Abram se as torneiras…

Nesta segunda, 19 de julho, o presidente Lula anunciou investimentos na ordem de 23,5 bilhões de reais para as obras necessárias para a realização da Copa do Mundo de 2014 e assinou a medida provisória que aumenta o limite de endividamento das cidades que sediarão jogos do mundial.

Sobre os investimentos, a maior parte será destinada à questão da mobilidade urbana, metrôs, linhas de ônibus, anéis rodoviários, viadutos e afins. 11,5 bilhões de reais serão alocados nesta questão que engessa as metrópoles brasileiras.

5,5 bilhões de reais serão destinados à melhoria dos aeroportos e outros 740 milhões de reais serão investidos na revitalização de 7 portos.

1 bilhão de reais será investido na ampliação e incremento da rede hoteleira. O BNDES também criará uma linha especial de crédito para a construção e reforma de estádios estimada em 4,8 bilhões de reais.

Sobre a MP, ela passa por cima de um acordo firmado em 2001 entre União e Municípios que fixava o limite de endividamento das cidades em 100% de suas receitas líquidas anuais. Com a assinatura da medida provisória, os municípios podem agora contrair dívidas no valor de 120% da receita.

Lula disse que não quer que a história do Pan de 2007 se repita. Pelas primeiras páginas do conto, dá pra imaginar que o final não será o mesmo?

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Abre o olho Brasil

olhos_abertosOntem a Fifa anunciou as 12 sedes dos jogos da Copa do Mundo 2014.

Sem nenhuma surpresa, as escolhidas foram aquelas que o PVC vinha falando há muito tempo e que o Ancelmo Gois havia cravado na sexta feira.

Belo Horizonte – Brasília – Cuiabá – Curitiba – Fortaleza – Manaus – Natal – Porto Alegre – Recife – Rio de Janeiro – Salvador – São Paulo.

Clique aqui para ver os 12 projetos das faraônicas arenas.

Não vou nem falar em estimativas de custos, porque como bem sabemos estes números apresentados no primeiro momento são mera fantasia.

Mas um dado importante é que 9 dos 12 estádios que receberão jogos do Mundial pertencem ao aparato estatal.

Mineirão (Governo do Estado de Minas Gerais)
Maracanã (Governo do Estado do Rio de Janeiro)
Cidade da Copa (Governo do Estado de Pernambuco)
Verdão (Governo do Estado de Mato Grosso)
Arena das Dunas (Prefeitura Municipal de Natal)
Estádio Nacional (Governo do Distrito Federal)
Castelão (Governo do Estado do Ceará)
Arena Manaus (Governo do Estado do Amazonas)
Fonte Nova (Governo do Estado da Bahia)
.

chuva_de_dinheiroApenas a Arena da Baixada, Beira Rio e Morumbi são de propriedade particular, pertencem ao Atlético Paranaense, Inter e São Paulo respectivamente. E estes clubes já assumiram o compromisso com a sociedade de que as reformas em seus estádios serão custeadas com recursos próprios, sem nenhum centavo de dinheiro público. Como deve ser.

Em compensação nos outros 9 estádios deve ocorrer uma verdadeira derrama de dinheiro. Com nossa tradição de construir e depois entregar, como fizemos com o Engenhão e a  Arena da Barra só pra ficar em 2 exemplos, duvido que o setor privado se anime a investir em estádios, que ao longo dos tempos não vêm se mostrando um negócio muito rentável no Brasil. Então, pras empresas particulares é muito mais fácil esperar o governo construir e depois arrendar a preço de banana.

No final das contas somos nós que, provavelmente, vamos pagar os 9 projetos. Alguns deles inclusive prevêem a demolição de aparelhos já existentes e a construção de outros estádios, novinhos em folha.

É até difícil destacar qual o maior absurdo. Em relação às arenas especificamente, fico com 3.

O Maracanã que foi reformado há menos de 5 anos, gastaram uma nota e agora o grande palco do futebol brasileiro fechará suas portas novamente por 3 anos. E novamente receberá pomposos investimentos dos cofres públicos.

O Estádio Nacional de Brasília. Mas e o Bezerrão das Tetas de Ouro?

E a Arena Cidade da Copa. Uma cidade como Recife que possui 3 importantes times com casa própria não precisa e não pode ter mais um grande estádio. Pra quê?

Sobre as sedes é com grande pesar que vejo Belém fora da Copa. A capital paraense é alucinada por futebol, tem um estádio belíssimo, o Mangueirão, que seria o projeto de revitalização mais barato do mundial. Além de ser uma ótima oportunidade pra reavivar o futebol do Pará que há poucos anos possuía dois times na primeira divisão.

Floripa é maravilhosa, mas acho que as escolhas de Porto Alegre e Curitiba foram acertadas. A capital catarinense, entre estas duas cidades, também será beneficiada pelo fluxo turístico e Rio Grande do Sul e Paraná tem muito mais tradição futebolística.

E falemos sério, só a política é capaz de explicar as esolhas de Brasília e Cuiabá em detrimento de Goiânia e Campo Grande. A Copa que se pretende verde não podia presentear o Estado dirigido pelo maior desmatador do Brasil, o machadinho de ouro Blairo Maggi. E quem conhece sabe que a Cidade Morena é muito mais Pantanal que Cuiabá,  além de ser muito mais estruturada do ponto de vista urbanístico, isto é indiscutível.

Entre Goiânia e Brasília não tem comparação. Sem este papo que a capital do país tem que estar representada na Copa. Não me lembro de Bonn, sede administrativa do governo alemão, ser sede da Copa de 2006. O Serra Dourada é uma lenda do futebol brasileiro e não deveria estar fora do Mundial.

oculosE sem falar no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Nos próximos 4 anos, corremos risco de viver uma cisão dos investimentos públicos no país, a divisão entre o Brasil da Copa e o Brasil sem Copa. Boa parte dos recursos do PAC devem ser direcionados para as 12 sedes do Mundial 2014. E o resto do país, não cresce?

Cabe a nós fiscalizar a Copa daqui em diante. Do Governo não dá pra esperar, como sempre lembra o Juca, até hoje o TCU (Tribunal de Contas da União) não entregou o relatório sobre o Pan de 2007.

Imagens: Butterflyflyes, Dreamstime e Flickr do Olo Kunovsky.