Insensato Futebol

Não concordo com a tese que falta experiência a esta Seleção.

Sei que as principais referências do time ainda não passaram dos 21, mas mesmo com a pouca idade, a vivência no futebol é extensa.

Pra mim, o que falta é tesão e o que sobra é soberba.

Derrota após derrota não nos cansamos de olhar o futebol mundial com um inegável ar de superioridade.

Do alto de nossa presunção não vemos ninguém ao nosso lado, muito menos acima. Somos o único país do futebol.

E enquanto Argentina e Uruguai faziam um jogo épico, com técnica, tática e muita emoção, nossos craques comentavam via twitter Insensato Coração.

Perderam um jogo histórico. Não o de domingo, que também perderam, de forma patética.

Jogadores que não gostam de futebol me assustam um pouco. Custo a entender como o roteiro repetido de uma novela pode ser mais interessante que um dos maiores clássicos do futebol mundial. 

Infelizmente não sei os nomes dos protagonistas de Insensato Coração, se soubesse, poderia compará-los a Messi, Tévez, Forlán e Luisito Suárez, e então veríamos qual elenco é o mais interessante.

Este texto não é pra justificar a derrota de domingo.

Não perdemos pra nós mesmos, perdemos para um Paraguai brioso e aplicado, para um time de jogadores que entendem que o futebol é bem mais que diversão, pra eles, é profissão.

Desclassificados da Copa América, nossos jogadores podem agora, tranquilos, ver a novela.

Enquanto nós, que gostamos de futebol, veremos empolgados a sensação Venezuela, o ressurgente Peru, o altivo Paraguai e o gigante renascido Uruguai.

Imagem: Blogmail

Não se esqueçam do Mazembe!

Desde que o Santos se classificou para a final da Copa Libertadores começou-se a falar sobre o hipotético confronto contra o Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi na final do Mundial Interclubes.

Agora então que o alvinegro praiano confirmou o título só se ouve falar do embate entre Messi e Neymar, Santos e Barcelona.

É impressionante como, quando o assunto é futebol, o torcedor e, boa parte da imprensa pacheca, não perde a soberba.

Será que todo mundo já se esqueceu do Todo Poderoso Mazembe?

Com certeza Celso Roth, os jogadores e a torcida colorada não.

Eu, como amante da bola, também quero ver uma final entre Barça e Santos. Mas antes da decisão, tem que passar pela semifinal.

Se o Santos chegar ao Mundial pensando no Barcelona corre o risco de repetir a história colorada que entrou em campo contra o Mazembe pensando na Inter de Milão e teve que ver a final pela televisão.

Imagem: Wecreator
Vídeo: 6ooOoo6

Cala a boca Mano!

Na apresentação da Seleção Brasileira que disputará a Copa América na Argentina, o técnico Mano Menezes resolveu cutucar Lionel Messi, o melhor jogador do mundo.

Em relação à fase individual de cada um, nós já vimos que às vezes os jogadores arrebentam em seus clubes e não conseguem repetir o desempenho em suas seleções. Acho que podemos até citar o Messi, que faz maravilhas no Barcelona, mas não conseguiu ter o mesmo desempenho pela Argentina no Mundial na África do Sul.

Primeiramente, é mentira que Messi tenha feito um mal Mundial África do Sul, não foi uma maravilha, mas também não foi este desastre todo. É vero que o melhor do mundo não fez um golzinho sequer, mas teve boas apresentações, além de ser o jogador que mais finalizou no Mundial.

Outra coisa que não pode ser desconsiderada, a Seleção Argentina dirigida por Diego Maradona na Copa. Aquilo era uma bagunça só, um time desorganizado, mal postado em campo, mal convocado. O meia Jonás Gutiérrez ocupou a lateral direita do time enquanto Javier Zanetti via o Mundial pela TV, assim como o ótimo Esteban Cambiasso, ambos campeões europeus pela Inter em 2010.

Outro ponto a se pensar; Messi foi criado em uma escola que prima pelo futebol coletivo, o Barça. Na Catalunha desde os 13 anos, Messi aprendeu desde sempre que futebol é um esporte que se joga em conjunto e a Argentina de 2010 era um ajuntadão, um salve-se quem puder. Então é lógico que o melhor do mundo não rendesse na seleção o mesmo que mostra em seu clube, até porque no clube os jogadores treinam durante todo um ano e sem falar que a Seleção Argentina ou qualquer outro selecionado nacional não se compara ao Barça. Só a Espanha chega perto, justamente pela espinha dorsal azul e grená, mas mesmo a Fúria fica atrás já que não conta com Messi, Dani Alves e Abidal, pra ficar só em 3 nomes.

