I Seminário do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa

Neste fim de semana, Belo Horizonte recebe o I Seminário do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa.

O objetivo é discutir os impactos da Copa de 2014 no Brasil e, principalmente, em BH.

Embora a grande mídia apresente a Copa como uma consolidação da estabilidade econômica no país e uma fonte de oportunidades e criação de renda para a população, megaeventos desta magnitude trazem também uma série de interferências sociais que podem culminar em um Estado de Exceção, propício a todos os desmandos e desrespeitos aos direitos humanos e sociais.

Sem falar na torneirinha de dinheiro público que jorra, jorra, sem o menor controle das autoridades que deveriam ser responsáveis pelo correto uso do erário público.

Além dos painéis de debate e dos grupos de trabalho que se formarão no Seminário, o evento terminará com um campeonato de pelada que será realizado na Praça da Estação, um dos espaços públicos de BH com uso mais questionado pela poluação no último ano.

Abaixo, a programação do I Seminário do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa.

Sexta – 13/05

18 Horas – Painel 1 – Os Megaeventos e as violações aos direitos humanos e sociais

Sábado – 14/05

9 Horas – Painel 2 – A Cidade de Exceção e a Copa do Mundo

11 Horas – Painel 3 – Mobilidade Urbana pra quem?

14 – HorasGrupos de Trabalho

18 Horas – Painel 4 – Impactos de economia e urbanística decorrentes da realização do Mundial da Fifa no Brasil

Local dos painéis e dos grupos de trabalho: Auditório da Faculdade de Direito da UFMG (avenida João Pinheiro, 100, centro de Belo Horizonte).

Domingo – 15/05

Copelada – Campeonato de Pelada (inscrições às 15 horas e início dos jogos às 16 horas).

Local do Copelada: Praça da Estação, centro de Belo Horizonte.

O Comitê Popular dos Atingidos pela Copa 2014 é composto por pessoas de diversos setores da sociedade e busca discutir e entender os processos para a realização da Copa do Mundo de 2014. O objetivo do coletivo é fiscalizar e pressionar as autoridades quanto à utilização do dinheiro público na Copa, assim como o usofruto dos benefícios do evento por parte das cidades e suas populações.

Pra quem curte o tema, o Ópio do Povo tem a campanha 2014 – Eu não quero pagar a conta, participe!

Imagens: Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa – BH
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A Copa do Mundo é realmente nossa

Trilha Sonora: A Taça do Mundo é Nossa (Maugeri, Müller, Sobrinho e Dagô)

Se você anda economizando dinheiro pra trocar de carro, pagar a faculdade ou fazer aquela viagem dos seus sonhos, é melhor mudar de idéia. Não terá jeito, eu, você e todos os brasileiros teremos mesmo que abrir a carteira pois a Copa do Mundo é nossa… assim como a conta do Mundial da Fifa.

Esta semana o todo poderoso Ricardo Teixeirapresidente dono da CBF – convocou parte da imprensa para uma nova modalidade de entrevista, a coletiva exclusiva.

derrama_dinheiro_publicoO ponto central das declarações de Ricardo Teixeira foi só um, dinheiro público na construção e reforma dos estádios que sediarão as partidas da Copa de 2014. Segundo o presidente da CBF, sem a ajuda do poder público a Copa não sai.

Coisa que todos nós já sabíamos, embora dirigentes e políticos teimassem em negar.

Mas esta é, como disse acima, uma facada esperada, a famosa crônica de uma morte anunciada. O fato novo, mas não menos esperado, apareceu em Curitiba. A diretoria atleticana também anunciou esta semana que sem ajuda da mão grande do governo a Arena não terá condições de se adequar às exigências da Fifa.

Apenas 3 dos 12 estádios que sediarão o Mundial não pertencem ao poder público – Arena da Baixada (Atlético Paranaense), Beira Rio (Inter) e Morumbi (São Paulo).

