Análises e Palpites das Quartas de Final – I

Brasil e Holanda é um dos confrontos mais bonitos do futebol. Duas escolas de natureza ofensivista, que prezam pelo jogo bonito. Isto é o que diz a história, porque os atuais times de Brasil e Holanda nada têm a ver com esta cultura do ataque, do jogo vistoso, plástico. As duas seleções se importam com uma única coisa, o resultado.

Dunga e Bert Van Marwijk dirigem times espelhados. No esquema da moda, 4-2-3-1. Uma linha de quatro atrás, dois volantes de pegada, uma linha com 3 teóricos armadores e na frente, solitário, um único atacante. E é assim que entrarão em campo nesta sexta feira, 2 de julho.

Os dois times já se enfrentaram 3 vezes em Copas do Mundo. Em 74 baile holandês, 2 X 0 e muita porrada por parte da seleção canarinho. Em 94 vitória brasileira, 3 X 2 naquele jogo do gol de falta do Branco, uma das partidas mais emocionantes que já vi em mundiais. Em 98 empate em 1 X 1 no tempo normal, 0 X 0 na prorrogação e triunfo verde e amarelo nos pênaltis, 4 X 2.

Na África do Sul nenhuma das duas equipes encantou, mas ambas vêm em uma trajetória segura até as quartas de final. A Holanda venceu seus 4 jogos, 2 X 0 na Dinamarca, 1 X 0 no Japão, 2 X 1 em Camarões e na Eslováquia. Já o Brasil empatou em 0 X 0 com Portugal e bateu a Coréia do Norte por 2 X 1, a Costa do Marfim por 3 X 1 e o Chile por 3 X 0.

No Brasil, Elano está fora do jogo das quartas e possivelmente do restante da Copa. Ramires suspenso e Felipe Melo ainda é dúvida. Na Holanda o maior problema é o relacionamento. Ao ser substituído no jogo contra a Eslováquia, Van Persie se desentendeu com o treinador Bert Van Marwijk e foi taxativo, quem tinha que sair era o Sneijder.

Esta é, de longe, a partida mais difícil para o time de Dunga até aqui. Embora individualmente a defesa holandesa não seja nenhuma maravilha, o esquema protege bem esta fragilidade e não sei se a burocrática seleção brasileira encontrará espaços para jogar. Do outro lado, se Robben bater diretamente com Michel Bastos será um carnaval laranja. O meia do Lyon, que na seleção é lateral, não tem a menor condição de segurar Robben. Dunga terá que destacar um dos volantes para o trabalho de ajuda na marcação do atacante do Bayern de Munique. E aí pode sobrar espaço para Wesley Sneijder. Aquela velha história do se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Meu Palpite: Holanda vence por 2 X 0.

Imagens Originais: NowPublic e Café com Ciência
Colagem: Picnik
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Análises e Palipites das Oitavas de Final – IV

Paraguai e Japão fazem um dos confrontos mais inesperados e equilibrados destas oitavas de final. Os sulamericanos desbancaram a atual campeão Itália no Grupo F, e o Japão surpreendeu o mundo com a habilidade de Keisuke Honda e com um time muito sólido, uma das melhores defesas da primeira fase.

Depois do empate contra a Itália na estréia, o Paraguai jogou com o regulamento. Saiu pra matar a Eslováquia e, sem querer correr riscos, só controlou a partida contra a Nova Zelândia. Resultado, primeiro lugar na Chave F e fuga do confronto contra a Holanda. A Seleção Guarani tem um bom elenco dirigido por um excelente técnico, Tata Martino. O setor ofensivo é recheado de bons jogadores como Roque Santa Cruz, Lucas Barrios, Oscar Cardozo e Haedo Valdez.

O Japão foi uma das maiores surpresas da primeira etapa do Mundial. Depois de tomar coco em quase todos amistosos preparatórios, o time nipônico fez uma excelente fase de grupos. Bateu Camarões, deu um chocolate na Dinamarca e só perdeu pra Holanda. Mais que pelos resultados, a seleção japonesa surpreendeu pelo futebol apresentado. Nada vistoso, mas o time mostrou um sistema defensivo muito sólido e muita eficiência até na bola alta. Mais um detalhe, o Japão é o time que marcou mais gols de falta na Copa, dois, um com Keisuke Honda e outro com Yasuhito Endo.

Este é um jogo muito parelho e difícil de palpitar. O Paraguai deve ter bem mais posse de bola, mas a questão é se conseguirá furar o bloqueio japonês que, na primeira fase, funcionou muito bem. Até aqui o Japão só tomou dois gols, um de fora da área e um em um pênalti bem mandrake. E nos contra ataques e nas bolas paradas os asiáticos podem surpreender. Até ontem eu cravava que daria Paraguai, mas hoje acordei mais Japão.

Meu Palpite: 1 X 1 no tempo normal, 0 X 0 na prorrogação e o Japão vence nos pênaltis.