Por tanto, Mano deveria se preocupar mais com seu time. Até porque a Seleção Brasileira vem jogando uma bolinha murcha murcha, bem quadradinha. Um time burocrático, engessado, que só encontra alegria nos pés do Neymar.

Só pra reforçar o título do post, cala a boca Mano!

Imagem: Clica Piauí

A Fifa, a pizza e as farinhas do mesmo saco

Na última semana, Joseph Blatter foi reeleito para seu 4º mandato à frente da Fifa.

Candidato único, Blatter foi eleito entre uma tempestade de escândalos e acusações.

Suborno, compra de votos e abuso de poder, coisas que fazem parte da Fifa desde que Havelange desbancou o Sir Stanley Rous do comando do futebol mundial, em 1974.

Nesta última crise da cartolagem mundial do futebol, 3 nomes foram escolhidos para pagar o pato.

Mohammed Bin Hammam, ex presidente da Federação do Catar e atual presidente da Federação Asiática, foi impedido de enfrentar Blatter na eleição e suspenso de suas atividades.

Jack Warner, vice da Fifa e presidente da Concacaf. A exemplo de Bin Hammam, também foi suspenso de suas atividades.

Chuck Blazer, vice presidente da Federação Estadounidense de Futebol e Secretário Executivo da Concacaf. Blazer foi quem jogou a merda no ventilador nesta última onda de acusações e acabou afastado da Concacaf pelo presidente interino, Lisle Austin, presidente da Federação de Barbados.

O interessante é que se olharmos para trás, veremos que tanto Bin Hammam, como Jack Warner e Chuck Blazer faziam parte do séquito, quase real, de Sepp Blatter na família Fifa.

Bin Hammam foi o presidente do Projeto Goal, carro chefe da primeira administração de Blatter na Fifa. Em tese, o Projeto Goal serviria para promover melhorias estruturais nas federações de futebol pelo mundo. Com uma verba monstruosa e fiscalização quase zero do Comitê Financeiro da Fifa, do qual o próprio Bin Hammam também era membro, o Goal transformou-se em moeda de troca, constituindo-se em um importante instrumento para a aquisição de votos e aliados políticos para a turma de Blatter. E segundo o livro Jogo Sujo, do escocês Andrew Jennings, Bin Hammam foi um dos responsáveis pelos sacos de dinheiro que garantiram a primeira reeleição de Joseph Blatter.

Jack Warner era o vice do argentino Julio Grondona no Comitê Financeiro da Fifa. Sempre foi um cão de guarda e um cego defensor de Sepp Blatter. Ex presidente da Federação de Futebol de Trinidad e Tobago, estava à frente da Concacaf desde 1990. Nas eleições da Fifa, sua Confederação sempre votou em bloco e, desde que Blatter lá está, sempre apoiou o suiço. Warner é responsável por uma série de tretas envolvendo Fifa, Concacaf e o futebol nas Américas do Norte, Central e Caribe. Com seu poder político, Warner levou o Mundial Sub 17 de 2001 para Trinidad e como faturou! Alugou à Fifa o Centro de Treinamento da Federação trinitina, construído pela própria Fifa com dinheiro do Projeto Goal. Cobrou as hospedagens no hotel do tal centro de treinamento, também construído com dinheiro Fifa. A alimentação dos atletas, árbitros e dirigentes ficou a cargo de um  de seus filhos, assim como um projeto piloto de totens e internet, que teve o mundial sub 17 como plataforma teste. Até as passagens aéreas para o mundial saíram de uma agência trinitina, não respeitando um contrato prévio da Fifa com uma agência suiça de viagens.

Chuck Blazer sempre foi uma espécie de cachorrinho de estimação de Jack Warner. Criado pelo trinitino, Blazer cresceu no futebol levando para o mundo da bola toda sua experiência de mercado. É um dos responsáveis pela mudança da Concacaf para a Trump Tower, em Nova Iorque, um dos espaços comerciais mais caros do mundo. A ascensão de Blazer no futebol foi meteórica, muito em virtude de sua canina fidelidade a Jack Warner. Blazer foi uma das figuras fundamentais no processo de desmoralização do camaronês Issa Hayatou – presidente da Confederação Africana de Futebol e candidato à presidência da Fifa em 2002 – na primeira reeleição de Blatter.