E com a preocupante sinalização do Furacão de que sozinho não vai dar, fica a pergunta: Será que teremos que pagar a conta até dos estádios particulares?

Se é assim, deveria ter havido um plebiscito para dizermos se queríamos ou não sediar o Mundial.

A Copa do Mundo é nossa! Nossa mesmo…

Imagem: Bico do Corvo
Áudio: Escuta Isso!

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Abre o olho Brasil

olhos_abertosOntem a Fifa anunciou as 12 sedes dos jogos da Copa do Mundo 2014.

Sem nenhuma surpresa, as escolhidas foram aquelas que o PVC vinha falando há muito tempo e que o Ancelmo Gois havia cravado na sexta feira.

Belo Horizonte – Brasília – Cuiabá – Curitiba – Fortaleza – Manaus – Natal – Porto Alegre – Recife – Rio de Janeiro – Salvador – São Paulo.

Clique aqui para ver os 12 projetos das faraônicas arenas.

Não vou nem falar em estimativas de custos, porque como bem sabemos estes números apresentados no primeiro momento são mera fantasia.

Mas um dado importante é que 9 dos 12 estádios que receberão jogos do Mundial pertencem ao aparato estatal.

Mineirão (Governo do Estado de Minas Gerais)
Maracanã (Governo do Estado do Rio de Janeiro)
Cidade da Copa (Governo do Estado de Pernambuco)
Verdão (Governo do Estado de Mato Grosso)
Arena das Dunas (Prefeitura Municipal de Natal)
Estádio Nacional (Governo do Distrito Federal)
Castelão (Governo do Estado do Ceará)
Arena Manaus (Governo do Estado do Amazonas)
Fonte Nova (Governo do Estado da Bahia)
.

chuva_de_dinheiroApenas a Arena da Baixada, Beira Rio e Morumbi são de propriedade particular, pertencem ao Atlético Paranaense, Inter e São Paulo respectivamente. E estes clubes já assumiram o compromisso com a sociedade de que as reformas em seus estádios serão custeadas com recursos próprios, sem nenhum centavo de dinheiro público. Como deve ser.

Em compensação nos outros 9 estádios deve ocorrer uma verdadeira derrama de dinheiro. Com nossa tradição de construir e depois entregar, como fizemos com o Engenhão e a  Arena da Barra só pra ficar em 2 exemplos, duvido que o setor privado se anime a investir em estádios, que ao longo dos tempos não vêm se mostrando um negócio muito rentável no Brasil. Então, pras empresas particulares é muito mais fácil esperar o governo construir e depois arrendar a preço de banana.

No final das contas somos nós que, provavelmente, vamos pagar os 9 projetos. Alguns deles inclusive prevêem a demolição de aparelhos já existentes e a construção de outros estádios, novinhos em folha.

É até difícil destacar qual o maior absurdo. Em relação às arenas especificamente, fico com 3.

O Maracanã que foi reformado há menos de 5 anos, gastaram uma nota e agora o grande palco do futebol brasileiro fechará suas portas novamente por 3 anos. E novamente receberá pomposos investimentos dos cofres públicos.

O Estádio Nacional de Brasília. Mas e o Bezerrão das Tetas de Ouro?

E a Arena Cidade da Copa. Uma cidade como Recife que possui 3 importantes times com casa própria não precisa e não pode ter mais um grande estádio. Pra quê?

Sobre as sedes é com grande pesar que vejo Belém fora da Copa. A capital paraense é alucinada por futebol, tem um estádio belíssimo, o Mangueirão, que seria o projeto de revitalização mais barato do mundial. Além de ser uma ótima oportunidade pra reavivar o futebol do Pará que há poucos anos possuía dois times na primeira divisão.

Floripa é maravilhosa, mas acho que as escolhas de Porto Alegre e Curitiba foram acertadas. A capital catarinense, entre estas duas cidades, também será beneficiada pelo fluxo turístico e Rio Grande do Sul e Paraná tem muito mais tradição futebolística.

