O lúdico, o democrático e a queda do melhor time do mundo

Dois aspectos diferenciam o futebol de todas as demais modalidades esportivas, o lúdico e o democrático.

O lúdico porque somente no futebol é permitido brincar. Não há restrição ao tempo de posse de bola, ao número de toques permitidos à uma equipe que pode entrar em campo e simplesmente jogar, se divertir.

E o democrático porque, no esporte bretão, nem sempre importa ser o melhor ou o mais forte. Não há garantias de que o gigante Golias derrube o pequeno Davi e a vitória não está previamente reservada a quem é tecnicamente superior.

Estes dois aspectos, diferenciais do futebol, estão intrinsecamente relacionados com o empate/vitória do Chelsea no Camp Nou que classificou o time inglês para a final da Champions.

O lúdico porque reside aí a principal explicação para desclassificação do Barcelona, analisando apenas a postura do time catalão e sem entrar nos méritos – que foram muitos – da equipe londrina. O Barça desistiu de brincar muito cedo na partida contra o Chelsea, talvez motivado pelo improvável e belíssimo gol de Ramires no finalzinho da 1ª etapa. Com 15 minutos do 2º tempo os catalães já haviam se esquecido de si mesmos e, como se não fosse o Barça, começou a usar e abusar do chuveirinho, olvidando das características que o levaram até à semi, o tiki taka envolvente que encantou o mundo nos últimos anos.

E o democrático porque mesmo o Chelsea sendo um timaço, o jogo representou a derrota, mesmo o resultado sendo de empate, do melhor time do mundo. E mais, com um pênalti perdido pelo melhor jogador mundo que, ainda assim, considero de outro mundo.

E isto nada muda com o resultado desta terça. Sim, o Barcelona ainda é o melhor time do mundo, assim como Messi ainda é, bem à frente dos demais, o melhor e mais genial jogador de futebol deste e de outros possíveis mundos. Embora muitos queiram colocar a desclassificação como o fim do encanto e da fantasia, o Barça segue sendo uma equipe fantástica que vem batendo recordes e fazendo história e que, pelo menos pra mim, ainda está longe de fechar seu ciclo virtuoso, principalmente se Pep Guardiola permanecer no clube ou se seu sucessor for alguém que tenha a mesma filosofia de trabalho, Tito Vilanueva por exemplo.

Voltando ao duelo da semi, o Chelsea carimbou sua passagem para Munique com toda justiça e merecimento. Sabendo que não poderia encarar o esquadrão azul e grená de igual para igual adotou uma proposta defensiva e, o mais importante, não abandonou o sistema durante um único minuto. Tanto no Stamford Bridge como no Camp Nou, os Blues foram extremamente aplicados, determinados, disciplinados e inteligentes para enfrentar o melhor time do mundo. O Chelsea não usou de recursos baixos para tumultuar o jogo, não deu pancada, não polemizou, nada disto, marcou. Fechado no Catenaccio de Di Matteo, a equipe inglesa jogou muita bola, defensivamente falando, mas como disse anteriormente, defender também é uma parte importante do futebol e, por que não, uma arte.

Os ideólogos do futebol bailarino de pedaladas, firulas e ataque a todo custo hão de criticar, mas defender também é uma arte e também pode levar aos títulos. Não fosse assim, não teríamos na Itália uma das maiores potências do futebol mundial ao longo destes mais de cem anos do esporte bretão.

Por isto, não há que se tirar o crédito da classificação londrina. O Chelsea mereceu porque foi melhor que o Barcelona mesmo sendo inferior.

Eu sou um confesso admirador do estilo barcelonista de jogar futebol e considero o time da Era Guardiola o melhor que já vi jogar, melhor inclusive que o Milan dos holandeses que assombrou o mundo no final dos anos de 1980 e início da década de 1990. Até por causa da minha ligação com o basquete, babo ao ver Messi, Iniesta e Xavi dispostos em triângulos, como nos ensinaram os mestres John Wooden e Tex Winter no esporte da bola laranja. Mas nem por isto deixei de vibrar com a classificação do Chelsea.

