Ataque Cardíaco

Uruguai e Gana não foi nenhum primor de técnica, pelo contrário.

Inclusive, depois do gol de empate da Celeste, a partida ficou bem chatinha. Aquela bolinha em banho maria onde ninguém quer arriscar.

Assim foi até o início do segundo tempo da prorrogação quando os dois times se soltaram um pouco mais.

Demorou, mas valeu a pena. Se faltou técnica, sobrou emoção. Depois de mais ou menos uma hora de aborrecimento e futebol enfadonho, os minutos finais do jogo foram simplesmente alucinantes.

A confusão na área uruguaia no último lance da prorrogação, a penalidade máxima cometida por Luis Suárez e desperdiçada por Asamoah Gyan, a disputa de pênaltis e, pra terminar, a cobrança à la Panenka do Loco Abreu.

Linda, corajosa e com um toque de irresponsabilidade simplesmente delicioso.

O Uruguai possui a segunda menor população dos 32 países participantes da Copa, pouco mais que 3 milhões de pessoas vivem no nosso vizinho mais simpático. E depois deste jogo, seguramente mais alguns partiram deste plano. Porque haja coração!

Imagem: Fifa
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A maior defesa da história das Copas!

No último segundo da prorrogação, confusão na área uruguaia. Um homem de camisa celeste tiro o gol certo em cima da linha, mas a bola segue viva. Dominic Adiyiah testa firme, a bola passa pelo goleiro Muslera, pelo lateral Fucile e se encaminha às redes.

Mas eis que aparece a mão salvadora de Luis Suárez, atacante da Celeste Olímpica. Atacante? Peraí, então é pênalti!

Foi pênalti sim senhor. Mas a chance da vitória foi desperdiçada por Asamoah Gyan que bateu a infração no travessão. Pênalti perdido, jogo terminado. E decisão na marca da cal.

E na disputa de pênaltis o Uruguai levou a melhor sobre Gana.

A defesa salvadora de Luis Suárez no último suspiro da prorrogação lhe rendeu o cartão vermelho, mas garantiu à Celeste Olímpica uma vaga nas semifinais da Copa, algo que não acontecia há 40 anos.

Por isto insisto, a mão de Luiz Suárez na cabeçada de Dominic Adiyiah não foi simplesmente um pênalti, foi a maior defesa da história das Copas!

Que Gordon Banks que nada, a maior defesa de todos os tempos é essa de Luis Suárez!

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A maior defesa da história das Copas!, postado via vodpod

Imagem: Fifa
Vídeo: Globo

As virtudes de um homem simples

Andrade-tecnico_interino-flamengoAndrade ainda não é um técnico de futebol, no conceito do professor que vivemos hoje. Fala manso, não é de xingar nem de reclamar de arbitragem. Tão pouco gesticula feito um animador de auditório à beira do campo.

Andrade também não usa terno. Prefere o agasalho do clube que defende, talvez por lembrar os tempos em que fez parte de um dos melhores times da história do futebol brasileiro, aquele Flamengo cantado e recantado dos anos 80.

Mas talvez ele não use terno por pura simplicidade, por se ver mais boleiro que catedrático.

Há alguns meses o interino rubro negro teve um entrevero com o goleiro Bruno que o chamou de fracassado. Entre outras coisas Bruno teve a audácia de dizer que Andrade não ganhara nada como treinador. Heresia que deveria ter sido punida com mais severidade. Quem é Bruno perto de um Andrade?

Neste fim de semana o Flamengo em seu milésimo jogo pelo Brasileirão – venceu o Santos na Vila Belmiro pela segunda vez na história, a primeira em um jogo oficial. 2 X 1 de virada e o craque da partida foi, sem dúvida, Andrade. Suas substituições foram fundamentais pra vitória rubro negra.

Mas ao invés de chamar os louros da glória pra si, preferiu dedicá-la – em espontânea e verdadeira emoção – a um amigo, ao ex companheiro de Flamengo Zé Carlos que faleceu esta semana.

A simplicidade e a generosidade do Andrade impressionou a todos neste fim de semana, ainda mais se compararmos suas atitudes com as do professor Luxemburgo que quase agrediu o volante Roberto Brum depois de um infantil cartão amarelo.

Andrade conhece muito de futebol, embora não seja visto assim. Perto do linguajar polido de Tite ou dos ternos italianos de Luxemburgo ele parece um bronco. Mas só aos olhos menos sensíveis.

Andrade é grande! Como homem e como boleiro. Seja jogando, seja dirigindo.

E mais que isto, Andrade sente, Andrade se emociona. Andrade chora.

E comove todos aqueles que acreditam que o futebol pode ser mais simples e mais sincero.

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