Para aqueles que pensam que a Fifa viverá novos tempos, de transparência e moralidade, é bom colocar as barbas de molho. As denúncia de corrupção, suborno e compra de votos mais uma vez acabaram em pizza. E o pior, nada de novo se avista no mundo da cartolagem, as farinhas continuam as mesmas, as velhas farinhas do mesmo saco.

Imagens: BBCSumadhura

Copa América Peronista

Nada melhor que o futebol para vencer uma eleição.

E disto sabe bem Cristina Kirchner.

Em 2009, a presidenta da Argentina aproveitou o imbróglio entre AFA e TyC Sports para comprar os direitos de transmissão do campeonato argentino de futebol para a TV Pública, o famoso Canal 7.

O acordo foi fechado em 600 milhões de pesos, o Governo acabou pagando 900 e arrecadando apenas 6 milhões de dólares com a publicidade nas transmissões das partidas. Mas a presidenta não pareceu se importar com o déficit monstruoso, afinal, o futebol é do povo! Sem falar nas inúmeras propagandas estatais durante os jogos que versam sobre as grandes obras e os vanços de sua administração, ou seja, na ótica peronista do Partido Justicialista, acabou sendo um bom negócio.

Outro grande negócio é a Copa América. A 43ª edição do torneio acontecerá na Argentina e terá início no dia 1º de julho, meses antes das eleições presidenciais dos nossos vizinhos.

Serão 8 sedes, 6 delas capitais de províncias comandadas pelo Partido Justicialista ( o mesmo da presidenta Cristina Kirchner, partido detentor do legado Peronista) ou por seus aliados peronistas. São elas:

Córdoba – Capital da província homônima, governada por Juan Schiaretti, do UpC (Unión por Córdoba), aliado do governo central. Schiaretti vem de uma corrente radical do peronismo de esquerda, viveu exilado em Belo Horizonte durante a ditadura Videla e, na capital mineira, chegou ao cargo de vice diretor administrativo da Fiat.

La Plata – Capital da província de Buenos Aires, governada por Daniel Scioli, da Frente para la Victoria, aliança de partidos de orientação peronista. Scioli é um ex esportista (piloto de lanchas, chegou a ser vice campeão mundial de Motonáutica) e foi vice presidente no mandato de Néstor Kirchner, o ex marido e predecessor de Cristina no governo central do país.

Mendoza – Capital da província homônima, governada por Celso Jaque, do Partido Justicialista. Jaque tem mais de 25 anos na militância peronista.

Salta – Capital da província homônima, governada por Juan Manuel Urtubey. O governador tem suas raízes políticas fincadas no Peronismo e no Partido Justicialista, mas se elegeu através da aliança entre a Frente para la Victoria e o PRS (Partido Renovador de Salta), considerado um dos mais radicais entre os partidos de extrema direita Argentina.

San Juan –  Capital da província homônima, governada por José Luis Gioja, do Partido Justicialista. Gioja é um dos ícones do chamado Kirchnerismo, a vertente recauchutada do velho peronismo.

San Salvador de Jujuy – Capital da província de Jujuy, governada por Walter Barrionuevo, do Partido Justicialista. Barrionuevo fez parte do Governo Menem e foi nesta época que cunhou uma das maiores pérolas da história da política alvi celeste: “Resolver o problema da Argentina é muito fácil. Se todos nós parássemos de roubar por um ano, pronto, tudo estaria resolvido”, parece brincadeira, mas não é.

Depois desta pequena explanação, nos faltam duas sedes da Copa América 2011, Santa Fé e Buenos Aires.

A província de Santa Fé é, historicamente, um dos grandes focos da resistência ao poder peronista. Atualmente a província é governada por Hermes Juan Binner, oposicionista do governo Cristina Kirchner. No entanto, existe uma explicação para a escolha da cidade como uma das sedes da Copa América. O nome mais cogitado para ser vice de Cristina nas próximas eleições é o de Carlos Reutemann, ex piloto de Fórmula 1 e atual senador da província de Santa Fé. E Reutemann é natural da cidade de Santa Fé. A escolha da terra natal de Reutemann fez com que Rosario, tradicional palco do futebol argentino e uma das sedes da Copa do Mundo de 1978, ficasse fora da Copa América 2011. Rosario é a maior cidade da província de Santa Fé, tem dois times de primeira linha no futebol argentino (Rosário Central e Newell’s Old Boys), mas é controlada pelo Partido Socialista, antagônico ás idéias peronistas. Outro ponto contra Rosario, seu intendente, Miguel Lifschitz, um dos principais articuladores dos protestos ruralistas de Rosario contra o governo Cristina Kirchner.

