Sombra e Luz

stairs with shadows-evgen bavcar13 de dezembro é o Dia do Cego no Brasil.

Por isto o Comedor de Ópio traz à luz as sombras e o brilho do esloveno Evgen Bavcar.

Doutor em história, filosofia e estética, Bavcar destaca-se na fotografia, onde pode-se dizer que criou uma nova linguagem.

Cego desde os 12 anos Bavcar desenvolveu uma técnica própria que envolve muito mais que o visual. Ele mesmo diz que fotografar é como exteriorizar suas imagens interiores.

Suas fotografias possuem uma identidade única. As sobreposições e o jogo de interferências luminosas em ambientes completamente escuros é uma marca importante de seus trabalhos.

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Neste trecho do belíssimo documentário Janela da Alma, de Walter Carvalho e João Jardim, Bavcar mostra um pouco de sua lucidez e de sua percepção do mundo.

No meio do caminho havia uma árvore… e uma mina.

Dois acidentes marcaram a vida de Evgen Bavcar, ou Eugen na versão afrancesada.

Quando tinha 12 anos um galho de árvore perfurou seu olho esquerdo o cegando deste olho.

8 meses depois, ainda antes dos 13, uma mina terrestre – resquícios da guerra –  com a qual ele brincava estourou. Desde então perdeu a visão por completo.

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O Espelho dos Sonhos – Veja todas as fotos da Exposição do franco-esloveno Evgen Bavcar

Janela da Alma – Assista on line

A técnica de sobreposição significa que eu entro na imagem. Como um pintor chinês que pode interferir na paisagem que está reproduzindo,  eu também posso fazê-lo nas imagens que produzo.

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O mundo é o que se vê de onde se está

O Ópio do Povo não se esqueceu do Dia da Consciência Negra.

Mas não vai aproveitar a data para falar de Zumbi.

Ao invés disto vai recorrer a uma figura mais contemporânea.

Milton Santos foi uma das principais cabeças pensantes deste país. Está no mesmo panteão de Paulo Freire e outros poucos, enormes em pensamento e ação.

Intelectual, mas não como sugere a palavra nos tempos de hoje.

Ele era de uma espécie em extinção, homens íntegros e pensantes que conseguem levar as idéias ao mundo real.

Em qualquer outro país Milton Santos seria um ídolo nacional, festejado em todas partes.

Mas aqui continua a ser confundido com a enciclopédia Nilton Santos, outro gigante.

Mas felizmente o Milton não é o Nilton. Cada qual em seu caminho.

Neto de escravos Milton Santos não jogava bola em sua infância. Aproveitava o tempo no lar para se educar.

Aos 8 anos já havia terminado o primário, sabia francês e se preparava para o ginásio que só viria em 2 anos. Tudo em casa.

Milton também nunca foi a um estádio de futebol. E confessou ser esta uma de suas frustrações.

É uma pena que Milton seja tão pouco conhecido no Brasil. E mais pena ainda que seu exemplo seja tão pouco seguido.

Veja o excelente documentário de Sílvio Tendler

Encontro com Milton Santos – O Mundo Global Visto do Lado de Cá

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