Um beija flor entre os leões indomáveis

O Giuseppe Meazza nunca mais foi o mesmo depois daquele oito de junho. Quantos derbys dellaa madonnina já passaram, quantos craques já pisaram seu gramado, quantas vezes as redes já balançaram ali, mas nunca mais como naquela mágica tarde de oito de junho.

De um lado os argentinos com toda sua tradição, classe e soberba. Envoltos no manto alviceleste, os hermanos desfilavam pálidos, lúridos, atônitos com tamanho fulgor vindo dos adversários; aqueles verdadeiros leões vestidos de verde, amarelo e vermelho que, com seu negrume, pareciam carregar todas as cores do mundo.

El pibe deoro não conseguia brilhar, era ofuscado pelas presas africanas que logo se converteriam em predadoras, destruindo em segundos a glória de dois mundiais, a história de mais de um século de futebol em terras platinas.

Aos vinte e dois minutos do segundo tempo uma falta que Makanaky desviou meio sem jeito no primeiro pau. A bola subiu, roçou as nuvens de Milão e, provavelmente, foi tocada por um dos Deuses dos estádios, quem sabe Schiavio, quem sabe Santagostino ou até mesmo Meazza.

Quando a esfera atingiu o topo de sua parábola, faltando muito pra voltar ao campo de jogo, François Omam-Biyik saltou e os argentinos o olharam com estranheza. O camisa sete esguio e desengonçado não se deteve com o assombro dos adversários e simplesmente pairou. Durante minutos ficou ali, parado sobre a cabeça de Néstor Sensini, como um beija flor. Sem se importar com o tempo nem com a distância, só esperando pacientemente a bola voltar.

E quando ela voltou bastou um leve toque de cabeça para vencer o goleiro argentino e encher de alegria as redes do San Siro. As cores da África invadiam a Itália, pintavam o mundo.

Naquela tarde de oito de junho, o verde, o amarelo e o vermelho representaram muito mais que a união do continente negro, simbolizaram o conúbio de todo universo da bola com aqueles guerreiros de ébano, com aqueles leões indomáveis.

E entre os leões, havia um beija flor.

Imagem: Kenyan List
Vídeo: Obsessional TV
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Onde está Adriano?

wheres waldo adriano imperador

Imagens da Val Prochnow! Veja também o outro blog da menina.

Após a partida da seleção em Porto Alegre na última quarta, Adriano saiu correndo dizendo que tinha que tomar um avião no Rio rumo a Milão.  

Não tomou. Em lugar disto foi pro Morro da Chatuba, lugar onde nasceu e passou toda a infância. E onde moram boa parte de seus amigos, talvez os únicos verdadeiros.

Nada mais normal para uma pessoa que esteja passando por uma fase de turbulência. Buscar refúgio em suas raízes, em suas origens. Onde se sente mais cômodo, mais identificado, a famosa zona de conforto.

Adriano passou 5 dias no complexo da Chatuba (reapareceu na noite de ontem), não se reapresentou à Inter e serviu de substrato para toda espécie de especulações na imprensa mundial.

Festa com traficantes, sequestro, amor bandido na favela, drogas e álcool são só algumas das suposições levantadas pela mídia, especialmente a brasileira e a italiana.

No decorrer do episódio o empresário do jogador, Gilmar Rinaldi, parecia uma máquina de dizer não. Durante estes dias só desmentiu tudo que aparecia, inclusive que Adriano estivesse na Chatuba. Era não não não, pra tudo. E os boatos seguiram, e seguem, pipocando.

No caso Adriano eu fico com José Mourinho, treinador da Inter de Milão. Em entrevista coletiva no início da semana o português pediu calma aos abutres, prontos para devorar os restos do atacante.

Em relação ao Adriano, não se trata mais de indisciplina. A questão parece ser bem mais séria. E não é de hoje que digo isto.

O que está em risco não é mais a carreira do suposto Imperador, mas a vida do Adriano.

wally adriano

Imperador dos Campos, Rei das Baladas

Adriano se julga o Imperador, mas está mais pra Rei da Noite.

O centro-avante que vive boa fase foi cortado do jogo de amanhã contra a Fiorentina.

Depois de cair na balada com Ronaldinho e Julio Cruz, Adriano se atrasou para o treinamento de segunda.

Mourinho não perddoou.

Adriano e Cruz foram cortados.

Balotelli e Obinna assumiram seus lugares para o jogo de Florença.

Redenção?

Ronaldinho voltou a marcar.

Um belo gol.

Testada firme. No ângulo. Ao melhor estilo Dadá, cabeça no peito…

E um gol importante.

1 X 0. E contra a Inter.

Será a redenção do craque que há tempos não jogava?

Ou apenas um lampejo…

Bom, uma coisa não dá pra negar.

A alegria de Ronaldinho ao voltar a marcar.