A última sede, logicamente, é Buenos Aires. A capital federal que congrega, junto com seu entorno conurbado, 35% da população argentina e 70% dos times da primeira divisão do campeonato de futebol dos hermanos não poderia ficar de fora da Copa América, mas quase ficou. Como esperado, os portenhos receberão a final da Copa América e só, nem um joguinho a mais. Isto porque a cidade autônoma é controlada por Mauricio Macri, ex presidente do Boca e ferrenho adversário político de Cristina Kirchner. Macri é um dos fundadores do partido CPC (Compromiso para el Cambio) uma das 3 bases de sustentação da aliança PRO (Propuesta Republicana) movimento oposicionista de direita. As outras duas são o Recrear (Recrear para el Crecimiento) e a Alianza Popular Federalista. Macri é o preferido do PRO para brigar com Crsitina Kirchner nas próximas eleições presidenciais na Argentina. Em 2007 seu nome foi muito aventado para a corrida presidencial, mas acabou desistindo da disputa em virtude da morte do sindicalista Carlos Fuentealba, escândalo que envolveu Jorge Sobisch, que seria seu vice.

Como disse no início do post, nada melhor que o futebol para vencer uma eleição. A velha idéia romana do panis et circenses parece funcionar até hoje.

Imagem: Pan Con Circo

O melhor Ronaldinho do ano

Tudo bem que o Flamengo só conseguiu um empate contra o Ceará no Presidente Vargas e acabou desclassificado da Copa do Brasil.

Mas mesmo assim a torcida rubro negra deve ter dormido esperançosa.

Isto porque pela primeira vez na temporada, Ronaldinho foi Ronaldinho.

O camisa 10 rubro negro, assim como todo o time, fez sua melhor partida no ano.

Em 3 oportunidades o Gaúcho deixou seus companheiros na cara do gol, em totais condições de marcar. Na primeira Botinelli isolou a bola, na segunda Thiago Neves balançou as redes e na terceira Wanderley perdeu o gol cara a cara com Fernando Henrique.

E mais importante que os 3 passes decisivos, na hora em que o bicho pegou, Ronaldinho não se escondeu, foi quem mais buscou o jogo, quem mais chamou a bola.

Apesar da decepção pela desclassificação, fica uma ponta de alento para a torcida rubro negra.

Será que Ronaldinho pode voltar a ser Ronaldinho? Não aquele do Barça, que já não existe mais. Mas pelo menos que o camisa 10 volte a ser um jogador decisivo.

Imagem: Zebra Da Hora

A força dos carboneros!

Eu cresci com o mito do gigante Peñarol.

O campeão do século, o esquadrão aurinegro de craques históricos que aterrorizava as Américas e até os grandes times europeus.

Peñarol pentacampeão da Libertadores, tricampeão mundial.

Peñarol dos monstros sagrados do futebol, como José Leadro Andrade, Leônidas da Silva, Ghiggia, Schiaffino, Elías Figueroa e o incomparável capitão dos capitães, el negro jefe Obdulio Varela, entre tantos outros.

Mas este Peñarol é um clube que só existe no passado.

Dos anos 90 pra cá, foi só decadência. E o brilho da camisa amarela e negra parecia até ter se apagado.

De 2000 pra cá foram 7 participações carboneras na Libertadores; 4 eliminações na primeira fase e uma ainda na fase prévia da competição.

É o que digo, em nada se parece com o Peñarol dos meus sonhos, dos meus livros.

Mas ontem surgiu um facho de esperança. Como diz a histórica canção dos torcedores manyas,

…o Peñarol é eterno como tempo e florescerá a cada primavera!

A vitória sobre o Godoy Cruz deixou o time uruguaio na liderança do Grupo 8 da Libertadores, um dos mais difíceis da atual edição. Já com 5 partidas jogadas, os aurinegros de Montevidéu estão com 9 pontos, 2 a mais que o vice líder Godoy Cruz, que também já jogou 5 vezes. LDU (Equador) e Independiente (Argentina) jogaram 4 vezes e possuem respectivamente 6 e 4 pontos.

Na rodada decisiva o Peñarol recebe o Independiente e conta com a força do Estádio Centenário para, depois de 9 anos, voltar ao mata mata do principal torneio continental da América do Sul.

