A boa lista do Mano

Mano Menezes fez sua primeira convocação à frente da Seleção Brasileira. E surpreendeu, pelo menos àqueles que esperavam uma lista com Dentinho, Chicão, Elias e Roberto Carlos, todos atletas do Corinthians. O único jogador do Timão na convocação foi o volante Jucilei, o que me pareceu uma boa surpresa.

O time que encabeçou a lista foi o Santos com 4 jogadores, Robinho, Neymar, Ganso e André. O volante Arouca foi a ausência santista mais sentida. Pelo menos eu queria vê-lo vestindo a amarelinha.

Já que a palavra de ordem é renovar, dos 24 convocados 7 têm idade olímpica. Pato (Milan), Ganso (Santos) e Rafael (Manchester United) com 20 anos, Neymar (Santos) com 18, Sandro (Internacional) com 21, André (Santos) e o goleiro Renan (Avaí) com 19. Sangue novo na seleção que tem média de idade de 23,1 anos.

De forma geral gostei muito da convocação. Algumas lembranças são bem interessantes, como o zagueiro David Luiz (Benfica), o volante Jucilei (Corinthians), o lateral Rafael (Manchester United) e o jovem goleiro Renan (Avaí). Os retornos de Lucas (Liverpool), Pato (Milan), Hernanes (São Paulo) e Marcelo (Real Madrid) são excelentes, estes jogadores nunca deveriam ter sido afastados da seleção e, ao meu entender, deveriam ter ido à África do Sul. A esperada convocação de Paulo Henrique Ganso (Santos) também foi outro ponto positivo da lista do Mano. Quando leu o nome do meia paraense, o novo técnico da Seleção até soltou um sorrisinho maroto, como quem dissesse esse é o cara!

De negativo poucos nomes. Eu particularmente não gosto dos laterais Daniel Alves (Barcelona) e André Santos (Fenerbahçe), embora entenda a convocação dos dois. Na minha lista também não estariam os zagueiros Henrique (Racing Santander) e Réver (Galo), acho que temos muitos zagueiros na frente deles, por exemplo Alex Silva (São Paulo), Miranda (São Paulo) e Leonardo Silva (Cruzeiro). Agora o que não entendi mesmo foi a convocação do goleiro Jéfferson (Botafogo) e do meia Éderson (Lyon). Jéfferson é bem fraquinho, inconstante, e até hoje não aprendeu a pegar falta. Já Éderson nunca se firmou no Lyon e nem mesmo no Fenerbahçe, não o vejo com bola suficiente pra vestir a camisa da seleção.

Outra coisa que vale ressaltar é a qualidade dos volantes, algo tão essencial no futebol moderno onde atacantes e meias não têm espaço e tempo nem para pensar. Hoje os volantes ganharam grande importância, sendo quase sempre os responsáveis pela organização do jogo. Mano só chamou volantes que sabem jogar. Ramires (Benfica), Lucas (Liverpool), Sandro (Internacional), Jucilei (Corinthians) e Hernanes (São Paulo) marcam, mas também gostam da bola e saem muito bem para o jogo.

Dia 10 de agosto este grupo entra em campo no amistoso contra o Estados Unidos, em Nova Jersey. Será o início da Era Mano Menezes à frente da seleção. Não sei se é pelo alívio do fim do dunguismo ou se pela boa primeira convocação do Mano, mas a expectativa é das melhores para os próximos anos!

Os 24 do Mano

Goleiros
Jéfferson (Botafogo), Renan (Avaí) e Víctor (Grêmio).

Laterais
Daniel Alves (Barcelona), Rafael (Manchester United), André Santos (Fenerbahçe) e Marcelo (Real Madrid).

Zagueiros
David Luiz (Benfica), Thiago Silva (Milan), Henrique (Racing Santander) e Réver (Galo).

Volantes e Meias
Ramires (Benfica), Jucilei (Corinthians), Lucas (Liverpool), Hernanes (São Paulo), Sandro (Internacional), Ganso (Santos), Éderson (Lyon) e Carlos Eduardo (Hoffenheim).

Atacantes
Neymar (Santos), André (Santos), Robinho (Santos), Pato (Milan) e Diego Tardelli (Galo).

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Perdeu a chance…

Ramires substituiu Felipe Melo na partida contra o Chile, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

E o volante do Benfica entrou bem demais na partida! Desarmou, protegeu a zaga, cobriu a lateral esquerda com perfeição, foi pro jogo, agregou muita qualidade à saída de bola brasileira e ainda, de quebra, em uma jogada maravilhosa e de muita personalidade deu a assistência para o gol de Robinho, tento que sacramentou a vitória por 3 X 0.

