Barça Rolling Stones

Xavi e Iniesta ditam o ritmo… na bateria e no baixo.

Messi faz um lindo solo… de guitarra.

Pep Guardiola no comando… dos vocais.

E uma turma de coadjuvantes de peso… nos backing vocals.

Esse é o Barça Rolling Stones celebrando o incontestável tri campeonato espanhol no melhor estilo satisfaction!

Como já disse aqui outras vezes, o Barcelona é o maior espetáculo da Terra!


Vídeo: FC Barcelona

Essa até o Nelson concorda…

Do imenso apontoado do mestre Nelson Rodrigues, ilustre torcedor tricolor, uma das mais populares é

Toda unanimidade é burra.

retirada do livro A mulher que amou demais, de 1949.

Ouve-se a pérola cantada e versada, à boca larga ou miúda, nos botequins de esquina e nas faculdades de jornalismo.

Mas outro tricolor fez com que o mundo desmentisse o gênio.

Neste domingo todo o país dormiu com uma certeza, Dario Conca foi o craque do Campeonato Brasileiro.

Burrice ou não, o Brasil inteiro aplaude o argentino.

O pequenino Conca. O incansável Conca. O craque Conca.

E do seu túmulo, tenho a certeza de que Nelson acompanha o gesto unânime.

Imagens: Mentes Inquietas e Terra Esportes

Overdose de futebol

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O Ópio anda meio abandonado porque passei a última semana em São Paulo participando de um media training da LNB e cobrindo o início do NBB. Mas não me esqueci do futebol.

Aproveitei minha estada na Terra da Garoa pra conhecer o Museu do Futebol. E é até difícil pra mim descrever o quanto amei o museu.

Pra que vocês tenham uma idéia, cheguei ao Pacaembu no sábado às 9:40, vinte minutos antes da abertura deste templo histórico da bola. E só saí, quase expulso, às 18:00, horário de fechamento.

É isto mesmo, passei 8 horas no Museu do Futebol, vi todas as salas, a exposição temporária Mania de Colecionar e até joguei bola com as crianças naquele tapete de projeção, uma verdadeira overdose

Cheio de história e com muita interatividade, o Museu do Futebol é um passeio obrigatório para os amantes da bola, das artes e da história moderna do nosso país que – queiram ou não queiram os Pimbas do nosso Brasil – está diretamente enrelaçada com o esporte bretão.

Gostei tanto que fica difícil apontar algum destaque. Mas já que tem que ser assim fico com dois:

A sala Exaltação, uma homenagem alucinante ao torcedor! Esta sala se localiza abaixo das arquibancadas do Pacaembu, entra as estacas de sustentação. Imagens e sons das 30 maiores torcidas do Brasil levam o visitante a vivenciar – na pele, coração, olhos e ouvidos – a emoção de um estádio de futebol.  Simplesmente extasiante!

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E a sala Origens. Em termos históricos esta é, de longe, o ponto mais alto do Museu do Futebol. São 410 fotografias e mais um filme que contam os primórdios do nosso futebol dentro do contexto histórico do pós abolição. A sala Origens aborda também os processos de profissionalização do futebol e da inserção do atleta negro no esporte bretão em terras tupiniquins. As fotos são simplesmente fantásticas e emocionam a todos que – como eu – conseguem morrer de saudades daquilo que nem viu nem viveu.

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Quem vive em São Paulo e não conhece o Museu do Futebol, não perca tempo, é demais! E pros que vivem fora de Sampa fica a dica, vale uma viagem só pra conhecer!

Para saber mais, tipo localização, horários, preços  e como chegar, acessse o sítio oficial do Museu do Futebol!

Imagens: Hotelier News, Flickr do Pedrovisky e Arcoweb

A noite em que os hondurenhos puderam sonhar

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Foguetes espocam em Tegucigalpa. Por uma noite, as explosões na capital hondurenha não são de bombas, não vêm do estampido seco das metralhadoras.

Por uma noite o grito guardado não exprime a dor, o sofrimento de uma pátria usurpada e mal tratada.

O povo nas ruas não clama Zelaya nem Micheletti. David Suazo, Noel Valladares, Carlos Pavon e Wilson Palacios são os nomes dos heróis populares.

Heróis de verdade, que não derramam sangue, que não matam com as mão limpas.  E que levam o sonho onde tudo é tristeza e desespero.

Por uma noite não se sentiu o cheiro de morte; de carne humana apodrecida pelas ruas, perfurada por balas de fuzis.

Por uma noite Honduras dormiu feliz… sonhando com uma África que fica logo ali.

Mas se engana aquele que acha que a bola ilude. A tristeza continua a viver ali, arraigada nos desalentados corações hondurenhos.

