Seleção inglesa na internet e nos cinemas

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Ucrânia e Inglaterra se enfrentam neste sábado, dia 10, pelas eliminatórias pra Copa do Mundo de 2010.

A partida acontece na cidade de Dnepropetrovsk (Ucrânia), mas os ingleses não poderão assistir à sua seleção pela TV.

A Perform – empresa que assumiu os direitos de transmissão das partidas do English Team após a falência da Setanta, antiga detentora – não chegou a um acordo com os canais de TV britânicos.

Como o jogo pouco vale para a Inglaterra que já assegurou sua vaga na África do Sul, os valores propostos pelas televisões foi reduzido em 40% se comparado à ultima partida dos ingleses nas eliminatórias, o 5 X 0 contra a Croácia que garantiu a classificação.

royal_cinema-vintage_movie_theatre-cinema_antigoDescontente com a proposta, a Perform se negou a vender o jogo para a TV e a partida será transmitida apenas na internet e nos cinemas britânicos da rede Odeon.

Assistir o jogo pela rede custará 4,9 libras, mas o acesso é restrito ao Reino Unido. Clique aqui e confira. Já para ver o English Team nas telonas o valor é de 12 libras.

Parece que no sábado os torcedores ingleses terão que trocar a cervejinha do pub pela pipoca das salas de cinema.

Nós, do lado de cá do atlântico, poderemos acompanhar a partida ao vivo na ESPN Brasil, a transmissão começa a uma da tarde. Se a Ucrânia vencer a Inglaterra ultrapassa a Croácia na tábua de classificação e o time de Andriy Shevchenko só precisará vencer a inexpressiva Andorra para ir à repescagem européia.

Imagens: Peopleware e Blog do Inácio Araújo
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Se você recebe um cálice de vinho, você o prova, depois pergunta de onde vem. O mesmo vale para um jogador de futebol.

Arsène Wenger, se defendendo das acusações de não escalar britânicos no tradicional Arsenal de Londres

Quando Deus te olha de perto…

A Cultura Católica se baseia na doutrina do medo.

Nascemos pecadores, culpados. E crescemos sob o julgamento de uma divindade irada.

Deus de dilúvios e pragas. Sempre pronto a punir, a castigar.

Um Deus controlador e egocêntrico, capaz de jogar o próprio filho aos leões só para provar que estava certo. Impiedoso.

E assim floresceu e cresceu a civilização católica. Temente, obediente. E mesmo assim vez ou outra castigada.

Quando Maradona foi anunciado como novo treinador da Seleção Argentina de Futebol choveram críticas e pedradas. O próprio Ópio do Povo deu sua cutucada, dizendo sentir um cheiro de tango e tragédia no ar.

Mas uma coisa os críticos se esqueceram de levar em conta. O anúncio de Maradona como treinador da Alvi-Celeste vai muito além do folclore que, daqui, podemos ver.

Colocá-lo no cargo de treinador da seleção nacional é uma tentativa de resgate daquilo que todos nós, brasileiros, reclamamos em nosso escrete canarinho. Amor à camisa.

O eterno 10 não é simplesmente um baixinho destemperado e polêmico, para os hermanos Maradona é Deus. E que não venham aqui criticar a postura do povo argentino porque cada um acredita em seu Deus como ele é.

Divindades com cabeças de elefantes, raposas, Deuses etéreos e sem corpos, tudo isso e muito mais é cultuado mundo afora. Então por que Maradona não pode ser Deus? Nem que seja pra alguns poucos loucos – espalhados pela Argentina, pelo sul da Itália ou pelo Reino Unido resistente ao Império da Rainha – ele pode.

E para os jogadores argentinos Maradona é mesmo um Deus.

A geração de Riquelme viu a Copa de 86. E viu com olhos infantis, tão propícios a criação de Deuses e Heróis. Esses jogadores que – para cima ou para baixo – beiram os 30 anos acompanharam as diabruras de Maradona no México e em Nápoles. E com certeza não se esqueceram do 10, nem de la Mano de Dios.

Já a geração de Messi, Aguero e Gago não viu Maradona em seu auge. Eles cresceram ouvindo as histórias de Diego e puderam ver o último suspiro do gênio, o mundial de 94. Crianças, também puderam construir o mito do Diego imbatível, derrubado apenas pelos engravatados da Fifa.

Maradona, como um Deus, já cobrou de seus rebentos: Vocês terão que jogar pelo país e por mim! E todos responderam afirmativamente.

Nos poucos treinamentos desta semana notou-se um brilho de fascínio e admiração nos olhos dos jogadores argentinos. Eles não olham Maradona como um treinador, como um comum. Diego é mesmo Deus.

A Federação Argentina busca com Maradona resgatar o velho e esquecido amor à camisa. É a tentativa de despertar interesse e incutir responsabilidades em jogadores milionários, mundialmente famosos e adorados.

A idéia é que com Deus tão perto os jogadores – tementes e crentes – se doem mais, se entreguem de corpo e alma às cores da nação.

O resgate de valores perdidos e massacrados pela sociedade moderna é algo a ser louvado, mas não sei se a doutrina do medo – consagrada pelo império cristão – funciona no mundo quase pagão do futebol.

O certo é que o time argentino é o mais talentoso dos últimos tempos, aliás, é o mais talentoso do pós-Maradona.

Vamos ver se com Deus no comando todo talento poderá ser desfrutado por nós, pobres mortais.

Buena Suerte al Diez!

Como o Futebol Explica o Mundo

como o futebol explica o mundoFranklin Foer é um estado unidense apaixonado por futebol. 

Jornalista político renomado, Foer sempre foi um craque das palavras.

Com a bola no pé nunca passou de um grande perna de pau, como ele mesmo descreve no já delicioso prólogo de seu livro  

Como o Futebol Explica o Mundo – Um Inesperado Olhar Sobre a Globalização.

O livro é simplesmente sensacional. Fala do futebol como o Ópio o concebe. Muito mais que um esporte.

Foer viajou por Brasil, Itália, Irã, Bósnia, Sérvia, Espanha, Holanda, Reino Unido, Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.

O livro conquista quem gosta e quem não gosta do esporte mais popular do mundo.

E é ótimo para acabar com preconceitos.

Porque nele o futebol é apenas um instrumento para que Foer fale do mundo, do choque entre o moderno e o antigo, entre o local e o global. 

O livro fala de sociedade, violência, religião, modernidade, globalização.

Mostra que o futebol transcende o esporte e é capaz de pacificar guerras, conflagrar conflitos e revoluções.

A obra de Foer disseca o macro e o micro, revela personagens insólitos, possíveis apenas nesta loucura chamada realidade.

Um hooligan choroso, um negro nos Cárpatos, um fanático que crê que a vitória em campo é a vitória de seu Deus.

Obra Prima!

Quem lê em inglês pode ler na net!