Ironia da bola

Até a partida de ontem, contra o Grêmio Itinerante, o Galo havia jogado 12 vezes e em todas as partidas havia sofrido gol.

Ao todo foram 19 tentos sofridos nos 12 primeiros jogos do ano.

Ontem o Galo entrou disposto a mudar esta história. E mudou, pelo menos em parte.

Pela primeira vez na temporada o alvinegro de Belo Horizonte terminou a partida sem levar gol.

No entanto, também não conseguiu marcar contra o lanterna do Paulistinha e, com o 0 X 0, deu adeus à Copa do Brasil 2011.

Ironia da bola, que draga danada.

Imagem: Café e Conspiração
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Pior que a Nova Zelândia

Cannavaro se despede da Copa com mais uma atuação pífia e chora nos corredores do Ellis Park

Não é piada, a Itália terminou a Copa do Mundo de 2010 atrás da Nova Zelândia.

Com a derrota para a Eslováquia por 3 X 2, a a Squadra Azzurra fechou sua participação nos gramados sulafricanos sem ganhar de ninguém, marcou só dois pontinhos e acabou na última posição do Grupo F.

Vexame ainda maior se pensarmos que a Itália é a atual campeã do mundo. É apenas a quarta vez que isto acontece, uma seleção campeã do mundo desclassificada na primeira fase da Copa sequinte. A primeira vez que isso ocorreu foi com a mesma Itália em 1950, a segunda com o Brasil em 1966 e a terceira com a França em 2002.

Eu gosto muito do Lippi, mas ele errou muito em sua convocação. Os temperamentais Cassano e Balotelli jamais poderiam ter ficado de fora do elenco que foi ao Mundial, assim como o craque Totti que se colocou à disposição da Azzurra, mas foi ignorado pelo técnico.

Não convocados à parte, Lippi também errou muito durante a Copa. Não dá pra explicar como Di Natali e Fabio Quagliarella podem ter menos espaço no time que os inoperantes Vicenzo Iaquinta, Gilardino e Somone Pepe.

Entre todos os erros e fragilidades da seleção italiana, nada ficou mais evidente que o fim de carreira de Fabio Cannavaro. O capitão da conquista de 2006 fez uma Copa pífia na África do Sul. Sem tempo de bola e sempre mal posicionado, Cannavaro falhou bisonhamente nos 3 jogos e esteve diretamente envolvido em pelo menos 4 dos cinco gols sofridos pela Itália no Mundial. Uma despedida melancólica para aquele que foi eleito Melhor Jogador da Copa há quatro anos.

Sem mercado na Europa, Cannavaro – aos 36 anos – se manda para o Emirados Árabes Unidos, onde defenderá a equipe do Al-Ahli.

Imagem: Fifa

Era melhor nem ter ido…

A França chegou à Copa do Mundo com um gol escandalosamente ilegal. Henry conduz a bola com a mão – em uma jogada que seria ilegal até no basquete ou no vôlei – e passa para Gallas marcar.

Não sei se foi praga irlandesa, mas a participação francesa no Mundial da África do Sul conseguiu estar abaixo do fiasco.

Fiasco teria sido perder todos os jogos ou ser eliminada sem balançar as redes, como ocorreu em 2002. Mas a França foi pior.

A crise futebolística, evidenciada no time mal convocado, mal armado e sem imaginação que se apresentou nos gramados sulafricanos, foi só um lado da história. Talvez tenha sido o pior, pelo menos para os amantes da bola, mas outro fator chamou ainda mais atenção que os maus tratos dados à jabulani pela seleção francesa.

A crise de relacionamento entre a comissão técnica – liderada pelo treinador Raymond Domenech – e os jogadores estampou as capas dos principais jornais do mundo e culminou com a bombástica manchete do L’Equipe Va Te Faire Enculer, Sale Fils De Pute, transcrição literal do que Anelka disse à Domenech no intervalo do jogo contra o México. E nem é preciso traduzir né, todo mundo entendeu o que o atacante do Chelsea disse.

A manchete do famoso jornal francês rendeu o corte de Anelka, escancarou de vez a crise e fez com que até a ministra dos esportes da França, Roselyne Bachelot, interviesse no caso.

Pra França só fica uma verdade da Copa da África do Sul, era melhor nem ter ido.

Imagem: How Do You Bag Krag?

Derrota real, vexame galáctico

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O futebol, como o mundo, vive a dicotomia da segregação econômica. Como na sociedade temos cidadãos de classes A, B e por aí vai, o mundo da bola também vive suas divisões e estratificações sob a tutela do vil metal; com times milionários e equipes semi amadoras que habitam e dividem o mesmo terreno.

Na última terça os galácticos do Real visitaram o subúrbio de Madrid. Foram ao município de Alcorcón – a 13 quilômetros da capital espanhola – enfrentar, pela Copa do Rei,  a equipe local que joga na 3ª divisão do campeonato espanhol e que leva o mesmo nome da cidade em que está situada. Um confronto entre o futebol real – não de realeza, mas de realidade – e o mundo fantástico e fantasioso da bola galáctica, das estrelas que brilham mais que a camisa, que a história.

Mesmo sem Kaká e Cristiano Ronaldo – estrelas máximas da constelação madrilenha – todos decretavam a barbada, goleada merengue… e com um pé nas costas. Mas no futebol, diferentemente da nossa sociedade do hiper consumo, nem sempre o dinheiro consegue ser o vitorioso.

Foi um dos maiores vexames da história do Real Madrid. 4 X 0 para um time da 3ª divisão… um time de estádio acanhado e de uma paupérrima galeria de troféus, sem nenhum título de relevância. Um time de jogadores modestos… jogadores modestos sim, mas que suam, que brigam, que jogam quase por amor ao esporte, pois o que ganham não é mais que o necessário para sobreviver.

4 X 0 com uma doce ironia. 3 dos 4 gols foram marcados por jogadores que passaram pelas divisões de base do time merengue, mas que nunca tiveram oportunidade no time de cima. O meia Ernesto Gómez que anotou o 3º tento da goleada e o atacante Borja Pérez, autor do primeiro e do último gol no massacre de Alcorcón. Detalhe, Borja já havia marcado outras 4 vezes contra o Real Madrid jogando pelos pequenos Leganés e Alicante. O outro gol da partida foi contra de Arbeloa, uma das contratações para a atual temporada.

Nem o mais otimista dos torcedores do AD Alcorcón poderia imaginar a noite de ontem. O dia em que a simplicidade do subúrbio venceu o poder e a ostentação capitalina.

A humilhante derrota imposta ao Real mostra muito mais que a pilhéria do futebol onde nem sempre os que compõem a base da pirâmide estão necessariamente abaixo daqueles que habitam o topo. A goleada do Alcorcón expõe a mentira galáctica dos astros milionários da bola e ratifica a idéia de que, hoje, não existe time de outro mundo.

Que o Real Madrid tem grandes craques é inegável. Mas ainda falta muito pra que estes jogadores formem um grande time.

Imagem: Ecodiario
Canal do Youtube: Todo Goles