O futebol da fome

Na manhã desta quinta, 9 de fevereiro, Wendel Junio Venâncio da Silva (natural de São João Nepomuceno/MG), de 14 anos, faleceu durante um teste para ingressar ao Sub 15 do Vasco.

A peneira acontecia no CT de Itaguaí, de propriedade do ex jogador Pedrinho Vicençote.

Por volta das 9 e meia da manhã, cerca de meia hora após o início do treino, o menino desmaiou em campo e teve uma convulsão.

Sem equipe médica no local, Wendel foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento próxima ao CT de Itaguaí pelo treinador do Sub 15 do Vasco, o ex lateral cruzmaltino Cássio, mas o menino chegou à Upa já sem vida.

A causa da morte ainda não foi desvendada e o laudo da necropsia só deve sair em 3 ou 4 semanas.

Informações não oficiais do portal SuperVasco dão conta de que Wendel não havia se alimentado na noite anterior e nem na manhã da quinta feira, o que expõe ainda mais a mazela em que vive o clube de São Januário, incapaz inclusive de fornecer alimentação aos jovens que buscam em suas peneiras o sonho de uma vida melhor.

Tudo bem que Wendel, assim como todos os outros garotos que são despejados nos testes cruzmaltinos, não era atleta do Vasco e, portanto, o clube não tinha responsabilidade sobre ele. Mas mesmo não sendo obrigação, é um absurdo que o time de São Januário não forneça nem mesmo a mais básica das condições para a prática esportiva. Sem falar na falta de uma equipe médica no local, algo pra lá de inaceitável.

A morte de Wendel abre as portas do mais obscuro porão do futebol brasileiro, as condições das categorias de base. E aqui, há muito, já não falo do campo e bola, de condições técnicas, da formação do jogador de futebol.

O buraco é muito mais embaixo.

Anualmente milhares de jovens ingressam esperançosos em peneiras das divisões de base de clubes médios e grandes do país. Destes milhares, contam-se nos dedos os que vingarão, os que terão sucesso e conseguirão fazer parte da minoria absoluta de jogadores milionários, transformados em celebridades por uma sociedade que pouco ou nada olha para a educação.

Os que não cabem nos dedos da mão seguirão outros caminhos bem menos glamourosos. Muitos pularão de peneira em peneira, buscando o sucesso que não foi alcançado no clube anterior. Outros tantos nunca serão aprovados, restando a amarga sensação de que a sorte poderia ter sido diferente. Existem ainda aqueles que serão aprovados, aproveitados nas categorias de base, mas que, na hora de dar o passo final rumo ao futebol profissional, ficarão restritos a times de pouca ou nenhuma expressão, engrossando as estatísticas dos atletas que recebem entre um e 3 salários mínimos e que são a maioria absoluta na triste realidade do futebol da fome.

Sem falar naqueles que são aprovados, passam por todas as categorias menores e, aos 18 anos, são devolvidos ao núcleo familiar como bichos, sem nenhuma formação fora das 4 linhas e com o selo do fracasso na testa que diz, este não serve mais.

A questão das categorias de base é dramática e merece uma profunda reflexão de todos, da mídia, sociedade e, principalmente, do mundo da bola. Diariamente o Estatuto da Criança e do Adolescente é estuprado por clubes e empresários que aliciam jovens de diferentes partes do país e desrespeitam seu artigo 19 que fala que toda criança e adolescente tem o direito de ser criada e educada no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta. E o ambiente nos alojamentos das categorias menores não pode ser chamado, em hipótese alguma, de família substituta.

O Parlamento Europeu já declarou, em 2006, que o futebol se presta ao tráfico de pessoas, principalmente de menores. E as histórias de abuso sexual e de poder nas categorias de base são tão frequentes que podem ser colocadas como regra e não como exceção.

Além de tudo isto, não há formação dos cidadãos. Ou o menino vira jogador, ou vira um nada. Porque até os 18 anos ele só chuta bola. Os clubes não oferecem formação profissional fora do futebol, inserção à cultura, nada. Estudar é quase impossível diante da rotina de treinos, jogos e viagens. E os que insistem, têm acesso a uma educação pior que básica que não vai além do papel, do diploma.