Ramires fez um jogo pra virar titular da Seleção. E acredito que viraria, caso não tivesse cometido o deslize de fazer uma falta dura e boba em cima de Alexis Sanches no meio de campo.

A infração rendeu a Ramires um cartão, o segundo amarelo que tira o volante do confronto contra o Holanda pelas quartas de final.

Uma pena, acho que Ramires perdeu a chance de virar titular no time do Dunga.

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E agora é preocupação para os torcedores da Seleção Canarinho que pode ter Felipe Melo novamente entre os 11 titulares, isto caso ele se recupere da lesão sofrida no jogo contra Portugal.

Vídeo: Globo

Os acertos do Dunga

O Brasil passou com facilidade pelo Chile nas oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul, 3 X 0, gols de Juan, Luis Fabiano e Robinho, o último após belíssima jogada de Ramires.

A entrada do jogador do Benfica no time é um dos acertos do técnico da Seleção Brasileira na partida contra os chilenos. Depois de colocar Josué no lugar de Felipe Melo no jogo contra Portugal, Dunga optou por Ramires no confronto de ontem. E não poderia ter tomado decisão mais acertada.

Embora o técnico anão já tenha declarado diversas vezes que pra ele Ramires é meia, o ex jogador do Cruzeiro entrou no time como segundo volanteposição que há muito tempo defendo que é onde ele rende mais – e tomou conta do meio de campo da seleção.

Com Ramires, o time ficou mais leve, ganhou em mobilidade e velocidade,  melhorou a saída de bola – defeito crônico desta seleção – e ficou bem mais agressivo. Até Gilberto Silva, companheiro na proteção à zaga, subiu de produção ao lado do volante do Benfica, acertando mais passes e até arriscando eventuais subidas ao ataque.

Pra mim, Ramires foi o melhor jogador da partida e Dunga merece o elogio por sua escalação.

Outro mérito do técnico anão foi colocar Gilberto na lateral esquerda e empurrar Michel Bastos para o meio. A substituição poderia ter sido feita da forma mais simples – colocando o jogador do Cruzeiro no meio, onde geralmente atua, e mantendo o atleta do Lyon na lateral esquerda – mas Dunga teve a sensibilidade fazer o contrário e assim testar Gilberto na lateral e dar poucos minutos para Michel Bastos atuar onde está mais acostumado.

Dois acertos incontestáveis do já não tão contestado Dunga.

Imagem: Fifa

Com surpresa e sem brilho

Na última terça feira, 11 de maio, Dunga convocou a Seleção Brasileira que disputará a próxima Copa do Mundo, na África do Sul.

Teve surpresa, pelo menos pra mim. Gomes (Tottenham) entrou na vaga de Víctor (Grêmio) e Adriano (Flamengo) perdeu o lugar para Grafite (Wolfsburg).

Estas duas mudanças me surpreenderam, não pelo aspecto técnico. Gomes merece, e muito, a convocação. Fez uma temporada muito boa com o Tottenham que conseguiu a classificação para a próxima Champions League, algo que não acontecia há 49 anos.

A convocação do Grafite eu já defendo faz algum tempo. Um jogador que consegue mesclar força e velocidade, e que tem faro de gol. Mas acho que seu melhor momento já passou. Na temporada passada, quando Grafite destruiu levando o Wolfsburg ao título da Bundesliga e de quebra foi o artilheiro da competição, ele não teve sua chance. Mas depois de uma temporada sem muito brilho, a atual, Grafite garantiu seu lugar na Copa. Vai entender né?

As surpresas aconteceram, mas não foram as que eu e muita gente esperava. As mudanças pouco alteraram e continuamos com um time sem brilho, sem magia. A Seleção Brasileira mais alemã de todos os tempos.

Os 23 de Dunga

Goleiros

Julio César (Inter de Milão), Gomes (Tottenham), Doni (Roma)

Laterais

Maicon (Inter de Milão), Daniel Alves (Barcelona), Michel Bastos (Lyon), Gilberto (Cruzeiro)

Zagueiros

Lúcio (Inter de Milão), Juan (Roma), Luisão (Benfica), Thiago Silva (Milan)

Meio-Campistas

Felipe Melo (Juventus), Gilberto Silva (Panathinaikos), Ramires (Benfica), Elano (Galatasaray), Kaká (Real Madrid), Josué (Wolfsburg), Júlio Baptista (Roma), Kléberson (Flamengo)

Atacantes

Robinho (Santos), Luis Fabiano (Sevilla), Nilmar (Villarreal), Grafite (Wolfsburg)

Pra mim, as grandes ausências da convocação do Dunga são Ronaldinho Gaúcho (Milan), Neymar (Santos) e principalmente a dupla avícola Ganso (Santos) e Pato (Milan). E entre os convocados, os que menos entendo são Doni, Josué, Michel Bastos, Kléberson, Felipe Melo e Gilberto.

