Insensato Futebol

Não concordo com a tese que falta experiência a esta Seleção.

Sei que as principais referências do time ainda não passaram dos 21, mas mesmo com a pouca idade, a vivência no futebol é extensa.

Pra mim, o que falta é tesão e o que sobra é soberba.

Derrota após derrota não nos cansamos de olhar o futebol mundial com um inegável ar de superioridade.

Do alto de nossa presunção não vemos ninguém ao nosso lado, muito menos acima. Somos o único país do futebol.

E enquanto Argentina e Uruguai faziam um jogo épico, com técnica, tática e muita emoção, nossos craques comentavam via twitter Insensato Coração.

Perderam um jogo histórico. Não o de domingo, que também perderam, de forma patética.

Jogadores que não gostam de futebol me assustam um pouco. Custo a entender como o roteiro repetido de uma novela pode ser mais interessante que um dos maiores clássicos do futebol mundial. 

Infelizmente não sei os nomes dos protagonistas de Insensato Coração, se soubesse, poderia compará-los a Messi, Tévez, Forlán e Luisito Suárez, e então veríamos qual elenco é o mais interessante.

Este texto não é pra justificar a derrota de domingo.

Não perdemos pra nós mesmos, perdemos para um Paraguai brioso e aplicado, para um time de jogadores que entendem que o futebol é bem mais que diversão, pra eles, é profissão.

Desclassificados da Copa América, nossos jogadores podem agora, tranquilos, ver a novela.

Enquanto nós, que gostamos de futebol, veremos empolgados a sensação Venezuela, o ressurgente Peru, o altivo Paraguai e o gigante renascido Uruguai.

Imagem: Blogmail

Brasil: Segunda divisão do futebol mundial

Vamos ser sinceros, se ele estivesse 100% em forma não estaria jogando no Brasil.

A sintomática frase foi dita por Andrés Sánchez, presidente do Corinthians, em entrevista ao repórter Mauro Naves, exibida no Arena SporTV desta terça, 17 de agosto.

A pérola foi proferida em resposta à pergunta sobre a condição física de Ronaldo, há cem dias afastado dos campos.

Eu não sou nem um pouco fã do presidente do Timão – acho um cara arrogante, despreparado e populista ao extremo – mas a frase é bem verdadeira.

E como disse pouco acima, sintomática. Com certeza absoluta se Ronaldo estivesse em forma, não digo nem na plenitude, mas em forma física aceitável, apto para a prática esportiva, seguramente não estaria jogando no Brasil.

Alguns teimam em negar, mas quando o assunto é clube o Brasil habita a segunda ou quiçá a terceira divisão do futebol mundial. Quem acompanha os principais campeonatos europeus sabe do que estou falando, a diferença de intensidade e qualidade das partidas é nítida.

Então nos resta o consolo de desfrutarmos os futuros craques em formação – vide a molecada do Santos – ou gozarmos da melancólica presença de estrelas decadentes e, em alguns casos, até barrigudas.

A arte da defesa

O Barça é o time espetacular dos craques espetaculares. E uma derrota não é capaz de apagar isto.

A Inter não embasa seu jogo no espetáculo, não precisa de aplausos para se satisfazer, basta vencer. E isto não a diminui.

Defender também uma arte. Uma difícil arte.

Um time para ser campeão não precisa ser Barcelona. Até porque – sem Messi, Xavi, Iniesta e companhia –  fazer o que os catalães fazem é utopia.

A Inter fez o que pôde. E o fez com primazia.

Com um jogador a menos e dois gols de vantagem, o que fazer no Camp Nou contra uma Barça de sonhos? Mourinho pensou que a melhor – e talvez a única possível – estratégia seria defender. Com unhas, dentes e coração.

Assim foi a Inter e a proposta de jogo italiana surtiu resultado. O Barça dominou toda a partida, teve 76% de posse de bola, mas pouco ultrapassou o ferrolho interista. Tanto que dos 15 chutes do Barça, apenas 4 foram ao gol de Júlio César.

Defendo até o último dia o estilo vistoso do Barcelona. É este o futebol que eu gosto de ver, o que me dá prazer. Mas entendo que defender faz parte do jogo e não é tarefa nada fácil, ainda mais quando do outro lado estão Messi, Xavi e Ibrahimovic.

