O futebol da fome

Na manhã desta quinta, 9 de fevereiro, Wendel Junio Venâncio da Silva (natural de São João Nepomuceno/MG), de 14 anos, faleceu durante um teste para ingressar ao Sub 15 do Vasco.

A peneira acontecia no CT de Itaguaí, de propriedade do ex jogador Pedrinho Vicençote.

Por volta das 9 e meia da manhã, cerca de meia hora após o início do treino, o menino desmaiou em campo e teve uma convulsão.

Sem equipe médica no local, Wendel foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento próxima ao CT de Itaguaí pelo treinador do Sub 15 do Vasco, o ex lateral cruzmaltino Cássio, mas o menino chegou à Upa já sem vida.

A causa da morte ainda não foi desvendada e o laudo da necropsia só deve sair em 3 ou 4 semanas.

Informações não oficiais do portal SuperVasco dão conta de que Wendel não havia se alimentado na noite anterior e nem na manhã da quinta feira, o que expõe ainda mais a mazela em que vive o clube de São Januário, incapaz inclusive de fornecer alimentação aos jovens que buscam em suas peneiras o sonho de uma vida melhor.

Tudo bem que Wendel, assim como todos os outros garotos que são despejados nos testes cruzmaltinos, não era atleta do Vasco e, portanto, o clube não tinha responsabilidade sobre ele. Mas mesmo não sendo obrigação, é um absurdo que o time de São Januário não forneça nem mesmo a mais básica das condições para a prática esportiva. Sem falar na falta de uma equipe médica no local, algo pra lá de inaceitável.

A morte de Wendel abre as portas do mais obscuro porão do futebol brasileiro, as condições das categorias de base. E aqui, há muito, já não falo do campo e bola, de condições técnicas, da formação do jogador de futebol.

O buraco é muito mais embaixo.

Anualmente milhares de jovens ingressam esperançosos em peneiras das divisões de base de clubes médios e grandes do país. Destes milhares, contam-se nos dedos os que vingarão, os que terão sucesso e conseguirão fazer parte da minoria absoluta de jogadores milionários, transformados em celebridades por uma sociedade que pouco ou nada olha para a educação.

Os que não cabem nos dedos da mão seguirão outros caminhos bem menos glamourosos. Muitos pularão de peneira em peneira, buscando o sucesso que não foi alcançado no clube anterior. Outros tantos nunca serão aprovados, restando a amarga sensação de que a sorte poderia ter sido diferente. Existem ainda aqueles que serão aprovados, aproveitados nas categorias de base, mas que, na hora de dar o passo final rumo ao futebol profissional, ficarão restritos a times de pouca ou nenhuma expressão, engrossando as estatísticas dos atletas que recebem entre um e 3 salários mínimos e que são a maioria absoluta na triste realidade do futebol da fome.

Sem falar naqueles que são aprovados, passam por todas as categorias menores e, aos 18 anos, são devolvidos ao núcleo familiar como bichos, sem nenhuma formação fora das 4 linhas e com o selo do fracasso na testa que diz, este não serve mais.

A questão das categorias de base é dramática e merece uma profunda reflexão de todos, da mídia, sociedade e, principalmente, do mundo da bola. Diariamente o Estatuto da Criança e do Adolescente é estuprado por clubes e empresários que aliciam jovens de diferentes partes do país e desrespeitam seu artigo 19 que fala que toda criança e adolescente tem o direito de ser criada e educada no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta. E o ambiente nos alojamentos das categorias menores não pode ser chamado, em hipótese alguma, de família substituta.

O Parlamento Europeu já declarou, em 2006, que o futebol se presta ao tráfico de pessoas, principalmente de menores. E as histórias de abuso sexual e de poder nas categorias de base são tão frequentes que podem ser colocadas como regra e não como exceção.

