Campanha Vamos Ajudar o Washington

washington-fluminense-anos_80Quem, como eu, foi criança nos anos 80 e curtia futebol certamente há de se lembrar do grande atacante Washington que – juntamente com o ótimo Assis – formava a dupla de ataque do Fluminense que ficou conhecida como Casal 20.

Com eles o Fluminense conquistou seu único título do brasileirão, em 1984. E o bigodudo Washington era sempre figurinha carimbada nos álbuns daquela época.

Washington passa por sério problemas. Foi acometido pela Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a doença que é conhecida como Mal do Esporte.

A ELA é muito comum em esportistas e os cientistas acreditam que seu surgimento esteja ligado ao excesso de atividade física. O volante polonês Krzystof Nowak que defendeu o Atlético Paranaense em 1996 e 1997 faleceu vítima da enfermidade em 2005, com apenas 29 anos.

Futebol, baseball e triathlon são os esportes com maior incidência da doença.

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A Esclerose Lateral Amiotrófica não tem cura e a medicação que atrasa a evolução dos sintomas custa cerca de 1.600 reais, dose relativa a um mês de tratamento.

Washington, como muitos de nossos craques do passado,  não carece de muitos recursos econômicos. Com o intuito de ajudar o ídolo tricolor, o juizforano João Márcio Júnior lançou a campanha Vamos Ajudar o Washington.

Márcio Júnior visitou o ex jogador e levou uma camisa oficial do Fluminense para ser autografada pelo craque. Esta camisa está agora em leilão e toda a renda obtida através da ação será revertida para que o Washington possa adiquirir a medicação necessária ao tratamento.

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Os interessados em adquirir a pérola podem enviar seu lance na camisa (mínimo de 300 reais) para o email joaomarciojr@gmail.com

E pra quem quiser ajudar o ex atacante do Flu sem participar do leilão, segue abaixo a conta – gerenciada por sua filha.

Conta Poupança 7237-0
Agência 2926-2
Banco do Brasil
Titular da Conta: Geovana de Souza Santos (Filha do Washington)
CPF 165.634.415-72

Imagens: Meu Time! e Clássicos
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Vira casaca

carlos_tevez-manchester_cityAgora é de verdade, Carlitos Tevez foi para o Manchester City.

O argentino trocou as cores e a tradição do Manchester United – onde era idolatrado pela torcida, mesmo nunca tendo sido titular absoluto –  pelos petrodólares do rival emergente.

Quando o papo surgiu, confesso que pensei que era só mais um boato infundado dos tablóides ingleses. Ou talvez eu não quisesse acreditar.

Embora eu não seja propriamente um fã dos Diabos Vermelhos, simpatizo ainda menos com seu rival de cidade e agora será ainda mais difícil torcer por Carlitos, jogador que eu gosto tanto.

Mas na tarde desta segunda o anúncio oficial foi feito no sítio do City, Carlitos segue em Manchester,

mas agora veste azul.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Imagem: Manchester City

Entre preços e valores

kakaDesde que surgiu Kaká é tratado, indiscutivelmente, na grande mídia nacional como o queridinho do futebol brasileiro.

Estereótipo reverso do boleiro; menino de classe média, boa família, bom filho, religioso.

Mas agora o bom menino do futebol está posto à prova. E nem é por causa dos milhões de dólares doados aos pastores da igreja Renascer. Aqueles mesmos que foram presos no Estados Unidos com dinheiro não declarado e hoje respondem por processo de evasão e sonegação fiscal y otras cositas más…

Desta vez o que está em cheque não é a grana que sai do bolso de Kaká, mas a que pode entrar. Uma frase corriqueira nestes tempos corrompidos de hoje é que todo mundo tem seu preço. A questão é justamente esta, se Kaká é realmente uma exceção, um homem de valor. Ou se é apenas mais um destes comuns, destas pobres pessoas com preço e embalagem de plástico.

E não tem aqui nenhum puritanismo quanto ao dinheiro. Não vejo problema que Kaká ou qualquer outro ganhe aquilo que alguém quer lhe pagar. A coisa passa por outro lugar.

Tudo porque ainda teimo em acreditar que as ações devem convergir com as palavras.

Os xeiques do City desembarcaram na Itália com um mundo de dinheiro e o Milan bambeou. Kaká foi correndo à TV do clube dizer que não se interessava pela proposta, que queria envelhecer no rossonero e, um dia, ser capitão do time.

Louvável! Kaká sabe que tem todo dinheiro que precisa hoje e que o terá amanhã. Também sabe que seus filhos, netos e por aí vai não precisarão se preocupar com isso. Da mesma forma ele sabe de seu potencial, sabe que tem tudo para cravar seu nome difinitavamente na história do Milan, da Seleção Brasileira e até do futebol.

E sabe ainda que o City – nem com todo dinheiro advindo do petróleo e do sofrimento de um povo – não se compara ao Milan. Assim como o Chelsea com todo o dinheiro sujo do senhor Abramovic não se compara em grandeza e importância ao Liverpool ou ao Manchester United, para me ater à rivais domésticos.

Mas as propostas e as notícias foram mudando. Os 250 mil dólares, viraram 350 mil, depois viraram libras e os rumores chegam a números que nem ouso citar. A proposta foi recheada por mansões, viagens no jato real pra ver a família, festas, boa vida. Daqui a pouco o xeique Mansour bin Zayed vai oferecer um pedaço da lua ou mesmo de Dubai.