Porque a exemplo do que disse o Mauro Cezar, não considero a vitória inglesa uma derrota do futebol. Pelo contrário, o futebol só ganhou com o que vimos nesta terça, 24 de abril. A classificação dos Blues foi linda e verdadeiramente emocionante. Ainda mais com o gol que selou a classificação sendo marcado por Fernando Torres, um jogador que custou uma fortuna, que até então não havia produzido absolutamente nada e que, durante toda esta temporada, foi uma chacota na imprensa mundial pelos gols perdidos e atuações muito abaixo da crítica e do que ele pode produzir.

Nem em Hollywood podiam um prever um roteiro assim e é por isto que o futebol é o esporte mais popular do mundo.

Pra fechar, um breve comentário sobre a tolice humana. Após o jogo, pulularam nas redes sociais diversos comentários sobre um Messi pipoqueiro que amarela em decisões, uma besteira sem tamanho. Só pra lembrar, Messi tem apenas 24 anos e já tem 3 títulos da Champions, marcando gols em duas destas 3 decisões. Antes dos 25 já se tornou o maior artilheiro da história do Barça e aqui lembro aos pachecos de plantão que por lá passaram Ronaldo, Ronaldinho e Romário, pra citar só 3 exemplos. Ele tem 5 títulos espanhóis, foi artilheiro da Champions por 3 edições seguidas e ainda pode ser pela 4ª. Sem falar nos seu histórico de gols e assistências nos clássicos contra o real Madrid. Portanto, chamar Messi de pipoqueiro é de uma tolice sem tamanho que só pode ter origem no pachequismo desmedido de quem não aceita que o melhor do mundo é um argentino e não um brasileiro.

No mais, parabéns ao Chelsea, ao técnico Roberto Di Matteo e a todo elenco londrino, especialmente a Petr Cech, Gary Cahill, Ramires, Frank Lampard, Fernando Torres, Raul Meireles e Didier Drogba, heróis da histórica classificação do time londrino.

Imagens: ESPN Brasil e Barcelona

Super Messi!

Nesta quarta, 17 de agosto, fui ao cinema para ver a decisão da Supercopa da Espanha entre Barcelona e Real Madrid.

A experiência de ver um jogo de futebol na telona e, principalmente um jogo do Barça, é quase indescritível, simplesmente sensacional.

O que eu e Val não sabíamos é que veríamos um filme de super heróis, um thriller de mocinhos e bandidos…

A partida foi demais, teve de tudo. Golaços, disposição tática, pancadaria, confusão e muito futebol.

Pelo lado do Real, alguns pontos positivos: a marcação pressão no campo de ataque, um Di María muito lúcido na meia cancha e um Benzema agudo na frente que fez lembrar aquele atacante que surgiu com toda pompa e classe no Lyon.

De negativo o de sempre, Pepe, Khedira e Xabi Alonso dando porrada atrás de porrada, Cristiano Ronaldo nos já tradicionais chiliques e Mourinho com a velha soberba, tentando tirar o foco do campo e bola, talvez a única forma de bater o esquadrão azul e grená. Sem falar na covardia do lateral Marcelo, primeiro um chute sem bola no quadril de Messi, depois um tesoura assassina no estreante Cesc Fàbregas.

Pelo lado catalão, vários destaques. Abidal e Mascherano muito bem na linha defensiva, Xavi com sua visão de raio x, capaz de enxergar todos os espaços do campo, e Iniesta jogando o fino da bola, com direito a golaço e a caneta desmoralizante.

Mas o diferencial do Barça, mais uma vez, foi o argentino Lionel Messi. Ou como estamparam os jornais catalães nesta manhã, Super Messi!