Além de tudo isto, não há formação dos cidadãos. Ou o menino vira jogador, ou vira um nada. Porque até os 18 anos ele só chuta bola. Os clubes não oferecem formação profissional fora do futebol, inserção à cultura, nada. Estudar é quase impossível diante da rotina de treinos, jogos e viagens. E os que insistem, têm acesso a uma educação pior que básica que não vai além do papel, do diploma.

O caso Wendel foi uma tragédia que chamou a atenção da mídia e da sociedade como um todo para as mazelas da base. Mas o drama não reside apenas na morte. Em um país de miseráveis e esfomeados, sem educação e nenhum tipo de serviço básico, milhões de jovens seguem vendo na bola a única saída. Mas ninguém os revela os verdadeiros números do futebol; os 98% de jogadores que não ganham mais que 3 salários mínimos, o único jovem que vinga diante das centenas ou milhares que tentam.

Enquanto seguirmos este modelo que privilegia o negócio futebol em detrimento do ser humano, muitos outros Wendels aparecerão. Mas pior que isto são as histórias dos Josés e Joãos que nunca ganham os holofotes; histórias de desprezo pelas pessoas, de desrespeito às leis.

Histórias tristes que seguem escondidas debaixo do tapete ou trancadas no submundo frio e escuro dos porões do futebol que, como nosso país, é o futebol da fome.

Imagens: Quero Saber Mais CM 2010 e The Duchess

A Fifa, a pizza e as farinhas do mesmo saco

Na última semana, Joseph Blatter foi reeleito para seu 4º mandato à frente da Fifa.

Candidato único, Blatter foi eleito entre uma tempestade de escândalos e acusações.

Suborno, compra de votos e abuso de poder, coisas que fazem parte da Fifa desde que Havelange desbancou o Sir Stanley Rous do comando do futebol mundial, em 1974.

Nesta última crise da cartolagem mundial do futebol, 3 nomes foram escolhidos para pagar o pato.

Mohammed Bin Hammam, ex presidente da Federação do Catar e atual presidente da Federação Asiática, foi impedido de enfrentar Blatter na eleição e suspenso de suas atividades.

Jack Warner, vice da Fifa e presidente da Concacaf. A exemplo de Bin Hammam, também foi suspenso de suas atividades.

Chuck Blazer, vice presidente da Federação Estadounidense de Futebol e Secretário Executivo da Concacaf. Blazer foi quem jogou a merda no ventilador nesta última onda de acusações e acabou afastado da Concacaf pelo presidente interino, Lisle Austin, presidente da Federação de Barbados.

O interessante é que se olharmos para trás, veremos que tanto Bin Hammam, como Jack Warner e Chuck Blazer faziam parte do séquito, quase real, de Sepp Blatter na família Fifa.

Bin Hammam foi o presidente do Projeto Goal, carro chefe da primeira administração de Blatter na Fifa. Em tese, o Projeto Goal serviria para promover melhorias estruturais nas federações de futebol pelo mundo. Com uma verba monstruosa e fiscalização quase zero do Comitê Financeiro da Fifa, do qual o próprio Bin Hammam também era membro, o Goal transformou-se em moeda de troca, constituindo-se em um importante instrumento para a aquisição de votos e aliados políticos para a turma de Blatter. E segundo o livro Jogo Sujo, do escocês Andrew Jennings, Bin Hammam foi um dos responsáveis pelos sacos de dinheiro que garantiram a primeira reeleição de Joseph Blatter.

Jack Warner era o vice do argentino Julio Grondona no Comitê Financeiro da Fifa. Sempre foi um cão de guarda e um cego defensor de Sepp Blatter. Ex presidente da Federação de Futebol de Trinidad e Tobago, estava à frente da Concacaf desde 1990. Nas eleições da Fifa, sua Confederação sempre votou em bloco e, desde que Blatter lá está, sempre apoiou o suiço. Warner é responsável por uma série de tretas envolvendo Fifa, Concacaf e o futebol nas Américas do Norte, Central e Caribe. Com seu poder político, Warner levou o Mundial Sub 17 de 2001 para Trinidad e como faturou! Alugou à Fifa o Centro de Treinamento da Federação trinitina, construído pela própria Fifa com dinheiro do Projeto Goal. Cobrou as hospedagens no hotel do tal centro de treinamento, também construído com dinheiro Fifa. A alimentação dos atletas, árbitros e dirigentes ficou a cargo de um  de seus filhos, assim como um projeto piloto de totens e internet, que teve o mundial sub 17 como plataforma teste. Até as passagens aéreas para o mundial saíram de uma agência trinitina, não respeitando um contrato prévio da Fifa com uma agência suiça de viagens.