Por isto aplaudo a disciplina e a aplicação tática da Inter. A forma como o time italiano se defendeu foi impressionante e digna de elogios. E a classificação foi mais que merecida.

Mesmo assim, pra mim, o Barça segue sendo o melhor time do mundo. E o melhor jogador? Claro que nada mudou, Messi!

Imagens: Corriere della Sera

Derrota real, vexame galáctico

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O futebol, como o mundo, vive a dicotomia da segregação econômica. Como na sociedade temos cidadãos de classes A, B e por aí vai, o mundo da bola também vive suas divisões e estratificações sob a tutela do vil metal; com times milionários e equipes semi amadoras que habitam e dividem o mesmo terreno.

Na última terça os galácticos do Real visitaram o subúrbio de Madrid. Foram ao município de Alcorcón – a 13 quilômetros da capital espanhola – enfrentar, pela Copa do Rei,  a equipe local que joga na 3ª divisão do campeonato espanhol e que leva o mesmo nome da cidade em que está situada. Um confronto entre o futebol real – não de realeza, mas de realidade – e o mundo fantástico e fantasioso da bola galáctica, das estrelas que brilham mais que a camisa, que a história.

Mesmo sem Kaká e Cristiano Ronaldo – estrelas máximas da constelação madrilenha – todos decretavam a barbada, goleada merengue… e com um pé nas costas. Mas no futebol, diferentemente da nossa sociedade do hiper consumo, nem sempre o dinheiro consegue ser o vitorioso.

Foi um dos maiores vexames da história do Real Madrid. 4 X 0 para um time da 3ª divisão… um time de estádio acanhado e de uma paupérrima galeria de troféus, sem nenhum título de relevância. Um time de jogadores modestos… jogadores modestos sim, mas que suam, que brigam, que jogam quase por amor ao esporte, pois o que ganham não é mais que o necessário para sobreviver.

4 X 0 com uma doce ironia. 3 dos 4 gols foram marcados por jogadores que passaram pelas divisões de base do time merengue, mas que nunca tiveram oportunidade no time de cima. O meia Ernesto Gómez que anotou o 3º tento da goleada e o atacante Borja Pérez, autor do primeiro e do último gol no massacre de Alcorcón. Detalhe, Borja já havia marcado outras 4 vezes contra o Real Madrid jogando pelos pequenos Leganés e Alicante. O outro gol da partida foi contra de Arbeloa, uma das contratações para a atual temporada.

Nem o mais otimista dos torcedores do AD Alcorcón poderia imaginar a noite de ontem. O dia em que a simplicidade do subúrbio venceu o poder e a ostentação capitalina.

A humilhante derrota imposta ao Real mostra muito mais que a pilhéria do futebol onde nem sempre os que compõem a base da pirâmide estão necessariamente abaixo daqueles que habitam o topo. A goleada do Alcorcón expõe a mentira galáctica dos astros milionários da bola e ratifica a idéia de que, hoje, não existe time de outro mundo.

Que o Real Madrid tem grandes craques é inegável. Mas ainda falta muito pra que estes jogadores formem um grande time.

Imagem: Ecodiario
Canal do Youtube: Todo Goles

Dois monstros e uma campanha

messi-zidane

A Adidas juntou dois monstros em uma única campanha.

Zinédine Zidane e Lionel Messi protagonizam a série Todo Time Precisa de um Detonador.

Já tinha uns dias que queria colocar pelo menos o vídeo principal aqui, mas como o tempo anda curto acabou me passando.

Messi e Zidane estão entre meus jogadores prediletos e quem me conhece sabe da admiração que tenho pelos dois. Os coloco em um panteão sagrado e seleto, ao lado de outros gênios como Cruijff, Maradona e Garrincha.

Este é o vídeo principal da série que promociona a F50i, a chuteira da Pulga argentina. Mas quem quiser conferir, na página de futebol da Adidas tem vários outros que complementam a campanha.