A mística da camisa amarela e negra – pra mim a mais bela do futebol mundial – dá mostras de que segue viva e que, em breve, pode voltar com toda sua força!

Que me desculpem os genéricos Liverpool e River Plate uruguaios, que nos últimos anos assumiram a posição dos Mirasoles, mas este lugar pertence ao Peñarol.

E viva os carboneros!

No vídeo abaixo você pode ver a festa da torcida peñarolense, é de arrepiar!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Vídeo: Globo

Quem é que ganha? Os dissidentes têm que explicar

Sair do Clube dos 13 é legítimo. É uma entidade de classe e caso um clube não se sinta devidamente representado e defendido, melhor sair mesmo.

Mas como disse o presidente do Galo, Alexandre Kalil, o estranho é querer sair quando o dinheiros está sendo posto à mesa.

Que Flamengo e Corinthians queiram negociar seus direitos separadamente, tudo bem. Os dois times são verdadeiras nações e comercialmente é aceitável que estajam um patamar acima, embora a hora escolhida pra saída seja a pior possível. E eu duvido muito que consigam chegar a valores superiores ao que receberiam junto ao Clube dos 13.

Hoje, tanto Flamengo e Corinthians recebem cerca de 42 milhões de reais pelo total de suas transmissões, contando aí todas as plataformas. Vamos fazer algumas contas rápidas. Os dois juntos são responsáveis por um sexto do total do bolo do Clube dos 13. A licitação pra TV aberta prevê um lance mínimo de 500 milhões de reais e partindo deste número, tanto Corinthians como Flamengo receberiam cerca de 41,6 milhões de reais, só pela TV aberta. Se pensarmos que a proposta vencedora ficará em torno dos 700 milhões, a arrecadação dos dois clubes de maior torcida no Brasil subiria pra 58,33 milhões de reais para cada um deles.

Nos bastidores, o rumor é que, pra que não houvesse chance de derrota, antes da saída da Globo da disputa a Rede Record ofereceria 1 bilhão de reais pela transmissão do Brasileirão na TV aberta, o que levaria cerca de 83,3 milhões de reais para os cofres corinthianos e flamenguistas. E cá pra nós, separadamente é quase impossível chegar a estes valores contando apenas a TV aberta.

Mas como disse anteriormente, pra Corinthians e Flamengo a idéia da independência ainda é aceitável.

Mas o Botafogo? O Coritiba? O Goiás? Aí estão de brincadeira.

Uma coisa é certa, o racha entre os times e o Clube dos 13 tem um único efeito prático e visível, a desvalorização do produto, o nosso surrado futebol nacional.

E como se explica que Cartolas desvalorizem seu próprio produto, justo na hora em que ele receberia um polpudo incremento em seu valor? Alguém tem que estar ganhando por isso e não é o futebol brasileiro.

E fica difícil não pensar que estes ganhos estão vindo por baixo dos panos.

Favores aos clubes, empréstimos, estádios na Copa 2014 ou até mesmo dinheiro vivo na mão da cartolagem? Eu não sei especificar quais os ganhos dos dissidentes, mas o que sei é que eles têm que se explicar.

E aí, quem é que ganha? E como ganha? O torcedor brasileiro espera respostas.

Imagem: Zóio Torto

O estupro do CADE e os donos do país

Desde criança ouço dizer que a Globo é a dona do Brasil. Manda prender, soltar, legisla e revoga leis, tudo a seu bel prazer.

Muito de verdade, um pouco de exagero, não é essa a questão que discutiremos aqui.

No ano passado o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) abriu os olhos para um dos monopólios mais antigos e sólidos do país, o das transmissões do Campeonato Brasileiro de Futebol.

E não se engane com as transmissões da Band, o que temos aqui é sim um monopólio. Há 24 anos o direito de transmissão do Brasileirão pertence à Rede Globo e a Band só passa alguns jogos porque não incomoda, uma espécie de esmola da emissora do Jardim Botânico e também uma forma de dizer, aqui não tem monopólio. Mas legalmente os direitos pertencem à Globo e o que acontece no caso da Band é uma cessão, nada mais que isto.

Então o CADE disse não e determinou que se abrisse a concorrência para a transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Todo mundo sorriu – um pouco constrangido, é verdade – mas a decisão da autarquia federal foi respeitada e, através do Clube dos 13, foi criada uma licitação com cinco módulos diferentes, TV aberta, fechada, internacional (que é onde se pode ganhar muita grana), internet e celular.

