Argentina Hahaha!

Hoje François Omam-Biyik completa 43 anos de idade. Mas quem é Omam-Biyik? O vídeo abaixo mostra um pouco do atacante camaronês que passou pelo futebol mexicano nos anos 90.

Omam-Biyik foi o protagonista de partida inaugural da Copa do Mundo da Itália, em 1990. Camarões ecandalizou o mundo ao bater a poderosa Argentina, campeã da Copa de 86 no México.

Camarões já havia surpreendido o mundo ao empatar com a Itália na Copa de 82, mas eu só tinha um ano. Em 90 eu já tinha 9 e fiquei encantado com aquele time de roupas tão coloridas e futebol tão ofensivo, bonito.

A zebra africana provocou uma cena que sou incapaz de me esquecer. Não por ter sido importante, crucial, nada disto. É destas coisas que nos marcam sem um motivo muito nítido, uma cena mundana, cotidiana. Da qual, pelos meandros indecifráveis do nosso subconsciente, não podemos nos separar.

Como já disse eu tinha 9 anos e estudava no Instituto de Educação de Minas Gerais, ou na Escola Estadual Luiz Peçanha, como nossas professoras gostavam que escrevêsemos. E como na maioria da escolas públicas do país, podíamos assistir aos jogos do Mundial, afinal, é de 4 em 4 anos

Eu assistia o jogo com os olhos enfeitiçados pelas cores da África. Sem saber eu me via naqueles jogadores, na união que eu nem imaginava representar o verde, o amarelo e o vermelho.

E de repente aquele gol. Omam-Biyik subiu como um beija flor, como um Dadá Maravilha. Subiu mais alto que o topo do mundo e ali ficou parado por segundos que me pareceram horas. A cabeçada foi fraca, no meio da baliza. Mas não tinha jeito, tinha que ser gol. Obrigado Pumpido!

E então veio a cena. Dezenas de crianças em fila indiana, meninos e meninas gritando, cantando em alto e uníssono som: Argentina Hahaha, Argentina hahaha! Lembro-me da cena como se fose hoje, inclusive Marcelo Pirelli, o grande capitão – sem comparações a Obdulio, pois a este ninguém se compara – fazia parte do coro, embora não acredite que ele se lembre disto.

crianças memoria afetiva copa de 90 omam_biyik

Como já expliquei, não sei porque esta cena me marcou tanto. Talvez pela descoberta da beleza do futebol que convida ao lúdico e permite molecagens de dar inveja a qualquer Saci. Talvez pela descoberta das cores, da África unida nesta trilogia cromática. Talvez tenha sido aí que reconheci, pela primeira vez, minhas raízes.

Imagens Originais: Mercado Ético e FFFFound
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Onde está Adriano?

wheres waldo adriano imperador

Imagens da Val Prochnow! Veja também o outro blog da menina.

Após a partida da seleção em Porto Alegre na última quarta, Adriano saiu correndo dizendo que tinha que tomar um avião no Rio rumo a Milão.  

Não tomou. Em lugar disto foi pro Morro da Chatuba, lugar onde nasceu e passou toda a infância. E onde moram boa parte de seus amigos, talvez os únicos verdadeiros.

Nada mais normal para uma pessoa que esteja passando por uma fase de turbulência. Buscar refúgio em suas raízes, em suas origens. Onde se sente mais cômodo, mais identificado, a famosa zona de conforto.

Adriano passou 5 dias no complexo da Chatuba (reapareceu na noite de ontem), não se reapresentou à Inter e serviu de substrato para toda espécie de especulações na imprensa mundial.

Festa com traficantes, sequestro, amor bandido na favela, drogas e álcool são só algumas das suposições levantadas pela mídia, especialmente a brasileira e a italiana.

No decorrer do episódio o empresário do jogador, Gilmar Rinaldi, parecia uma máquina de dizer não. Durante estes dias só desmentiu tudo que aparecia, inclusive que Adriano estivesse na Chatuba. Era não não não, pra tudo. E os boatos seguiram, e seguem, pipocando.

No caso Adriano eu fico com José Mourinho, treinador da Inter de Milão. Em entrevista coletiva no início da semana o português pediu calma aos abutres, prontos para devorar os restos do atacante.

Em relação ao Adriano, não se trata mais de indisciplina. A questão parece ser bem mais séria. E não é de hoje que digo isto.

O que está em risco não é mais a carreira do suposto Imperador, mas a vida do Adriano.

wally adriano