O lúdico, o democrático e a queda do melhor time do mundo

Dois aspectos diferenciam o futebol de todas as demais modalidades esportivas, o lúdico e o democrático.

O lúdico porque somente no futebol é permitido brincar. Não há restrição ao tempo de posse de bola, ao número de toques permitidos à uma equipe que pode entrar em campo e simplesmente jogar, se divertir.

E o democrático porque, no esporte bretão, nem sempre importa ser o melhor ou o mais forte. Não há garantias de que o gigante Golias derrube o pequeno Davi e a vitória não está previamente reservada a quem é tecnicamente superior.

Estes dois aspectos, diferenciais do futebol, estão intrinsecamente relacionados com o empate/vitória do Chelsea no Camp Nou que classificou o time inglês para a final da Champions.

O lúdico porque reside aí a principal explicação para desclassificação do Barcelona, analisando apenas a postura do time catalão e sem entrar nos méritos – que foram muitos – da equipe londrina. O Barça desistiu de brincar muito cedo na partida contra o Chelsea, talvez motivado pelo improvável e belíssimo gol de Ramires no finalzinho da 1ª etapa. Com 15 minutos do 2º tempo os catalães já haviam se esquecido de si mesmos e, como se não fosse o Barça, começou a usar e abusar do chuveirinho, olvidando das características que o levaram até à semi, o tiki taka envolvente que encantou o mundo nos últimos anos.

E o democrático porque mesmo o Chelsea sendo um timaço, o jogo representou a derrota, mesmo o resultado sendo de empate, do melhor time do mundo. E mais, com um pênalti perdido pelo melhor jogador mundo que, ainda assim, considero de outro mundo.

E isto nada muda com o resultado desta terça. Sim, o Barcelona ainda é o melhor time do mundo, assim como Messi ainda é, bem à frente dos demais, o melhor e mais genial jogador de futebol deste e de outros possíveis mundos. Embora muitos queiram colocar a desclassificação como o fim do encanto e da fantasia, o Barça segue sendo uma equipe fantástica que vem batendo recordes e fazendo história e que, pelo menos pra mim, ainda está longe de fechar seu ciclo virtuoso, principalmente se Pep Guardiola permanecer no clube ou se seu sucessor for alguém que tenha a mesma filosofia de trabalho, Tito Vilanueva por exemplo.

Voltando ao duelo da semi, o Chelsea carimbou sua passagem para Munique com toda justiça e merecimento. Sabendo que não poderia encarar o esquadrão azul e grená de igual para igual adotou uma proposta defensiva e, o mais importante, não abandonou o sistema durante um único minuto. Tanto no Stamford Bridge como no Camp Nou, os Blues foram extremamente aplicados, determinados, disciplinados e inteligentes para enfrentar o melhor time do mundo. O Chelsea não usou de recursos baixos para tumultuar o jogo, não deu pancada, não polemizou, nada disto, marcou. Fechado no Catenaccio de Di Matteo, a equipe inglesa jogou muita bola, defensivamente falando, mas como disse anteriormente, defender também é uma parte importante do futebol e, por que não, uma arte.

Os ideólogos do futebol bailarino de pedaladas, firulas e ataque a todo custo hão de criticar, mas defender também é uma arte e também pode levar aos títulos. Não fosse assim, não teríamos na Itália uma das maiores potências do futebol mundial ao longo destes mais de cem anos do esporte bretão.

Por isto, não há que se tirar o crédito da classificação londrina. O Chelsea mereceu porque foi melhor que o Barcelona mesmo sendo inferior.

Eu sou um confesso admirador do estilo barcelonista de jogar futebol e considero o time da Era Guardiola o melhor que já vi jogar, melhor inclusive que o Milan dos holandeses que assombrou o mundo no final dos anos de 1980 e início da década de 1990. Até por causa da minha ligação com o basquete, babo ao ver Messi, Iniesta e Xavi dispostos em triângulos, como nos ensinaram os mestres John Wooden e Tex Winter no esporte da bola laranja. Mas nem por isto deixei de vibrar com a classificação do Chelsea.