E falemos sério, só a política é capaz de explicar as esolhas de Brasília e Cuiabá em detrimento de Goiânia e Campo Grande. A Copa que se pretende verde não podia presentear o Estado dirigido pelo maior desmatador do Brasil, o machadinho de ouro Blairo Maggi. E quem conhece sabe que a Cidade Morena é muito mais Pantanal que Cuiabá,  além de ser muito mais estruturada do ponto de vista urbanístico, isto é indiscutível.

Entre Goiânia e Brasília não tem comparação. Sem este papo que a capital do país tem que estar representada na Copa. Não me lembro de Bonn, sede administrativa do governo alemão, ser sede da Copa de 2006. O Serra Dourada é uma lenda do futebol brasileiro e não deveria estar fora do Mundial.

oculosE sem falar no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Nos próximos 4 anos, corremos risco de viver uma cisão dos investimentos públicos no país, a divisão entre o Brasil da Copa e o Brasil sem Copa. Boa parte dos recursos do PAC devem ser direcionados para as 12 sedes do Mundial 2014. E o resto do país, não cresce?

Cabe a nós fiscalizar a Copa daqui em diante. Do Governo não dá pra esperar, como sempre lembra o Juca, até hoje o TCU (Tribunal de Contas da União) não entregou o relatório sobre o Pan de 2007.

Imagens: Butterflyflyes, Dreamstime e Flickr do Olo Kunovsky.

CBF premia o mau uso do dinheiro público

bezerraoelefantebrancoEm virtude da punição pelos incidentes no Serra Dourada, a CBF marcou o jogo Goiás X São Paulo – na última rodada do Brasileiro – para o Bezerrão, na cidade satélite do Gama.

Mais uma vez a CBF extrapola suas atribuições e com autoritarismo define o local de um jogo quando na verdade o mandante é quem deveria escolher onde quer jogar.

E assim o Elefantinho Branco da periferia – ou seria verde e branco? – é premiado provavelmente com o jogo das faixas do brasileirão.

Em uma hipótese mais entusiástica com o jogo do título, caso o São Paulo não garanta o Tri ainda esta semana.

O Bezerrinho que nasceu com cara e jeito de Elefante foi construído com cerca de R$ 50 milhões dos cofres do governo do Distrito Federal.

Coisa interessante é o aproveitamento do dinheiro público.

O orçamento inicial do Elefantinho previa um gasto de R$ 23 milhões para a construção de um estádio com 40 mil lugares.

Construíram um com 20 mil lugares e gastaram R$ 50 milhões

Ou seja, a metade da capacidade pelo dobro do preço. Que beleza Arruda!

Pior ainda é o uso político do pobre animal, digo estádio.

O governador José Roberto Arruda e todo seu séquito de puxa-sacos andam se gabando do Estádio, colocando-o como uma grande obra social para a perifeira de Brasília. MENTIRA!

Até porque o Bezerrão não foi entregue à comunidade da cidade satélite, mas à Sociedade Esportiva Gama, um clube quase sem torcida, recém rebaixado para a Série C.

Mas o pior de tudo são os números da cidade satélite do Gama.

Seus mais de 130 mil habitantes – sem contar a população vizinha que também se utiliza dos serviços da cidade – contam com apenas 1 Hospital, 4 Postos e 7 Centros de Saúde.

Todo sistema público de saúde oferece 408 leitos e algumas especialidades simples como geriatria só se encontram na rede particular.

Na Educação são 56 escolas públicas, sendo que apenas 4 para o ensino médio e somente 1 destinada ao ensino de crianças com necessidades especiais.

E 6,3 % das crianças de até 7 anos estão fora das escolas.

Desde 2004 não funciona a única biblioteca pública que era mantida pelo governo do Distrito Federal. Talvez por isso o índice de analfabetismo da cidade seja de 3,4%.

O lazer público na cidade satélite do Gama se resume a 1 teatro, 1 centro cultural e 3 parques. Mas botecos não faltam na região.

E claro, um belo estádio de futebol!