Eu preferia o Zico…

A novela chegou ao fim e Mano Menezes foi anunciado como o novo técnico da Seleção Brasileira de futebol.

A primeira opção da CBF foi Muricy Ramalho que disse não. A desculpa oficial foi que o Fluminense não liberou, mas há quem diga que o treinador mais vitorioso nos últimos anos em território tupiniquim não botou fé no famoso projeto da alta cúpula do futebol brasileiro.

Depois, o convite foi feito a Mano Menezes. Que aceitou. E hoje, 26 de julho, ele faz sua primeira convocação.

Após a Era Dunga, não há como falar nada contra Mano. Primeiramente, Mano é treinador de futebol, coisa que Dunga não era. Sem falar nas outras questões que permeiam o trabalho de um técnico de futebol, aspectos nos quais o novo gaúcho está anos luz à frente do antigo.

Eu não queria ver nem Mano nem Muricy na seleção. Admiro o trabalho dos dois e, pessoalmente, gosto muito do ex treinador do São Paulo, um cara que é sinônimo de ética no corrompido mundo da bola.

Mas em meio à minha incansável utopia, eu queria ver mesmo o Zico na seleção. O cara tem experiência de Copa do Mundo – treinou o Japão em 2006 – e fez bons trabalho na Europa, principalmente no Fenerbahçe, onde conseguiu chegar às quartas de final da Champions League.

Zico já passou pela administração Ricardo Teixeira. Fez parte da comissão técnica que foi à França, na Copa de 98. E pelo visto, já sabendo como a banda toca, não voltará a trabalhar com o monarca do futebol brasileiro.

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Eu sou mais 82!

Ontem recebi este excelente vídeo do grande amigo Matheus Amzalak – que o outro grande amigo Fernandinho Carnaval carinhosamente apelidou de O Menino Maluquinho.

Foi impossível não comparar.

Dunga não perde a oportunidade de alfinetar a fantástica geração de 82, sempre lembrando que os pupilos do mestre Telê Santana nunca ganharam uma Copa do Mundo.

É verdade que eles não levaram o mundial da Espanha, aliás, esta turma de craques passou pela seleção sem levantar nenhuma taça oficial, nem mesmo uma Copa América.

São coisas da bola.

Mas nem por isto a geração de Zico, Sócrates, Éder Aleixo, Júnior, Falcão e Luisinho pode ser diminuída.

27 anos depois da fatídica derrota para a Itália do endiabrado Paolo Rossi, o Brasil e o mundo continuam a reverenciar este time que encantou a todos nos gramados da Espanha.

Já a seleção do Tetra – mesmo vitoriosa – não recebe um décimo das homenagens e piropos destinados ao time de 82.

Resumo da ópera: Os títulos entram para a história, mas a beleza do jogo fica guardada em nossos corações.

O futebol é disparadamente o esporte mais lúdico que já inventou nossa medíocre humanidade.

E por esta característica lúdica, quem ama futebol de verdade considera o ganhar como uma coisa quase secundária. Claro que é ótimo vencer. Mas bom mesmo é jogar, brincar, se divertir. Esta é a essência do jogo. Não a vitória a qualquer custo.

E como costuma dizer outro mestre – Fernando Calazans – se o Zico nunca venceu uma Copa do Mundo, azar das Copas!

Por estas e por outras é que eu sou mais 82!

Canal do Youtube: Sebfootball

Vágner Love, a banda

O centroavante Vágner Love do CSKA de Moscou é bastante contestado por aqui, muito em função de sua participação, quase sem gols, na última Copa América, jogada na Venezuela e vencida pelo Brasil, já com o técnico anão.

Mas na Europa, e não digo só na Rússia, Love anda fazendo muito sucesso. Tanto que virou até nome de banda em Frankfurt, na Alemanha. A única diferença é que o Wagner da banda é com W.

