A força dos carboneros!

Eu cresci com o mito do gigante Peñarol.

O campeão do século, o esquadrão aurinegro de craques históricos que aterrorizava as Américas e até os grandes times europeus.

Peñarol pentacampeão da Libertadores, tricampeão mundial.

Peñarol dos monstros sagrados do futebol, como José Leadro Andrade, Leônidas da Silva, Ghiggia, Schiaffino, Elías Figueroa e o incomparável capitão dos capitães, el negro jefe Obdulio Varela, entre tantos outros.

Mas este Peñarol é um clube que só existe no passado.

Dos anos 90 pra cá, foi só decadência. E o brilho da camisa amarela e negra parecia até ter se apagado.

De 2000 pra cá foram 7 participações carboneras na Libertadores; 4 eliminações na primeira fase e uma ainda na fase prévia da competição.

É o que digo, em nada se parece com o Peñarol dos meus sonhos, dos meus livros.

Mas ontem surgiu um facho de esperança. Como diz a histórica canção dos torcedores manyas,

…o Peñarol é eterno como tempo e florescerá a cada primavera!

A vitória sobre o Godoy Cruz deixou o time uruguaio na liderança do Grupo 8 da Libertadores, um dos mais difíceis da atual edição. Já com 5 partidas jogadas, os aurinegros de Montevidéu estão com 9 pontos, 2 a mais que o vice líder Godoy Cruz, que também já jogou 5 vezes. LDU (Equador) e Independiente (Argentina) jogaram 4 vezes e possuem respectivamente 6 e 4 pontos.

Na rodada decisiva o Peñarol recebe o Independiente e conta com a força do Estádio Centenário para, depois de 9 anos, voltar ao mata mata do principal torneio continental da América do Sul.

A mística da camisa amarela e negra – pra mim a mais bela do futebol mundial – dá mostras de que segue viva e que, em breve, pode voltar com toda sua força!

Que me desculpem os genéricos Liverpool e River Plate uruguaios, que nos últimos anos assumiram a posição dos Mirasoles, mas este lugar pertence ao Peñarol.

E viva os carboneros!

No vídeo abaixo você pode ver a festa da torcida peñarolense, é de arrepiar!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Vídeo: Globo

Tottenham de volta à Champions!

Depois de 49 anos, o Tottenham Hotspur está de volta à Champions League.

O Spurs venceu o Manchester City por 1 X 0, na casa do adversário, e alcançou os 70 pontos. Com o resultado, o tradicional time de Londres garantiu o 4º lugar da Premier League e não pode mais ser alcançado por City e Aston Villa.

O Tottenham já está garantido na fase prévia da Champions, mas se vencer na última rodada e o Arsenal, seu arquirrival londrino, perder, o Spurs vai direto para a  fase de grupos e manda os Gunners para a Pré Champions.

O empate era um bom resultado pro time da capital contra o Manchester City, mas não garantia nada, a vaga seria decidida na última rodada. A vitória veio aos 38 minutos do segundo tempo, em lance quase fortuito. Kaboul chegou à linha de fundo e soltou o pé para dentro da área, o goleiro Fulop soltou a bola e Peter Crouch, no susto, meteu pra dentro. Veja o gol aqui.

Crouch foi o nome da partida não só pelo gol. O grandalhão esbanjou categoria e experiência. Seus dois metros e dois centímetros de altura não o impediram de dar dribles desconcertantes nos bons zagueiros do City e o ajudaram no ótimo trabalho de proteção de bola que chegou a irritar os adversários, em especial o belga Kompany.

A torcida do Liverpool – já descontente com os donos estadounidenses do time, Tom Hicks e George Gillet Junior – deve estar se retorcendo vendo Crouch levar o Tottenham ao melhor campeonato de futebol do mundo e tendo que amargar o 7º lugar na Premier League, uma desclassificação na fase de grupos da Champions e na semi da Liga Europa em pleno Anfield, para o mediano Atletico de Madrid. Sem falar em ter que aguentar N’Gog na ausência de Fernando Torres.

A última participação do Tottenham na Champions League aconteceu na temporada 1961/1962.

Imagem: football.co.uk

Overdose de futebol

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O Ópio anda meio abandonado porque passei a última semana em São Paulo participando de um media training da LNB e cobrindo o início do NBB. Mas não me esqueci do futebol.

Aproveitei minha estada na Terra da Garoa pra conhecer o Museu do Futebol. E é até difícil pra mim descrever o quanto amei o museu.

