Análises e Palpites das Quartas de Final – III

Argentina e Alemanha fazem o confronto mais tradicional nestas quartas de final da Copa. 5 títulos em campo e muita história entre estas duas seleções que já se enfrentaram outras cinco vezes em mundiais, duas delas em finais consecutivas.

Em 58, na Suécia, os alemães venceram por 3 X 1. Em 66, na Inglaterra, o único jogo sem gols entre as duas equipes. Em 86, no México, a primeira final e a primeira e única vitória argentina sobre os alemães em copas. Em um jogo alucinante, a Argentina vencia por 2 X 0 até os 29 do segundo tempo, quando os alemães deram início á reação que culminou com o gol de empate de Rudi Voller, aos 35 minutos da etapa final. Mas aos 38 apareceu a genialidade de Maradona que, com um lindo passe de primeira, colocou Burruchaga na cara do gol para marcar o tento que daria o segundo título mundial aos nosos vizinhos. Em 90, na Itália, outra final. Desta vez um joguinho chato, amarrado, que foi decidido com um gol de pênalti aos 40 do segundo tempo. A penalidade, bem duvidosa, foi convertida pelo lateral Andreas Brehme e valeu o terceiro título alemão.

O último confronto entre alemães e argentinos aconteceu na Copa passada. Miroslav Klose e Roberto Ayala marcaram os gols que decretaram o empate no tempo regulamentar. Na prorrogação ninguém balançou as redes e na disputa de pênaltis deu Alemanha, 4 X 2, com direito a papelzinho do goleiro Jens Lehmann com informações sobre os batedores argentinos.

Na África do Sul, nenhum time jogou como a Alemanha na partida contra a Inglaterra. Eu sei que o gol mal anulado de Frank Lampard poderia ter mudado os rumos daquele jogo, mas mesmo assim foi uma aula de futebol dos comandados de Joachim Low, um show de contra ataques.

Já há algum tempo que venho dizendo que esta Seleção Alemã é a mais talentosa desde a geração do título de 90 que tinha Voller, Klinsmann, Matthaus, Karlheinz Riddle, Littbarski e Brehme, entre outros. Mesut Ozil, Thomas Muller, Marko Marin e Sami Khedira agregaram não só sangue novo, mas também qualidade técnica à este equipe germânica. E apesar da juventude, o grupo assimilou bem alguns golpes, como por exemplo o corte do líder Michael Ballack.

Já a Argentina ainda não fez aquela partida neste mundial. Não que tenha jogado mal, pelo contrário. Venceu seus 4 jogos até aqui e venceu com segurança. Mas é só olhar nome por nome que qualquer um que acompanha futebol sabe que esse time pode dar mais, são muitos craques reunidos.

Do meio pra frente a Argentina tem o melhor time da Copa e digo mais, se juntarmos jogadores de todas as outras seleções para formar uma linha ofensiva, ainda assim ela estará abaixo do ataque argentino. Messi ainda não marcou nesta Copa, mas mesmo assim vem fazendo um bom mundial, só está faltando o gol, mas eu tenho certeza que de hoje não passa. Messi, aos 19 anos, foi um dos jogadores que mais sofreu a eliminação para os alemães no mundial passado. Pekerman não o colocou na partida e, do banco, era visível o descontentamento da Pulga. Estou seguro que hoje é o dia, que algo bem grande está guardado para o camisa 10 do Barça e da seleção alvi celeste.

Eu acredito que Alemanha e Argentina farão um dos melhores jogos desta Copa na África do Sul. Imagino que será uma partida muito corrida, intensa, cheia de gols e viradas. Dois times técnicos e a promessa de um grande futebol!

Meu Palpite: 3 X 3 no tempo normal e a Argentina vence na prorrogação por 1 X 0.

Imagens: ETF Trends e International Education
Efeitos: Picnik

Meu Brasil X Minha Argentina

Dizem que no Brasil somos 170 milhões de técnicos de futebol.

E também dizem que cada brasileiro tem sua própria seleção, aquela que não perderia pra ninguém.

