Os acertos do Dunga

O Brasil passou com facilidade pelo Chile nas oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul, 3 X 0, gols de Juan, Luis Fabiano e Robinho, o último após belíssima jogada de Ramires.

A entrada do jogador do Benfica no time é um dos acertos do técnico da Seleção Brasileira na partida contra os chilenos. Depois de colocar Josué no lugar de Felipe Melo no jogo contra Portugal, Dunga optou por Ramires no confronto de ontem. E não poderia ter tomado decisão mais acertada.

Embora o técnico anão já tenha declarado diversas vezes que pra ele Ramires é meia, o ex jogador do Cruzeiro entrou no time como segundo volanteposição que há muito tempo defendo que é onde ele rende mais – e tomou conta do meio de campo da seleção.

Com Ramires, o time ficou mais leve, ganhou em mobilidade e velocidade,  melhorou a saída de bola – defeito crônico desta seleção – e ficou bem mais agressivo. Até Gilberto Silva, companheiro na proteção à zaga, subiu de produção ao lado do volante do Benfica, acertando mais passes e até arriscando eventuais subidas ao ataque.

Pra mim, Ramires foi o melhor jogador da partida e Dunga merece o elogio por sua escalação.

Outro mérito do técnico anão foi colocar Gilberto na lateral esquerda e empurrar Michel Bastos para o meio. A substituição poderia ter sido feita da forma mais simples – colocando o jogador do Cruzeiro no meio, onde geralmente atua, e mantendo o atleta do Lyon na lateral esquerda – mas Dunga teve a sensibilidade fazer o contrário e assim testar Gilberto na lateral e dar poucos minutos para Michel Bastos atuar onde está mais acostumado.

Dois acertos incontestáveis do já não tão contestado Dunga.

Imagem: Fifa
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Com surpresa e sem brilho

Na última terça feira, 11 de maio, Dunga convocou a Seleção Brasileira que disputará a próxima Copa do Mundo, na África do Sul.

Teve surpresa, pelo menos pra mim. Gomes (Tottenham) entrou na vaga de Víctor (Grêmio) e Adriano (Flamengo) perdeu o lugar para Grafite (Wolfsburg).

Estas duas mudanças me surpreenderam, não pelo aspecto técnico. Gomes merece, e muito, a convocação. Fez uma temporada muito boa com o Tottenham que conseguiu a classificação para a próxima Champions League, algo que não acontecia há 49 anos.

A convocação do Grafite eu já defendo faz algum tempo. Um jogador que consegue mesclar força e velocidade, e que tem faro de gol. Mas acho que seu melhor momento já passou. Na temporada passada, quando Grafite destruiu levando o Wolfsburg ao título da Bundesliga e de quebra foi o artilheiro da competição, ele não teve sua chance. Mas depois de uma temporada sem muito brilho, a atual, Grafite garantiu seu lugar na Copa. Vai entender né?

As surpresas aconteceram, mas não foram as que eu e muita gente esperava. As mudanças pouco alteraram e continuamos com um time sem brilho, sem magia. A Seleção Brasileira mais alemã de todos os tempos.

Os 23 de Dunga

Goleiros

Julio César (Inter de Milão), Gomes (Tottenham), Doni (Roma)

Laterais

Maicon (Inter de Milão), Daniel Alves (Barcelona), Michel Bastos (Lyon), Gilberto (Cruzeiro)

Zagueiros

Lúcio (Inter de Milão), Juan (Roma), Luisão (Benfica), Thiago Silva (Milan)

Meio-Campistas

Felipe Melo (Juventus), Gilberto Silva (Panathinaikos), Ramires (Benfica), Elano (Galatasaray), Kaká (Real Madrid), Josué (Wolfsburg), Júlio Baptista (Roma), Kléberson (Flamengo)

Atacantes

Robinho (Santos), Luis Fabiano (Sevilla), Nilmar (Villarreal), Grafite (Wolfsburg)

Pra mim, as grandes ausências da convocação do Dunga são Ronaldinho Gaúcho (Milan), Neymar (Santos) e principalmente a dupla avícola Ganso (Santos) e Pato (Milan). E entre os convocados, os que menos entendo são Doni, Josué, Michel Bastos, Kléberson, Felipe Melo e Gilberto.

Derrota real, vexame galáctico

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O futebol, como o mundo, vive a dicotomia da segregação econômica. Como na sociedade temos cidadãos de classes A, B e por aí vai, o mundo da bola também vive suas divisões e estratificações sob a tutela do vil metal; com times milionários e equipes semi amadoras que habitam e dividem o mesmo terreno.

