Sem campo pras meninas

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A Conmebol resolveu finalmente organizar a primeira edição da Copa Libertadores da América de futebol feminino. O que pra mim não passa de uma obrigação da entidade que é responsável pela difusão e massificação do esporte no continente.

Mas do jeito que o torneio começou, era melhor nem ter feito.

A primeira rodada estava marcada pra tarde deste domingo com

Santos (Brasil) X White Star (Peru)
Caracas (Venezuela) X Everton (Chile)
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Devido ao clássico Santos X Palmeiras pelo brasileirão a rodada foi remanejada com o confronto entre brasileiras e peruanas remarcado para sábado à noite e a partida entre as venezuelanas e as chilenas para a manhã deste domingo.

No jogo inauguralapós a cerimônia de abertura – transcorreu tudo bem e o Santos estreou na competição continental com vítória por 3 X 1, com gols das craques Marta e Cristiane (2). Nicole descontou para o White Star. Até aí tudo bem.

Mas eis que chegou o domingo.

Por volta das 8 da manhã as atletas do Caracas e do Everton chegaram à Vila Belmiro para jogar a partida que começaria às 9 e meia. E pra surpresa de todas descobriram que, neste domingo, o único duelo que seria disputado na vila mais famosa do mundo seria Santos X Palmeiras pela séria A do brasileirão.

Em um papelão digno de Didi Mocó e companhia, a diretoria santista proibiu a realização da partida alegando que o gramado seria prejudicado para o clássico à tarde. Segundo a cúpula alvinegra, com as chuvas da última semana e a partida do sábado, o gramado da Vila não suportaria mais dois jogos neste domingo.

A solução encontrada foi deslocar as meninas – em cima da hora – para o estádio Ulrico Mursa da Portuguesa Santista.

A atitude mostra o despreparo da Confederação Sulamericana e de suas filiadas nacionais, incapazes de organizarem um campeonato minimamente digno com 8 equipes. Além do descaso e do desrespeito com as jogadoras que já convivem com o semi-profissionalismo ou mesmo o amadorismo absoluto no futebol feminino da América do Sul.

A Conmebol não se pronunciou sobre o incidente. Assim como em sua página oficial não postou a relação das equipes e jogadoras que disputam o torneio, não arrumou a tabela com as datas remarcadas, nem atualizou o resultado da peleja inicial… nada.

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Bom, como já disse, se era pra fazer assim era melhor nem ter feito.

Imagem: Mundo del Fútbol Femenino

As virtudes de um homem simples

Andrade-tecnico_interino-flamengoAndrade ainda não é um técnico de futebol, no conceito do professor que vivemos hoje. Fala manso, não é de xingar nem de reclamar de arbitragem. Tão pouco gesticula feito um animador de auditório à beira do campo.

Andrade também não usa terno. Prefere o agasalho do clube que defende, talvez por lembrar os tempos em que fez parte de um dos melhores times da história do futebol brasileiro, aquele Flamengo cantado e recantado dos anos 80.

Mas talvez ele não use terno por pura simplicidade, por se ver mais boleiro que catedrático.

Há alguns meses o interino rubro negro teve um entrevero com o goleiro Bruno que o chamou de fracassado. Entre outras coisas Bruno teve a audácia de dizer que Andrade não ganhara nada como treinador. Heresia que deveria ter sido punida com mais severidade. Quem é Bruno perto de um Andrade?

Neste fim de semana o Flamengo em seu milésimo jogo pelo Brasileirão – venceu o Santos na Vila Belmiro pela segunda vez na história, a primeira em um jogo oficial. 2 X 1 de virada e o craque da partida foi, sem dúvida, Andrade. Suas substituições foram fundamentais pra vitória rubro negra.

Mas ao invés de chamar os louros da glória pra si, preferiu dedicá-la – em espontânea e verdadeira emoção – a um amigo, ao ex companheiro de Flamengo Zé Carlos que faleceu esta semana.

A simplicidade e a generosidade do Andrade impressionou a todos neste fim de semana, ainda mais se compararmos suas atitudes com as do professor Luxemburgo que quase agrediu o volante Roberto Brum depois de um infantil cartão amarelo.

Andrade conhece muito de futebol, embora não seja visto assim. Perto do linguajar polido de Tite ou dos ternos italianos de Luxemburgo ele parece um bronco. Mas só aos olhos menos sensíveis.

Andrade é grande! Como homem e como boleiro. Seja jogando, seja dirigindo.

E mais que isto, Andrade sente, Andrade se emociona. Andrade chora.

E comove todos aqueles que acreditam que o futebol pode ser mais simples e mais sincero.

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