Chuck Blazer sempre foi uma espécie de cachorrinho de estimação de Jack Warner. Criado pelo trinitino, Blazer cresceu no futebol levando para o mundo da bola toda sua experiência de mercado. É um dos responsáveis pela mudança da Concacaf para a Trump Tower, em Nova Iorque, um dos espaços comerciais mais caros do mundo. A ascensão de Blazer no futebol foi meteórica, muito em virtude de sua canina fidelidade a Jack Warner. Blazer foi uma das figuras fundamentais no processo de desmoralização do camaronês Issa Hayatou – presidente da Confederação Africana de Futebol e candidato à presidência da Fifa em 2002 – na primeira reeleição de Blatter.

Para aqueles que pensam que a Fifa viverá novos tempos, de transparência e moralidade, é bom colocar as barbas de molho. As denúncia de corrupção, suborno e compra de votos mais uma vez acabaram em pizza. E o pior, nada de novo se avista no mundo da cartolagem, as farinhas continuam as mesmas, as velhas farinhas do mesmo saco.

Imagens: BBCSumadhura

Cala a boca Robinho!

Não tive nenhum problema com o Roberto Mancini. O que acontece é que o futebol inglês não é muito bom pra jogador brasileiro, muito bola alta e a gente gosta de jogar com ela no chão.

A frase acima foi dita por Robinho em sua apresentação no Milan, seu novo clube.

Que o jogador foi pra Inglaterra a passeio, isto todo mundo já sabia! Mas eu pensava que ele pelo menos aproveitaria sua estada na terra da rainha para acompanhar o melhor torneio nacional de futebol do mundo, a Premier League.

Mas não. Se Robinho viu algum futebol na Inglaterra foi em algum especial da BBC sobre a modalidade nos anos 60 e 70. Nesta época realmente o futebol inglês vivia única e exclusivamente dos chuveirinhos. Hoje, somente times como o Bolton, o Wigan e os demais pequenos é se utilizam deste recurso.

Na elite isto é passado. A turma do Big Four (Manchester United, Chelsea, Arsenal e Liverpool) mais o Tottenham e o Manchester City – aspirantes a grandes – só jogam com a bola no chão. Mais especificamente nos casos de United, Chelsea e Arsenal, estes clubes figuram entre os que jogam o futebol mais bonito do mundo; muita posse de bola, agressividade, intensidade e toques de pé em pé. O Arsenal então – do técnico francês Arsène Wenger – nem se fala, no dia em que o jogo encaixa é mais vistoso que o Barça!

Então das duas uma: Ou Robinho viu muito pouco da Premier League em seu tempo de City ou esta foi só mais uma desculpinha pelo péssimo futebol apresentado no clube inglês.

Independente de qual seja, tá mal o cara das pedaladas.

Imagem: Folha do Mato Grosso do Sul

Lamentável

Neymar deu uma dedada no próprio olho. Mas o título do post não tem nada a ver com isto, embora tenha sido uma pena, o jovem craque não virá ao Mineirão e não poderei ver seu exuberante futebol de perto.

Mas o lamentável diz respeito a outro tema, a entrevista concedida pelo jogador do Santos à jornalista Débora Bergamasso, publicada na coluna da Sonia Racy, no Estadão. Uma chuva de bobagens.

Não vou nem entrar na questão do alisamento de cabelo, do dízimo ou dos sonhos de conhecer a Disney e ter um Porsche e uma Ferrari na garagem. Embora eu não congregue dos mesmos valores, acho que estas coisas são pequenices pessoais e não merecem críticas, como diz o dito popular, gosto é gosto e cada um tem o seu.