Na última terça os galácticos do Real visitaram o subúrbio de Madrid. Foram ao município de Alcorcón – a 13 quilômetros da capital espanhola – enfrentar, pela Copa do Rei,  a equipe local que joga na 3ª divisão do campeonato espanhol e que leva o mesmo nome da cidade em que está situada. Um confronto entre o futebol real – não de realeza, mas de realidade – e o mundo fantástico e fantasioso da bola galáctica, das estrelas que brilham mais que a camisa, que a história.

Mesmo sem Kaká e Cristiano Ronaldo – estrelas máximas da constelação madrilenha – todos decretavam a barbada, goleada merengue… e com um pé nas costas. Mas no futebol, diferentemente da nossa sociedade do hiper consumo, nem sempre o dinheiro consegue ser o vitorioso.

Foi um dos maiores vexames da história do Real Madrid. 4 X 0 para um time da 3ª divisão… um time de estádio acanhado e de uma paupérrima galeria de troféus, sem nenhum título de relevância. Um time de jogadores modestos… jogadores modestos sim, mas que suam, que brigam, que jogam quase por amor ao esporte, pois o que ganham não é mais que o necessário para sobreviver.

4 X 0 com uma doce ironia. 3 dos 4 gols foram marcados por jogadores que passaram pelas divisões de base do time merengue, mas que nunca tiveram oportunidade no time de cima. O meia Ernesto Gómez que anotou o 3º tento da goleada e o atacante Borja Pérez, autor do primeiro e do último gol no massacre de Alcorcón. Detalhe, Borja já havia marcado outras 4 vezes contra o Real Madrid jogando pelos pequenos Leganés e Alicante. O outro gol da partida foi contra de Arbeloa, uma das contratações para a atual temporada.

Nem o mais otimista dos torcedores do AD Alcorcón poderia imaginar a noite de ontem. O dia em que a simplicidade do subúrbio venceu o poder e a ostentação capitalina.

A humilhante derrota imposta ao Real mostra muito mais que a pilhéria do futebol onde nem sempre os que compõem a base da pirâmide estão necessariamente abaixo daqueles que habitam o topo. A goleada do Alcorcón expõe a mentira galáctica dos astros milionários da bola e ratifica a idéia de que, hoje, não existe time de outro mundo.

Que o Real Madrid tem grandes craques é inegável. Mas ainda falta muito pra que estes jogadores formem um grande time.

Imagem: Ecodiario
Canal do Youtube: Todo Goles

Boa convocação!

Dunga convocou nesta terça, dia 27 de outubro, a seleção brasileira que enfrentará Inglaterra e Omã em amistosos nos dias 14 e 18 de novembro respectivamente.

O duelo contra o English Team acontece em Doha no Catar. Já a partida contra Omã será realizada na casa dos adversários da península arábica, na capital Mascate.

Sem poder contar com jogadores que atuam no futebol brasileiro, Dunga convocou 4 surpresas para os jogos na Ásia. O lateral Fábio Aurélio (Liverpool), os meias Carlos Eduardo (Hoffenheim) e Michel Bastos (Lyon) – este último se for utilizado deverá jogar na lateral esquerda, sua posição de origem – e o atacante Hulk do Porto.

Das novidades, acho que Fábio Aurélio há muito já fazia por merecer esta chance e a convocação do Michel Bastos também é muito válida, ele começou a temporada muito bem no Lyon, é um jogador rápido, versátil e moderno. Já Carlos Eduardo e Hulk eu não convocaria. O primeiro é um bom jogador, mas em sua posição temos nomes melhores, Diego da Juventus por exemplo. Já o Hulk vale pelo nome! É um jogador muito forte e tal, mas pra mim não tem bola pra jogar na seleção. No último campeonato português ele marcou 8 gols, na edição deste ano fez 1 e na Champions da atual temporada marcou outros 2; números bem modestos pra um centroavante de referência. Eu preferia ver o Grafite do Wolfsburg ou o Alexandre Pato do Milan.

Mas enfim, em seu todo a convocação é coerente e, de uma forma geral, podemos dizer que é boa.

Abaixo, a lista dos 24 convocados:

Goleiros

Júlio César (Inter de Milão)
Doni (Roma)

Zagueiros

Juan (Roma)
Lúcio (Inter de Milão)
Luisão (Benfica)
Naldo (Werder Bremen)

Laterais

Maicon (Inter de Milão)
Daniel Alves (Barcelona)
Fábio Aurélio (Liverpool)
Michel Bastos (Lyon)

Meio-campistas

Gilberto Silva (Panathinaikos)
Felipe Mello (Juventus)
Josué (Wolfsburg)
Lucas (Liverpool)
Alex (Spartak Moscou)
Ramires (Benfica)
Elano (Galatasaray)
Kaká (Real Madrid)
Júlio Baptista (Roma)
Carlos Eduardo (Hoffenheim)

Atacantes

Luís Fabiano (Sevilla)
Robinho (Manchester City)
Nilmar (Villarreal)
Hulk (Porto)

Zangado_colunista_do_Ópio

 

Zangado é um dos 7 anões da Branca de Neve e mesmo do Reino da Fantasia é o colunista especial do Ópio do Povo para assuntos da seleção brasileira.