A Pulga foi caçada em campo. Sofreu mais de 10 faltas na partida, foi chutado por Marcelo sem bola, covarde. Mas os super heróis não se importam com vilania alheia e mais uma vez brilhou a estrela do Super Messi.

No primeiro gol Barcelonista, o argentino carregou a bola pelo meio, fez com que o ótimo Ricardo Carvalho saísse em seu encalço e, com um passe magistral, colocou Iniesta na cara do gol, jogada finalizada com com maestria pelo meia.

No segundo, uma improvável tabela no meio da área. Messi de peito, Piqué de calcanhar e Messi pras redes com um toque de crueldade que deixou Iker Casillas estatelado no chão e Cristiano Ronaldo de joelhos, na vã tentativa de parar o argentino.

Quando Benzema empatou a partida, aos 36 do segundo tempo, todos se acomodaram nas poltronas do cinema já à espera da prorrogação. 

Mas o Barça tinha Messi, ou melhor, Super Messi!

Aos 44, Fàbregas tocou a bola pro argentino na ponta da área e, de primeira, ele achou Adriano nas costas de Marcelo. O lateral devolveu a bola pro meio da área, buscando Seydou Keita, prontinho pra balançar as redes. Mas Messi se antecipou ao malinês e, também de primeira, soltou uma bomba sem chances de defesa para Casillas. Gol, vitória e título pro Barcelona de Super Messi!

Na temporada passada, Messi balançou as redes 53 vezes e deu outras 24 assistências. Na atual, a coisa começa no mesmo ritmo. Em apenas dois jogos oficiais, a Pulga já marcou 3 vezes e deu um passe pra gol.

Há quem diga que ele não pode ser colocado entre os maiores de todos os tempos porque na Seleção Argentina não repete as mesmas atuações do Barça, afirmação da qual discordo frontalmente.

Mas o certo é que quando veste o uniforme azul e grená, Lionel se transforma em Super Messi!

Imagem: Fanisetas
Vídeo: Sportoons

Barça Rolling Stones

Xavi e Iniesta ditam o ritmo… na bateria e no baixo.

Messi faz um lindo solo… de guitarra.

Pep Guardiola no comando… dos vocais.

E uma turma de coadjuvantes de peso… nos backing vocals.

Esse é o Barça Rolling Stones celebrando o incontestável tri campeonato espanhol no melhor estilo satisfaction!

Como já disse aqui outras vezes, o Barcelona é o maior espetáculo da Terra!


Vídeo: FC Barcelona

Gol de placa? Não, gol de Messi!

O Barcelona venceu o Real Madrid no Santiago Bernabéu, 2 x 0 com 2 gols de Lionel Messi.

O segundo, uma pintura!

Um gol maradoniano que me fez lembrar o gol do eterno 10 argentino em outra semifinal, a da Copa de 86, contra a Bélgica.

site oficial do Barça preferiu a expressão Messídico para ilustar a obra prima do melhor do mundo.

Mas a definição que eu mais gostei foi a do André Kfouri na transmissão da ESPN, “um gol de Messi”, simples assim.

O repórter ainda completou com maestria, “temos que nos acostumar com esta expressão”.

Como se Messi fosse um sinônimo de beleza, de genialidade.

E por acaso não é?
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Messídico!, postado via vodpod

Vídeo: Globo

O futebol é maravilhoso!

Schalke 04 e Manchester United fizeram o primeiro jogo das semifinais da Champions League, em Gelsenkirchen, na Alemanha.

Teoricamente, um confronto entre Davi e Golias, um pouco menos depois que o time alemão destroçou a Inter de Milão – atual campeã – nas quartas de final.

Mas o jogo começou como a teoria indicava, Manchester como um rolo compressor e o Schalke assustado, se segurando pelas defesas do goleiro Manuel Neuer.

Só no 1º tempo foram 11 finalizações inglesas, 9 de dentro da área. E nada de gol.

