Quem é que ganha? Os dissidentes têm que explicar

Sair do Clube dos 13 é legítimo. É uma entidade de classe e caso um clube não se sinta devidamente representado e defendido, melhor sair mesmo.

Mas como disse o presidente do Galo, Alexandre Kalil, o estranho é querer sair quando o dinheiros está sendo posto à mesa.

Que Flamengo e Corinthians queiram negociar seus direitos separadamente, tudo bem. Os dois times são verdadeiras nações e comercialmente é aceitável que estajam um patamar acima, embora a hora escolhida pra saída seja a pior possível. E eu duvido muito que consigam chegar a valores superiores ao que receberiam junto ao Clube dos 13.

Hoje, tanto Flamengo e Corinthians recebem cerca de 42 milhões de reais pelo total de suas transmissões, contando aí todas as plataformas. Vamos fazer algumas contas rápidas. Os dois juntos são responsáveis por um sexto do total do bolo do Clube dos 13. A licitação pra TV aberta prevê um lance mínimo de 500 milhões de reais e partindo deste número, tanto Corinthians como Flamengo receberiam cerca de 41,6 milhões de reais, só pela TV aberta. Se pensarmos que a proposta vencedora ficará em torno dos 700 milhões, a arrecadação dos dois clubes de maior torcida no Brasil subiria pra 58,33 milhões de reais para cada um deles.

Nos bastidores, o rumor é que, pra que não houvesse chance de derrota, antes da saída da Globo da disputa a Rede Record ofereceria 1 bilhão de reais pela transmissão do Brasileirão na TV aberta, o que levaria cerca de 83,3 milhões de reais para os cofres corinthianos e flamenguistas. E cá pra nós, separadamente é quase impossível chegar a estes valores contando apenas a TV aberta.

Mas como disse anteriormente, pra Corinthians e Flamengo a idéia da independência ainda é aceitável.

Mas o Botafogo? O Coritiba? O Goiás? Aí estão de brincadeira.

Uma coisa é certa, o racha entre os times e o Clube dos 13 tem um único efeito prático e visível, a desvalorização do produto, o nosso surrado futebol nacional.

E como se explica que Cartolas desvalorizem seu próprio produto, justo na hora em que ele receberia um polpudo incremento em seu valor? Alguém tem que estar ganhando por isso e não é o futebol brasileiro.

E fica difícil não pensar que estes ganhos estão vindo por baixo dos panos.

Favores aos clubes, empréstimos, estádios na Copa 2014 ou até mesmo dinheiro vivo na mão da cartolagem? Eu não sei especificar quais os ganhos dos dissidentes, mas o que sei é que eles têm que se explicar.

E aí, quem é que ganha? E como ganha? O torcedor brasileiro espera respostas.

Imagem: Zóio Torto

O estupro do CADE e os donos do país

Desde criança ouço dizer que a Globo é a dona do Brasil. Manda prender, soltar, legisla e revoga leis, tudo a seu bel prazer.

Muito de verdade, um pouco de exagero, não é essa a questão que discutiremos aqui.

No ano passado o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) abriu os olhos para um dos monopólios mais antigos e sólidos do país, o das transmissões do Campeonato Brasileiro de Futebol.

E não se engane com as transmissões da Band, o que temos aqui é sim um monopólio. Há 24 anos o direito de transmissão do Brasileirão pertence à Rede Globo e a Band só passa alguns jogos porque não incomoda, uma espécie de esmola da emissora do Jardim Botânico e também uma forma de dizer, aqui não tem monopólio. Mas legalmente os direitos pertencem à Globo e o que acontece no caso da Band é uma cessão, nada mais que isto.

Então o CADE disse não e determinou que se abrisse a concorrência para a transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Todo mundo sorriu – um pouco constrangido, é verdade – mas a decisão da autarquia federal foi respeitada e, através do Clube dos 13, foi criada uma licitação com cinco módulos diferentes, TV aberta, fechada, internacional (que é onde se pode ganhar muita grana), internet e celular.

Na questão da TV aberta, a Globo teria uma pequena vantagem em relação aos concorrentes que teriam que pagar 10% a mais que a emissora do Jardim Botânico para ficar com o Brasileirão, um brinde pra quem foi parceira nestes últimos 24 anos. E até aí tudo bem.

Só que aos poucos a turma do Plim Plim viu que os 10% de lambuja de nada adiantariam porque, pelas conversas de bastidores, a proposta da Record chegaria a impressionantes 1 bilhão de reais, valor o que impossibilitaria a concorrência global e que levaria o futebol brasileiro a outro patamar. Pra se ter uma idéia, a principal plataforma de transmissão do Campeonato Italiano paga aos clubes do Calcio o equivalente a 600 milhões de reais, 40% menos do que o Brasileirão arrecadaria só com a TV aberta.

