Sem grandeza até pra vencer

dunga-caricaturaO futebol é cheio de chavões e frases prontas. Um destes lugares comuns é que na derrota que se conhece os grandes homens.

Então, por analogia óbvia, penso que os pequenos homens se fazem conhecer nas vitórias.

E ontem Dunga mostrou, mais uma vez, que não sabe nem vencer. Após o 4º gol do Brasil o treinador se virou pra arquibancada do Pituaçu aos gritos:

Filha da puta! Fala sua vaca! Vaca!

Que que é isto Dunga? Que que eu vou dizer lá em casa?

Atitude pequena de homem minúsculo, além de nada condizente com o cargo que ocupa, técnico da maior seleção de futebol do mundo.

Sem falar na coletiva após o jogo, áspera, ácida e desprovida de S’s… Dunga não perde a oportunidade de dar uma resposta atravessada nos jornalistas que cobrem a seleção, principalmente naqueles que não são pertencentes à Corporação Global.

Ele foi realmente injustiçado nos anos 90. A tal Era Dunga – termo cunhado pela mídia após a derrota para a Argentina no Delle Alpi de Turim – foi uma covarde forma de designar o insucesso da seleção do Lazaroni naquele Mundial.

Talvez por isto Dunga se mostre tão armado, tão cheio de reservas no convívio com a imprensa. Mas há que se entender o momento. E o de agora em nada se parece com o massacre midiático a que foi exposto em 1990. Pelo contrário, há muito que a imprensa esportiva brasileira não dedicava tantos elogios ao treinador da seleção canarinho, independente de quem ele fosse.

Mesmo assim Dunga segue de escudo na mão e dedos em riste, sempre pronto a atacar.

Mas o torcedor, querido técnico anão, nada tem a ver com isto.

Imagem: Comunidade Moda
Canal do Youtube: johnvjones

Argentina Hahaha!

Hoje François Omam-Biyik completa 43 anos de idade. Mas quem é Omam-Biyik? O vídeo abaixo mostra um pouco do atacante camaronês que passou pelo futebol mexicano nos anos 90.

Omam-Biyik foi o protagonista de partida inaugural da Copa do Mundo da Itália, em 1990. Camarões ecandalizou o mundo ao bater a poderosa Argentina, campeã da Copa de 86 no México.

Camarões já havia surpreendido o mundo ao empatar com a Itália na Copa de 82, mas eu só tinha um ano. Em 90 eu já tinha 9 e fiquei encantado com aquele time de roupas tão coloridas e futebol tão ofensivo, bonito.

A zebra africana provocou uma cena que sou incapaz de me esquecer. Não por ter sido importante, crucial, nada disto. É destas coisas que nos marcam sem um motivo muito nítido, uma cena mundana, cotidiana. Da qual, pelos meandros indecifráveis do nosso subconsciente, não podemos nos separar.

Como já disse eu tinha 9 anos e estudava no Instituto de Educação de Minas Gerais, ou na Escola Estadual Luiz Peçanha, como nossas professoras gostavam que escrevêsemos. E como na maioria da escolas públicas do país, podíamos assistir aos jogos do Mundial, afinal, é de 4 em 4 anos

Eu assistia o jogo com os olhos enfeitiçados pelas cores da África. Sem saber eu me via naqueles jogadores, na união que eu nem imaginava representar o verde, o amarelo e o vermelho.

E de repente aquele gol. Omam-Biyik subiu como um beija flor, como um Dadá Maravilha. Subiu mais alto que o topo do mundo e ali ficou parado por segundos que me pareceram horas. A cabeçada foi fraca, no meio da baliza. Mas não tinha jeito, tinha que ser gol. Obrigado Pumpido!

E então veio a cena. Dezenas de crianças em fila indiana, meninos e meninas gritando, cantando em alto e uníssono som: Argentina Hahaha, Argentina hahaha! Lembro-me da cena como se fose hoje, inclusive Marcelo Pirelli, o grande capitão – sem comparações a Obdulio, pois a este ninguém se compara – fazia parte do coro, embora não acredite que ele se lembre disto.

crianças memoria afetiva copa de 90 omam_biyik

Como já expliquei, não sei porque esta cena me marcou tanto. Talvez pela descoberta da beleza do futebol que convida ao lúdico e permite molecagens de dar inveja a qualquer Saci. Talvez pela descoberta das cores, da África unida nesta trilogia cromática. Talvez tenha sido aí que reconheci, pela primeira vez, minhas raízes.

Imagens Originais: Mercado Ético e FFFFound