A 2ª etapa começou como terminou a 1ª, Manchester em cima e Schalke se defendendo como podia. Até que Ralf Rangnick sacou Baumjohann e colocou em campo o volante Peer Kluge, equilibrando a partida.

E justo quando o jogo havia se tornado mais parelho, o Manchester encontrou seu 1º gol, Ryan Giggs depois de um passe primoroso de Wayne Rooney. Dois minutos depois, Rooney dobrou a diferença, Schalke 0 X 2 Manchester United.

O Manchester massacrou o Schalke por 60 minutos, mas não encontrou o gol. E só conseguiu vazar a meta defendida por Manuel Neuer quando o time alemão equilibrou a partida.

É por isto que o futebol é maravilhoso!

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Vídeo: Globo

A força dos carboneros!

Eu cresci com o mito do gigante Peñarol.

O campeão do século, o esquadrão aurinegro de craques históricos que aterrorizava as Américas e até os grandes times europeus.

Peñarol pentacampeão da Libertadores, tricampeão mundial.

Peñarol dos monstros sagrados do futebol, como José Leadro Andrade, Leônidas da Silva, Ghiggia, Schiaffino, Elías Figueroa e o incomparável capitão dos capitães, el negro jefe Obdulio Varela, entre tantos outros.

Mas este Peñarol é um clube que só existe no passado.

Dos anos 90 pra cá, foi só decadência. E o brilho da camisa amarela e negra parecia até ter se apagado.

De 2000 pra cá foram 7 participações carboneras na Libertadores; 4 eliminações na primeira fase e uma ainda na fase prévia da competição.

É o que digo, em nada se parece com o Peñarol dos meus sonhos, dos meus livros.

Mas ontem surgiu um facho de esperança. Como diz a histórica canção dos torcedores manyas,

…o Peñarol é eterno como tempo e florescerá a cada primavera!

A vitória sobre o Godoy Cruz deixou o time uruguaio na liderança do Grupo 8 da Libertadores, um dos mais difíceis da atual edição. Já com 5 partidas jogadas, os aurinegros de Montevidéu estão com 9 pontos, 2 a mais que o vice líder Godoy Cruz, que também já jogou 5 vezes. LDU (Equador) e Independiente (Argentina) jogaram 4 vezes e possuem respectivamente 6 e 4 pontos.

Na rodada decisiva o Peñarol recebe o Independiente e conta com a força do Estádio Centenário para, depois de 9 anos, voltar ao mata mata do principal torneio continental da América do Sul.

A mística da camisa amarela e negra – pra mim a mais bela do futebol mundial – dá mostras de que segue viva e que, em breve, pode voltar com toda sua força!

Que me desculpem os genéricos Liverpool e River Plate uruguaios, que nos últimos anos assumiram a posição dos Mirasoles, mas este lugar pertence ao Peñarol.

E viva os carboneros!

No vídeo abaixo você pode ver a festa da torcida peñarolense, é de arrepiar!

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Vídeo: Globo

Pra contradizer os ditos

O que se ouvia por aí é que sob o comando de José Mourinho o Real Madrid era outro e a história seria diferente.

Os merengues chegaram ao clássico na liderança do campeonato espanhol, com a melhor defesa da competição e com o melhor ataque, empatado com o Barça. E claro, com um Cristiano Ronaldo classificado como possuído por parte da imprensa espanhola.

do Barça o que se falava era que Guardiola, com medo, poderia recuar o time. Pedro daria o lugar a Keita e Mascherano poderia substituir Sergio Busquets. Todo cuidado era pouco contra o temido Real Madrid.

Mas quando a bola rolou, não se ouviu mais nenhuma palavra a respeito da superioridade merengue. Só os aplausos ecoaram do Camp Nou.