Imagem: Grumy Git

Meu Brasil X Minha Argentina

Dizem que no Brasil somos 170 milhões de técnicos de futebol.

E também dizem que cada brasileiro tem sua própria seleção, aquela que não perderia pra ninguém.

Eu tenho o meu escrete. Aliás, tenho vários. Um pra cada dia.

Então aí vai Meu Brasil e Minha Argentinade hoje.

Brasil (4-1-4-1)
meubrasil03-09-09-2

Argentina (4-4-2)
minha_argentina-03_09_09-seleção_argentina

Imagem do Estrelão: Submarino

O mais novo queridinho

Nem os merengues Kaká e Cristiano Ronaldo, nem o hollywoodiano David Beckham, o garoto propaganda mais requisitado do mundo do futebol atualmente é Lionel Messi.

O vídeo acima, uma peça para o Sportscenter latinoamericano da ESPN, é o último com o craque do Barça.

O argentino está longe de ser um galã; baixinho, magrelo e com cara de pulga, como sugere seu apelido. Mas Messi tem carisma, talvez sua forma diminuta e quase esquálida faça com que nós, meros mortais, pensemos que fazer o que ele faz com a bola nos pés seja fácil, seja possível.

Mas não é. Messi é uma exceção. Joga como um Deus, uma autêntica divindade da bola.

Messi é muito mais que um jogador. É melodia de Piazzolla com prosa de Cortázar.

Abaixo o antológico gol contra o Getafe com a histórica narração do uruguaio Víctor Hugo Morales do gol mais bonito da história das Copas, aquele assinado por Maradona contra os ingleses no Mundial do México 86. Se não me engano o primeiro confronto entre Argentina e Inglaterra após a Guerra das Malvinas.

Curte futebol e redes sociais? Então conheça a Sociedade Futeboleira do Brasil!

No, we can’t

obama-yes-we-can-verde_amareloO Brasil sagrou-se campeão da Copa das Confederações após vencer na final o Estados Unidos por 3 X 2. E de virada!

Antes de mais nada parabéns a este grupo – incluindo aí a comissão técnica encabeçada por Dunga –  tão criticado e que mantém sua vitoriosa trajetória de bons resultados e futebol pra lá de duvidoso.

Congratulações à parte queria levantar dois pontos:

O primeiro é a exacerbada euforia da imprensa oficial, leia-se Globo e seu filhote Sportv. Assistindo alguns programas da rede de comunicação global parecia que havíamos ganhado uma Copa do Mundo e só eu não sabia que já estávamos em 2010.

Coloquemos os pingos nos is, a Copa das Confederações é um torneio secundário de nível técnico bastante discutível. Nesta edição por exemplo, tínhamos 3 seleções do primeiro escalão do futebol mundial – Brasil, Itália e Espanha. Duas equipes que podemos colocar aí num terceiro escalão da bola – Egito e Estados Unidos. E 3 seleções que, se jogasem nosso brasileirão, suariam para se manter na terceira divisãoIraque, África do Sul e Nova Zelândia.

Mas o que mais me chamou a atenção na vitória brasileira na final da Copa das Confederações não foi a grande virada, nem o magnífico gol do Luís Fabiano, nem mesmo o ufanismo piegas da nossa mídia oficial. Foi o galáctico Kaká evocando Barack Obama.

Segundo conta a lenda do título, no intervalo – quando o Brasil perdia por 2 X 0Kaká motivou o grupo utilizando-se do slogan da campanha eleitoral do atual presidente estadounidense, o famoso e reptido Yes we can.

Duro é saber que a seleção brasileira de futebol precise recorrer a discursos motivacionais para vencer o Estados Unidos. A vitória contra a seleção estadounidense deveria ser óbvia, mais que natural.

Por isto Kaká, Dunga e todos os defensores da ideologia do resultado,

não, nós não podemos ser assim!

A seleção brasileira merece mais que somente os 3 pontos no final da partida.

zangado_7_anoes grumpy_7_dwarfsZangado ainda vive com a Branca de Neve, é apaixonado e viciado por futebol.

Tanto que se tiver que escolher entre jogar bonito ou ganhar, não hesita em escolher a primeira opção.

Como conhece Dunga intimamente, fruto de anos de convivência, é nosso colunista especial para Seleção Brasileira.

Imagens: Diabolim e Grumy Git