Boa convocação!

Dunga convocou nesta terça, dia 27 de outubro, a seleção brasileira que enfrentará Inglaterra e Omã em amistosos nos dias 14 e 18 de novembro respectivamente.

O duelo contra o English Team acontece em Doha no Catar. Já a partida contra Omã será realizada na casa dos adversários da península arábica, na capital Mascate.

Sem poder contar com jogadores que atuam no futebol brasileiro, Dunga convocou 4 surpresas para os jogos na Ásia. O lateral Fábio Aurélio (Liverpool), os meias Carlos Eduardo (Hoffenheim) e Michel Bastos (Lyon) – este último se for utilizado deverá jogar na lateral esquerda, sua posição de origem – e o atacante Hulk do Porto.

Das novidades, acho que Fábio Aurélio há muito já fazia por merecer esta chance e a convocação do Michel Bastos também é muito válida, ele começou a temporada muito bem no Lyon, é um jogador rápido, versátil e moderno. Já Carlos Eduardo e Hulk eu não convocaria. O primeiro é um bom jogador, mas em sua posição temos nomes melhores, Diego da Juventus por exemplo. Já o Hulk vale pelo nome! É um jogador muito forte e tal, mas pra mim não tem bola pra jogar na seleção. No último campeonato português ele marcou 8 gols, na edição deste ano fez 1 e na Champions da atual temporada marcou outros 2; números bem modestos pra um centroavante de referência. Eu preferia ver o Grafite do Wolfsburg ou o Alexandre Pato do Milan.

Mas enfim, em seu todo a convocação é coerente e, de uma forma geral, podemos dizer que é boa.

Abaixo, a lista dos 24 convocados:

Goleiros

Júlio César (Inter de Milão)
Doni (Roma)

Zagueiros

Juan (Roma)
Lúcio (Inter de Milão)
Luisão (Benfica)
Naldo (Werder Bremen)

Laterais

Maicon (Inter de Milão)
Daniel Alves (Barcelona)
Fábio Aurélio (Liverpool)
Michel Bastos (Lyon)

Meio-campistas

Gilberto Silva (Panathinaikos)
Felipe Mello (Juventus)
Josué (Wolfsburg)
Lucas (Liverpool)
Alex (Spartak Moscou)
Ramires (Benfica)
Elano (Galatasaray)
Kaká (Real Madrid)
Júlio Baptista (Roma)
Carlos Eduardo (Hoffenheim)

Atacantes

Luís Fabiano (Sevilla)
Robinho (Manchester City)
Nilmar (Villarreal)
Hulk (Porto)

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Zangado é um dos 7 anões da Branca de Neve e mesmo do Reino da Fantasia é o colunista especial do Ópio do Povo para assuntos da seleção brasileira.

Imagem: Grumy Git

Noite de bruxas e um silêncio azul

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O Estudiantes conseguiu o que pouca gente acreditava, bateu o Cruzeiro no Mineirão e sagrou-se, pela quarta vez, campeão da Copa Libertadores.

Sob a batuta de Juan Sebastian Verónla Brujita – o time pincharrata jogou como um legítimo campeão.

Time por time, até acho o Cruzeiro ligeiramente superior. Mas também não tenho dúvidas que nas duas partidas finais o Estudiantes foi melhor. Em La Plata sufocou o Cruzeiro que se salvou graças à atuação perfeita do goleiro Fábio e só ameaçou nos últimos 10 minutos de jogo. Já na decisão do Mineirão, o Estudiantes encontrou muito espaço nos contra ataques e o time celeste não conseguiu sufocar os argentinos como eles fizeram em La Plata.

Então, levando-se em conta os dois jogos finais não tem como negar, o título ficou em ótimas mãos.

A china azul lotou o Gigante da Pampulha, mas com o passar do tempo e o aumento da tensão foi se calando e o time sentiu a falta do tão falado 12º jogador.

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Dentro de campo o jogo foi como queria o Estudiantes. Trancado, truncado, parado.

O Cruzeiro não conseguia ultrapassar as duas linhas de 4 armadas pelo treinador Alejandro Sabella e não ameaçava o goleiro Andújar. Já nos contra ataques, Gastón Fernández e Mauro Boselli levavam perigo ao gol de Fábio, embora faltasse um pouco de capricho nas finalizações.

veron_beija_a_taçaO gol de Henrique, aos 7 do segundo tempo, poderia ter mudado o jogo. Mas foi aí que o Estudiantes se apresentou como um verdadeiro campeão. E foi aí que apareceu a bruxa, o maestro argentino, Verón.