E a ovação não era para o super esquadrão galáctico. As palmas eram para o Barcelona de sempre, o Barça de Guardiola com sua ideologia ofensivista e do jogo bonito, herdeiro da escola de Yohann Cruyff e Carles Rexach. O Barça dos 3 anões endemoniados, Messi, Xavi e Iniesta. O Barça do ogro Puyol, um monstro capaz de parar Cristiano Ronaldo.O Barça inspirado no basquete, dos triângulos ofensivos, dos bloqueios nas bolas paradas, da marcação pressão na quadra, quer dizer, no campo todo.

Desde o primeiro minuto de jogo o Barcelona mostrou qual era o melhor time do mundo. No melhor estilo tiki taka, a equipe azul e grená envolveu e enlouqueceu os comandados de Mourinho. O Real não viu a cor da bola enquanto o Barça passeou pelo Camp Nou, como se estivesse em um jogo de exibição.

5 X 0 de um time de outro mundo, vindo diretamente do olimpo da bola. Um jogo inesquecível!

Champions começa com Barça exuberante!

O Barcelona vinha de uma derrota por 2 X 0 para o pequeno e inexpressivo Hercules, em pleno Camp Nou.

E quando Govou – depois de um passe genial do excelente Djbril Cissé – abriu o placar aos 20 do primeiro tempo, a torcida azul e grená se calou.

Em campo, Xavi olhou pra Iniesta que olhou pra Messi que olhou pra Xavi… e a partir daí foi só beleza.

74% de posse de bola para o Barça que finalizou 29 vezes. O Panathinaikos chutou uma única bola, a do gol do Govou.

Um show do Barcelona, uma verdadeira aula de futebol!

Deleite puro para os olhos de qualquer amante do esporte bretão.

Fora o baile, o 5 X 1 ficou barato para o time grego.

Vídeo: Gol HDTV 1

Mais que um clube, uma família

Em outras oportunidades já disse aqui que concordo inteiramente com essa história do Mais que um Clube do Barça. Pra mim não há uma expressão capaz de definir melhor o que representa o pavilhão azul e grená da Catalunha.

O vídeo promocional do time culé para o início desta temporada vai além do conceito de que o Barcelona é mais que um clube… é uma família.

Esta é a essência da belíssima peça da Barça TV! A música é super envolvente e as imagens são um verdadeiro tesouro. Os craques do atual elenco catalão em cenas familiares ou atuando pela base do time, pra quem gosta é realmente emocionante! Meus destaques são o então jogador Pep Guardiola entregando uma medalha a um pequenino Andrés Iniesta e um minúsculo Messi fazendo embaixadas com uma bola de tênis.

Bem, com vocês Torna La Gent Normal, uma produção da Barça TV.

Vídeo: FC Barcelona

Moltes Grácies Ronaldinho!

Quem viu a disputa do Troféu Juan Gamper na tarde de hoje, 25 de agosto, pôde perceber porque o futebol é um esporte tão apaixonante. Não pelos gols, dribles e belas jogadas, mas por ser um jogo tão lúdico e humano.

O Troféu Juan Gamper é disputado no início da temporada européia, sempre no Camp Nou, serve de preparação para o Barça, além de ser uma homenagem a um dos fundadores do clube, o suiço Juan Gamper.

Mas na edição deste ano o homenageado foi outro, Ronaldinho Gaúcho. E foi de arrepiar.

Ronaldinho foi o último a entrar em campo. Quando todos os jogadores já estavam no gramado, foi passado um vídeo no telão do estádio com alguns dos melhores momentos do craque gaúcho vestindo a camisa 10 do Barcelona. E foram tantos, o meu preferido o antológico gol da sambadinha contra o Chelsea. Só depois deste vídeo foi que Ronaldinho apareceu. E o camisa 80 do Milan foi recebido de pé pelos torcedores, ovacionado em um Camp Nou  lotado e repleto de admiração e gratidão pelo jogador.

Na hora da foto, Carles Puyol – como um grande capitão – puxou o amigo Ronaldinho que saiu, com a camisa do Milan, na fotografia oficial do Barça.