O clássico ibérico é um dos mais charmosos confrontos destas oitavas de final, rivalidade que vem de séculos. A Espanha sofreu na primeira fase, não foi sombra da campeã européia de dois anos atrás e nem apresentou o futebol envolvente que lhe garantiu a marca de apenas duas derrotas nos últimos 52 jogos. Portugal fez o que podia na primeira fase. Empatou com a Costa do Marfim, goleou a Coréia do Norte e fazendo um joguinho medroso empatou com o Brasil em 0 X 0. O time lusitano marcou 7 gols, mas só balançou as redes em uma partida, no confronto contra a fraquinha Coréia do Norte.

A Espanha foi surpreendida pela Suiça na estréia, mas garantiu o primeiro lugar do Grupo H após bater Honduras e Chile. Todos os gols da Fúria até o momento foram marcados por jogadores do Barcelona, o que mostra um pouco em que ritmo o time quer jogar. Torres anda mal fisicamente, em compensação David Villa faz uma grande Copa e com mais 3 gols se torna o maior artilheiro da história da Fúria. Os Espanhóis ainda não encaixaram seu jogo, seu fuebol bonito de passes curtos e muita posse de bola, mas Vicente del Bosque tem um timaço nas mãos.

Que o time dirigido por Carlos Quiróz evoluiu, disto ninguém tem dúvida. As eliminatórias foram um sufoco e na Copa, em um grupo muito complicado, se não encantou pelo menos se classificou com certa tranquilidade. Com uma defesa que individualmente é fraca, Queiróz armou o time com muita ênfase no setor defensivo, acreditando que na frente Cristiano Ronaldo pode resolver com uma ou duas chances. O sistema pode dar certo e eu não descarto Portugal, mas a Espanha será uma grande prova de fogo para a seleção lusitana.

Acredito que Espanha e Portugal farão uma partida extremamente equilibrada e nervosa, cheia de cartões para os dois lados. A tendência é que a Espanha domine a posse de bola e que Portugal tente a sorte nos contra ataques, principalmente com Cristiano Ronaldo. É um confronto difícil de palpitar, a Espanha tem bem mais time, mas Portugal tem uma seleção respeitável e um craque, então não dá pra ignorar. Creio que será apertado, mas dá Espanha.

Meu Palpite: Espanha 2 X 1.

Imagens Originais: All Latino, Asia Risk ReturnSpanskespanol e Olhares.
Colagem Picnik

Análises e Palipites das Oitavas de Final – III

Holanda e Eslováquia fazem um dos três confrontos europeus destas oitavas de final. E talvez seja o embate mais desequilibrado entre os times do velho continente.

A Holanda veio com um futebol diferente do que estamos acostumados. Nada de magia e futebol ofensivo, pragmatismo é a palavra da moda para o técnico Bert Van Marwijck. Embora a seleção laranja tenha dois dos melhores jogadores da atualidade – Sneijder e Robben – eles não querem saber de jogar bonito como manda a tradição do futebol holandês, eles querem é ganhar e acabar com a pecha de nadar, nadar e morrer na praia. Se a bola jogada na primeira fase não causou nenhum rebuliço, a segurança com que a Holanda venceu seus jogos me impressionou. É um time pra ficar de olho.

A Eslováquia já fez mais do que se esperava dela. Conseguiu a classificação em um grupo com Itália e Paraguai – onde era considerada a terceira força – e mais, ainda venceu e mandou pra casa a poderosa Squadra Azzurra, atual campeã do mundo. Hamsik, que vinha apagado, já fez uma boa partida contra os italianos e é a grande esperança eslovaca ao lado do artilheiro Róbert Vittek.

Historicamente a Holanda é conhecida por jogar bonito e não ganhar nada, com exceção feita à Eurocopa de 1988. Esta geração quer mudar este rótulo e tem condições técnicas para isto. Ou alguém duvida que um time com Robben, Sneijder e Van Persie pode ser campeão mundial? Pra mim, a Eslováquia encerra sua participação na África do Sul nesta segunda feira.

Meu Palpite: 1 X 0 Holanda.

Brasil e Chile repetem o confronto das oitavas de final da Copa de 1998. Naquela ocasião, Brasil 4 X 1 com dois gols de César Sampaio e dois gols de Ronaldo. Marcelo Salas marcou para os chilenos. Voltando à África do Sul, não haveria melhor adversário para o time de Dunga. O Chile é um time leve, que gosta de jogar e é dirigido por um técnico utópico demais para montar um ferrolho. Bielsa gosta do jogo. E a Seleção do Dunga gosta de adversários assim.

O Brasil passou sem sustos pela primeira fase da Copa. Sem sustos e sem a menor graça. O time de Dunga foi nos 3 jogos aquilo que foi nos últimos 3 anos; forte, vencedor e sem sal. Felipe Melo não deve jogar, o que no final das contas é uma ótima notícia pra quem torce pro Brasil. Josué deve ser seu substituto, tornando o pesado meio de campo brasileiro um pouco mais leve.