Na questão da TV aberta, a Globo teria uma pequena vantagem em relação aos concorrentes que teriam que pagar 10% a mais que a emissora do Jardim Botânico para ficar com o Brasileirão, um brinde pra quem foi parceira nestes últimos 24 anos. E até aí tudo bem.

Só que aos poucos a turma do Plim Plim viu que os 10% de lambuja de nada adiantariam porque, pelas conversas de bastidores, a proposta da Record chegaria a impressionantes 1 bilhão de reais, valor o que impossibilitaria a concorrência global e que levaria o futebol brasileiro a outro patamar. Pra se ter uma idéia, a principal plataforma de transmissão do Campeonato Italiano paga aos clubes do Calcio o equivalente a 600 milhões de reais, 40% menos do que o Brasileirão arrecadaria só com a TV aberta.

Então o que fizeram os donos do país? Tentaram melar a licitação. Primeiro cooptaram alguns clubes, encabeçados pelos 4 do Rio, a fim de que estes rachassem com o Clube dos 13, que é quem comanda as negociações nos moldes do CADE. Os clubes se amotinaram e disseram que deixariam o Clube dos 13. Mas depois, alguns empecilhos legais fizeram com que voltassem atrás e declarassem que permaneceriam junto à entidade, embora mantivessem a negociação com as TV’s de forma independente.

Ontem veio mais uma cartada da Globo, que comunicou oficialmente que não entrará na disputa da licitação e que vai negociar separadamente com os clubes. Um verdadeiro estupro do CADE.

A guerra ainda não acabou. Na próxima terça o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, e seu diretor administrativo, Ataíde Gil Guerreiro, terão uma audiência no CADE. Eles serão recebidos pelo presidente da autarquia, Fernando Furlan, e pelo procurador geral do Conselho, Gilvandro Vasconcelos Coelho de Araújo.

O CADE tem que se impor e mostrar sua força como uma autarquia federal legítima e atuante, punindo aqueles que querem passar por cima de sua decisão e mostrando aos poderosos que o país não tem dono, mas leis, e que estas devem ser respeitadas.

Aguardemos o próximo capítulo.

Imagem: TV e Diversão

Um jogo pra reescrever a história

Assisti a Copa do Mundo de 2006 na Argentina. E uma das cenas do Mundial da Alemanha que mais me marcou foi Lionel Messi no banco de reservas na partida que decretou a desclassificação dos hermanos.

Aos 19 anos, Messi era apenas um suplente do time argentino, mas toda a bacia do Prata esperava pela entrada do menino prodígio.

No entanto, o técnico José Pekerman não colocou Messi em campo e o resultado a gente já sabe, Alemanha nas semifinais e Argentina de volta pra casa.

O treinador argentino teve que substituir o goleiro Pato Abondanzieri por Leo Franco em decorrência de uma contusão. Nas mudanças que pôde optar escolheu Cambiasso e Julio Cruz para os lugares de Riquelme e Crespo.

Quando Julio Cruz entrou, último câmbio de Pekerman, Messi fechou a cara no banco de reservas. E assim ficou durante o resto do tempo regulamentar e toda a prorrogação.

O garoto de ouro estava emburrado e tinha toda razão. Na época me lembrei da final de 94 quando Parreira colocou Viola no lugar de Zinho no segundo tempo da prorrogação. E eu, claro, queria ver o menino que ainda nem era chamado de Fenômeno. Mas Parreira optou por Viola, vai entender.

Agora, a Argentina reencontra a Alemanha nas quartas de final da Copa. E 4 anos depois, Messi tem sua chance de fazer a diferença contra os germânicos.

Imagem: Pateando Tachos

Perdeu a chance…

Ramires substituiu Felipe Melo na partida contra o Chile, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

E o volante do Benfica entrou bem demais na partida! Desarmou, protegeu a zaga, cobriu a lateral esquerda com perfeição, foi pro jogo, agregou muita qualidade à saída de bola brasileira e ainda, de quebra, em uma jogada maravilhosa e de muita personalidade deu a assistência para o gol de Robinho, tento que sacramentou a vitória por 3 X 0.

Ramires fez um jogo pra virar titular da Seleção. E acredito que viraria, caso não tivesse cometido o deslize de fazer uma falta dura e boba em cima de Alexis Sanches no meio de campo.