Aos 31 do segundo tempo o Gaúcho foi substituído. E para retribuir o carinho tirou a camisa do Milan e deixou à mostra sua camiseta com os dizeres: Barça ti amo, Ronaldinho.

Mas as homenagens não pararam por aí. O Barça ficou com o título após bater o Milan nos pênaltis, mas o troféu não ficou na Catalunha. Em mais um gesto nobre, Puyol ofereceu a taça do Juan Gamper a Ronaldinho Gaúcho que ainda recebeu das mãos de Sandro Rossel, presidente do Barcelona, um placa comemorativa aos seus 5 anos no clube azul e grená.

Emocionado, Ronaldinho declarou à TV do Barça:

Não esperava que fosse tão bonito. Uma homenagem deste tipo geralmente é feita quando o jogador já não está vivo. Pra mim fizeram ainda em vida e por isto estou tão emocionado.

Abaixo, um pouco das homenagens no Camp Nou.

Imagem: Barcelona
Vídeo: MrALBHD

A maturidade do Ganso

Pelo que pude ver na internet, um ganso leva em média 8 meses para atingir a maturidade que, nos animais, é delimitada pelo início da fase reprodutiva.

No futebol, a maturação de um grande jogador não tem um tempo previamente determinado, mas alguns fatos, como títulos, derrotas e decisões – também a delimitam.

Na final do Campeonato Paulista, Paulo Henrique Ganso deu mostras de sua maturidade futebolística. Que é um craque, disto ninguém duvida já há algum tempo, mas alguns ainda insistiam em questionar, em dizer que ele ainda não e não está pronto.

Mas depois do último domingo os argumentos contra ele se acabaram. Ganso é um jogador extraordinário e prontíssimo, para o que der e vier, até mesmo para a camisa 10 amarela. Em uma final muito tensa, ele foi o nome, foi o cara. E nem falo da assistência – simplesmente genial –para o segundo gol do Neymar.

Em desvantagem numérica e na bola, o Santo André engolia o Santos, Ganso chamou toda a responsabilidade. Gastou o tempo como podia, com dribles desconcertantes, passes no espaço vazio e até mesmo a boa e velha catimba.

No finalzinho, quando o falastrão Roberto Brum foi expulso e o Santos passou a ter 8 jogadores contra 10 do Santo André, Dorival Júnior mandou o zagueiro Bruno Aguiar entrar no lugar do Ganso. Mas o craque paraense não aceitou a substituição. Disse que não sairia e ainda aconselhou o treinador: Tira o André.

Dorival Júnior obedeceu, o Santos segurou o resultado e assegurou o título.

Há quem diga que a atitude do Ganso é reprovável, insubordinação que explicitou as fraquezas do comandante do barco. Eu discordo frontalmente. Acho que a negação a ser substituído nada tem a ver com debilidade ou falta de comando do Dorival Júnior. Passa sim pela genialidade do garoto Paulo Henrique, capaz não só de fazer maravilhas com a bola no pé. Ganso mostrou maturidade, mostrou que além de jogar muito é um cara que sente jogo com todas suas sutilezas e nuances. Um craque pronto.

Paulo Henrique Ganso tem apenas 20 anos de idade. Parece que tem 20 de bola. De tão naturais que são seus passos em campo, parece que o menino de Ananindeua já nasceu de chuteiras.

Há algum tempo que defendo sua convocação para a Copa do Mundo. Mas recentemente mudei de opinião. Agora não penso mais que Dunga tenha que arrumar um lugar pra ele em seu grupo, Ganso tem é que ser titular da seleção!

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Vídeo: Globo

Você conhece o Dubu?

Que o Barcelona é diferente, isto todo mundo já sabe, aquela história do Mais que um clube.