Então o que fizeram os donos do país? Tentaram melar a licitação. Primeiro cooptaram alguns clubes, encabeçados pelos 4 do Rio, a fim de que estes rachassem com o Clube dos 13, que é quem comanda as negociações nos moldes do CADE. Os clubes se amotinaram e disseram que deixariam o Clube dos 13. Mas depois, alguns empecilhos legais fizeram com que voltassem atrás e declarassem que permaneceriam junto à entidade, embora mantivessem a negociação com as TV’s de forma independente.

Ontem veio mais uma cartada da Globo, que comunicou oficialmente que não entrará na disputa da licitação e que vai negociar separadamente com os clubes. Um verdadeiro estupro do CADE.

A guerra ainda não acabou. Na próxima terça o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, e seu diretor administrativo, Ataíde Gil Guerreiro, terão uma audiência no CADE. Eles serão recebidos pelo presidente da autarquia, Fernando Furlan, e pelo procurador geral do Conselho, Gilvandro Vasconcelos Coelho de Araújo.

O CADE tem que se impor e mostrar sua força como uma autarquia federal legítima e atuante, punindo aqueles que querem passar por cima de sua decisão e mostrando aos poderosos que o país não tem dono, mas leis, e que estas devem ser respeitadas.

Aguardemos o próximo capítulo.

Imagem: TV e Diversão

Brasil: Segunda divisão do futebol mundial

Vamos ser sinceros, se ele estivesse 100% em forma não estaria jogando no Brasil.

A sintomática frase foi dita por Andrés Sánchez, presidente do Corinthians, em entrevista ao repórter Mauro Naves, exibida no Arena SporTV desta terça, 17 de agosto.

A pérola foi proferida em resposta à pergunta sobre a condição física de Ronaldo, há cem dias afastado dos campos.

Eu não sou nem um pouco fã do presidente do Timão – acho um cara arrogante, despreparado e populista ao extremo – mas a frase é bem verdadeira.

E como disse pouco acima, sintomática. Com certeza absoluta se Ronaldo estivesse em forma, não digo nem na plenitude, mas em forma física aceitável, apto para a prática esportiva, seguramente não estaria jogando no Brasil.

Alguns teimam em negar, mas quando o assunto é clube o Brasil habita a segunda ou quiçá a terceira divisão do futebol mundial. Quem acompanha os principais campeonatos europeus sabe do que estou falando, a diferença de intensidade e qualidade das partidas é nítida.

Então nos resta o consolo de desfrutarmos os futuros craques em formação – vide a molecada do Santos – ou gozarmos da melancólica presença de estrelas decadentes e, em alguns casos, até barrigudas.

O retrocesso que se avizinha

Sorria_voce_esta_sendo_manipulado-rede_globo-muito_além_do_cidadão_kaneNesta segunda feira o Painel da Folha de São Paulo – em sua edição impressa – publicou a notícia que a Globo, através de seu filhote Globo Esporte, está costurando nos bastidores do poder o fim do sistema de pontos corridos e a volta do mata mata ao campeonato brasileiro de futebol.

Segundo a nota, a emissora – aproveitando-se da necessidade de inversão do calendário do futebol brasileiro e consequente adequação ao calendário europeu – enviou uma proposta aos principais clubes do país sugerindo a alteração no sistema de disputa do Brasileirão.

O que seria um grande retrocesso.

Os argumentos Globais são, logicamente, esdrúxulos e facilmente combatidos.

O que seria mais emocionante? 6 rodadas com Galvão e Cléber Machado gritando haja coração ou um campeonato de 38 rodadas onde desde a primeira todos os jogos são decisivos?

O que seria mais rentável para o futebol brasileiro? Um campeonato onde 4 equipes disputam o último mês de competição enquanto as outras 16 entram de férias perdendo pelo menos um mês de receitas relativas à bilheterias e aparição na mídia ou um campeonato que privilegia organização e planejamento e onde os vinte times atuam igualmente durante todos os meses de competição?

O que seria mais justo? Um campeonato em que uma equipe pode ser campeã com 10 pontos a menos que o vice campeão – como aconteceu em 1977 – ou uma competição que premia a regularidade e o mérito e que consagra como campeão aquele time que fez mais pontos ao longo de 38 rodadas?

Acho que todas as respostas são mais que óbvias.

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A mudança, mesmo que ainda seja apenas uma proposta, é um absurdo sem tamanho que representa uma volta ao passado para o futebol brasileiro, um grande retrocesso.

É lamentável que a toda poderosa Globo queira gerir o futebol brasileiro. A compra dos direitos de transmissão não pode ser traduzida como uma permissão à gestão. A TV é apenas mais uma cliente que consome o produto futebol, não cabe à ela administrar nem governar o mundo da bola.

Resta agora torcer para que nossos  quase sempre deploráveis cartolas batam o pé e não aceitem esta ingerência Global.

A Globo defende a volta do mata mata. E os abusos da emissora do plim plim, quem mata?

Um retundante

Não ao mata mata no Brasileirão!

Pontos corridos pela mertitocracia no futebol brasileiro!

Imagens: Mente Consciente e Arrotos Culturais