A noite em que os hondurenhos puderam sonhar

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Foguetes espocam em Tegucigalpa. Por uma noite, as explosões na capital hondurenha não são de bombas, não vêm do estampido seco das metralhadoras.

Por uma noite o grito guardado não exprime a dor, o sofrimento de uma pátria usurpada e mal tratada.

O povo nas ruas não clama Zelaya nem Micheletti. David Suazo, Noel Valladares, Carlos Pavon e Wilson Palacios são os nomes dos heróis populares.

Heróis de verdade, que não derramam sangue, que não matam com as mão limpas.  E que levam o sonho onde tudo é tristeza e desespero.

Por uma noite não se sentiu o cheiro de morte; de carne humana apodrecida pelas ruas, perfurada por balas de fuzis.

Por uma noite Honduras dormiu feliz… sonhando com uma África que fica logo ali.

Mas se engana aquele que acha que a bola ilude. A tristeza continua a viver ali, arraigada nos desalentados corações hondurenhos.

O sofrimento segue firme em Tegucigalpa e no restante do país, mas naquela noite adormeceu para que o povo – pelo menos por um instante – pudesse sonhar.

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Imagens: El Heraldo
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