Mas outras respostas do craque santista me incomodaram de verdade. Não por ele, nada pessoal. Mas a entrevista reflete de forma clara e transparente o modelo esportivo brasileiro que se preocupa única e exclusivamente com a formação de craques e se esquece completamente de que o atleta é, antes de tudo, um cidadão.

Entre outras coisas, Neymar disse que nunca sofreu com o racismo, até porque não é negro. Mostrou total indiferença com a questão política do país declarando que só está tirando o título eleitoral pela obrigatoriedade dos 18 anos, além de não ter a menor idéia de quais serão os candidatos à presidência da república e não ter nenhuma opinião, nem a mais evasiva possível, sobre os dois mandatos do Lula.

Há os que dirão, e daí? Eu, certamente, não sou um destes. Acho lamentável as declarações da jovem estrela. A cidadania não é um direito, é um dever de todos. Ainda mais quando falamos de uma figura pública com tanta penetrabilidade na sociedade como são os jogadores de futebol no Brasil, principalmente os craques, os extra classes.

Gosto muito de ver o Neymar jogando. É um verdadeiro prazer vê-lo brincar com a bola. E minhas críticas nada tem de pessoais. Mas sua genialidade dentro de campo não o exime de ser cidadão. E cá pra nós, besteira tem limites.

Imagem: Santos Sempre Santos

Sem desculpas

Não me venham dizer que isso é coisa do jogo. A falta é do jogo, a briga é do jogo, racismo e cusparadas não.

Não me venham dizer que ele foi agredido, pois para isto existe a outra face. E se o revide é inevitável, como manda o ensinamento da vó, é dado na mesma moeda.

Não me venham dizer que o futebol é um mundo à parte. Não é. O futebol faz parte da nossa sociedade, está inserido em nossa cultura, nada de à parte.

Sem desculpas para Danilo.

Se o zagueiro palmeirense – antes de cuspir e ofender – foi agredido por Manoel, esta é outra história que deveria ter sido cuidada pelo árbitro da partida e se não foi, que fique por conta do STJD.

o que fez Danilo é caso de polícia, de algema. O crime de racismo está previsto no código penal brasileiro

1) Constituição Federal de 1988:
“Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…)
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;”

2) Código Penal, artigo 140:
“Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem:
Pena: reclusão de um a três anos e multa.”(inserido pela Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997).”

Infelizmente, na esfera criminal a coisa já foi aliviada e como quase sempre acontece Danilo deve responder a processo por Injúria Racial, crime mais brando que o de Racismo que é inafiançavel e imprescritível.

Já a justiça esportiva deve ser mais dura com o valentão alvi verde. Pode pegar 22 jogos de suspensão, sem falar na multa que pode chegar aos 100 mil reais. É pouco pelo que ele fez.

E antes que me chamem de xiita, radical ou qualquer outra coisa, reafirmo, é pouco.

Danilo desceu ao patamar mais baixo a que um homem pode chegar. Humilhou, desumanizou um companheiro de profissão e, pior, um garoto que ele viu subir da base do Furacão.

Danilo não cuspiu em Manoel, cuspiu em todos nós.

Ao chamar Manoel de macaco não ofendeu apenas o jovem e promissor zagueiro do Atlético Paranense, mas toda sociedade que ainda é obrigada a conviver com este tipo de coisa.

Porque o racismo não é um problema dos negros, é um problema de todos.

Por isto, sem desculpas para Danilo.

Imagem: Um tiro no escuro

Cai Cai Balão…

Sunderland X Liverpool jogavam pela 9ª rodada do campeonato inglês no Stadium of Light.

Logo aos 4 minutos do primeiro tempo, o bom Darren Bent recebeu a bola dentro da área, bateu rasteiro e… e gol do balão!!!

O tento aeróstato definiu o jogo, Sunderland 1 X 0 Liverpool.

