A Fifa, a pizza e as farinhas do mesmo saco

Na última semana, Joseph Blatter foi reeleito para seu 4º mandato à frente da Fifa.

Candidato único, Blatter foi eleito entre uma tempestade de escândalos e acusações.

Suborno, compra de votos e abuso de poder, coisas que fazem parte da Fifa desde que Havelange desbancou o Sir Stanley Rous do comando do futebol mundial, em 1974.

Nesta última crise da cartolagem mundial do futebol, 3 nomes foram escolhidos para pagar o pato.

Mohammed Bin Hammam, ex presidente da Federação do Catar e atual presidente da Federação Asiática, foi impedido de enfrentar Blatter na eleição e suspenso de suas atividades.

Jack Warner, vice da Fifa e presidente da Concacaf. A exemplo de Bin Hammam, também foi suspenso de suas atividades.

Chuck Blazer, vice presidente da Federação Estadounidense de Futebol e Secretário Executivo da Concacaf. Blazer foi quem jogou a merda no ventilador nesta última onda de acusações e acabou afastado da Concacaf pelo presidente interino, Lisle Austin, presidente da Federação de Barbados.

O interessante é que se olharmos para trás, veremos que tanto Bin Hammam, como Jack Warner e Chuck Blazer faziam parte do séquito, quase real, de Sepp Blatter na família Fifa.

Bin Hammam foi o presidente do Projeto Goal, carro chefe da primeira administração de Blatter na Fifa. Em tese, o Projeto Goal serviria para promover melhorias estruturais nas federações de futebol pelo mundo. Com uma verba monstruosa e fiscalização quase zero do Comitê Financeiro da Fifa, do qual o próprio Bin Hammam também era membro, o Goal transformou-se em moeda de troca, constituindo-se em um importante instrumento para a aquisição de votos e aliados políticos para a turma de Blatter. E segundo o livro Jogo Sujo, do escocês Andrew Jennings, Bin Hammam foi um dos responsáveis pelos sacos de dinheiro que garantiram a primeira reeleição de Joseph Blatter.

Jack Warner era o vice do argentino Julio Grondona no Comitê Financeiro da Fifa. Sempre foi um cão de guarda e um cego defensor de Sepp Blatter. Ex presidente da Federação de Futebol de Trinidad e Tobago, estava à frente da Concacaf desde 1990. Nas eleições da Fifa, sua Confederação sempre votou em bloco e, desde que Blatter lá está, sempre apoiou o suiço. Warner é responsável por uma série de tretas envolvendo Fifa, Concacaf e o futebol nas Américas do Norte, Central e Caribe. Com seu poder político, Warner levou o Mundial Sub 17 de 2001 para Trinidad e como faturou! Alugou à Fifa o Centro de Treinamento da Federação trinitina, construído pela própria Fifa com dinheiro do Projeto Goal. Cobrou as hospedagens no hotel do tal centro de treinamento, também construído com dinheiro Fifa. A alimentação dos atletas, árbitros e dirigentes ficou a cargo de um  de seus filhos, assim como um projeto piloto de totens e internet, que teve o mundial sub 17 como plataforma teste. Até as passagens aéreas para o mundial saíram de uma agência trinitina, não respeitando um contrato prévio da Fifa com uma agência suiça de viagens.

Chuck Blazer sempre foi uma espécie de cachorrinho de estimação de Jack Warner. Criado pelo trinitino, Blazer cresceu no futebol levando para o mundo da bola toda sua experiência de mercado. É um dos responsáveis pela mudança da Concacaf para a Trump Tower, em Nova Iorque, um dos espaços comerciais mais caros do mundo. A ascensão de Blazer no futebol foi meteórica, muito em virtude de sua canina fidelidade a Jack Warner. Blazer foi uma das figuras fundamentais no processo de desmoralização do camaronês Issa Hayatou – presidente da Confederação Africana de Futebol e candidato à presidência da Fifa em 2002 – na primeira reeleição de Blatter.

Para aqueles que pensam que a Fifa viverá novos tempos, de transparência e moralidade, é bom colocar as barbas de molho. As denúncia de corrupção, suborno e compra de votos mais uma vez acabaram em pizza. E o pior, nada de novo se avista no mundo da cartolagem, as farinhas continuam as mesmas, as velhas farinhas do mesmo saco.

Imagens: BBCSumadhura
Anúncios

Vice da Federação Paulista se demite e acusa Palmeiras e Traffic no caso Tardelli

Um dos vice-presidentes da Federação Paulista de Futebol, Ataíde Gil Guerreiro, pediu demissão de seu cargo diante das câmeras de TV de todo país.

Eu vi na Espn Brasil.

Ataíde acusou o presidente da Federação Paulista, Marco Polo del Nero e seu vice, Reinaldo Carneiro Bastos, pela confusão armada em torno do árbitro Wagner Tardelli e a decisão Goiás X São Paulo.

Ataíde declarou que o caso não passa de um factóide criado pela Federação Paulista de Futebol, Palmeiras e Traffic.

Segundo o ex vice da Federação, o tri do São Paulo representaria o fracasso e a falência do modelo Traffic/Palmeiras.

Outra possível motivação seria a aprovação do Morumbi como estádio paulista da Copa de 2014.

A Federação planejava construir um novo estádio para o mundial.

Tardelli não apita mais Goiás x São Paulo

Wagner Tardelli não apitará mais a partida Goiás X São Paulo que define o campeão brasileiro de 2008.

A CBF recebeu, na manhã de hoje, uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (segundo o próprio Tardelli em entrevista a João Palomino, da Espn Brasil) de que uma pessoa estaria usando o nome do árbitro carioca para vender o resultado da partida.

A entidade não divulgou qual clube estaria envolvido na suposta compra do jogo.

Para evitar qualquer dúvida sobre a lisura do campeonato a CBF resolveu por retirar Wagner Tardelli do jogo. Em seu lugar o dono do apito será o inexperiente Jaílson Macedo Freitas, da Bahia.

Tardelli falou agora a pouco à ESPN e deu a entender que se trata de um golpista se utilizando do seu nome e que seu afastamento do jogo é uma questão de cuidado com o campeonato e com o próprio profissional.

O comunicado da CBF é muito vago e dele não se pode extrair conclusões.

Esperemos…