O caso Wendel foi uma tragédia que chamou a atenção da mídia e da sociedade como um todo para as mazelas da base. Mas o drama não reside apenas na morte. Em um país de miseráveis e esfomeados, sem educação e nenhum tipo de serviço básico, milhões de jovens seguem vendo na bola a única saída. Mas ninguém os revela os verdadeiros números do futebol; os 98% de jogadores que não ganham mais que 3 salários mínimos, o único jovem que vinga diante das centenas ou milhares que tentam.

Enquanto seguirmos este modelo que privilegia o negócio futebol em detrimento do ser humano, muitos outros Wendels aparecerão. Mas pior que isto são as histórias dos Josés e Joãos que nunca ganham os holofotes; histórias de desprezo pelas pessoas, de desrespeito às leis.

Histórias tristes que seguem escondidas debaixo do tapete ou trancadas no submundo frio e escuro dos porões do futebol que, como nosso país, é o futebol da fome.

Imagens: Quero Saber Mais CM 2010 e The Duchess

A Fifa, a pizza e as farinhas do mesmo saco

Na última semana, Joseph Blatter foi reeleito para seu 4º mandato à frente da Fifa.

Candidato único, Blatter foi eleito entre uma tempestade de escândalos e acusações.

Suborno, compra de votos e abuso de poder, coisas que fazem parte da Fifa desde que Havelange desbancou o Sir Stanley Rous do comando do futebol mundial, em 1974.

Nesta última crise da cartolagem mundial do futebol, 3 nomes foram escolhidos para pagar o pato.

Mohammed Bin Hammam, ex presidente da Federação do Catar e atual presidente da Federação Asiática, foi impedido de enfrentar Blatter na eleição e suspenso de suas atividades.

Jack Warner, vice da Fifa e presidente da Concacaf. A exemplo de Bin Hammam, também foi suspenso de suas atividades.

Chuck Blazer, vice presidente da Federação Estadounidense de Futebol e Secretário Executivo da Concacaf. Blazer foi quem jogou a merda no ventilador nesta última onda de acusações e acabou afastado da Concacaf pelo presidente interino, Lisle Austin, presidente da Federação de Barbados.

O interessante é que se olharmos para trás, veremos que tanto Bin Hammam, como Jack Warner e Chuck Blazer faziam parte do séquito, quase real, de Sepp Blatter na família Fifa.

Bin Hammam foi o presidente do Projeto Goal, carro chefe da primeira administração de Blatter na Fifa. Em tese, o Projeto Goal serviria para promover melhorias estruturais nas federações de futebol pelo mundo. Com uma verba monstruosa e fiscalização quase zero do Comitê Financeiro da Fifa, do qual o próprio Bin Hammam também era membro, o Goal transformou-se em moeda de troca, constituindo-se em um importante instrumento para a aquisição de votos e aliados políticos para a turma de Blatter. E segundo o livro Jogo Sujo, do escocês Andrew Jennings, Bin Hammam foi um dos responsáveis pelos sacos de dinheiro que garantiram a primeira reeleição de Joseph Blatter.

Jack Warner era o vice do argentino Julio Grondona no Comitê Financeiro da Fifa. Sempre foi um cão de guarda e um cego defensor de Sepp Blatter. Ex presidente da Federação de Futebol de Trinidad e Tobago, estava à frente da Concacaf desde 1990. Nas eleições da Fifa, sua Confederação sempre votou em bloco e, desde que Blatter lá está, sempre apoiou o suiço. Warner é responsável por uma série de tretas envolvendo Fifa, Concacaf e o futebol nas Américas do Norte, Central e Caribe. Com seu poder político, Warner levou o Mundial Sub 17 de 2001 para Trinidad e como faturou! Alugou à Fifa o Centro de Treinamento da Federação trinitina, construído pela própria Fifa com dinheiro do Projeto Goal. Cobrou as hospedagens no hotel do tal centro de treinamento, também construído com dinheiro Fifa. A alimentação dos atletas, árbitros e dirigentes ficou a cargo de um  de seus filhos, assim como um projeto piloto de totens e internet, que teve o mundial sub 17 como plataforma teste. Até as passagens aéreas para o mundial saíram de uma agência trinitina, não respeitando um contrato prévio da Fifa com uma agência suiça de viagens.