E o balão é o novo ídolo da galera!!!

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Os raios que caem no mesmo lugar

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Dizem que dois raios nunca caem no mesmo lugar.

Tá bom, então falem isto pro Sacha Burchert, goleiro reserva do Hertha Berlim.

No caso do alemão, caíram sim 2 raios no mesmo lugar… e com um agravante, um atrás do outro.

Apenas dois minutos separaram os benditos raios que tiraram 2 preciosos pontinhos do Hertha e mantiveram o time de Berlim na lanterna da emocionante Bundesliga.

Veja o vídeo com as lambanças!

Imagem Original: Ran
Efeitos: Picnik

Sem campo pras meninas

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A Conmebol resolveu finalmente organizar a primeira edição da Copa Libertadores da América de futebol feminino. O que pra mim não passa de uma obrigação da entidade que é responsável pela difusão e massificação do esporte no continente.

Mas do jeito que o torneio começou, era melhor nem ter feito.

A primeira rodada estava marcada pra tarde deste domingo com

Santos (Brasil) X White Star (Peru)
Caracas (Venezuela) X Everton (Chile)
.

Devido ao clássico Santos X Palmeiras pelo brasileirão a rodada foi remanejada com o confronto entre brasileiras e peruanas remarcado para sábado à noite e a partida entre as venezuelanas e as chilenas para a manhã deste domingo.

No jogo inauguralapós a cerimônia de abertura – transcorreu tudo bem e o Santos estreou na competição continental com vítória por 3 X 1, com gols das craques Marta e Cristiane (2). Nicole descontou para o White Star. Até aí tudo bem.

Mas eis que chegou o domingo.

Por volta das 8 da manhã as atletas do Caracas e do Everton chegaram à Vila Belmiro para jogar a partida que começaria às 9 e meia. E pra surpresa de todas descobriram que, neste domingo, o único duelo que seria disputado na vila mais famosa do mundo seria Santos X Palmeiras pela séria A do brasileirão.

Em um papelão digno de Didi Mocó e companhia, a diretoria santista proibiu a realização da partida alegando que o gramado seria prejudicado para o clássico à tarde. Segundo a cúpula alvinegra, com as chuvas da última semana e a partida do sábado, o gramado da Vila não suportaria mais dois jogos neste domingo.

A solução encontrada foi deslocar as meninas – em cima da hora – para o estádio Ulrico Mursa da Portuguesa Santista.

A atitude mostra o despreparo da Confederação Sulamericana e de suas filiadas nacionais, incapazes de organizarem um campeonato minimamente digno com 8 equipes. Além do descaso e do desrespeito com as jogadoras que já convivem com o semi-profissionalismo ou mesmo o amadorismo absoluto no futebol feminino da América do Sul.

A Conmebol não se pronunciou sobre o incidente. Assim como em sua página oficial não postou a relação das equipes e jogadoras que disputam o torneio, não arrumou a tabela com as datas remarcadas, nem atualizou o resultado da peleja inicial… nada.

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Bom, como já disse, se era pra fazer assim era melhor nem ter feito.

Imagem: Mundo del Fútbol Femenino

O retrocesso que se avizinha

Sorria_voce_esta_sendo_manipulado-rede_globo-muito_além_do_cidadão_kaneNesta segunda feira o Painel da Folha de São Paulo – em sua edição impressa – publicou a notícia que a Globo, através de seu filhote Globo Esporte, está costurando nos bastidores do poder o fim do sistema de pontos corridos e a volta do mata mata ao campeonato brasileiro de futebol.

Segundo a nota, a emissora – aproveitando-se da necessidade de inversão do calendário do futebol brasileiro e consequente adequação ao calendário europeu – enviou uma proposta aos principais clubes do país sugerindo a alteração no sistema de disputa do Brasileirão.

O que seria um grande retrocesso.

Os argumentos Globais são, logicamente, esdrúxulos e facilmente combatidos.