Porque a exemplo do que disse o Mauro Cezar, não considero a vitória inglesa uma derrota do futebol. Pelo contrário, o futebol só ganhou com o que vimos nesta terça, 24 de abril. A classificação dos Blues foi linda e verdadeiramente emocionante. Ainda mais com o gol que selou a classificação sendo marcado por Fernando Torres, um jogador que custou uma fortuna, que até então não havia produzido absolutamente nada e que, durante toda esta temporada, foi uma chacota na imprensa mundial pelos gols perdidos e atuações muito abaixo da crítica e do que ele pode produzir.

Nem em Hollywood podiam um prever um roteiro assim e é por isto que o futebol é o esporte mais popular do mundo.

Pra fechar, um breve comentário sobre a tolice humana. Após o jogo, pulularam nas redes sociais diversos comentários sobre um Messi pipoqueiro que amarela em decisões, uma besteira sem tamanho. Só pra lembrar, Messi tem apenas 24 anos e já tem 3 títulos da Champions, marcando gols em duas destas 3 decisões. Antes dos 25 já se tornou o maior artilheiro da história do Barça e aqui lembro aos pachecos de plantão que por lá passaram Ronaldo, Ronaldinho e Romário, pra citar só 3 exemplos. Ele tem 5 títulos espanhóis, foi artilheiro da Champions por 3 edições seguidas e ainda pode ser pela 4ª. Sem falar nos seu histórico de gols e assistências nos clássicos contra o real Madrid. Portanto, chamar Messi de pipoqueiro é de uma tolice sem tamanho que só pode ter origem no pachequismo desmedido de quem não aceita que o melhor do mundo é um argentino e não um brasileiro.

No mais, parabéns ao Chelsea, ao técnico Roberto Di Matteo e a todo elenco londrino, especialmente a Petr Cech, Gary Cahill, Ramires, Frank Lampard, Fernando Torres, Raul Meireles e Didier Drogba, heróis da histórica classificação do time londrino.

Imagens: ESPN Brasil e Barcelona

Super Messi!

Nesta quarta, 17 de agosto, fui ao cinema para ver a decisão da Supercopa da Espanha entre Barcelona e Real Madrid.

A experiência de ver um jogo de futebol na telona e, principalmente um jogo do Barça, é quase indescritível, simplesmente sensacional.

O que eu e Val não sabíamos é que veríamos um filme de super heróis, um thriller de mocinhos e bandidos…

A partida foi demais, teve de tudo. Golaços, disposição tática, pancadaria, confusão e muito futebol.

Pelo lado do Real, alguns pontos positivos: a marcação pressão no campo de ataque, um Di María muito lúcido na meia cancha e um Benzema agudo na frente que fez lembrar aquele atacante que surgiu com toda pompa e classe no Lyon.

De negativo o de sempre, Pepe, Khedira e Xabi Alonso dando porrada atrás de porrada, Cristiano Ronaldo nos já tradicionais chiliques e Mourinho com a velha soberba, tentando tirar o foco do campo e bola, talvez a única forma de bater o esquadrão azul e grená. Sem falar na covardia do lateral Marcelo, primeiro um chute sem bola no quadril de Messi, depois um tesoura assassina no estreante Cesc Fàbregas.

Pelo lado catalão, vários destaques. Abidal e Mascherano muito bem na linha defensiva, Xavi com sua visão de raio x, capaz de enxergar todos os espaços do campo, e Iniesta jogando o fino da bola, com direito a golaço e a caneta desmoralizante.

Mas o diferencial do Barça, mais uma vez, foi o argentino Lionel Messi. Ou como estamparam os jornais catalães nesta manhã, Super Messi!

A Pulga foi caçada em campo. Sofreu mais de 10 faltas na partida, foi chutado por Marcelo sem bola, covarde. Mas os super heróis não se importam com vilania alheia e mais uma vez brilhou a estrela do Super Messi.

No primeiro gol Barcelonista, o argentino carregou a bola pelo meio, fez com que o ótimo Ricardo Carvalho saísse em seu encalço e, com um passe magistral, colocou Iniesta na cara do gol, jogada finalizada com com maestria pelo meia.