Eu gostei do Chile na primeira fase da Copa. Um time bem leve, rápido, que toca muito bem a bola, mas que peca demais nas finalizações das jogadas. A equipe de Marcelo Bielsa terá 3 desfalques no já não tão confiável setor defensivo. O volante Estrada, expulso no jogo contra a Espanha e os zagueiros Ponce e Medel que tomaram o segundo amarelo na mesma partida. O que já era difícil ficou ainda pior.

Confrontando os estilos dos dois times, acho muito improvável que o Chile apronte para cima do Brasil. Acredito que este seja o jogo mais tranquilo para os comandados de Dunga na África do Sul. O Chile é um velho freguês que, agora, tem um time interessante. Mas ainda não é capaz de eliminar o Brasil em um mata mata de Copa.

Meu Palpite: Brasil 4 X 2.

Imagens: NowPublic, Wikimedia Commons, Café com Ciência e Travel Pod.
Efeitos: Picnik

Análises e Palipites das Oitavas de Final – II

Alemanha e Inglaterra é o confronto de maior peso e história destas oitavas de final. Pra falar só de mundiais, os dois países decidiram a Copa de 1966 e fizeram a semifinal em 1990, mas a rivalidade entre estas duas nações extrapola o mundo da bola.

A Alemanha encantou o mundo na primeira rodada ao golear a Austrália por 4 X 0. Na sequência decepcionou a todos ao não mostrar o mesmo futebol da estréia e ser derrotada pela Sérvia, 1 X 0. Na partida que valia a classificação jogou pro gasto, bateu Gana por 1 X 0 e garantiu o primeiro lugar do Grupo D. A Alemanha tem o time mais jovem da Copa e isto pode pesar em um jogo de tanta história e rivalidade. Por outro lado, é em seus jovens que o time germânico encontra sua grande fonte de talento, principalmente em dois jogadores do Werder Bremen, Mesut Ozil e o suplente Marko Marin. É uma equipe interessante, mas me parece que sua Copa será a de 2014.

A Inglaterra é uma das grandes decepções até aqui. Não jogou nada contra Estados Unidos e Argélia e suou pra classificar. A vitória sobre a Eslovênia, magrinho 1 X 0, foi a melhor apresentação do English Team que ainda não achou sua formação ideal e sente muito o péssimo estado físico de Wayne Rooney, melhor jogador da equipe. Mas como muitos dizem, a Copa começa nas oitavas. E um time que tem Rooney, Gerrard, Lampard, Terry, Barry, Carrick, Defoe e tantos outros bons jogadores não pode ser ignorado.

Acredito em um grande jogo neste domingo, com cheiro de prorrogação. A Inglaterra já melhorou com a entrada de Defoe no lugar de Heskey, mas ainda não é suficiente pra passar por um gigante como a Alemanha. O time de Fabio Capello terá que encontrar mais bola, principalmente em seu meio de campo que até agora quase não jogou. Os germânicos têm um bom time, mas ainda sofrem com a instabilidade, fruto da baixa média de idade do elenco. Já que é pra dar pitaco, eu fico com a experiência inglesa.

Meu Palpite: 3 X 2 pra Inglaterra, com 1 X 1 no tempo normal.

Argentina e México repetem o confronto de oitavas da última Copa, na Alemanha. Em 2006 a Argentina suou pra passar, e só conseguiu fazê-lo na prorrogação com um golaço de Maxi Rodriguez, jogador que deve substituir Verón neste domingo.

A Argentina é o time que joga o futebol mais agradável desta Copa. Também, com Milito, Higuaín, Tévez, Aguero, Verón e o sensacional Messi, não dava para os hermanos fazerem diferente. Se do meio pra frente a alvi celeste é só alegria, do meio pra trás a palavra é preocupação. Demichelis não convence no miolo de zaga e Jonás Gutiérrez na lateral direita é simplesmente um desastre. Samuel é dúvida, o que piora as coisas ainda mais.

O México nunca foi lá essas coisas. E o técnico Javier Aguirre ainda ajuda. O treinador mexicano tem tomado decisões incompreensíveis, como barrar o excelente Andrés Guardado e preterir os bons e jovens Javier Hernandéz e Pablo Barrera ao velho e gordo Cauahtémoc Blanco, ex jogador em atividade.

Tá todo mundo falando que o México pode aprontar, mas sinceramente não vejo como a seleção azteca pode complicar para a Argentina. O time de Diego Maradona é muito superior em todos os setores e conta com um ataque avassalador. O México pode até jogar como nunca, mas creio que perderá como sempre.

Meu palpite: Argentina 3 X 1.

Imagens Originais: ETF Trends, Geliosoft, Internationl Education e Skate Boy on Photobucket
Colagens: Picnik