Chuck Blazer sempre foi uma espécie de cachorrinho de estimação de Jack Warner. Criado pelo trinitino, Blazer cresceu no futebol levando para o mundo da bola toda sua experiência de mercado. É um dos responsáveis pela mudança da Concacaf para a Trump Tower, em Nova Iorque, um dos espaços comerciais mais caros do mundo. A ascensão de Blazer no futebol foi meteórica, muito em virtude de sua canina fidelidade a Jack Warner. Blazer foi uma das figuras fundamentais no processo de desmoralização do camaronês Issa Hayatou – presidente da Confederação Africana de Futebol e candidato à presidência da Fifa em 2002 – na primeira reeleição de Blatter.

Para aqueles que pensam que a Fifa viverá novos tempos, de transparência e moralidade, é bom colocar as barbas de molho. As denúncia de corrupção, suborno e compra de votos mais uma vez acabaram em pizza. E o pior, nada de novo se avista no mundo da cartolagem, as farinhas continuam as mesmas, as velhas farinhas do mesmo saco.

Imagens: BBCSumadhura

Cala a boca Robinho!

Não tive nenhum problema com o Roberto Mancini. O que acontece é que o futebol inglês não é muito bom pra jogador brasileiro, muito bola alta e a gente gosta de jogar com ela no chão.

A frase acima foi dita por Robinho em sua apresentação no Milan, seu novo clube.

Que o jogador foi pra Inglaterra a passeio, isto todo mundo já sabia! Mas eu pensava que ele pelo menos aproveitaria sua estada na terra da rainha para acompanhar o melhor torneio nacional de futebol do mundo, a Premier League.

Mas não. Se Robinho viu algum futebol na Inglaterra foi em algum especial da BBC sobre a modalidade nos anos 60 e 70. Nesta época realmente o futebol inglês vivia única e exclusivamente dos chuveirinhos. Hoje, somente times como o Bolton, o Wigan e os demais pequenos é se utilizam deste recurso.

Na elite isto é passado. A turma do Big Four (Manchester United, Chelsea, Arsenal e Liverpool) mais o Tottenham e o Manchester City – aspirantes a grandes – só jogam com a bola no chão. Mais especificamente nos casos de United, Chelsea e Arsenal, estes clubes figuram entre os que jogam o futebol mais bonito do mundo; muita posse de bola, agressividade, intensidade e toques de pé em pé. O Arsenal então – do técnico francês Arsène Wenger – nem se fala, no dia em que o jogo encaixa é mais vistoso que o Barça!

Então das duas uma: Ou Robinho viu muito pouco da Premier League em seu tempo de City ou esta foi só mais uma desculpinha pelo péssimo futebol apresentado no clube inglês.

Independente de qual seja, tá mal o cara das pedaladas.

Imagem: Folha do Mato Grosso do Sul

Lamentável

Neymar deu uma dedada no próprio olho. Mas o título do post não tem nada a ver com isto, embora tenha sido uma pena, o jovem craque não virá ao Mineirão e não poderei ver seu exuberante futebol de perto.

Mas o lamentável diz respeito a outro tema, a entrevista concedida pelo jogador do Santos à jornalista Débora Bergamasso, publicada na coluna da Sonia Racy, no Estadão. Uma chuva de bobagens.

Não vou nem entrar na questão do alisamento de cabelo, do dízimo ou dos sonhos de conhecer a Disney e ter um Porsche e uma Ferrari na garagem. Embora eu não congregue dos mesmos valores, acho que estas coisas são pequenices pessoais e não merecem críticas, como diz o dito popular, gosto é gosto e cada um tem o seu.

Mas outras respostas do craque santista me incomodaram de verdade. Não por ele, nada pessoal. Mas a entrevista reflete de forma clara e transparente o modelo esportivo brasileiro que se preocupa única e exclusivamente com a formação de craques e se esquece completamente de que o atleta é, antes de tudo, um cidadão.