Tanto é que há mais de 3 anos o time catalão é parceiro da Unicef e inclusive paga para estampar a marca da entidade em seu uniforme, um dos espaços publicitários mais cobiçados do milionário mundo do futebol.

Jogada de marketing? Pode ser, mas não deixa de ser diferente.

Para este último primeiro de dezembro – dia mundial da luta contra a AIDS o Barça e a Unicef lançaram mais uma campanha de combate à tal doença, encabeçada pelo simpático Dubu.

Você não conhece o Dubu? Então dê uma olhada nos 2 vídeos abaixo.

O sítio oficial do Dubu em sua cruzada contra a AIDS infantil é um barato! Com informações bem claras e simples, de uma singeleza única. Tem até joguinho online com o simpático urso, super informativo e – pelo menos pro crianção aqui – divertido!

Sem dúvida alguma, vale a pena conferir o sítio do Dubu!

Imagem: Dubu contra SIDA

Mais um ponto para Adriano!

Na última quinta feira o atacante Adriano foi um dos escolhidos para a coletiva após o treino do Flamengo. E fora de campo o Imperador ganhou mais pontos, pelo menos comigo.

Pela primeira vez Adriano falou abertamente sobre depressão e alcoolismo.

Até então, a imprensa e ele prórpio só se utilizavam da expressão problemas para se referir aos acontecidos que tiraram o centroavante de Milão e o levaram até a Gávea.

Na semana em que o futebol foi surpreendido e estarrecido pelo suicídio do goleiro Robert Enke, acho que o tocar nas feridas só pode ser positivo para o mundo da bola.

Ponto para Adriano que parece bem recuperado! Fora de campo não tem criado problemas e dentro das quatro linhas vem jogando muito, pra mim o grande jogador deste campeonato brasileiro.

PS: Não encontrei o vídeo separado do Adriano comentando a depressão e o alcoolismo, então coloquei esse aí do Esporte Espetacular – meio piegas, claro – que conta com parte da coletiva do Flamengo quando o Imperador falou abertamente sobre os temas.

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Derrota real, vexame galáctico

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O futebol, como o mundo, vive a dicotomia da segregação econômica. Como na sociedade temos cidadãos de classes A, B e por aí vai, o mundo da bola também vive suas divisões e estratificações sob a tutela do vil metal; com times milionários e equipes semi amadoras que habitam e dividem o mesmo terreno.

Na última terça os galácticos do Real visitaram o subúrbio de Madrid. Foram ao município de Alcorcón – a 13 quilômetros da capital espanhola – enfrentar, pela Copa do Rei,  a equipe local que joga na 3ª divisão do campeonato espanhol e que leva o mesmo nome da cidade em que está situada. Um confronto entre o futebol real – não de realeza, mas de realidade – e o mundo fantástico e fantasioso da bola galáctica, das estrelas que brilham mais que a camisa, que a história.

Mesmo sem Kaká e Cristiano Ronaldo – estrelas máximas da constelação madrilenha – todos decretavam a barbada, goleada merengue… e com um pé nas costas. Mas no futebol, diferentemente da nossa sociedade do hiper consumo, nem sempre o dinheiro consegue ser o vitorioso.

Foi um dos maiores vexames da história do Real Madrid. 4 X 0 para um time da 3ª divisão… um time de estádio acanhado e de uma paupérrima galeria de troféus, sem nenhum título de relevância. Um time de jogadores modestos… jogadores modestos sim, mas que suam, que brigam, que jogam quase por amor ao esporte, pois o que ganham não é mais que o necessário para sobreviver.

4 X 0 com uma doce ironia. 3 dos 4 gols foram marcados por jogadores que passaram pelas divisões de base do time merengue, mas que nunca tiveram oportunidade no time de cima. O meia Ernesto Gómez que anotou o 3º tento da goleada e o atacante Borja Pérez, autor do primeiro e do último gol no massacre de Alcorcón. Detalhe, Borja já havia marcado outras 4 vezes contra o Real Madrid jogando pelos pequenos Leganés e Alicante. O outro gol da partida foi contra de Arbeloa, uma das contratações para a atual temporada.

