Cala a boca Mano!

Na apresentação da Seleção Brasileira que disputará a Copa América na Argentina, o técnico Mano Menezes resolveu cutucar Lionel Messi, o melhor jogador do mundo.

Em relação à fase individual de cada um, nós já vimos que às vezes os jogadores arrebentam em seus clubes e não conseguem repetir o desempenho em suas seleções. Acho que podemos até citar o Messi, que faz maravilhas no Barcelona, mas não conseguiu ter o mesmo desempenho pela Argentina no Mundial na África do Sul.

Primeiramente, é mentira que Messi tenha feito um mal Mundial África do Sul, não foi uma maravilha, mas também não foi este desastre todo. É vero que o melhor do mundo não fez um golzinho sequer, mas teve boas apresentações, além de ser o jogador que mais finalizou no Mundial.

Outra coisa que não pode ser desconsiderada, a Seleção Argentina dirigida por Diego Maradona na Copa. Aquilo era uma bagunça só, um time desorganizado, mal postado em campo, mal convocado. O meia Jonás Gutiérrez ocupou a lateral direita do time enquanto Javier Zanetti via o Mundial pela TV, assim como o ótimo Esteban Cambiasso, ambos campeões europeus pela Inter em 2010.

Outro ponto a se pensar; Messi foi criado em uma escola que prima pelo futebol coletivo, o Barça. Na Catalunha desde os 13 anos, Messi aprendeu desde sempre que futebol é um esporte que se joga em conjunto e a Argentina de 2010 era um ajuntadão, um salve-se quem puder. Então é lógico que o melhor do mundo não rendesse na seleção o mesmo que mostra em seu clube, até porque no clube os jogadores treinam durante todo um ano e sem falar que a Seleção Argentina ou qualquer outro selecionado nacional não se compara ao Barça. Só a Espanha chega perto, justamente pela espinha dorsal azul e grená, mas mesmo a Fúria fica atrás já que não conta com Messi, Dani Alves e Abidal, pra ficar só em 3 nomes.

Por tanto, Mano deveria se preocupar mais com seu time. Até porque a Seleção Brasileira vem jogando uma bolinha murcha murcha, bem quadradinha. Um time burocrático, engessado, que só encontra alegria nos pés do Neymar.

Só pra reforçar o título do post, cala a boca Mano!

Imagem: Clica Piauí
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A Seleção da Copa

Publico agora a minha, ou melhor, as minhas seleções da Copa.

Primeiro e segundo time porque escolher só 11 é muito difícil.

Primeiro Time (3-2-3-2)

Segundo Time (4-1-3-2)

Imagem Original: Submarino
Efeitos: Picnik

Seleção Brasileirão 09

Com atraso, mas ainda em tempo, aí vai minha seleção do campeonato brasileiro de 2009. Os jogadores aparecem nas posições onde jogaram a maior parte do campeonato, exceção feita à lateral direita.

Em virtude da falta de bons nomes para esta posição, na lateral direita do 1º time aparece o volante Willians do Flamengo que em boa parte do campeonato atuou fazendo o lado direito do meio de campo rubro negro. Então foi só recuá-lo um pouquinho pra fazer a lateral, função na qual ele já havia jogado no Santo André.

Sem mais delongas, aí vai a minha seleção do Brasileirão 09, 1º e 2º times.

1º Time (4-1-3-2)
2º Time (4-1-3-2)

Imagem do Estrelão: Submarino

Reconciliação

Este foi o primeiro gol de Messi sob o comando de Diego Maradona. A narração é do histórico e folclório Victor Hugo Morales, o mesmo que narrou com puro sentimento de pós guerra os gols de Diego contra a Inglaterra, na copa do México em 86.

No primeiro gol Morales diz, em um tom carregado de satisfação, que a Argentina vence por 1X0, com um gol de mão, o que querem que eu diga?

No segundo, o emocionado narrador chega a agradecer a Deus pelo futebol, por Maradona. E inocentemente chama o craque de barrilzinho cósmico.

Não escondo de ninguém o quanto torço para que a aventura maradoniana na alviceleste dê certo. Neste blog mesmo já manifestei meu desejo, afinal, é o melhor jogador que minha geração viu jogar, os brasileirinhos aceitando ou não. Mas vai além da vontade, sigo afirmando que existem alguns argumentos pra lá de plausíveis de que a experiência pode render bons frutos.

Diego é o único capaz de fazer os argentinos perderem sua conhecida soberba. A arrogância que talvez explique tão poucas copas na prateleira mesmo com tantos craques desfilando pelos campos do mundo ao longo destes quase 80 anos de mundiais.

Com Maradona no comando os jogadores, outrora tão blazés, tão pedantes, se jogam de cabeça nos pés dos adversários, suam sangue, deixam tudo

O 10 foi contratado pra recuperar a mística da azul e branca. Pra recuperar o prestígio e o respeito de uma das escolas mais importantes do futebol mundial. E pra ensinar à nova safra que no futebol também é possível se jogar por uma causa.

O jogo contra a França não valia copa do mundo, não valia nada, era simplesmente um amistoso. Mas o time argentino jogou como se fosse uma final. Final de copa, de champions, de campeonato de pelada na Villa Fiorito.