Pra que vocês tenham uma idéia, cheguei ao Pacaembu no sábado às 9:40, vinte minutos antes da abertura deste templo histórico da bola. E só saí, quase expulso, às 18:00, horário de fechamento.

É isto mesmo, passei 8 horas no Museu do Futebol, vi todas as salas, a exposição temporária Mania de Colecionar e até joguei bola com as crianças naquele tapete de projeção, uma verdadeira overdose

Cheio de história e com muita interatividade, o Museu do Futebol é um passeio obrigatório para os amantes da bola, das artes e da história moderna do nosso país que – queiram ou não queiram os Pimbas do nosso Brasil – está diretamente enrelaçada com o esporte bretão.

Gostei tanto que fica difícil apontar algum destaque. Mas já que tem que ser assim fico com dois:

A sala Exaltação, uma homenagem alucinante ao torcedor! Esta sala se localiza abaixo das arquibancadas do Pacaembu, entra as estacas de sustentação. Imagens e sons das 30 maiores torcidas do Brasil levam o visitante a vivenciar – na pele, coração, olhos e ouvidos – a emoção de um estádio de futebol.  Simplesmente extasiante!

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E a sala Origens. Em termos históricos esta é, de longe, o ponto mais alto do Museu do Futebol. São 410 fotografias e mais um filme que contam os primórdios do nosso futebol dentro do contexto histórico do pós abolição. A sala Origens aborda também os processos de profissionalização do futebol e da inserção do atleta negro no esporte bretão em terras tupiniquins. As fotos são simplesmente fantásticas e emocionam a todos que – como eu – conseguem morrer de saudades daquilo que nem viu nem viveu.

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Quem vive em São Paulo e não conhece o Museu do Futebol, não perca tempo, é demais! E pros que vivem fora de Sampa fica a dica, vale uma viagem só pra conhecer!

Para saber mais, tipo localização, horários, preços  e como chegar, acessse o sítio oficial do Museu do Futebol!

Imagens: Hotelier News, Flickr do Pedrovisky e Arcoweb

Rivalidade que mexe com os números

juan-heinzeNo próximo sábado Argentina e Brasil se enfrentam em Rosário pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. A partida será realizada no estádio Dr. Lisandro de la Torre, o famoso Gigante de Arroyito, palco do confronto entre as duas seleções na Copa de 78, jogo que ficou conhecido como A Batalha de Rosário.

A rivalidade entre brasileiros e argentinos no futebol não é novidade para ninguém. Eu morei 2 anos na Argentina e depois da final da última Copa América cheguei a passar um certo aperto na rua por estar usando a amarelinha.

Nesta semana muito tem se falado sobre a história do clássico. Pesquisando nos sítios da AFA e da CBF percebi uma ligeira diferença nas estatísticas do confronto apresentadas pelas duas confederações.

A CBF registra 3 partidas a mais que a AFA e, logicamente, somos os vencedores destes jogos não contabilizados pelos argentinos.

Os 3 jogos perdidos são:

Brasil 2 X 0 Argentina – 02/12/1923 – Taça da Confraternização Argentina-Brasil
Brasil 4 X 1 Argentina – 07/08/1968 – Amistoso
Brasil 3 X 2 Argentina – 11/08/1968 – Amistoso

Independente de quais números estejam corretos, da CBF ou da AFA, o certo é que o clássico Brasil X Argentina é marcado pelo equilíbrio… e claro, pela rivalidade.

Os números de Brasil X Argentina pela CBF

92 jogos
36 vitórias brasileiras
33 vitórias argentinas
23 empates
145 gols brasileiros
146 gols argentinos

Os números de Argentina X Brasil pela AFA

89 jogos
33 vitórias argentinas
33 vitórias brasileiras
23 empates
143 gols argentinos
136 gols brasileiros

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Imagens: Jumentos Futebol Clube e Na Jogada!

Vira casaca

carlos_tevez-manchester_cityAgora é de verdade, Carlitos Tevez foi para o Manchester City.

O argentino trocou as cores e a tradição do Manchester United – onde era idolatrado pela torcida, mesmo nunca tendo sido titular absoluto –  pelos petrodólares do rival emergente.

Quando o papo surgiu, confesso que pensei que era só mais um boato infundado dos tablóides ingleses. Ou talvez eu não quisesse acreditar.

Embora eu não seja propriamente um fã dos Diabos Vermelhos, simpatizo ainda menos com seu rival de cidade e agora será ainda mais difícil torcer por Carlitos, jogador que eu gosto tanto.

Mas na tarde desta segunda o anúncio oficial foi feito no sítio do City, Carlitos segue em Manchester,

mas agora veste azul.

