Que saudades do Eto’o

Ontem, a Inter de Milão, jogando em casa, bateu o Barcelona por 3 X 1 e deu um grande passo para chegar à final Champions, algo que não consegue desde 1972, quando os italianos foram derrotados por 2 X0 pelo histórico time do Ajax (Holanda), tri campeão europeu em 71, 72 e 73.

Mas o que mais doeu ontem não foi a derrota, foi ver Samuel Eto’o esbanjando vontade e categoria pelo lado interista.

Eu sei que Milito fez um gol e deu duas assistências, que Sneijder marcou um e deu o passe para o outro e que Thiago Motta roubou duas bolas que resultaram em tentos para os italianos. Eu sei disto tudo, mas mesmo assim, pra mim, o homem do jogo foi Samuel Eto’o.

Ele não fez gol e não deu assistência, pelo menos não diretamente, mas jogou demais!

Do pé do camaronês saiu o passe para Milito rolar pra Sneijder empatar a partida. E do pé dele saiu o cruzamento para a cabeçada de Sneijder que resultou no gol impedido de Diego Milito. Sem falar que no segundo gol, quem puxou toda a defesa para Maicon entrar livre e marcar foi Eto’o.

O ex centroavante do Barça – que tem 2 títulos de Champions com o time catalão, e marcando nas duas finais – ainda ajudou muito na marcação, combatendo os avanços de Maxwell e Keita pelo lado direito da defesa italiana.

Eto’o vem mostrando que além muito talento, também é capaz de jogar taticamente em função do time, um jogador completo.

E vem fazendo falta ao Barça. Embora Ibra também seja um craque, o futebol de Samuel Eto’o casa muito melhor com o estilo de jogo do time catalão. Ibra joga muito, mas Eto’o também. E o camaronês tem um futebol mais leve, mais fluente, muito mais condizente com o estilo barcelonista.

E confesso, ontem deu saudades…

Imagem: OleOle

Caim caim caim…

Pra quem não entendeu o título, caim é a onomatopéia geralmente utilizada para o choro canino, pelo menos era assim que se lamentavam Bidu e Floquinho nos áureos tempos de Turma da Mônica.

E quando vi este gol do Anderlecth contra o Roeselare, pelo campeonato belga, foi impossível não aliar a figura do goleirão Jurgen Sierens a um cachorro perdido na ensandecida busca pelo próprio rabo.

É verdade que eu ri, mas confesso que ao ver o lance acima fui tomado por uma saudade cortante. Não dos meus tempos de criança quando lia e relia as deliciosas histórias da Turma da Mônica, mas do cachorro mais louco que já me acompanhou nestes quase 29 anos de vida, Becky Betão, o cachorro doidão que só queria saber de rodar…

Sem exageros, ele rodava quase todo tempo em que estava acordado

Desenvolvi uma relação muito especial de cumplicidade com esse cachorro que esteve comigo nos últimos meses de Argentina… éramos mais que amigos, éramos irmãos… quase morremos juntos quando um carro perdeu o controle na belíssima avenida del Libertador, em San Isidro, e quase, mas quase mesmo, nos chapou contra o muro… essa foi por pouco.

Depois que voltei ao Brasil, Betão se tornou agressivo. Nem com minha amiga Justina, a única além de mim capaz de aguentar seu comportamento quase esquizofrênico, ele se deu mais. E escolheu viver sozinho, longe de todos.

Becky Betão era realmente raro. Mas era um cachorro especial. Um cachorro que só queria rodar

Imagem: Justina Parma
Canal do Youtube: simonrsca