O que seria mais emocionante? 6 rodadas com Galvão e Cléber Machado gritando haja coração ou um campeonato de 38 rodadas onde desde a primeira todos os jogos são decisivos?

O que seria mais rentável para o futebol brasileiro? Um campeonato onde 4 equipes disputam o último mês de competição enquanto as outras 16 entram de férias perdendo pelo menos um mês de receitas relativas à bilheterias e aparição na mídia ou um campeonato que privilegia organização e planejamento e onde os vinte times atuam igualmente durante todos os meses de competição?

O que seria mais justo? Um campeonato em que uma equipe pode ser campeã com 10 pontos a menos que o vice campeão – como aconteceu em 1977 – ou uma competição que premia a regularidade e o mérito e que consagra como campeão aquele time que fez mais pontos ao longo de 38 rodadas?

Acho que todas as respostas são mais que óbvias.

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A mudança, mesmo que ainda seja apenas uma proposta, é um absurdo sem tamanho que representa uma volta ao passado para o futebol brasileiro, um grande retrocesso.

É lamentável que a toda poderosa Globo queira gerir o futebol brasileiro. A compra dos direitos de transmissão não pode ser traduzida como uma permissão à gestão. A TV é apenas mais uma cliente que consome o produto futebol, não cabe à ela administrar nem governar o mundo da bola.

Resta agora torcer para que nossos  quase sempre deploráveis cartolas batam o pé e não aceitem esta ingerência Global.

A Globo defende a volta do mata mata. E os abusos da emissora do plim plim, quem mata?

Um retundante

Não ao mata mata no Brasileirão!

Pontos corridos pela mertitocracia no futebol brasileiro!

Imagens: Mente Consciente e Arrotos Culturais

Sem grandeza até pra vencer

dunga-caricaturaO futebol é cheio de chavões e frases prontas. Um destes lugares comuns é que na derrota que se conhece os grandes homens.

Então, por analogia óbvia, penso que os pequenos homens se fazem conhecer nas vitórias.

E ontem Dunga mostrou, mais uma vez, que não sabe nem vencer. Após o 4º gol do Brasil o treinador se virou pra arquibancada do Pituaçu aos gritos:

Filha da puta! Fala sua vaca! Vaca!

Que que é isto Dunga? Que que eu vou dizer lá em casa?

Atitude pequena de homem minúsculo, além de nada condizente com o cargo que ocupa, técnico da maior seleção de futebol do mundo.

Sem falar na coletiva após o jogo, áspera, ácida e desprovida de S’s… Dunga não perde a oportunidade de dar uma resposta atravessada nos jornalistas que cobrem a seleção, principalmente naqueles que não são pertencentes à Corporação Global.

Ele foi realmente injustiçado nos anos 90. A tal Era Dunga – termo cunhado pela mídia após a derrota para a Argentina no Delle Alpi de Turim – foi uma covarde forma de designar o insucesso da seleção do Lazaroni naquele Mundial.

Talvez por isto Dunga se mostre tão armado, tão cheio de reservas no convívio com a imprensa. Mas há que se entender o momento. E o de agora em nada se parece com o massacre midiático a que foi exposto em 1990. Pelo contrário, há muito que a imprensa esportiva brasileira não dedicava tantos elogios ao treinador da seleção canarinho, independente de quem ele fosse.

Mesmo assim Dunga segue de escudo na mão e dedos em riste, sempre pronto a atacar.

Mas o torcedor, querido técnico anão, nada tem a ver com isto.

Imagem: Comunidade Moda
Canal do Youtube: johnvjones

Medíocre dos pés à cabeça

felipe_melo-fiorentina-juventus-seleção_brasileiraQuem me conhece sabe o que penso sobre Felipe Melo, é um jogador medíocre na essência da palavra, médio mesmo.

Com um agravante, pensa que joga mais, mas muito mais, do que realmente joga. E como isto é perigoso.

