O futebol agradece

Iniesta curtindo o troféu de campeão. O meia do Barça foi o autor do gol do inédito título espanhol.

A Espanha é campeã do mundo… e o futebol agradece!

A conquista espanhola mostra que a beleza não exclui a competitividade e coloca um ponto final na falácia de que para vencer uma Copa os elementos fundamentais são força, garra e brutalidade. Depois da Fúria, ninguém há de dizer que é necessário jogar feio pra ser campeão.

A Espanha venceu a Copa na África do Sul com todos os méritos. Trabalho árduo que teve início na primeira metade dos anos 90, momento em que o país ibérico descobriu e acreditou que o esporte seria capaz de mudar a nação. Desde 1999, os títulos e os bons resultados nas seleções de base se acumulam. O reflexo do trabalho sério e duradouro nas categorias inferiores apareceu no time adulto com os títulos da Euro 2008 e da Copa do Mundo de 2010.

Falando só sobre dentro do campo, também não dá pra falar que a Espanha não seja uma campeã meritória. Nas últimas 54 partidas a Fúria venceu 49, empatou 3 e só perdeu duas. No Mundial os comandados de Vicente del Bosque não começaram bem, mas cresceram ao longo da competição.

Nos 7 jogos da Copa, em 6 a Espanha teve mais que 57% de posse de bola. É o time que mais gosta de ter a gorducha nos pés, é o time que melhor a trata. Dos 7 maiores passadores do Mundial, 6 são espanhóis. O principal deles o genial Xavi Hernández que acertou nada menos que 544 passes em 669 tentados, uma eficiência de 81%. Xavi acertou 116 passes a mais que o segundo colocado, o alemão Bastian Schweinsteiger. E se engana quem acha que a Espanha só toca a bola de lado e por isto detém números tão expressivos. A efetividade do time impressiona, 81% nos passes curtos, 84% nos passes médios e 63% nos lançamentos longos.

A Espanha também mereceu porque soube ousar. Pedro, que antes do Mundial nunca havia vestido a camisa da seleção profissional, foi titular na final da Copa. Uma lição pra Dunga que se negou a chamar o Ganso porque o meia do Santos não tinha experiência com a amarelinha.

Na final não teve muita discussão. A Holanda chegou a assustar e poderia até ter vencido no tempo normal, mas a Espanha foi bem superior. Começou o jogo marcando pressão e ao longo da partida teve 57% da posse de bola. Sem muito o que fazer, os holandeses abriram a caixa de ferramentas, cometeram 28 faltas e terminaram o cotejo com um jogador expulso e 9 amarelados.

Xavi e Iniesta foram verdadeiros maestros, ditaram o ritmo e deram o compasso ao jogo. Busquets e Xabi Alonso também tiveram boas atuações, assim como a dupla de zaga Piqué e Puyol e o goleiro Iker Casillas, que salvou a Fúria em pelo menos duas oportunidades claras nos pés de Robben.

A Espanha é campeã do mundo com todos os méritos e glórias! Um time de jogadores virtuosos que consegue encantar e ser competitivo, um futebol maravilhosos e envolvente, de muito toque de bola e refinada técnica.

O futebol comemora seu novo campeão e mostra a todos que, antes de tudo, para vencer é preciso jogar bem. E parafraseando o poetinha, que me perdoem os guerreiros, mas beleza – até no futebol – é fundamental.

Imagem: Fifa

O filho do seu Iomar

thiago_alcantara barcelona-cropIbrahimovic estreou com a camisa do Barça no Troféu Joan Gamper, contra o badalado e endinheirado Manchester City. Ibra não fez gol e o Barcelona saiu de campo derrotado por 1 X 0, gol do búlgaro Martin Petrov.

Apesar da derrota, o Barça dominou toda a partida e a dupla Messi-Ibra deu algumas pequenas amostras do que poderá fazer nesta temporada.

Quem deixou ótima impressão pra torcida azul grená e para o técnico Pep Guardiola foi o jovem meia Thiago Alcântara. O garoto de apenas 18 anos atuou como gente grande, com ótima visão e distribuição de jogo, bem ao estilo de seu pai.

Thiago Alcântara é filho de Iomar do Nascimento. Ainda não sabe quem é o pai da criança?

mazinho-seleçao_brasileiraO Mazinho, campeão da Copa de 94 com o Brasil. Pros mais novos, Mazinho surgiu no Santa Cruz e alcançou grande destaque na lateral do Vasco, onde foi campeão brasileiro em 1989.

Também jogou na Fiorentina, Valencia e Celta de Vigo entre outros, mas pra mim seu auge foi no Palmeiras nos primeiros anos de Parmalat. Lá ele foi bi campeão brasileiro em 93 e 94.

E foi no Verdão que Mazinho descobriu-se um excelente volante, fazendo uma inesquecível dupla na cabeça de área palestrina com César Sampaio.

Hoje Mazinho dirige o Aris Tessalônica da Grécia, ao lado do ex volante hispano brasileiro Donato, que fez nome jogando no Deportivo La Coruña.

Voltando a seu filho, Thiago, o menino mostra qualidades de jogo muito parecidas ao pai quando jogava pelo meio, porém com mais agressividade, mais pra meia que pra volante.

Thiago nasceu na Itália, na época em que Mazinho defendia o Lecce. Antes de jogar pelo Barça passou pela base do Flamengo e pelo Ureca, um pequeno clube da Galícia.

E antes que os cartolas brasileiros cresçam o olho, Thiago já tem nacionalidade espanhola e desde as categorias de base defende a Fúria, seleção pela qual sagrou-se campeão europeu Sub 17 em 2008.

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Imagens: Barça Transfer Zone e Sporting Heroes