No segundo, uma improvável tabela no meio da área. Messi de peito, Piqué de calcanhar e Messi pras redes com um toque de crueldade que deixou Iker Casillas estatelado no chão e Cristiano Ronaldo de joelhos, na vã tentativa de parar o argentino.

Quando Benzema empatou a partida, aos 36 do segundo tempo, todos se acomodaram nas poltronas do cinema já à espera da prorrogação. 

Mas o Barça tinha Messi, ou melhor, Super Messi!

Aos 44, Fàbregas tocou a bola pro argentino na ponta da área e, de primeira, ele achou Adriano nas costas de Marcelo. O lateral devolveu a bola pro meio da área, buscando Seydou Keita, prontinho pra balançar as redes. Mas Messi se antecipou ao malinês e, também de primeira, soltou uma bomba sem chances de defesa para Casillas. Gol, vitória e título pro Barcelona de Super Messi!

Na temporada passada, Messi balançou as redes 53 vezes e deu outras 24 assistências. Na atual, a coisa começa no mesmo ritmo. Em apenas dois jogos oficiais, a Pulga já marcou 3 vezes e deu um passe pra gol.

Há quem diga que ele não pode ser colocado entre os maiores de todos os tempos porque na Seleção Argentina não repete as mesmas atuações do Barça, afirmação da qual discordo frontalmente.

Mas o certo é que quando veste o uniforme azul e grená, Lionel se transforma em Super Messi!

Imagem: Fanisetas
Vídeo: Sportoons

Barça Rolling Stones

Xavi e Iniesta ditam o ritmo… na bateria e no baixo.

Messi faz um lindo solo… de guitarra.

Pep Guardiola no comando… dos vocais.

E uma turma de coadjuvantes de peso… nos backing vocals.

Esse é o Barça Rolling Stones celebrando o incontestável tri campeonato espanhol no melhor estilo satisfaction!

Como já disse aqui outras vezes, o Barcelona é o maior espetáculo da Terra!


Vídeo: FC Barcelona

Gol de placa? Não, gol de Messi!

O Barcelona venceu o Real Madrid no Santiago Bernabéu, 2 x 0 com 2 gols de Lionel Messi.

O segundo, uma pintura!

Um gol maradoniano que me fez lembrar o gol do eterno 10 argentino em outra semifinal, a da Copa de 86, contra a Bélgica.

site oficial do Barça preferiu a expressão Messídico para ilustar a obra prima do melhor do mundo.

Mas a definição que eu mais gostei foi a do André Kfouri na transmissão da ESPN, “um gol de Messi”, simples assim.

O repórter ainda completou com maestria, “temos que nos acostumar com esta expressão”.

Como se Messi fosse um sinônimo de beleza, de genialidade.

E por acaso não é?
Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Messídico!, postado via vodpod

Vídeo: Globo

O futebol é maravilhoso!

Schalke 04 e Manchester United fizeram o primeiro jogo das semifinais da Champions League, em Gelsenkirchen, na Alemanha.

Teoricamente, um confronto entre Davi e Golias, um pouco menos depois que o time alemão destroçou a Inter de Milão – atual campeã – nas quartas de final.

Mas o jogo começou como a teoria indicava, Manchester como um rolo compressor e o Schalke assustado, se segurando pelas defesas do goleiro Manuel Neuer.

Só no 1º tempo foram 11 finalizações inglesas, 9 de dentro da área. E nada de gol.

A 2ª etapa começou como terminou a 1ª, Manchester em cima e Schalke se defendendo como podia. Até que Ralf Rangnick sacou Baumjohann e colocou em campo o volante Peer Kluge, equilibrando a partida.

E justo quando o jogo havia se tornado mais parelho, o Manchester encontrou seu 1º gol, Ryan Giggs depois de um passe primoroso de Wayne Rooney. Dois minutos depois, Rooney dobrou a diferença, Schalke 0 X 2 Manchester United.

O Manchester massacrou o Schalke por 60 minutos, mas não encontrou o gol. E só conseguiu vazar a meta defendida por Manuel Neuer quando o time alemão equilibrou a partida.

