Capello, o onipresente

fabio_capello-inglaterra-english_teamHá algumas semanas a Globo – querendo pagar pouco, jejejejeej – lançou a campanha O Melhor Emprego do Mundo que selecionará um jornalista formando ou recém formado para o cargo de correspondente internacional dos seus canais à cabo.

Ser correspondente deve ser legal mesmo, mas o melhor emprego do mundo – da perspectiva de um viciado em futebol – é sem sombra de dúvidas o do senhor Fabio Capello.

Neste fim de semana o técnico da seleção inglesa esteve em 4 estádios diferentes acompanhando partidas da Premier League. E não foram joguinhos quaisquer.

No sábado Capello visitou o noroeste inglês. Foi a Bolton assistir a partida do time local contra o Tottenham. Jogo pra lá de emocionante que terminou empatado em 2 X 2.

Logo depois o técnico do English Team estava no Old Trafford vendo Manchester United X Sunderland. Com um golaço do búlgaro Berbatov e outro golzinho chorado do lateral Evra aos 47 do segundo tempo, os Red Devils garantiram o empate em 2 X 2 e mantiveram um tabu que já dura 41 anos. A última vitória do Sunderland contra o United em Manchester foi em 1968.

Mas se o sábado já havia sido bom, o que falar do domingo?

Primeiramente Capello teve a oportunidade de acompanhar a melhor partida do fim de semana, Arsenal 6 X 2 Blacburn Rovers no Emirates Stadium, com direito a show dos comandados de Arsène Wenger. O passeio dos Gunners foi 6 X 2, mas não é nenhum exagero dizer que poderia ter sido 10 x 4 ou 11 X 5. Detalhe, 8 gols marcados por 8 jogadores diferentes, eu nunca havia visto algo assim. Jogo histórico, inesquecível! E tenho quase certeza que o treinador da seleção inglesa se lamentou demais por Cesc Fabregas ser espanhol, que maturidade aos 22 anos, que grande craque!

Fabio Capello saiu do Emirates e se dirigiu ao Stamford Bridge para assistir o clássico Chelsea X Liverpool. Mais uma grande partida que terminou com a vitória da equipe londrina por 2 X 0 com gols dos franceses Anelka e Malouda. E excepcional apresentação do ebúrneo Didier Drogba.

Pra muita gente o fim de semana de Fabio Capello pode parecer um martírio, sábado e domingo trabalhando, viagens e tal. Mas pra mim, um viciado em futebol, este fim de semana mais parece um sonho. Não bastasse, hoje à tarde provavelmente ele estará em Birmingham pra mais uma partida que promete, Aston Villa X Manchester City que fecha a rodada da Premier League.

Da onipresença do Capello fica um ensinamento; técnico de seleção tem que viver em estádio. É só no campo que se vê um jogo em sua perfeição. O treinador anão da nossa seleção por exemplo, raramente é visto nos estádios do Brasil e da Europa. É por esta e por outras que o English Team é meu favorito pra levar a Copa de 2010.

Imagem: Estadão
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O jogo da pizza

pizzaA origem da pizza não é de toda conhecida. Embora a associação seja direta com a Itália, sabe-se que tal iguaria não nasceu na Bota.

Hoje já é de conhecimento geral que diversas civilizações pré cristianas – seja no Egito, no Oriente Médio ou pelas bandas do Império Grego – já  assavam, em  fornos rústicos ou pedras quentes, misturas à base de água e farinha.

Por um caminho ou por outro a pizza chegou à Itália e de lá correu o mundo. Passou de alimento dos pobres e famintos do sul do país a ícone máximo da culinária italiana em todo mundo, embora meus amigos cordobeses insistam que ela é argentina, e inventada em Córdoba, aliás, como quase tudo veio de lá.

Mas se hoje a Itália é tida como a terra da pizza, o Brasil é o país onde tudo acaba em pizza. Em todas as esferas e poderes da política, na mídia, no esporte e no dia-a-dia.

Pizza, pizza e mais pizza. Não aquela que matava a fome em Nápoles ou na Calábria, mas a pizza da impunidade, da justiça cega, surda e muda que diferencia ricos e poderosos de pobres infelizes que muitas vezes nem têm o que comer. A pizza do silêncio do aparato midiático, a pizza da nossa resignação diária nos sinais e nas esquinas das grandes cidades.

Por isso eu pensava, tá certo, Brasil e Itália têm que jogar em Londres mesmo. E no Emirates. Que Maracanã, que San Siro que nada. Nossas máfias, PCC, CV, Cosa Nostra, Ndrangheta e afins, não se comparam às deles.

Os mafiosos oficiais que usurparam meio mundo capturando negros e os vendendo como bichos pelas Américas de cabo a rabo. Os mesmos gangsters que impuseram ao mundo um novo modelo escravista e tiveram a cara de pau de chamar revolução industrial. Os mesmos que moldaram o sistema às suas necessidades, seus desejos, seus caprichos. Esta Inglaterra abrigo para todo tipo de párias e salafrários do mercado internacional, de George Kouros a Roman Abramovich, passando por Kia Joorabchian e Boris Berezovsky. Estes mesmos senhores que movimentaram trilhões de dólares que nem sequer existiam e que hoje todo mundo paga as contas pelo golpe, enquanto eles tomam um café no starbucks da esquina enquanto esperam a próxima festa no iate particular de não sei quantos milhões.

Se fosse em outros tempos estaria eu vibrando pelo jogo de amanhã. 9 títulos mundiais em campo, as duas maiores escolas de futebol do planeta. Os craques dos dribles, dos gols, da irreverência  contra os craques da defesa, dos desarmes.  Foi se o tempo em que éramos conhecidos por nossos dribles. Ultimamente nossos craques têm aparecido mais em páginas policiais e colunas de celebridades que nos cadernos de esporte.

Mas o estranho é que o amistoso de hoje não me move em nada. Hoje, só consigo pensar que o jogo é em Londres. Nem Rio, nem Roma, nem Recife, nem Veneza, o amistoso é em Londres. Se pelo menos fosse em Wembley. Mas como diz seu Sílvio, no duro, acho que prefiro que seja assim.

Doces Lembranças

mini be 3Na copa de 82 eu era só um bebê, um mini BÊ.

Em 70 ainda nem pensava em nascer.

Em 94 já era grandinho e entendia tudo. Ou pelo menos achava isto. Se entendia tudo ou não, eu não sei. Mas o certo é que eu já tinha o discernimento suficiente para saber que aquela era a copa mais chata de todas as copas.

E, sinceramente, a vitória nos pênaltis não me encantou. E os gritos de É Tetra do Galvão me deram aquela enxaqueca que implacavelmente me acompanhou na adolescência.

Por isso o Brasil X Itália que mais me marcou não valeu título nem mandou ninguém pra casa. Foi só um amistoso, sem muita importância.

A diferença é que a partida foi disputada em Bolonha. E na época eu ainda pensava que a pizza era italiana e que o mundo era bem mais cor de rosa que este gris que me cerca hoje.