Sem confetes nem purpurinas

confetes-purpurinas-serpentinas-carnavalSempre fui tachado de utópico por minhas convicções políticas. E quando o assunto é futebol, muitos dos meus poucos amigos me rotulam como romântico. O que, sinceramente, não concordo, embora respeite a opinião deles.

Pra mim não se trata de romantismo e utopia, mas simplesmente da forma como enxergo o mundo, como vejo as coisas. Não tenho culpa se a obra prima As Veias Abertas da América Latina me influenciou e me ensinou mais sobre a história que todos os livros didáticos da minha vida escolar juntos.

No futebol também tenho minhas preferências, minhas influências. Prefiro por exemplo o estetismo sem títulos dos times do Wenger à eficiência catedrática das equipes do contestado – mas vitorioso – Carlo Ancelotti.

Em clubes até entendo a obsessão pela vitória, mesmo que ela não precise ser acompanhada por aplausos. Mas quando tratamos de seleção, aí não!

Uma seleção joga mais ou menos 10 partidas por ano. Então me digam, faz algum sentido tirarmos os melhores jogadores de seus clubes – que pagam seus salários – pra jogarmos única e exclusivamente pra vencer? Pra mim não.

Pra mim as seleções devem servir para mostrar e ratificar o estilo de jogo de um país. A reunião dos grandes craques de uma nação com o objetivo único de jogar bola. Do jeito que o povo gosta, do jeito que o povo quer. As seleções, principalmente em países que cultuam tanto o futebol como o Brasil, deveriam constituir um traço da identidade cultural do país. E não ser uma máquina burocrática que só visa a vitória… e  o pior, a vitória a qualquer custo.

Por isto registro aqui meus parabéns à classificação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo da África do Sul. Também parabenizo o ex companheiro Dunga pelos resultados no comando do escrete canarinho, mas só por isto.

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A vitória sobre a Argentina foi grandiosa, histórica, disto não restam dúvidas. Mas não consigo apreciar o futebol da seleção do Dunga. Um time que se posta atrás e que é realmente fulminante nos contra ataques e letal nas bolas paradas. Mas não passa daí. Um time que – tristemente – não dribla, que não tem a cara do Brasil, do futebol brasileiro.

E até a tal solidez defensiva da seleção eu questiono. Ou será que já nos esquecemos dos vareios de bola que tomamos do Paraguai em Assunção, do Uruguai em pleno Morumbi e, principalmente, em Quito quando o Equador chutou nada mais nada menos que 39 bolas contra nossa meta. Ah se não fosse Júlio César, este sim é sólido!

Sem falar na fatídica derrota pra Venezuela, no aperto que tomamos do Canadá e do Egito e da sequência de partidas sem gols jogando em território nacional.

Por tudo isto volto parabenizar a classificação para a Copa e os resultados que, não se pode negar, são realmente ótimos.

Mas meus parabéns não levam consigo nem confetes nem purpurinas.

zangado_7_anoes grumpy_7_dwarfsZangado é um dos 7 anões da Branca de Neve e mesmo do Reino da Fantasia é o colunista especial do Ópio do Povo para assuntos da seleção brasileira.

Imagens: Novas Estações,
Papo de Homem
e Grumy Git
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Opções pra seleção

Zangado nosso novo colunista!

Zangado, nosso novo colunista!

É com prazer que estréio minha coluna aqui no Ópio do Povo. Confesso que foi com enorme alegria e surpresa que recebi o convite do Bernardo. Espero não decepcionar os comedores de ópio

O que poucos sabem é que eu sempre fui o anão que manjava de futebol. No nosso time – Toquinhos Futebol Clube – eu era o camisa 10, o cérebro pensante dentro de campo. Além de exercer, paralelamente, a função de técnico e manager.

Na nossa equipe o Dunga era apenas um cabeça de área, nem volante conseguia ser. Um carregador de piano sem muito brilho, sem muitos recursos técnicos. Tanto que até hoje a venda dele pro Inter de Porto Alegre, que aconteceu na minha gestão, é considerada a melhor transação na história do futebol na nossa Terra, o equivalente à venda do Fábio Júnior pra Roma, se lembram?

Uma de suas características mais marcantes, além das poucas palavras, sempre foi sua famosa teimosia. Tinha dia que nem a Branca de Neve pra fazê-lo mudar de opinião, dureza.

Essa teimosia se nota na forma como Dunga se casou com o esquema da moda, o 4-2-3-1. Até contra o inofensivo Peru o treinador não abriu mão dos 2 cabeças de área leões de chácara

Seleção do Dunga
seleçao do dunga Nada contra o esquema, a seleção espanhola joga assim e há um pensamento, quase unânime, que a Fúria vem jogando o melhor futebol entre todas seleções do mundo desde 2006. Mas o Brasil, com a grande variedade de bons jogadores que tem, poderia muito bem pensar em outras variações de jogo.

Abaixo apresentarei algumas delas, na mantenho a formação do ex companheiro de Toquinhos FC, mas com algumas opções que poderiam deixar o time mais leve, mais solto.

4-2-3-1 do Zangado
seleção brasileira 4-2-3-1 Zangado4-4-2 com losango
seleção zangado 4-4-2 losango4-4-2 com quadrado
seleção zangado 4-4-2 quadrado4-3-3 com 2 volantes
seleção zangado 4-3-3 com 2 volantes4-3-3 com 2 meias
seleção zangado 4-3-3 com 2 meias4-1-4-1
seleção zangado 4-1-4-1

 E pra não ficar em cima do muro, aí vai a minha seleção ideal!
seleção brasileira ideal do Zangado