A sabedorias dos loucos

el _loco_bielsa-de_córcoras-marcelo_bielsaConfiança é sinal de relaxamento. Prefiro o medo, que nos faz ficar atentos. Digo isto porque sou um especialista em fracassos e sei que, quando terminam os êxitos, as adesões à você acabam também.

A frase é do treinador da seleção chilena de futebol, Marcelo Bielsa. El Loco, como é conhecido, é uma das figuras mais interessantes do futebol. Competente e inovador, é um obcecado pelo que faz, daí o apelido.

Estudioso das táticas do futebol, Bielsa é muitas vezes incompreendido e seus críticos dizem que ele gosta de inventar. Eu não concordo, acho Bielsa uma dos 3 grandes técnicos argentinos da atualidade, juntamente com Carlos Bianchi – que hoje é uma espécie de gerente do Boca – e Gerardo Martino, El Tata, treinador da seleção paraguaia.

Os jornalistas contam que durante a Copa de 2002 era normal encontrar, nas altas horas da noite, o bestial treinador no gramado do centro de treinamento da Argentina. Questionado o porquê das voltas pelo campo nas madrugadas, Bielsa disse que pensava o jogo.

Mas que Bielsa é realmente diferente, disto não há dúvida. Sua carreira como jogador durou apenas 5 anos e sua maior glória com a bola nos pés foi ser eleito um dos zagueiros da seleção ideal do Pré Olímpico de Recife, em 1976.

Seu grande título veio já como treinador, o ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, comandando a seleção argentina que, dentro de campo, era liderada por Carlitos Tévez.

Outro grande mérito do Louco Bielsa é sua postura combativa ao ex presidente do Newell’s Old Boys, Eduardo López, espécie de Eurico Miranda dos Leprosos, como são conhecidos os seguidores do time rosarino. Bielsa foi um dos pilares da oposição à López e sua carta aberta à opinião pública em dezembro do ano passado foi fundamental para a derrota da situação nas últimas eleiçoes do Newell’s.

Abaixo, a tradução da carta aberta do Bielsa:

Dirigida à Opinião Pública – Marcelo Bielsa

Sempre pensei que pela minha condição de treinador profissional, deveria evitar opinar sobre a política interna dos clubes de futebol. Sem embargo, nesta oportunidade, sabendo que o que aconteça no próximo 14 de dezembro terá consequências definitivas sobre o futuro do Newell’s Old Boys – e não posso esquecer tudo que este clube me deu – resulta-me indispensável fazer uma referência pública relacionada com a vida democrática desta instituição.

Como é natural, aqueles que tem como parte de seu capital efetivo o amor pelas cores de um clube, querem ter a possibilidade de eleger aqueles que vão conduzir o alvo de seu amor. Além disto, sabem que este é o melhor recurso para evitar que os bens de todos terminem sendo propriedade de alguns poucos.

Não é meu objetivo qualificar a gestão daqueles que conduziram o Newell’s durante os últimos 14 anos. O modo como foi exercido o poder durante tanto tempo, oferece a todos argumentos argumentos suficientes para julgar a maneira como estes dirigentes atuaram.

Sim exerço, através desta nota, o compromisso pessoal de apoiar as justas reclamações que vêm sendo colocadas sob a luz dos direitos democráticos. A atual condução do clube, habituada a burlar a lei no lugar de cumpri-la, provoca irregularidades que limitam a participação do corpo societário ao invés de propiciá-la, afetando deste modo a transparência das próximas eleições. Como resposta, amplia-se cada vez mais o compromisso popular na busca por mudanças. Não se trata aqui de oposição partidária, mas de que se estabeleça uma agenda ética e moral.

O espírito da lei sempre oferece uma forma de evitar as injustiças que eventualmente possam derivar-se de seu emprego. Por este espírito é difícil compreender porque as autoridades proclamam as razões legais que dificultam a expressão de mais de 20 mil associados, mas não ativam as causas que deveriam impedir que o atual presidente possa ser, mais uma vez, reeleito. Quem, ao apagar das luzes, instrumentou e permitiu esta espécide de defraudação autorizada? Eles têm a obrigação de explicar a quem defendem e por que o fazem.

Todos nós deveríamos entender que, qualquer tentativa para recuperar o melhor da história do Newell’s, começa por lograr que suas próximas autoridades sejam legítimas.

Participar massivamente e de maneira civilizada do ato eleitoral no próximo domingo, esta é a melhor forma enfrentarmos a impunidade. Seguramente, o resto da sociedade aprovará esta forma de atuar.

Imagem: Cancha Llena
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E o escolhido é…

O jornal Olé realizou uma enquete para saber quem deve ser o próximo treinador da Seleção Argentina de Futebol

Carlos Bianchi é o preferido do povo argentino. O ex treinador do Boca recebeu 41% dos votos, bem mais que o segundo colocado, o craque Diego Maradona que teve 14,9 % da preferência dos internautas.

Bianchi não é só o preferido do povo argentino, mas também do presidente da federação Julio Grondona

A verdade é que é inevitável que Bianchi seja técnico da Seleção. Frase de Julio Grondona em 2003, quando Marcelo Bielsa balançava no cargo.

Bianchi é o número 1! Do mesmo Grondona, em 2004, após saída do Loco Bielsa.

Agora chegou a hora de Bianchi assumir a alviceleste. Do mesmo personagem,em 2006, depois da saída de Pekerman.

Desta vez Grondona não se manifestou. Orgulhoso, teme mais uma negativa.

E esse orgulho é o que pode atrapalhar.

Bianchi já declarou que quer voltar a trabalhar e que tem intenção de dirigir a seleção argentina. Mas não aceita intermediários na negociação.

Grondona quer Bianchi, mas só admite sentar-se com ele se estiver tudo acordado. Não suporta mais um NÃO.

Me faz lembrar um tango de Carlos Pesce, El Caprichoso.