É por isto que o futebol é maravilhoso!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Vídeo: Globo

A força dos carboneros!

Eu cresci com o mito do gigante Peñarol.

O campeão do século, o esquadrão aurinegro de craques históricos que aterrorizava as Américas e até os grandes times europeus.

Peñarol pentacampeão da Libertadores, tricampeão mundial.

Peñarol dos monstros sagrados do futebol, como José Leadro Andrade, Leônidas da Silva, Ghiggia, Schiaffino, Elías Figueroa e o incomparável capitão dos capitães, el negro jefe Obdulio Varela, entre tantos outros.

Mas este Peñarol é um clube que só existe no passado.

Dos anos 90 pra cá, foi só decadência. E o brilho da camisa amarela e negra parecia até ter se apagado.

De 2000 pra cá foram 7 participações carboneras na Libertadores; 4 eliminações na primeira fase e uma ainda na fase prévia da competição.

É o que digo, em nada se parece com o Peñarol dos meus sonhos, dos meus livros.

Mas ontem surgiu um facho de esperança. Como diz a histórica canção dos torcedores manyas,

…o Peñarol é eterno como tempo e florescerá a cada primavera!

A vitória sobre o Godoy Cruz deixou o time uruguaio na liderança do Grupo 8 da Libertadores, um dos mais difíceis da atual edição. Já com 5 partidas jogadas, os aurinegros de Montevidéu estão com 9 pontos, 2 a mais que o vice líder Godoy Cruz, que também já jogou 5 vezes. LDU (Equador) e Independiente (Argentina) jogaram 4 vezes e possuem respectivamente 6 e 4 pontos.

Na rodada decisiva o Peñarol recebe o Independiente e conta com a força do Estádio Centenário para, depois de 9 anos, voltar ao mata mata do principal torneio continental da América do Sul.

A mística da camisa amarela e negra – pra mim a mais bela do futebol mundial – dá mostras de que segue viva e que, em breve, pode voltar com toda sua força!

Que me desculpem os genéricos Liverpool e River Plate uruguaios, que nos últimos anos assumiram a posição dos Mirasoles, mas este lugar pertence ao Peñarol.

E viva os carboneros!

No vídeo abaixo você pode ver a festa da torcida peñarolense, é de arrepiar!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Vídeo: Globo

Pra contradizer os ditos

O que se ouvia por aí é que sob o comando de José Mourinho o Real Madrid era outro e a história seria diferente.

Os merengues chegaram ao clássico na liderança do campeonato espanhol, com a melhor defesa da competição e com o melhor ataque, empatado com o Barça. E claro, com um Cristiano Ronaldo classificado como possuído por parte da imprensa espanhola.

do Barça o que se falava era que Guardiola, com medo, poderia recuar o time. Pedro daria o lugar a Keita e Mascherano poderia substituir Sergio Busquets. Todo cuidado era pouco contra o temido Real Madrid.

Mas quando a bola rolou, não se ouviu mais nenhuma palavra a respeito da superioridade merengue. Só os aplausos ecoaram do Camp Nou.

E a ovação não era para o super esquadrão galáctico. As palmas eram para o Barcelona de sempre, o Barça de Guardiola com sua ideologia ofensivista e do jogo bonito, herdeiro da escola de Yohann Cruyff e Carles Rexach. O Barça dos 3 anões endemoniados, Messi, Xavi e Iniesta. O Barça do ogro Puyol, um monstro capaz de parar Cristiano Ronaldo.O Barça inspirado no basquete, dos triângulos ofensivos, dos bloqueios nas bolas paradas, da marcação pressão na quadra, quer dizer, no campo todo.

Desde o primeiro minuto de jogo o Barcelona mostrou qual era o melhor time do mundo. No melhor estilo tiki taka, a equipe azul e grená envolveu e enlouqueceu os comandados de Mourinho. O Real não viu a cor da bola enquanto o Barça passeou pelo Camp Nou, como se estivesse em um jogo de exibição.

5 X 0 de um time de outro mundo, vindo diretamente do olimpo da bola. Um jogo inesquecível!