Ontem à tarde mesmo eu conversava com Thiaguinho – o lesadão – sobre esta característica do volante da Juve e da Seleção Brasileira. Não imagino Felipe Melo fazendo 7 jogos de Copa seguidos – partidas tensas pela natureza e grandeza do torneio – sem ser expulso, fazer um pênalti e entregar pelo menos 2 gols aos adversários.

Como pensa que joga muito mais do que realmente joga tá sempre inventando, dando um calcanhar desencessário, tentando um chapéu em um momento que exige o famoso bola pro mato que o jogo é de campeonato.

Não consigo ver as grandes qualidades dele que a imprensa, de forma geral, tanto exalta. Assim como não concebo a idéia de que ele arrumou o meio de campo da seleção.

Sua saída de bola é só regular e seu passe tembém não passa disto. A chegada na frente e a finalização também não são lá estas coisas e está longe de ser um exímio marcador como muitos têm falado. É violento demais para isto. Bom marcador é aquele que rouba muitas bolas e faz poucas faltas. E ele pára mais jogadas com infrações que propriamente com desarmes.

Ontem depois de sua expulsão Felipe Melo mostrou que não é medíocre só com a bola no pé. Tentando justificar o injustificável – uma desleal solada na coxa do adversário, totalmente desnecessária – veio com a famigerada e ultrapassada frase:

Futebol é coisa pra homem.

Aí ficam as perguntas: Ser homem é dar porrada? Eu não sabia disto… E será que ele não conhece uma tal de Marta? Ou a Cristiane? Ou a Birgit Prinz?…

Tenha dó Felipe Melo, futebol é um esporte como outro qualquer que pode ser praticado tanto por homens como por mulheres.

E vê se aprende com seu companheiro de profissão e de posição, o volante Elias do Corinthians que outro dia, em uma coletiva do time do Parque São Jorge, soltou a seguinte pérola – no bom sentido da expressão:

Futebol masculino é coisa pra homem, assim como o feminino é coisa pra mulher!

Imagem: Blog do Torcedor

Gangsterismo Português

gangstersA Portuguesa reforçou ainda mais sua posição de time pequeno. Não pela derrota em pleno Canindé para um dos piores times da Série B do Brasileirão, 2 X 1 para o Vila Nova de Goiás, mas pelos acontecimentos de antes da partida.

Depois da derrota o técnico Renê Simões pediu demissão, soltou o verbo e escancarou a realidade putrefata e amadora que vive a Lusa. Antes da partida o vestiário lusitano recebeu a visita de dois conselheiros do clube com seus respectivos seguranças particulares que, logicamente, estavam armados.

Não houve agressão física, mas aquela cena típica de filme de gângsters sicilianos. Amparados pelos ditos seguranças, que nas horas de folga são policiais militares, os dois conselheiros insultaram e  ameaçaram o grupo de jogadores, em especial os meias Edno e Héverton.

Sabe aquela cena clássica do capanga que abre o sobretudo pra deixar a vista suas armas enquanto o chefinho fala o quer quer e bem entende? Foi o que aconteceu no Canindé.

Hoje o clube tentou pôr panos quentes no assunto dizendo que não houve invasão de vestiário, que tratava-se de 2 conselheiros que costumam frequentar o vestiário da Portuguesa, por isto a entrada foi liberada. Embora logicamente o clube diga que não sabia da história das armas e da coação.

Os conselheiros em questão são Vítor Manoel Macedo Diniz – o Vitinho – e Antônio José Vaz Pinto. Este último é proprietário de uma tradicional concesionária de carros importados em São Paulo e por isto é mais conhecido como Toninho da Divena.

Meu protesto silencioso em relação a este caso é bem simples. Estava na dúvida se comprava um Mercedes, um jeep Chrysler ou tomava um suco de laranja e, depois do sucedido no Canindé, fico com o suquinho mesmo.

Infelizmente parece que a Portuguesa não tomará nenhuma atitude contra os envolvidos. É um caso pra expulsão sumária do clube, mas como os dois conselheiros colocam dinheiro no futebol da Lusa, a maior possibilidade é que nada aconteça.