Nem o mais otimista dos torcedores do AD Alcorcón poderia imaginar a noite de ontem. O dia em que a simplicidade do subúrbio venceu o poder e a ostentação capitalina.

A humilhante derrota imposta ao Real mostra muito mais que a pilhéria do futebol onde nem sempre os que compõem a base da pirâmide estão necessariamente abaixo daqueles que habitam o topo. A goleada do Alcorcón expõe a mentira galáctica dos astros milionários da bola e ratifica a idéia de que, hoje, não existe time de outro mundo.

Que o Real Madrid tem grandes craques é inegável. Mas ainda falta muito pra que estes jogadores formem um grande time.

Imagem: Ecodiario
Canal do Youtube: Todo Goles

Capello, o onipresente

fabio_capello-inglaterra-english_teamHá algumas semanas a Globo – querendo pagar pouco, jejejejeej – lançou a campanha O Melhor Emprego do Mundo que selecionará um jornalista formando ou recém formado para o cargo de correspondente internacional dos seus canais à cabo.

Ser correspondente deve ser legal mesmo, mas o melhor emprego do mundo – da perspectiva de um viciado em futebol – é sem sombra de dúvidas o do senhor Fabio Capello.

Neste fim de semana o técnico da seleção inglesa esteve em 4 estádios diferentes acompanhando partidas da Premier League. E não foram joguinhos quaisquer.

No sábado Capello visitou o noroeste inglês. Foi a Bolton assistir a partida do time local contra o Tottenham. Jogo pra lá de emocionante que terminou empatado em 2 X 2.

Logo depois o técnico do English Team estava no Old Trafford vendo Manchester United X Sunderland. Com um golaço do búlgaro Berbatov e outro golzinho chorado do lateral Evra aos 47 do segundo tempo, os Red Devils garantiram o empate em 2 X 2 e mantiveram um tabu que já dura 41 anos. A última vitória do Sunderland contra o United em Manchester foi em 1968.

Mas se o sábado já havia sido bom, o que falar do domingo?

Primeiramente Capello teve a oportunidade de acompanhar a melhor partida do fim de semana, Arsenal 6 X 2 Blacburn Rovers no Emirates Stadium, com direito a show dos comandados de Arsène Wenger. O passeio dos Gunners foi 6 X 2, mas não é nenhum exagero dizer que poderia ter sido 10 x 4 ou 11 X 5. Detalhe, 8 gols marcados por 8 jogadores diferentes, eu nunca havia visto algo assim. Jogo histórico, inesquecível! E tenho quase certeza que o treinador da seleção inglesa se lamentou demais por Cesc Fabregas ser espanhol, que maturidade aos 22 anos, que grande craque!

Fabio Capello saiu do Emirates e se dirigiu ao Stamford Bridge para assistir o clássico Chelsea X Liverpool. Mais uma grande partida que terminou com a vitória da equipe londrina por 2 X 0 com gols dos franceses Anelka e Malouda. E excepcional apresentação do ebúrneo Didier Drogba.

Pra muita gente o fim de semana de Fabio Capello pode parecer um martírio, sábado e domingo trabalhando, viagens e tal. Mas pra mim, um viciado em futebol, este fim de semana mais parece um sonho. Não bastasse, hoje à tarde provavelmente ele estará em Birmingham pra mais uma partida que promete, Aston Villa X Manchester City que fecha a rodada da Premier League.

Da onipresença do Capello fica um ensinamento; técnico de seleção tem que viver em estádio. É só no campo que se vê um jogo em sua perfeição. O treinador anão da nossa seleção por exemplo, raramente é visto nos estádios do Brasil e da Europa. É por esta e por outras que o English Team é meu favorito pra levar a Copa de 2010.

Imagem: Estadão