A infração rendeu a Ramires um cartão, o segundo amarelo que tira o volante do confronto contra o Holanda pelas quartas de final.

Uma pena, acho que Ramires perdeu a chance de virar titular no time do Dunga.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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E agora é preocupação para os torcedores da Seleção Canarinho que pode ter Felipe Melo novamente entre os 11 titulares, isto caso ele se recupere da lesão sofrida no jogo contra Portugal.

Vídeo: Globo

40 anos depois…

Depois de 40 anos o Uruguai volta às quartas de final da Copa do Mundo.

Nas oitavas, a Celeste Olímpica bateu a Coréia do Sul por 2 X 1, e não foi nada fácil.

No início do jogo Park Chu Young mostrou o cartão de visitas dos asiáticos em uma bela cobrança de falta que carimbou a trave de Muslera.

Pouco depois, aos 8 minutos Luis Suárez abriu o marcador depois de grande jogada de Forlán e falha incrível do goleiro Sung Ryong.

A Coréia sentiu o gol e o Uruguai tomou conta do jogo até os 35 do primeiro tempo, mas a partir daí os coreanos começaram a complicar com as boas subidas de Park Ji Sung e Park Chu Young.

Na segunda etapa a Celeste Olímpica voltou muito recuada e a Coréia ditou o ritmo da partida. Aos 23 minutos, depois de uma lambança coletiva – Victorino, Lugano e Muslera – a seleção asiática chegou ao empate com Chung Young.

O gol serviu para acordar os sulamericanos que voltaram ao jogo. Luis Suárez teve duas chances que não soube aproveitar. Mas na terceira…

Na terceira Suárez fez um golaço! Depois de um escanteio mal afastado pela defesa coreana, a bola sobrou para o atacante do Ajax na ponta esquerda da área. Ele puxou para o centro e soltou um lindo chute, cheio de efeito. A bola ainda beijou a trave antes de morrer nas redes.

A Coréia ainda levou perigo ao gol uruguaio, sempre com Park Ji Sung e Park Chu Young. Mas a vitória foi Celeste e depois de 40 anos o Uruguai volta às quartas de final da Copa do Mundo.

Bom para o futebol!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Imagem: Fifa
Vídeo: Globo

Análises e Palipites das Oitavas de Final

Se antes da Copa você me dissesse que o Uruguai enfrentaria a Coréia do Sul, confesso que cravaria uma vitória asiática. Mas a seleção Celeste foi uma das surpresas mais positivas da primeira fase do Mundial.

Diferentemente do que mostrou nas eliminatórias, o Uruguai apresentou um time muito bem armado na África do Sul, um ataque poderoso que conta com Diego Forlán e Luiz Suárez, e uma defesa sólida que até aqui não sofreu nenhum gol. Além dos atacantes, a dupla de volantes – Diego Perez e Arévalo Rios – também merece destaque. Muito da solidez defensiva do time vem destes dois jogadores que fizeram uma ótima primeira fase, principalmente Arévalo Rios.

A Coréia mostrou aquilo que todos já conheciam. Uma equipe bem armada, disciplinada e alguns poucos destaques individuais, mais precisamente Park Ji Sung e Park Chu Young. Os defeitos são os mesmos de sempre, problemas de finalização, fragilidade física e falhas na bola parada defensiva, muito em função da baixa estatura dos defensores.

O jogo não deve ser fácil, mas coloco o Uruguai como favorito. Antes da Copa, Lugano dizia que o ponto mais forte desta seleção uruguaia era saber suas limitações, saber que não era o melhor Uruguai da história, tampouco o melhor Uruguai dos últimos anos. Se o time sulamericano entrar em campo com este pensamento – sem querer se impor como a Grande Celeste Olímpica – passa pela Coréia.

Meu Palpite: Uruguai 2 X 1 Coréia do Sul

Estados Unidos e Gana fazem um jogo completamente aberto nas oitavas de final, sem favorito. A seleção Ianque foi um dos times mais empolgantes da primeira fase e Gana um dos mais chatos de se assistir, mas é uma equipe dura de se bater.

O Estados Unidos encarou a Inglaterra de igual pra igual na estréia, fez uma das partidas mais emocionantes da Copa contra Eslovênia – onde perdia por 2 X 0, buscou o empate e só não virou porque o juiz não deixou anulando um gol legal de Jozy Altidore. A seleção ianque é muito bem armada pelo treinador Bob Bradley e conta com alguns talentos individuais, Landon Donovan e Clint Dempsey. O time também mostrou algo muito positivo nos 3 primeiros jogos da Copa, não desiste nunca.