E ao que parece Kaká também balançou. Em determinado momento da tarde o sítio Arabian Business – que tem ligação com o presidente do clube inglês – divulgou em sua página que o City havia fechado com o meia. Mas meia hora depois teve substituir a matéria por uma outra que dizia que Kaká pedia 20% a mais para assinar.

O certo é que o jogador está em negociações. Mesmo depois do discurso de que quer ser um Maldini, que quer ser velhinho com a bengala rubronegra.

Como já disse, acho que Kaká tem todo direito de jogar onde queira e de receber quanto queiram pagá-lo. Mas não consigo ignorar e aceitar as divergências entre discurso e ação. A atitude me fez lembrar de um pequeno e delicioso texto de Eduardo Galeano que se chama Celebração das bodas da  palavra e da ação.  Nele o escritor uruguaio confessa pensar que grande parte da força de Che Guevara provinha de um feito muito simples; dizia o que pensava, fazia o que dizia. Sinceramente não sei se a força do Che vinha desta postura, mas sei que concordo inteiramente com ela.

Por isto acho que o simples fato de negociar com o City depois de reafirmar seu amor pelo Milan não pega bem. E também é por isto que caso hoje, amanhã ou depois, eu veja o Kaká com a camisa azul celeste não vou me assustar, não vou estranhar.

E terei a certeza que ele é mais um como aqueles que eu falava lá em cima, um daqueles que preferem os preços aos valores.

O Rei do Pedaço

leao bravoLeão chegou ao Galo e, como quase sempre faz, adentrou ao saloon atirando no xerife.

A primeira atitude como novo treinador atleticano foi dispensar Petkovic e César Prates.

E já advertiu o maior ídolo da massa alvinegra.

Se Marques não for útil dentro de campo também não fica pra 2009.

Leão, como animal dominante que é, tem este costume.

Em 97, quando chegou ao Galo pela primeira vez, afastou o tetra campeão mundial e maior ídolo da torcida, o goleiro Taffarel.

No Corinthians de Teves não foi diferente. Tirou a braçadeirade capitão do argentino com a indelicada justificativa de que ninguém entendia o que dizia Carlitos.

Leão não suporta dividir as atenções, tem que ser o centro de tudo. Combina bem com um time de jovens valores, sem grandes medalhões, como é o Galo.

A massa alvinegra só espera que o treinador não implique com Renan Oliveira, o jogador mais promissor deste modesto time.

xerife lego

Pra ler na rede

Nas palavras de Eduardo Galeano o futebol transcende as fronteiras do esporte, do jogo e se transforma em lenda.

É cultura, política, identidade de um povo.

Galeano, como todo uruguaio, é apaixonado por futebol e neste livro faz do jogo a maior das festas pagãs.

Onde ídolos e carrascos se confundem. E a desgraça e o esplendor convivem quase harmoniosamente.

Futebol ao Sol e à Sombra reúne pequenos e deliciosos textos do escritor uruguaio sobre uma de suas maiores paixões.

É impossível não se deliciar com as histórias de Garrincha, Maradona, Pelé, Obdúlio Varella e a mítica Seleção Uruguai dos MOÑOS.

É um daqueles livros gostoso saborosos… Ideal pra ler na rede… ou na cama.

Pra quem gosta e pra quem não gosta de futebol!

Vale lembrar que a LP&M Pocket tem no Brasil uma versão popular do livro. Em média sai por 16 reais nas grandes livrarias ou na web.

O Ídolo – Eduardo Galeano

Em um belo dia a Deusa dos ventos  beija o pé do homem, o maltratado, desprezado pé, e desse beijo nasce o ídolo do futebol. Nasce em berço de palha e barrcao de lata e vem ao mundo abraçado a uma bola.

Desde que aprende a andar, sabe jogar. Quando criança alegra os descampados e baldios, joga e joga e joga nos ermos dos subúrbios até que a noite cai e ninguém mais consegue ver a bola. E, quando jovem, voa e faz voar nos estádios. Suas artes de malabarista convocam multidões, domingo após domingo, de vitória em vitória, de ovação a ovação.

A bola o procura, o reconhece, precisa dele. No peito de seu pé, ela descanse e se embala. Ele lhe dá brilho e a faz falar,  e neste diálogo entre os dois, milhões de mudos conversam.  Os Zé Ninguém, os condenados a serem para sempre ninguém, podem sentir-se alguém por um momento, por obra e graça desses passes devolvidos em um toque, essas fintas que desenham os zês na grama, esses golaços de calcanhar ou de bicicleta: quando ele joga o time tem doze jogadores.

_ Doze? Tem quinze! Vinte!

A bola ri, radiante, no ar. Ele a amortece, a adormece, diz galanteios, dança com ela, e vendo essas coisas nunca vistas, seus adoradores sentem piedade por seus netos ainda não nascidos,  que não estão vendo o que acontece.

Mas o ídolo é ídolo apenas por um momento, humana eternidade, coisa de nada; e quando chega a hora do azar para o pé de ouro, a estrela conclui sua viagem do resplendor à escuridão. Esse corpo está com mais remendos que roupa de palhaço, o acrobata virou paralítico, o artista é uma besta:

_ Com a ferradura, não!

A fonte da felicidade pública se transforma no pára-raios do rancor público:

_ Múmia!

Às vezes, o ídolo não cai inteiro. E às vezes, quando se quebra, a multidão o devora aos pedaços.

Texto Retirado do Livro:

Futebol ao Sol e à Sombra

de Eduardo Galeano