O sofrimento segue firme em Tegucigalpa e no restante do país, mas naquela noite adormeceu para que o povo – pelo menos por um instante – pudesse sonhar.

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Imagens: El Heraldo

Amor e ódio

Os argentinos odeiam amar os brasileiros. Já os brasileiros amam odiar os argentinos.

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Já vi muita gente assumindo a paternidade desta frase, o que não me assusta já que atualmente andam aparecendo pais de tudo, até o Jason do Sexta Feira 13 tem jornalista marqueteiro que diz que inventou.

Mas a frase que resume com excelência a relação que geralmente se estabelece entre brasileiros e argentinos é do sociólogo Ronaldo Helal, pesquisador da UERJ muito interessado e atento à área esportiva, comunicacional e aos assuntos da Bacia do Prata.

E pra mim – embora eu não me sinta parte dos que amam odiá-losa frase do Helal é a mais pura verdade!

Pra quem não conhece nada  do trabalho do professor Helal sugiro o excelente livro A Invenção do País do Futebol obra realizada conjuntamente com Antônio Jorge Soares e Hugo Lovisolo.

Imagem: Religião Urbana

Sempre Laerte!

Mais uma dica do Cas do Canta Cantos.

Laerte dispensa comentários… é sem dúvida alguma um dos grandes cartunistas de nossa história. Criou entre outros fantásticos personagens, Hugo, Overman e Deus, ele mesmo, o todo poderoso.

Então pra não tomar mais o tempo de vocês, aí vai a tirinha enviada pelo Cas.

E só pra constar, a Casa do Minotauro – o blog das tiras diárias do Laerte – tá em novo endereço! Clique aqui e se divirta!

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Ciro, Sócrates e Kajuru

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A indicação do vídeo chegou via Twitter do Canta Cantos, o excelente blog geográfico do Cas, amigo antigo e companheiro de falecido time – dá-lhe Íbis!!

Ciro, Sócrates e Kajuru, só podia dar coisa boa!

Sem mais delongas, Sócrates entrevistando Ciro Gomes no programa Papo com Dr. da TV Kajuru!

Vale a pena conferir!

Imagens: Edson Rodrigues, Geraldo Freire e TNA

Vágner Love, a banda

O centroavante Vágner Love do CSKA de Moscou é bastante contestado por aqui, muito em função de sua participação, quase sem gols, na última Copa América, jogada na Venezuela e vencida pelo Brasil, já com o técnico anão.

Mas na Europa, e não digo só na Rússia, Love anda fazendo muito sucesso. Tanto que virou até nome de banda em Frankfurt, na Alemanha. A única diferença é que o Wagner da banda é com W.

As influências da Wagner Love são bem variadas, vão desde o clássico disco de Donna Summer e Giorgio Moroder, passando pelo pop de Madonna e Pet Shop Boys, e chegam até o som mais requintado do jamaicano-estadounidense Cody Chestnutt.

Os caras vêm fazendo um certo sucesso no meio alternativo, inclusive no início deste mês tocaram em Zurique, na Suiça.

Abaixo segue a frustrada tentativa de se fazer um clipe engraçadinho… mas a música é legal! E no fim, você ainda ganha uma canjinha do clássico e mítico Kaoma, verdadeira lenda da lambada francesa, jejejejej!

Ligações obscuras, sentimentos escondidos…

Sei que muita gente pode achar meio fora de lugar o Asian aqui.

Mas quando vi esse clipe, da música Real Great Britain, foi imediata a ligação que fiz com a seleção francesa da Copa de 2006.

Ou pelo menos com os motivos que me levaram a torcer pela seleção champagne no mundial da Alemanha.

Aquele time francês me encantava não só pelo futebol, mas por ser tão a cara da França, a verdadeira, a dos dias de hoje.

A França argelina de Zidane, a França congolesa de Makelele.

O ritmo senegalês nos pés de Vieira, o  molejo de Guadalupe e Martinica nos gols ancestrais de Thierry Henry

A França, mesmo a branca, empobrecida e marcada, simbolizada pela cicatriz cruamente exposta de Ribéry.

A França, recortada, mutilada. A França dos retalhos costurados, dos sonhos terminados.

A mesma França que se revolta e explode em fúria, seja na cabeçada de Zidane em Materazzi, seja pelas mãos da periferia.

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Como o Futebol Explica o Mundo

como o futebol explica o mundoFranklin Foer é um estado unidense apaixonado por futebol. 

Jornalista político renomado, Foer sempre foi um craque das palavras.

Com a bola no pé nunca passou de um grande perna de pau, como ele mesmo descreve no já delicioso prólogo de seu livro  

Como o Futebol Explica o Mundo – Um Inesperado Olhar Sobre a Globalização.

O livro é simplesmente sensacional. Fala do futebol como o Ópio o concebe. Muito mais que um esporte.