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Imagem: Manchester City

Juras injúrias

putas-prostitutasEu te amo… mas eu te minto.

Eu te amo… mas eu te traio.

Eu te amo… mas eu te troco.

Amores fugazes que não duram mais que um momento, mais que um sopro. Esta é a tônica do mundo de hoje, moderno e apressado. Esta é a lei que rege o futebol atual, grana e mentira.

Há menos de seis meses Kaká disse não à montanha de dinheiro do Manchester City, fez juras de amor eterno e inquestionável ao Milan. Declarou que terminaria sua carreira ali e que, no fim, seria conhecido como um Paolo Maldini, uma bandeira do rubro negro italiano.

Mas os meses passaram, a grana diminuiu e o amor, parece que também. O novo pretendente não era mais um aventureiro, um destes novos ricos sem pedigree. O Real Madrid tem nome e sobrenome no mundo do futebol. Tem grife, tem pompa, mesmo que sua história por trás da história não seja das mais belas.

Se o City está pra um emergente, o Madrid representa o filho perfeito de um velho Coronel do interior, um daqueles que usurparam o povo e a terra, mas que segue com seu status de nobreza e cara de bom moço, autêntico Dotôr.

E seduzido pela aura encantadora do Real Kaká se foi. Disse que o amor não acabara, mas que o momento pedia a separação, que seria melhor assim. Papo de quem quer sair fora, mas quer terminar bem. Seguimos amigos

Papo furado, furadíssimo.

Na verdade o amor nunca existiu.

O amor no futebol virou amor de putas. Mas não dos puteiros de Florentino Ariza, nem das putas tristes do nonagenário jornalista sem nome de Marquez.

Amor com preço, com hora marcada. Pra gozar e pra dizer adeus.

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Imagem: Original Ópio do Povo
Foto Prostitutas: Rádio France Internacional

Princípios, valores e o Barça campeão

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Em um mundo onde o que vale é ganhar a qualquer custo, o Barcelona insiste em ser leal a seus princípios. Resistência pura de quem teima em ser diferente. Não pela diferença, mas por não querer trair seus valores fundamentais.

Esta é a essência do Barça e não é a toa que seu lema é Mais que um clube. Não há exageros ou hipérboles na frase, o Barça é bem mais que um clube, é uma bandeira da Catalunha, da contracultura e da resistência.

Tenho um amigo catalão que diz que se você – de uma forma ou de outra – apóia ou admira a resistência às imposições, sejam elas culturais, sociais, econômicas ou de qualquer outra porra, você tem que torcer para o Barça

Na época em que a Espanha não podia sorrir, o Barcelona foi perseguido e seu estádio era o grande palco da resistência à ditadura franquista; o único lugar em território espanhol onde podia-se falar, gritar, cantar e xingar em sua língua materna, o catalão, então proibido no país. No país Basco, outro foco anti Franco, o estádio San Mamés do Athletic Bilbao desempenhava o mesmo papel do Camp Nou.

Voltando ao futebol, onde o que vale também é vencer a qualquer custo, o Barcelona se mantém firme em seus princípios, em seus valores. Quer ganhar como qualquer time, mas como não é um qualquer, prefere ganhar ovacionado por seus fãs e até mesmo pelos rivais. No futebol competição o Barcelona não desiste de ser arte, de ser verso de César Vallejo. Joga bonito por prazer, joga bonito por que que vencer assim, com poesia.

Aqui temos uma imagem que o Barça é um time milionário, destes Chelsea ou Real Madrid que despejam dinheiro e sabão no mercado internacional. O Barcelona é rico sim, sem dúvidas. Mas é muito diferente destes outros. O dinheiro serve pra trazer Daniel Alves e Henry no auge de suas formas. Mas o time catalão carrega um orgulho imaculado por suas divisões de base

Na final da Champions de ontem, 7 dos 11 titulares foram formados em casa. Víctor Valdés, Gerard Piqué, Xavi Hernandéz, Andrés Iniesta, Sergi Busquets, Carles Puyol e Lionel Messi. Orgulho catalão! Ainda mais que com a exceção do argentino fantástico, os outros 6 são da terra protegida por São Jorge

Leal a sua excência, fiel a sua história. E o Barça segue firme e forte! Reensinando ao universo da bola que aquele que joga bonito também pode ganhar. E mostrando ao mundo que para ter sucesso não é necessário se esquecer de princípios, assim como não é preciso passar por cima de seus valores e estipular um preço, pra tudo.

Barça campeão!!!

Imagem original: Sítio do Barça
Efeitos: Picnik