Adjetivando o substantivo

Não se trata de aula de gramática, o assunto é futebol, mais precisamente Lionel Messi.

Há quase 4 meses eu não escrevia no Ópio, mas hoje não pude me calar, não depois do que vi o argentino fazer no Camp Nou.

4 gols que o igualam a Rivaldo, maior artilheiro azul e grená em competições européias. 4 gols que o tornaram o 8º maior artilheiro em jogos oficiais de toda história do Barça, deixando pra trás duas lendas, o búlgaro Hristo Stoichkov e o catalão Josep Escolá, mito dos anos 30 e 40 do século passado.

Aqui no Ópio já chamei Messi de gênio, craque, monstro e até Deus um dia ousei. Mas confesso que hoje me faltam palavras, me faltam adjetivos.

Os adjetivos não se enquadram mais a Messi, não há o que dizer. Somente o som cru das palmas se chocando, do coração palpitando a cada drible, a cada passe, a cada gol.

Messi não pode mais ser chamado de craque, de gênio, de monstro. Como seus compatriotas Piazzolla, Borges e Cortázar, ele extrapolou… tornou-se maior que sua própria arte, maior que qualquer adjetivo.

Messi é o melhor, é simplesmente Messi.

Caricatura: André Fidusi