Entre outras coisas, Neymar disse que nunca sofreu com o racismo, até porque não é negro. Mostrou total indiferença com a questão política do país declarando que só está tirando o título eleitoral pela obrigatoriedade dos 18 anos, além de não ter a menor idéia de quais serão os candidatos à presidência da república e não ter nenhuma opinião, nem a mais evasiva possível, sobre os dois mandatos do Lula.

Há os que dirão, e daí? Eu, certamente, não sou um destes. Acho lamentável as declarações da jovem estrela. A cidadania não é um direito, é um dever de todos. Ainda mais quando falamos de uma figura pública com tanta penetrabilidade na sociedade como são os jogadores de futebol no Brasil, principalmente os craques, os extra classes.

Gosto muito de ver o Neymar jogando. É um verdadeiro prazer vê-lo brincar com a bola. E minhas críticas nada tem de pessoais. Mas sua genialidade dentro de campo não o exime de ser cidadão. E cá pra nós, besteira tem limites.

Imagem: Santos Sempre Santos

Sem desculpas

Não me venham dizer que isso é coisa do jogo. A falta é do jogo, a briga é do jogo, racismo e cusparadas não.

Não me venham dizer que ele foi agredido, pois para isto existe a outra face. E se o revide é inevitável, como manda o ensinamento da vó, é dado na mesma moeda.

Não me venham dizer que o futebol é um mundo à parte. Não é. O futebol faz parte da nossa sociedade, está inserido em nossa cultura, nada de à parte.

Sem desculpas para Danilo.

Se o zagueiro palmeirense – antes de cuspir e ofender – foi agredido por Manoel, esta é outra história que deveria ter sido cuidada pelo árbitro da partida e se não foi, que fique por conta do STJD.

o que fez Danilo é caso de polícia, de algema. O crime de racismo está previsto no código penal brasileiro

1) Constituição Federal de 1988:
“Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…)
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;”

2) Código Penal, artigo 140:
“Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem:
Pena: reclusão de um a três anos e multa.”(inserido pela Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997).”

Infelizmente, na esfera criminal a coisa já foi aliviada e como quase sempre acontece Danilo deve responder a processo por Injúria Racial, crime mais brando que o de Racismo que é inafiançavel e imprescritível.

Já a justiça esportiva deve ser mais dura com o valentão alvi verde. Pode pegar 22 jogos de suspensão, sem falar na multa que pode chegar aos 100 mil reais. É pouco pelo que ele fez.

E antes que me chamem de xiita, radical ou qualquer outra coisa, reafirmo, é pouco.

Danilo desceu ao patamar mais baixo a que um homem pode chegar. Humilhou, desumanizou um companheiro de profissão e, pior, um garoto que ele viu subir da base do Furacão.

Danilo não cuspiu em Manoel, cuspiu em todos nós.

Ao chamar Manoel de macaco não ofendeu apenas o jovem e promissor zagueiro do Atlético Paranense, mas toda sociedade que ainda é obrigada a conviver com este tipo de coisa.

Porque o racismo não é um problema dos negros, é um problema de todos.

Por isto, sem desculpas para Danilo.

Imagem: Um tiro no escuro

Cai Cai Balão…

Sunderland X Liverpool jogavam pela 9ª rodada do campeonato inglês no Stadium of Light.

Logo aos 4 minutos do primeiro tempo, o bom Darren Bent recebeu a bola dentro da área, bateu rasteiro e… e gol do balão!!!

O tento aeróstato definiu o jogo, Sunderland 1 X 0 Liverpool.

E o balão é o novo ídolo da galera!!!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

mais sobre “Cai Cai Balão…“, postado via vodpod

Os raios que caem no mesmo lugar

sacha_burchert-desolado-raios

Dizem que dois raios nunca caem no mesmo lugar.

Tá bom, então falem isto pro Sacha Burchert, goleiro reserva do Hertha Berlim.

No caso do alemão, caíram sim 2 raios no mesmo lugar… e com um agravante, um atrás do outro.

Apenas dois minutos separaram os benditos raios que tiraram 2 preciosos pontinhos do Hertha e mantiveram o time de Berlim na lanterna da emocionante Bundesliga.

Veja o vídeo com as lambanças!

Imagem Original: Ran
Efeitos: Picnik