Eu tenho o meu escrete. Aliás, tenho vários. Um pra cada dia.

Então aí vai Meu Brasil e Minha Argentinade hoje.

Brasil (4-1-4-1)
meubrasil03-09-09-2

Argentina (4-4-2)
minha_argentina-03_09_09-seleção_argentina

Imagem do Estrelão: Submarino

Ronaldo e sua mudança de hábito

Nem vou comentar o vídeo, até porque ainda estou rachando e não consigo escrever muito.

Mas só pra constar, a dica é do Dudu Monsanto da Espn Brasil

A adaptação e a arte ficam por conta do Carlos Fernandes que mantém o canal Showpage no Youtube.

Créditos dados, é hora de rir!

Gol do Futebol!!!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Tudo se encaminhava para a classificação do Chelsea.

O time londrino vencia por 1 X 0 e sua defesa parecia impenetrável. A exemplo da partida no Camp Nou, Alex, Terry, Bosingwa e, principalmente, Essien – autor de uma pintura de gol – eram perfeitos e anulavam todas as armas catalãs.

Até os 48 do segundo tempo o goleiro Petr Cech não havia defendido nenhuma bola, o temido ataque barcelonista estava atado e não encontrava espaço para arrematar a gol. 

Com um homem a menos o time espanhol parecia entregue e a torcida inglesa bradava C’mon Chelsea, c’mon Chelsea!

Tudo indicava que o ferrolho armado por Guus Hiddink triunfaria sobre a alegria e a magia catalã. Mas só parecia.

Dizem que os Deuses do futebol amam e veneram a injustiça. Pois na tarde de ontem as tais divindades da bola apareceram no Stamford Bridge pra contrariar a verdade popular.

Quando ninguém mais esperava, quando ninguém mais acreditava, Messi recebeu uma bola na ponta da área inglesa. Fechado por 3 marcadores o argentino rolou a bola pra trás, do outro lado da área. E Iniesta bateu de primeira.

Aos 48 minutos do segundo tempo o camisa 8 acertava o primeiro chute do Barça na baliza defendida por Cech. E que chute. No Ângulo. Impensável, indefensável.

Mais que gol do Barça, foi um gol do futebol!

E nada contra o sistema ultra defensivo armado pelo técnico holandês nas duas partidas. Hiddink entendeu que só se defendendo – muito e bem – o Chelsea poderia passar pelo Barcelona. E foi por muito pouco. O time inglês cumpriu com maestria a proposta do seu treinador, se defendeu como poucas vezes vi um time fazer.

Mas seria uma grande heresia se o Barça ficasse de fora desta final. O time do jovem treinador Josep Guardiola encantou o mundo nesta temporada e mereceu chegar a Roma.

E – deixando de lado as paixões clubísticas – sejamos sinceros, Manchester X Barça é a final dos sonhos de 9 entre cada 10 amantes do futebol.

Desta vez os tais Deuses do futebol influiram a nosso favor!

Dia 27 tem Manchester X Barcelona, tem Cristiano Ronaldo, tem Messi. E também tem Rooney, Giggs, TevezCarrick, Evra, Anderson, Van der Sar, Vidic; tem Xavi, Iniesta, Eto’o, Henry, Piqué.

Dia 27 em Roma, tem festa da bola!

barcelona x manchester

Melhor Ataque do Mundo

Aí vai a lista dos 15 melhores ataques do futebol mundial na atualidade. 

Quem me conhece sabe da admiração que tenho pela obra prima do austríaco Robert Musil e de como me identifico com Ulrich, o homem sem qualidades, principalmente no que tange ao senso comum de realidade em contraposição ao  adorável senso, nada comum, de possibilidade.

