somente 3 gols. Números bem modestos para aquele que pode se tornar o maior artilheiro da história das Copas.

Mais que inexplicável, a atuação de Friedrich e Klose em seus clubes e no Mundial mostra uma coisa, o quão copeira é a Alemanha.

Um milhão de bolas para a África

Aproveitando o embalo da Copa, a fabricante de automóveis Hyundai, da Coréia do Sul, lançou uma campanha interessante que objetiva distribuir bolas de futebol em todo o continente africano.

Uma bola será doada para cada carro da montadora vendido e para cada pessoa que entrar na página da Hyundai no Facebook e apertar o botão Curtir. No Brasil, mais de 40 mil pessoas já estão curtindo e contribuindo para a campanha.

O objetivo é chegar a um milhão de bolas doadas, daí o nome da ação Um Milhão de Bolas de Sonho.

Imagem: Hyundai