Um absurdo que reforça ainda mais a imagem de time pequeno da Portuguesa. Pequeno, amador e assolado por uma nova modalidade marginal, o gangsterismo portugês.

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Imagem: The Market Oracle
Vídeo: Globo Vídeos

Cheirinho de pizza

Trilha Sonora: Réu Confesso - Tim Maia. Clique no radinho para ouvir!

Trilha Sonora: Réu Confesso - Tim Maia. Clique no radinho para ouvir!

Amanhã será uma espécie de Dia D para o futebol brasileiro. Não se trata de uma final de Copa do Brasil, de Mundial nem de Libertadores. É que nesta quinta, 6 de agosto, a justiça julgará o habeas corpus de Edílson Pereira de Carvalho, ex árbitro que foi o pivô do escândalo conhecido como Máfia do Apito.

Edílson foi a ponta de um grande esquema de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de 2005. Na época, 11 partidas foram anuladas e jogadas novamente em virtude de arbitragens fraudulentas, que tinham como objetivo manipular resultados com fim de favorecer um grupo de apostadores que faziam dinheiro com os jogos em sítios de apostas do exterior.

O caso em julgamento amanhã não é especificamente o da Máfia do Apito, mas do habeas corpus de seu personagem principal, o réu confesso Edílson Pereira de Carvalho. Mas o lance é que o mantenimento do habeas corpus pode resultar em um posterior arquivamento do caso principal, que corre em Jacareí, no interior de São Paulo.

E pelo que leio no blog do PVC, com desembargadores garantistas – pra usar a linguagem jurídica – a tendência é que o habeas corpus seja mantido e tudo acabe em pizza.

maior_pizza_do_mundoSeria uma pena. Esquemas como este descoberto em 2005 pela equipe do delegado Protógenes Queiroz – que inclusive declarou que as investigações poderiam envolver muito mais gente, inclusive jogadores, caso os repórteres André Rizek e Thaís Oyama não tivessem se apurado em publicar as denúncias – são muito difíceis de serem comprovados.

E quando temos todas as provas, confissões e tudo mais, corremos o risco de não dar em nada. Ou dar em pizza.

O mantenimento do habeas corpus de Edílson Pereira de Carvalho e o possível arquivamento do processo da Máfia do Apito representarão grandes retrocessos para o futebol brasileiro.

Pior que a dificuldade para se comprovar as tretas da bola, é a impunidade que se desenha neste caso, mesmo com todas as provas jogadas em nossas caras.

Só pra constar, os desembargadores que julgarão o habeas corpus de Edílson Pereira de Carvalho nesta quinta feira são Christiano Kuntz, Fernando Miranda e Francisco Menin.

A bola agora está com eles!

Trilha Sonora: Réu Confesso – Tim Maia
Imagem: Rádio Sara Brasil

Conheça a Sociedade Futeboleira do Brasil, a rede social do futebol!

Antes 2 que nenhum!

robertohorcadesinfeliz

Roberto Horcades, presidente do Fluminense, falou besteira das grandes. 

Mais uma vez o velho discurso machista, ultrapassado, retrógrado .

Eu nem reproduzirei sua frase aqui porque o Ópio não é lugar disto, aqui as mulheres têm lugar privilegiado.

Quem quiser saber o que ele disse, na íntegra, pode conferir no blog do Mauro Cezar que, como eu, desconfia da existência de neurônios nas Laranjeiras.

Ao senhor Horcades – que eu não chamarei de doutor, como ele gosta – só digo uma coisa:

Antes 2 que nenhum!

Expulsão Insólita

Panathinaikos e Asteras Tripolis jogavam pela Liga Grega.

Aos 45 do segundo tempo um torcedor do Pao invadiu o campo.

O argentino Adrián Bastía, do Asteras, passou a famosa rasteirinha no invasor.

E por facilitar o trabalho dos seguranças acabou expulso.

Bastía havia marcado o gol do Asteras. A partida terminou 1X1.