O time argentino não sentiu o golpe. 4 minutos depois do gol cruzeirense la brujita – que foi o jogador que mais roubou bolas na partida, 7 ao todo – recebeu um passe na esquerda, levou para o meio sem ser incomodado e encontrou Cellay livre livre na ponta direita. O cabeludo cruzou fechado e dentro da pequena área Gastón Fernández só empurrou para as redes.

Após o empate o Estudiantes tomou conta da partida e parecia jogar em La Plata. A torcida cruzeirense emudeceu por completo e dentro de campo o time se perdeu.

Aos 27 minutos Boselli marcou o gol da virada. O gol que lhe garantiu a artilharia da competição (8 gols) e assegurou a 4ª Copa Libertadores da história do Estudiantes.

Na base do abafa o Cruzeiro ainda tentou empatar, até meteu uma bola na trave, mas nada de gol.

Não acredito que houve oba oba por parte do time cruzeirense. O Adílson me parece sério e centrado demais pra deixar que o grupo se contaminasse pelo clima de já ganhou. Pra mim o Estudiantes venceu na bola mesmo, nem essa de catimba argentina cola.

Oba oba houve, e disto não há dúvida, nos órgãos de imprensa que levam a sério a história do É o Brasil na Libertadores. Mas o bairrismo profissional de Globo, Sportv e afins também já não surpreende ninguém.

Com soberba e salto alto ou não, deu Estudiantes na final da Libertadores.

Noite de bruxas e um silêncio azul no Mineirão…

O famoso gol de Juan Ramón Verón contra o Manchester United no Mundial de 68. O gol da Bruja, pai da Brujita, valeu o título intercontinetal aos Pinchas.

O famoso gol de Juan Ramón Verón contra o Manchester United no Mundial de 68. O gol da Bruja, pai da Brujita, valeu o título intercontinetal aos Pinchas.

Imagem Original: Notas de FútbolSuperesportes e Sport Vintage
Efeito: Picnik

Inventando Soluções

Adilson_dias_Batista luzesAdílson Batista continua dando suas estocadas na imprensa mineira.

Ontem, após a vitória por 3 X 1 sobre o Grêmio pela semifinal da Libertadores, foi a vez do repórter global Josino Ribeiro receber seu afago.

Quando perguntado se poderia repetir a formação do Mineirão no jogo da volta em Porto Alegre, Adílson não hesitou e cheio de ironia respondeu:

Não sei, eu posso inventar. Eu gosto de inventar, né?

Sinceramente, eu gosto da acidez do treinador cruzeirense.

Talvez o pessoal de fora de Minas não saiba, mas no ano passado a imprensa esportiva mineira realizou uma verdadeira cruzada contra Adílson Batista.

Cientista maluco professor Pardal foram só alguns dos adjetivos repetitivamente utilizados por Itatiaia, Globo Minas, TV Alterosa, Diários Associados e companhia.

Adílson é um técnico moderno, que não se acomoda. Incansável e super trabalhador, está sempre buscando novas opções de jogo para sua equipe, novas possibilidades pra este esporte em constante mutação.

O que os respeitáveis órgãos de imprensa chamam de invencionice são estratégias armadas com a finalidade de surpreender e neutralizar os adversários. Assim o fez ontem, assim o fez nas quartas de final quando o Cruzeiro deu um verdadeiro chocolate no tri campeão brasileiro, o São Paulo.

Contra o Grêmio por exemplo, Adílson tinha um mundo de problemas. Ramires na seleção, Léo Fortunato, Thiago Ribeiro, Soares, Sorín, Fernandinho, Athirson, Gérson Magrão e  Fabrício machucados, sem falar em Thiago Heleno que jogou meia bomba, também contundido. Com certeza estou esquecendo algum desfalque, mas só estes aí bastam né?

Mas aí ninguém fala que ele teve que se virar e encontrar, ou seria inventar, uma solução.

Adílson é um excelente treinador, um dos melhores trabalhando no Brasil atualmente. Um cara que entende que hoje, pra se ter um time campeão,  é preciso ser  versátil, proporcionar variações táticas capazes de surpreender e confundir os adversários.

Mas mesmo assim tenho a certeza, assim como aposto que ele também, que na próxima derrota as comparações com o simpático personagem de Carl Barks voltarão.

Vida de treinador.

Imagem: Mensagens Virtuais