E se a vitória não rendeu taça nem ao menos 3 pontinhos, valeu pelo menos para o treinador. A estréia foi contra a fraquíssima Escócia, então a França era o batismo de verdade. Quem sabe agora as chacotas não cessam?  

Independente das piadas, a verdade é que qualquer time que tenha um ataque com Messi, Aguero e Tévez deve ser respeitado, e muito. É um trio de dar inveja aos grandes esquadrões do futebol mundial, ao Manchester, ao Barça, à qualquer seleção, até a nossa. Ou você não gostaria que os 3 fossem brasileiros?

Hoje vi França X Argentina torcendo de verdade. Torcendo como se fosse um jogo do Galo, torcendo bem mais que torci na terça. Foi a primeira vez, depois que voltei ao Brasil, que me permiti torcer pela Argentina.  Quando lá estava isto era impossível.

Mas hoje, passado mais de um ano do meu regresso, permito-me reatar esta pequena parte, adormecida em meio às lágrimas vertidas na bacia platina. Sem sentimentos piegas, sem eximir minhas divergências ao sonho europeu que vive Buenos Aires, sem esquecer minhas reticências sobre a pseudo politização de seu povo, sobre a falsa roupagem de cultura que esconde a verdadeira cara argentina, a cara de Carlitos, a cara do povo.

Ainda com todos estes poréns, hoje me reconciliei com um dos meus amores mais antigos, o futebol argentino. O mesmo futebol que me encantou na vitória de 86 e na derrota de 94. O futebol que me apresentou os compassos descontrolados de Piazzola, as narrativas fantásticas de Cortázar, os olhos arregalados e assustados de Spilimbergo. A classe imperturbável de Redondo, a genialidade delirante de Maradona.

O futebol argentino que eu nego, ou melhor, que nos últimos 3 anos tanto neguei, mas que hoje eu confesso… o futebol que voltei a amar.

Jogador de beicinho

beicinhoviradoThiago Neves está de volta ao Fluminense. O jogador foi apresentado ontem nas Laranjeiras e fica no tricolor até o dia 2 de julho, emprestado pelo Al-Hilal da Arábia Saudita.

Há cerca de 6 meses o meia-atacante foi vendido pelo Flu ao Hamburgo da Alemanha por 9,2 milhões de euros. Agora volta ao time carioca emprestado pelo Al-Hilal que pagou 7 milhões de euros pelos direitos do jogador.

Thiago chegou a Alemanha e pouco jogou, algo absolutamente normal no futebol alemão. Com uma escola de futebol bem definida e bem própria, jogadores latinos geralmente são recebidos com um certo grau de tolerância, paciência e, até mesmo, cuidado durante os primeiros meses de adaptação. Mas Thiago Neves não soube esperar, e logo fez beicinho.

Com o velho discurso do não sou aproveitado, não me querem aqui, o jogador começou a forçar a barra pra sair do Hamburgo. O time alemão rejeitou os mesmos 7 milhões oferecidos pelos sauditas, a diretoria ressaltou a confiança no meia e então o que ele fez?

Desapareceu dos treinamentos. Aí não restou outra saída ao Hamburgo se não vendê-lo ao Al-Hilal. Não bastasse a molecagem de sumir, Thiago Neves impôs uma condição ao negócio: ser emprestado a algum time brasileiro e assim ficar mais perto (devaneio do jogador) da seleção.

Os sauditas aceitaram e Thiago Neves já chegou ao Flu dizendo que tentará prorrogar o empréstimo até o fim do ano. Parece brincadeira, mas não é. E não surpreende vindo dele. O jogador teve uma saída conturbada do Figueirense e acabou assinando um contrato com o Palmeiras e outro com o Fluminense.  E mesmo a saída do tricolor, no meio do ano passado, foi um tanto quanto forçada pelo atleta.

Ponto alto da apresentação nas Laranjeiras ontem:

Não me sinto desvalorizado não. Sei que estou dando um passo pra trás agora pra dar dois pra frente depois.

Como prêmio pela infeliz declaração o meia-atacante recebeu um beijo do presidente Roberto Horcades, aquele mesmo que diz que as mulheres têm 2 neurônios. Será que o senhor Horcades não percebeu a gafe?

mimada pnMas ser birrento, mimado, não é privilégio de Thiago Neves. Jogadores bem menos e bem mais expressivosque ele também se utilizam da tática do beicinho quando anseiam por uma transferência.

Robinho é um deles. Lembro-me bem da novela que foi sua saída do Santos. Simplesmente parou de jogar, voltou, parou de novo. Pra sair do Real então, nem se fale. Ficou com aquele papo, aqui não gostam de mim, quero ir pro Chelsea, acabou no Manchester City.

Roni, que hoje atua no mesmo Santos, já defendeu 13 camisas em 14 anos como profissional. E onde vai arruma um problema.

O fenômeno Ronaldo também é exímio em fazer biquinho. Foi assim pra sair do Barça, pra sair da Inter, pra sair do Real.

Resta ver até quando o mercado do futebol – ainda milionário, mas cada dia menos – vai suportar as birras e pirraças dos boleiros. Se é que um dia vai deixar de passar a mão nestas cabecinhas mimadas.