Demorou, mas tá aí! Agora é só e se deleitar com a história do menino que, quando corria, os pés soltavam faíscas

Todo time precisa de um detonador

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Imagens originais: A Torre de Marfim e Rescinded Red
Efeito: Picnik

Em tempo: As narrações em inglês (originais) são beeeeem melhores, muito mais a ver com o clima da campanha… No link do post pra página da Adidas estão os vídeos em inglês.

É ele ou eu

craques africanos smudge pnA Fifa, juntamente com as confederações continentais, vivem alterando o formato das eliminatórias para a Copa do Mundo a fim de evitar distorsões entre os classificados. 

Assim fez com a zona sul americana, com a européia e, mais recentemente, alterando o cruzamento das repescagens intercontinentais.

O engraçado é que o formato, aliás, bizarro formato das eliminatórias na zona africana não incomoda os homens de terno e gravata de Zurique.

É certo que trata-se de uma região complicada devido ao grande número de países filiados, mas que o modelo poderia ser melhorzinho, disto não há dúvidas.

O sistema atual nos tirou, por exemplo, Camarões e Samuel Eto’o do último mundial.

Pra Copa da África do Sul o esquema foi o seguinte:

53 seleções filiadas

1ª Fase – Preliminar

10 países de pior ranking disputariam uma eliminatória de onde se classificariam 5 pra segunda fase com 48 seleções dividias em 12 grupos. Mas houveram 4 desistências na fase preliminar. As 6 que restaram fizeram um mata mata de onde se classificaram Djbuti, Serra Leoa e Madagascar.

2ª Fase

 Era pra ser disputada com 48 seleções, mas com as desistências nas preliminares somente 46 times disputaram a segunda fase.

10 grupos com 4 participantes e 2 grupos com 3 seleções, classificando os 12 campeões de grupo e os 8 melhores segundos colocados.

3ª Fase – Final

5 grupos com 4 equipes, o campeão de cada grupo se classifica para a Copa do Mundo.

E é aí que mora a injustiça. Os grupos finais se formam através de sorteio dirigido com base no rankeamento da Confederação Africana.

Pro último mundial ficaram no mesmo grupo a Costa do Marfim de Didier Drogba e Kolo Toure, Camarões de Samuel Eto’o e o Egito que era então,  o campeão do continente negro.

Resultado, tivemos uma Copa sem um dos melhores centroavantes do mundo, sem o campeão africano e, ao invés disto, vimos uma inexpressiva e sem graça Angola que, em termos de futebol, nada acrescentou ao mundial da Alemanha.

Para 2010 outros grandes craques africanos poderão ficar de fora da Copa. Os grupos da fase final são:

mandela copa grupos

Sendo assim, a primeira Copa do Mundo realizada na África terá Samuel Eto’o ou Emmanuel Adebayor. O mundial não tem lugar pros dois centroavantes, ou é o craque camaronês do Barça ou o artilheiro togolês do Arsenal.

No grupo D o encontro entre Gana e Mali também vai tirar pelo menos um grande craque da Copa. Do lado de Gana Michael Essien, pra mim o melhor jogador africano da atualidade e um dos Top 5 da Premiere League. Já a seleção malinêsa conta com o futebol dos ótimos Seydou Keita (Barcelona) e Frederic Kanoute (Sevilha).

Já é hora dos dirigentes olharem pra África. Isto pra me ater somente ao futebol. Será uma grande lástima ter mais uma Copa do Mundo sem o futebol de Samuel Eto’o. Sem Essien também, aí seria um verdadeiro desastre para o continente e para o futebol.

Ainda mais se pensarmos que a cada 4 anos a Copa do Mundo vem perdendo mais e mais o seu brilho. Os grandes craques que conseguem chegar ao mundial geralmente estão no bagaço, extenuados pela temporada de clubes, cada vez mais exigente. 

Em 2010 por exemplo, corremos o risco de ter uma Copa sem Ibra e Cristiano Ronaldo. Sem Eto’o, sem Essien. Sem Henry.

Sei que grandes craques ficaram de fora de mundiais por uma ou outra razão. Faz parte do jogo. Mas no caso africano especificamente, um pouquinho de organização poderia melhorar, e muito, a situação.

Dois Craques

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