O parágrafo acima é só pra explicar que as linhas ofensivas citadas na lista não são necessariamente ataques reais. Alguns deles pouco, ou até mesmo nunca, atuaram juntos. Mas são ataque possíveis, formados por jogadores do mesmo clube ou da mesma nacionalidade.

barcelona messi eto'o henrymanchester united cristiano ronaldo rooney tevezargentina messi tevez aguerobrasil luis fabiano alexandre patointernazionale ibrahimovic ibra zlatanitalia totti toni del pierojuventus del piero amaurifrança anelka henrysevilha luis fabiano kanouteespanha david villa fernando torreschelsea drogba anelkaarsenal van persie adebayorroma vucinic tottiatletico madrid forlan agueroholanda robben huntelaar van persie

Reconciliação

Este foi o primeiro gol de Messi sob o comando de Diego Maradona. A narração é do histórico e folclório Victor Hugo Morales, o mesmo que narrou com puro sentimento de pós guerra os gols de Diego contra a Inglaterra, na copa do México em 86.

No primeiro gol Morales diz, em um tom carregado de satisfação, que a Argentina vence por 1X0, com um gol de mão, o que querem que eu diga?

No segundo, o emocionado narrador chega a agradecer a Deus pelo futebol, por Maradona. E inocentemente chama o craque de barrilzinho cósmico.

Não escondo de ninguém o quanto torço para que a aventura maradoniana na alviceleste dê certo. Neste blog mesmo já manifestei meu desejo, afinal, é o melhor jogador que minha geração viu jogar, os brasileirinhos aceitando ou não. Mas vai além da vontade, sigo afirmando que existem alguns argumentos pra lá de plausíveis de que a experiência pode render bons frutos.

Diego é o único capaz de fazer os argentinos perderem sua conhecida soberba. A arrogância que talvez explique tão poucas copas na prateleira mesmo com tantos craques desfilando pelos campos do mundo ao longo destes quase 80 anos de mundiais.

Com Maradona no comando os jogadores, outrora tão blazés, tão pedantes, se jogam de cabeça nos pés dos adversários, suam sangue, deixam tudo

O 10 foi contratado pra recuperar a mística da azul e branca. Pra recuperar o prestígio e o respeito de uma das escolas mais importantes do futebol mundial. E pra ensinar à nova safra que no futebol também é possível se jogar por uma causa.

O jogo contra a França não valia copa do mundo, não valia nada, era simplesmente um amistoso. Mas o time argentino jogou como se fosse uma final. Final de copa, de champions, de campeonato de pelada na Villa Fiorito.

E se a vitória não rendeu taça nem ao menos 3 pontinhos, valeu pelo menos para o treinador. A estréia foi contra a fraquíssima Escócia, então a França era o batismo de verdade. Quem sabe agora as chacotas não cessam?  

Independente das piadas, a verdade é que qualquer time que tenha um ataque com Messi, Aguero e Tévez deve ser respeitado, e muito. É um trio de dar inveja aos grandes esquadrões do futebol mundial, ao Manchester, ao Barça, à qualquer seleção, até a nossa. Ou você não gostaria que os 3 fossem brasileiros?

Hoje vi França X Argentina torcendo de verdade. Torcendo como se fosse um jogo do Galo, torcendo bem mais que torci na terça. Foi a primeira vez, depois que voltei ao Brasil, que me permiti torcer pela Argentina.  Quando lá estava isto era impossível.

Mas hoje, passado mais de um ano do meu regresso, permito-me reatar esta pequena parte, adormecida em meio às lágrimas vertidas na bacia platina. Sem sentimentos piegas, sem eximir minhas divergências ao sonho europeu que vive Buenos Aires, sem esquecer minhas reticências sobre a pseudo politização de seu povo, sobre a falsa roupagem de cultura que esconde a verdadeira cara argentina, a cara de Carlitos, a cara do povo.

Ainda com todos estes poréns, hoje me reconciliei com um dos meus amores mais antigos, o futebol argentino. O mesmo futebol que me encantou na vitória de 86 e na derrota de 94. O futebol que me apresentou os compassos descontrolados de Piazzola, as narrativas fantásticas de Cortázar, os olhos arregalados e assustados de Spilimbergo. A classe imperturbável de Redondo, a genialidade delirante de Maradona.

O futebol argentino que eu nego, ou melhor, que nos últimos 3 anos tanto neguei, mas que hoje eu confesso… o futebol que voltei a amar.