O país do médico de futebol

medicina esportiva o país do futebol o país do médico de futebolQue o mundo de hoje já não é o mesmo dos tempos em que nasci, isto é fato. E consumado. Assim como também é vero que as mudanças são cada vez mais velozaes e, às vezes, até imperceptíveis.

Eu nasci em 1980 e, mesmo com a seca de copas que só teve fim em 94, cresci em uma Terra conhecida e reconhecida como o País do Futebol. Do carnaval também, da corrupção, da malandragem, da hipocrisia. Mas hoje falaremos só de bola.

Os anos se passaram, vieram dois títulos mundiais, craques que ousamos comparar, ou equiparar, aos grandes monstros sagrados do futebol. E o Brasil seguia sendo o País do Futebol

Os anos 90 inseriram neste contexto a tal globalização, que finalmente aportava, de uma vez por todas, no universo da bola. Os senhores do mundo começaram a vir aqui com mais frequência para fazer a feira do futebol. Pernas baratas, parafraseando e distorcendo, um pouquinho, o ídolo Galeano. Que não confundam com Galiani, este só aparecerá no texto depois.

Janelas abertas, debandada geral. E mesmo assim seguíamos sendo o País do Futebol

De uns anos pra cá um novo elemento apareceu. Jogadores brasileiros contundidos que atuam na Europa começaram a vir ao Brasil para se recuperarem. Eu sempre desconfiei do discurso de que aqui, a estrutura de recuperação é muito melhor que a dos clubes europeus. É um discurso difícil de acreditar visto a realidade precária dos nossos clubes.

Sempre acreditei mais na teoria de que essa era uma ótima desculpa pra voltar pra casa, rever amigos e família, comer feijoada e se divertir com aquele pagodinho pavoroso. E claro, serem mimados como lá fora não são. 

Ontem Kaká anunciou que da próxima vez que se machucar tomará decisões diferentes em relação a seu tratamento. Nas entrelinhas, que não irá tratar-se mais no Milan Lab. No dia anterior, Dunga falou que o meia havia se tratado 5 semanas no Milan sem muito resultado e que, com 6 dias com a equipe médica da seleção, já estava pronto pra jogar. Kaká também foi por este lado e a diretoria milanista não gostou das declarações.

Do outro lado do Atlântico, Eduardo Galiani respondeu dizendo que o tratamento médico-fisioterápico tem uma sequência e que é lógico que Kaká tenha melhorado aqui, onde foi feita a última parte da recuperação. E acrescentou que o mesmo teria acontecido se ele tivesse ficado na Itália.

Comentando a notícia, rápido como é, do Beira Rio o PVC soltou esta na Espn Brasil:

Engraçado né, éramos  oPaís do Futebol, agora somos o País do Médico de Futebol. Todo mundo quer jogar lá e se tratar aqui.

Perfeita a colocação do Paulo Vinícius. Ainda mais depois de ver a seleção do anão ser massacrada pelo Equador (39 finalizações contra o Brasil!). Cada partida da seleção que vejo me reforça ainda mais esta verdade, não somos mais o País do Futebol. Pelo menos não do futebol arte, do futebol alegria, do jogo bonito.

O que nos resta então?

Que sejamos o país do médico, do fisiologista, do fisioterapeuta de futebol

Imagem: Buick
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Rosenborg se desculpa oficialmente

O Rosenborg se desculpou oficialmente perante à Comunidade Gay européia.

O mea culpa foi divulgado hoje, no sítio do clube norueguês.

Tudo começou quando a diretoria do time decidiu ensinar insultos em espanhol à sua torcida.

E pra que?

Para que os jogadores do Valencia, da Espanha, não se sentissem muito à vontade quando fossem à Noruega enfrentar o Rosenborg pela Copa da Uefa.

O zagueiro uruguaio Alejandro Lago entrou na furada e no sítio do clube virou professor de espanhol com o vídeocurso Laer Spansk Med Lago (Aprenda Espanhol com Lago).

Mas os – quase sempre – frios escandinavos perderam a linha. 

Especialmente em dois módulos do fajuto curso.

Os jogadores do Valencia são menininhas que não suportam temperaturas abaixo de zero.

E

A defesa do Rosenborg é como uma parede viva contra os atacantes viadinhos do Valencia.

Os ensinamentos do professor Lago pegaram mal. Muito mal. Na Noruega, na Espanha e por onde os vídeos chegaram.

E o Rosenborg teve que se desculpar. 

Não com o Valencia, mas com a Comunidade Gay e a sociedade.

Esse tipo de coisa não cabe mais.

Não que vivamos em um mundo maravilhoso e igualitário. Claro que não.

Continuamos sendo um planetinha pequeno, mesquinho, tosco e preconceituoso.

Mas a humanidade desenvolveu uma coisa chamada hipocrisia.

A real é que boa parte da sociedade não condena o ato do clube norueguês, mas a forma.

Para a grande maioria preconceito é coisa normal, usual. Modus Operandi mesmo.

Mas tem que ser disfarçado, camuflado.

Afinal, é preciso manter as aparências e o politicamente correto nunca esteve tão em voga.

Preconceito até pode ter, desde que seja velado.

Como disse o Brown, o negócio é que te cumprimentam pela frente e te dão um tiro por trás.

O professor de insultos

O professor de insultos

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