Sem desculpas

Não me venham dizer que isso é coisa do jogo. A falta é do jogo, a briga é do jogo, racismo e cusparadas não.

Não me venham dizer que ele foi agredido, pois para isto existe a outra face. E se o revide é inevitável, como manda o ensinamento da vó, é dado na mesma moeda.

Não me venham dizer que o futebol é um mundo à parte. Não é. O futebol faz parte da nossa sociedade, está inserido em nossa cultura, nada de à parte.

Sem desculpas para Danilo.

Se o zagueiro palmeirense – antes de cuspir e ofender – foi agredido por Manoel, esta é outra história que deveria ter sido cuidada pelo árbitro da partida e se não foi, que fique por conta do STJD.

o que fez Danilo é caso de polícia, de algema. O crime de racismo está previsto no código penal brasileiro

1) Constituição Federal de 1988:
“Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…)
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;”

2) Código Penal, artigo 140:
“Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem:
Pena: reclusão de um a três anos e multa.”(inserido pela Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997).”

Infelizmente, na esfera criminal a coisa já foi aliviada e como quase sempre acontece Danilo deve responder a processo por Injúria Racial, crime mais brando que o de Racismo que é inafiançavel e imprescritível.

Já a justiça esportiva deve ser mais dura com o valentão alvi verde. Pode pegar 22 jogos de suspensão, sem falar na multa que pode chegar aos 100 mil reais. É pouco pelo que ele fez.

E antes que me chamem de xiita, radical ou qualquer outra coisa, reafirmo, é pouco.

Danilo desceu ao patamar mais baixo a que um homem pode chegar. Humilhou, desumanizou um companheiro de profissão e, pior, um garoto que ele viu subir da base do Furacão.

Danilo não cuspiu em Manoel, cuspiu em todos nós.

Ao chamar Manoel de macaco não ofendeu apenas o jovem e promissor zagueiro do Atlético Paranense, mas toda sociedade que ainda é obrigada a conviver com este tipo de coisa.

Porque o racismo não é um problema dos negros, é um problema de todos.

Por isto, sem desculpas para Danilo.

Imagem: Um tiro no escuro
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Maxi López X Barbie

Aproveitando a deixa do jogo de ontem, onde Maxi López foi o destaque negativo ao chamar Elicarlos de macaco, aí vai um Cara de Um Fucinho do Outro que já estava guardado há muito tempo.

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E pra você, Máxi se parece mesmo com a quinquagenária boneca Barbie?

Sobre a acusação na partida de ontem, mais do que acreditar no Elicarlos, confio na indignada reação do meia Wágner que saiu em defesa do seu companheiro.

Wágner passava perto dos dois e de repente saiu como um louco pra cima do Maxi. E, como você pode ver no vídeo abaixo,  seus gestos foram bem nítidos

Ponto positivo pro meia cruzeirense e negativo para o atacante gremista que, além de se enrolar com a bola no pé mostrou que também não é nada bom da cabeça!

E antes que atirem pedras, Maxi López carrega o apelido de Barbie desde os tempos de River Plate, clube que o revelou para o futebol.

Imagens: Fashion Gazette e Goal Videoz

Uma lembrança sobre malas…

malabrasilNas últimas rodadas deste Brasileirão, como acontece em todos os anos, reapareceu no meio da bola a figura assombrosa do homem da mala. Aquele mesmo que todos conhecem e ninguém vê. E como acontece em todos os anos voltou à tona a velha discussão sobre a cor das malas.

Primeiramente esta história de mala preta e mala branca carrega resquícios dos tempos do chicote, do açoite. Tempos em que a dualidade do preto e do branco, do mal e do bem, era amplamente difundida pela cruz e pela espada dos donos do poder.

Por isto não tratarei aqui de cores. Quero ater-me ao assunto mala, as malas da discórdia e da hipocrisia.

Chega a ser com tristeza que vejo a defesa, quase indiscriminada, do incentivo financeiro para que times vençam suas partidas. Primeiro pela coisa em si, que vai contra qualquer definição de esporte que se possa imaginar. Qualquer time, qualquer jogador deve entrar em campo pra vencer. Se não for assim não tem sentido, assim como não tem sentido pagar um extra para que façam isto.

Também não vou falar de moral. Este é um conceito individual demais para que tratemos de forma genérica.  A Moral, como nos ensinaram os gregos, é uma construção pessoal. Cada um tem a sua e vive com ela como quer ou como pode. E o que me interessa não é o indivíduo separado, mas o que engloba o coletivo.

Pensemos nas malas do ponto de vista da ética, da legalidade, conceitos que se encaixam no todo, na discussão do que chamamos sociedade. E se partirmos deste pressuposto não existe espaço pra malas brancas ou pretas, destinadas a comprar vitórias ou derrotas.

maladollarO argumento de que a mala do bem não faz mal é superficial demais e legitima a ultrapassada teoria maquiavélica de que os fins justificam os meios. Pagar – por baixo dos panos – pra perder nem pensar, mas pra vencer pode. Ou seja, se o fim é, teoricamente, bom, então podemos passar por cima do acordo social chamado ética… e está tudo bem. Acho que a história moderna da humanidade mostra que este conceito é, no mínimo, equivocado, além de ter servido para legitimar atrocidades de todos os fins.

Algumas perguntas também podem nos ajudar com a questão: Dinheiro sem origem é ilegal? Injetar dinheiro sem origem na economia formal é lavar dinheiro? O homem da mala leva nota? E os incentivos financeiros são lançados nos balanços dos clubes que os enviam?

Se estas perguntas não têm importância então tudo bem, vamos chamar o Kia Joorabchian de volta! Aproveitamos e pedimos a ele que traga a russaiada toda, os russos e todos os demais que queiram lavar seu sujo dinheirinho aqui. Nossa lavanderia será a maior do mundo!

É impressionante como nossa memória é curta. Faz pouco mais de 3 anos que malas e cuecas cheias de dinheiro pipocaram na mídia como pivôs de um dos maiores escândalos políticos do Brasil.

Aos poucos as manchetes foram cessando, a indignação foi passando e o povo se esquecendo. Assim fazemos. Primeiro nos calamos, depois fechamos os olhos. E deixamos que o tempo cumpra seu papel de apagar o que não queremos ver.

O vento só não apaga a história, embora a gente teime em esquecê-la.

 

O Príncipe – Nicolau Maquiavel

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Lippi gravará DVD contra Racismo

O técnico da Seleção Italiana de Futebol, Marcelo Lippi, participará de uma campanha contra o racismo.

Juntamente com outras celebridades italianas, o treinador gravará um DVD que será exibido nas escolas do país.

No DVD, Lippi interpretará um texto sobre o holocausto da Segunda Guerra.

Recentemente o técnico foi duramente criticado pela convocação do brasileiro Fabiano Santacroce, do Napoli.

O zagueiro ítalo-brasileiro foi o segundo jogador negro a vestir a camisa da Azzurra.

O primeiro foi o meia Fabio Liverani, hoje no Palermo.