Gana mostrou as mesmas virtudes e defeitos da última Copa Africana de Nações, torneio onde acabou com o vice campeonato. O time é muito sólido defensivamente, mas do meio pra frente é um horror. No Mundial da África do Sul por exemplo, Gana só fez dois gols e os dois de pênalti. E o tal do Asamoah Gyan – único atacante da equipe – é simplesmente terrível! Uma pena que o técnico Rayovac não dê uma chance para o excelente Dominic Adiyiah, aquele que acabou com o Brasil na final do último Mundial Sub 20.

Este é um confronto muito aberto e difícil de dizer quem passa. Pra mim será definido nas penalidades máximas.

Meu Palpite: Estados Unidos 0 X 0 Gana (tempo normal e prorrogação) e Gana passa na disputa de pênaltis.

Imagens Originais: DHnet, Tizona e Newham
Montagens: Picnik

A melhor entre as piores

A Argentin a sobrou no Grupo B da Copa do Mundo. Venceu seus 3 adversários sem grandes dificuldades e apresentou um bom futebol.

As outras 3 equipes do grupo ficaram restritas à disputa pelo segundo lugar. E foi a famosa luta de foice no escuro.

A Grécia não é nem sombra daquele time campeão europeu. A falta de talento é a mesma de 2004, mas o time atual não tem um décimo da disciplina tática daquela equipe que triunfou em Portugal.

A Nigéria foi um verdadeiro show de horrores. Os dois gols perdidos mais feitos da Copa até aqui foram dos nigerianos. Obasi na partida contra a Grécia e Yakubu no jogo contra a Coréia do Sul. Até o goleirão Enyeama, melhor jogador das Águias Africanas, deu das suas pataquadas.

E quem sobrou para ficar com a segunda vaga do Grupo B? A Coréia do Sul, a melhor entre as piores. Os sulcoreanos fizeram um bom jogo de estréia contra a Grécia, chegaram a dar um aperto na Argentina e fizeram uma partida horrível contra a Nigéria.

A Coréia do Sul não apresentou nada demais, mas tem um time arrumadinho do ponto de vista tático e alguns jogadores interessantes, entre eles Park Ji Sung (Manchester United-Inglaterra) e Park Chu Young (Mônaco-França).

Por ser a melhor seleção entre as piores do Grupo B, a Coréia do Sul ficou com a segunda vaga da chave.

Imagem: Telegraph

O melhor da Copa até aqui

Neste começo morno de Copa quase nada se viu de bom futebol. Um pouco da Argentina que mostrou inegáveis qualidades ofensivas, evidentes problemas defensivos e um Messi bem à vontade em campo.

A África do Sul mostrou toda empolgação por sediar a primeira Copa na África, mas não foi muito além disto. O México foi o de sempre, bons jogadores, grande expectativa em uma equipe que toca bem a bola, mas ainda não aprendeu a definir.

Uruguai X França, Argélia X Eslovênia foram sofríveis. Deu sono, deu raiva por perder tempo vendo tais jogos.

A Grécia não é nem sombra daquela campeão européia de defesa quase intransponível, a Coréia mostrou as mesmas armas e fragilidades de outros mundiais; um time rápido, aplicado, mas que falta talento e força.

A Inglaterra decepcionou em sua estréia. Mesmo com uma escalação muito ofensiva – sem nenhum volante ou cabeça de área – o time dirigido por Fabio Capello não empolgou nem emplacou. E se alguém merecia vencer a partida era o Estados Unidos que ainda meteu bola na trave com Jozy Altidore.

A Sérvia também foi um fiasco. Vidic perdido, Stankovic e Krasic escondidos, Zigic muito recuado e Pantelic que dá dó. Já Gana mostrou a mesma virtude da Copa Africana de Nações, uma defesa muito sólida que concede pouquíssimas chances ao adversário.

No terceiro dia da Copa só falta a partida entre Alemanha e Austrália. Até aqui, pouco futebol, pouco na quantidade de jogos e na qualidade. Normal para um mundial que, a partir da terceira rodada da primeira fase, deve ganhar em emoção e categoria dentro do campo.

Com pouca bola, o melhor da Copa até aqui foi a entrada em campo da seleção Bafana Bafana na partida inaugural contra o México. Alegria que saiu dos vestiários e contagiou as arquibancadas do belíssimo Soccer City.

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Vídeo: Globo