Cala a boca Zangado!

leonidas_da_Silva - bicicletaContra a história não há argumentos e a seleção brasileira fez história na tarde deste sábado.

4 X 0 contra um cambaleante Uruguai no mítico Estádio Centenário de Montevidéu, palco onde brilharam alguns dos maiores jogadores do futebol mundial, Jose Leandro Andrade, Pedro Cea e Obdulio Varela, pra ficarmos só em 3 exemplos.

Foi a maior derrota da celeste no Centenário, batendo o 4 X 1 pra Alemanha em 1981.

E foi a 3ª vitória brasileira sobre o Uruguai no estádio que cediou a final da Copa do Mundo de 1930.

A 1ª vitória verde e amarela foi na lendária Copa Rio Branco de 1932, torneio imortalizado nas letras do mestre Mário Filho. 2 X 1 com 2 gols do Diamante Negro Leônidas da Silva que estreava com a amarelinha.

A segunda vitória brasileira no Centenário veio em 76, com mais um gol de estreante. Debut de Zico na seleção e 1 X 0 com gol dele.

A vitória histórica de hoje marcou mais uma estréia, a de Ramires, sem gol. Tomara que não seja só uma coincidência, mas um presságio de que Ramires tenha uma longa e vitoriosa história na seleção brasileira.

Como disse no início do post, contra a história não há argumentos.

Hoje não tem cornetada, calo minha boca… até quarta.

∞ Zangado é um dos 7 anões que acompanham a Branca de Neve e escreve para o Ópio do Povo quando o assunto é seleção brasileira.

Imagem: CBF
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Quando Deus te olha de perto…

A Cultura Católica se baseia na doutrina do medo.

Nascemos pecadores, culpados. E crescemos sob o julgamento de uma divindade irada.

Deus de dilúvios e pragas. Sempre pronto a punir, a castigar.

Um Deus controlador e egocêntrico, capaz de jogar o próprio filho aos leões só para provar que estava certo. Impiedoso.

E assim floresceu e cresceu a civilização católica. Temente, obediente. E mesmo assim vez ou outra castigada.

Quando Maradona foi anunciado como novo treinador da Seleção Argentina de Futebol choveram críticas e pedradas. O próprio Ópio do Povo deu sua cutucada, dizendo sentir um cheiro de tango e tragédia no ar.

Mas uma coisa os críticos se esqueceram de levar em conta. O anúncio de Maradona como treinador da Alvi-Celeste vai muito além do folclore que, daqui, podemos ver.

Colocá-lo no cargo de treinador da seleção nacional é uma tentativa de resgate daquilo que todos nós, brasileiros, reclamamos em nosso escrete canarinho. Amor à camisa.

O eterno 10 não é simplesmente um baixinho destemperado e polêmico, para os hermanos Maradona é Deus. E que não venham aqui criticar a postura do povo argentino porque cada um acredita em seu Deus como ele é.

Divindades com cabeças de elefantes, raposas, Deuses etéreos e sem corpos, tudo isso e muito mais é cultuado mundo afora. Então por que Maradona não pode ser Deus? Nem que seja pra alguns poucos loucos – espalhados pela Argentina, pelo sul da Itália ou pelo Reino Unido resistente ao Império da Rainha – ele pode.

E para os jogadores argentinos Maradona é mesmo um Deus.

A geração de Riquelme viu a Copa de 86. E viu com olhos infantis, tão propícios a criação de Deuses e Heróis. Esses jogadores que – para cima ou para baixo – beiram os 30 anos acompanharam as diabruras de Maradona no México e em Nápoles. E com certeza não se esqueceram do 10, nem de la Mano de Dios.

Já a geração de Messi, Aguero e Gago não viu Maradona em seu auge. Eles cresceram ouvindo as histórias de Diego e puderam ver o último suspiro do gênio, o mundial de 94. Crianças, também puderam construir o mito do Diego imbatível, derrubado apenas pelos engravatados da Fifa.

Maradona, como um Deus, já cobrou de seus rebentos: Vocês terão que jogar pelo país e por mim! E todos responderam afirmativamente.

Nos poucos treinamentos desta semana notou-se um brilho de fascínio e admiração nos olhos dos jogadores argentinos. Eles não olham Maradona como um treinador, como um comum. Diego é mesmo Deus.

A Federação Argentina busca com Maradona resgatar o velho e esquecido amor à camisa. É a tentativa de despertar interesse e incutir responsabilidades em jogadores milionários, mundialmente famosos e adorados.

A idéia é que com Deus tão perto os jogadores – tementes e crentes – se doem mais, se entreguem de corpo e alma às cores da nação.

O resgate de valores perdidos e massacrados pela sociedade moderna é algo a ser louvado, mas não sei se a doutrina do medo – consagrada pelo império cristão – funciona no mundo quase pagão do futebol.

O certo é que o time argentino é o mais talentoso dos últimos tempos, aliás, é o mais talentoso do pós-Maradona.

Vamos ver se com Deus no comando todo talento poderá ser desfrutado por nós, pobres mortais.

Buena Suerte al Diez!

Entre o Samba e a Tarantella

 

Mais pra Tarantella que pra Samba...

Mais pra Tarantella que pra Samba...

Quando Marcelo Lippi, treinador da Azzurra, disse a Amauri que gostaria de contar com ele na Seleção Italiana o atacante não teve dúvidas e começou o processo de naturalização.

 

Os papéis devem sair no início de 2009. Mas Amauri já não demonstra mais o mesmo entusiasmo para vestir a camisa azul tetra campeã do mundo. 

O motivo do recuo do atacante da Juventus de Turim é uma outra camisa de peso.

Uma amarelinha, com cinco estrelas no peito.

Amauri foi sondado por pessoas ligadas a Dunga. O treinador estaria disposto a convocá-lo para os primeiros jogos das Eliminatórias em 2009, contra Equador e Peru.

E o jogador balançou com a possibilidade de defender o país onde nasceu.

Acho que é um direito legítimo, mas pra mim Amauri deveria jogar na Squadra Azzurra.

De 10 anos como profissional ele jogou 8,5 na Bota, onde verdadeiramente se formou como jogador.

E tem um estilo pra lá de italiano. Um Luca Toni menos desengonçado e com a mesma facilidade de colocar a bola pra dentro.

Não questiono a qualidade de Amauri para vestir a camisa da Seleção Brasileira, sei que ele é um excelente jogador, muito forte e técnico.

Sei que ele tem muito mais bola que inúmeros jogadores que já foram convocados em tempos de Dunga e de tantos outros treinadores.

Não é um questionamento técnico como no caso do Afonso Alves, é uma questão de estilo. 

Pra mim Amauri é um excelente jogador, um goleador como poucos no futebol atual. Mas é um jogador italiano. Não de nascimento, mas em sua essência.

Seu futebol, embora altamente eficiente e competitivo, nada tem a ver com o nosso futebol. E não falo do futebolzinho mixuruco da Seleção do Anão, mas do futebol de encanto que nós brasileiros sonhamos e gostamos.

Por tanto, não tenho dúvidas quanto ao talento do Amauri.

Mas também carrego a certeza que ele está muito mais pra Paolo Rossi que pra Coutinho, que Amauri dança a Tarantella bem melhor que o samba.