Foer viajou por Brasil, Itália, Irã, Bósnia, Sérvia, Espanha, Holanda, Reino Unido, Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.

O livro conquista quem gosta e quem não gosta do esporte mais popular do mundo.

E é ótimo para acabar com preconceitos.

Porque nele o futebol é apenas um instrumento para que Foer fale do mundo, do choque entre o moderno e o antigo, entre o local e o global. 

O livro fala de sociedade, violência, religião, modernidade, globalização.

Mostra que o futebol transcende o esporte e é capaz de pacificar guerras, conflagrar conflitos e revoluções.

A obra de Foer disseca o macro e o micro, revela personagens insólitos, possíveis apenas nesta loucura chamada realidade.

Um hooligan choroso, um negro nos Cárpatos, um fanático que crê que a vitória em campo é a vitória de seu Deus.

Obra Prima!

Quem lê em inglês pode ler na net!

A Arte de Rebolo

Esta tela foi capa de um dos mais importantes livros sobre futebol de nosso páis.

O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho.

O quadro, de 1936,  é de Francisco Rebolo, pintor, jogador de futebol e apaixonado pelo Corinthians.

O jogador que está sendo driblado na imagem é, na verdade, um auto-retrato de Rebolo.

Nada a Ver Com Futebol

PREGUIÇA- PABLO NERUDA

Não trabalhei em Domingo,
ainda que nunca fui Deus.
Nem de Segunda a Sábado
porque sou cratura preguiçosa,
contentei-me em olhar as ruas
onde trabalham chorando
pedreiros, magistrados, homens
com ferramentas ou ministérios.

Fechei todos meus olhos de uma vez
para não cumprir com meus deveres,
essa é a coisa
sussurava-me a mim mesmo
com todas minhas gargantas
e com todas minhas mãos 
acariciei sonhando
as pernas femininas que passavam voando.

Depois bebi vinho tinto do Chile
durante vinte dias e dez noites.
Bebi esse vinho cor de amaranto
que nos palpita e que desaparece
em tua garganta como um peixe fluvial.
Devo agregar a este testemunho
que mais tarde dormi, dormi, dormi,
sem renegar de minha má conduta
e sem remordimento,
dormi tão bem como se chovesse
interminavelmente
sobre todas as ilhas
deste mundo
furando com água celeste
a caixa dos sonhos.

Nada a ver com futebol né? Mas comigo hoje…

Poema extraído do livro Últimos Poemas (1973) – Original El Mar Y Las Campanas

15 Anos Sem Tião Carreiro

15 anos o Brasil perdia um dos maiores ícones de sua cultura popular.

O mestre da viola caipira, TIÃO CARREIRO.

Corinthiano roxo, o futebol sempre foi tema corrente na música de Tião Carreiro.

Como em Bi Campeão Mundial, em homenagem à seleção campeã no Chile.

Outra pérola é Quebra de Tabu, para o famoso jogo em que o Timão acabou com o jejum de vitórias sobre o Santos de Pelé.

Tião Carreiro é muito mais que um mero cancioneiro popular, é muito mais que reles mestre das rimas.

Ele é um expoente da sabedoria de um povo simples, que fala NÓIS, mas que sabe o que diz…

E o mais importante, que sabe o que faz…

O Divino João Cabral

Há exatos 9 anos o mundo perdia o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto.

Mestre das palavras, João Cabral também mandava bem com a bola no pé.

Em 1935 chegou a ser campeão pernambucano juvenil jogando pelo Náutico.

Por sorte ele desistiu do futebol para nos encantar com sua poesia.

Mas do amado esporte…

 nos deixou algumas pérolas….

 

O DIVINO, ADEMIR DA GUIA

 

Ademir impõe com seu jogo

o ritmo do chumbo ( e o peso)

da lesma, da câmera lenta,

do homem dentro do pesadelo.

 

Ritmo Líquido se infiltrando

no adversário, grosso, de dentro,

impondo-lhe o que ele deseja,

mandando nele, apodrecendo-o.

 

Ritmo morno, de andar na areia,

de água doente de alagados,

entorpecendo e então atando

o mais irriquieto adversário.

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Dia do Coração

No último domingo de setembro, por intermédio da Organização Mundial da Saúde, celebra-se em todo o mundo o Dia do Coração.

Pra comemorar a data um pouco de futebol em poesia…

Ferreira Gullar… sensibilidade e maestria…

Pra tocar o coração…

O Gol – Ferreira Gullar

A esfera desce

do espaço

veloz

ele a apara

no peito

e a pára

no ar

depois

com o joelho

a dispões a meia altura

onde

iluminada

a esfera

espera

o chute que

num relâmpago

a dispara

na direção

do nosso

coração.