Os acertos do Dunga

O Brasil passou com facilidade pelo Chile nas oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul, 3 X 0, gols de Juan, Luis Fabiano e Robinho, o último após belíssima jogada de Ramires.

A entrada do jogador do Benfica no time é um dos acertos do técnico da Seleção Brasileira na partida contra os chilenos. Depois de colocar Josué no lugar de Felipe Melo no jogo contra Portugal, Dunga optou por Ramires no confronto de ontem. E não poderia ter tomado decisão mais acertada.

Embora o técnico anão já tenha declarado diversas vezes que pra ele Ramires é meia, o ex jogador do Cruzeiro entrou no time como segundo volanteposição que há muito tempo defendo que é onde ele rende mais – e tomou conta do meio de campo da seleção.

Com Ramires, o time ficou mais leve, ganhou em mobilidade e velocidade,  melhorou a saída de bola – defeito crônico desta seleção – e ficou bem mais agressivo. Até Gilberto Silva, companheiro na proteção à zaga, subiu de produção ao lado do volante do Benfica, acertando mais passes e até arriscando eventuais subidas ao ataque.

Pra mim, Ramires foi o melhor jogador da partida e Dunga merece o elogio por sua escalação.

Outro mérito do técnico anão foi colocar Gilberto na lateral esquerda e empurrar Michel Bastos para o meio. A substituição poderia ter sido feita da forma mais simples – colocando o jogador do Cruzeiro no meio, onde geralmente atua, e mantendo o atleta do Lyon na lateral esquerda – mas Dunga teve a sensibilidade fazer o contrário e assim testar Gilberto na lateral e dar poucos minutos para Michel Bastos atuar onde está mais acostumado.

Dois acertos incontestáveis do já não tão contestado Dunga.

Imagem: Fifa
Anúncios

Um estranho no ninho

muricy_ramalho-isso_aqui_é_trabalho_meu_filho

Após a derrota para o Cruzeiro e a eliminação na Libertadores, a diretoria do São Paulo resolveu demitir Muricy Ramalho. As poucas e abastadas vozes das numeradas do Morumbi pesaram mais que os gritos da arquibancada, do povão tricolor que que seguia ao lado do treinador.

Pra seu lugar escolheram Ricardo Gomes, técnico de finos tratos e poucos resultados.

Muricy não. É homem simples que não gosta de badalações. Não fala francês, não come caviar. Não bajula a cartolagem, assim como não frequenta o Terraço do Club Athletico Paulistano.

Muricy é homem do campo, do campo de futebol. Gosta de trabalhar e ficar com a família. Fala fácil e, o que é pior na visão do alto clero tricolor, fala o que pensa.

Abnegado e incansável, Muricy é o cara que pára o carro na estrada rumo a Ibiúna só pra ver a cobrança de falta de um jogo na várzea. Treinador 24 horas por dia, sete dias por semana.

Se Muricy é bronco demais, é simples demais para o São Paulo, quem mais perde é o tricolor. Perde o treinador que foi eleito o melhor do brasileirão em suas últimas 4 edições, o técnico campeão nacional nos últimos 3 anos.

Mas a perda é mais ampla, é do futebol, da sociedade brasileira como um todo. Exagero???

Não se pensarmos que o Brasil é o país do jeitinho e que Muricy é uma das poucas figuras públicas que defende o valor do trabalho, do mérito.

Pra ele ganha quem é bom, mas como bons são muitos, ganha quem é bom e se dedica. Não basta ter talento, tem que ralar. É a meritocracia muricyana, tão diferente da realidade do futebol e do mundo de hoje.

Muricy vai fazer falta a todos que pensam que o trabalho é que deve ser recompensado, a todos que acreditam que vitória boa é a vitória justa, que ganhar roubado não é mais gostoso.

Muricy Ramalho não é um exemplo pro futebol, é um exemplo pra todos.

Que descanse, mas que volte logo à cena!

Foto retirada: Jornalismo Futebol Clube
Efeitos: Picnik
Arte: Ópio do Povo