As influências da Wagner Love são bem variadas, vão desde o clássico disco de Donna Summer e Giorgio Moroder, passando pelo pop de Madonna e Pet Shop Boys, e chegam até o som mais requintado do jamaicano-estadounidense Cody Chestnutt.

Os caras vêm fazendo um certo sucesso no meio alternativo, inclusive no início deste mês tocaram em Zurique, na Suiça.

Abaixo segue a frustrada tentativa de se fazer um clipe engraçadinho… mas a música é legal! E no fim, você ainda ganha uma canjinha do clássico e mítico Kaoma, verdadeira lenda da lambada francesa, jejejejej!

A Mulher do Zico

Enviado por Valéria Prochnow

zicoposterizado

Jesuína nasceu em Vitória da Conquista e se um dia ela me contou o porquê de ter vindo parar nas Minas Gerais sinceramente não me lembro. Minha memória de criança sempre se ateve àquela figura espalhafatosa que viveu por um tempo conosco – comigo e com família – na rua Chenade Nasser esquina com Monteiro Lobato – e é assim que me lembro dela hoje. Jesuína dormia num pequeno quarto que tinha uma cama beliche e um armário cheio de recortes de revistas colados nas portas. Lembro das risadas. E dos apelidos que ela botava na gente. Lembro de e das coisas dela, mas não me lembro exatamente da sua silhueta. Sei que é gorda, dessas que abraçam com o corpo todo e que estava sempre cheirando a tempero e a pimenta. E me lembro que Jesuína amava o Zico.

Queria trabalhar pra ele. Pra sempre. Ia ser feliz assim. Mas não só assim. Vivia cantando o Hino do Flamengo e não perdia um jogo: enchia de foguetes seu quarto e a cada gol ou lance bonito, sabe-se lá como, atravessava a avenida Monteiro Lobato e se metia a soltá-los. Vários. Sempre sonhei em ter um portão no muro da minha casa que abrisse para a avenida Monteiro Lobato. Avenida de tráfego intenso e que, ao atravessar minha esquina, dava de encontro com um enorme lote vago, cujo matagal botava medo nos passantes ao anoitecer. E era lá que Jesuína se metia: Ziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiico! E chorava. Era verdadeira e ingenuamente apaixonada por ele. E pelos jogos e pelo Mengão.

Eu que devia ter uns nove, de anos, custava a entender: tudo terminava em Zico. Digo, as palavras: pra minha irmã mais nova, a mamadeira era mamazico. Pra mim e pra minha irmã quase da minha idade (mas ainda mais nova) era o papazico tá na mesa! Pra minha mãe era o cafezico, pro meu pai o pãozico e por aí vai… Jesuína falava e vivia essas coisas do futebol sempre com um radinho ou com um novo pôster do Zico. Fanatismo? Não. Coisas de Jesuína, a mulher que sonhava em trabalhar pro Zico e que soltava foguetes. Jesuína genuína, que chorava a cada gol, que ficava ansiosa logo cedo e que torcia com a camisa, fazendo a comidinha, sorrisão no rosto, gestos grandes, generosos. 

Jesuína foi morar com a gente na década de 80, ficou por pouco tempo. Teve que ir pra São Paulo cuidar dos sobrinhos e da irmã que estava doente. Sei que continua por lá, cuidando dos sobrinhos; casou-se de novo, já deve ser avó. Imagino-a ainda gorda, cabelos grisalhos, cercada pelos netos na cozinha. Exceto em dias de jogo

A Comedora de Ópio

valzitaavatarNome: Valéria Prochnow, mais conhecida por Val

Cidade: Belo Horizonte

Profissão: Jornalista de estudo, Sonhadora de ideal e Interneteira de paixão

Clube do Coração: Cruzeiro pelo pai, Galo e Barça por mim, jejejeje!

Blog: Não deixa de ler o Ópio, mas curte mesmo os Devaneios. Atualmente está atolada demais em seus freelas, sem tempo para Blogs.

Caneta Histórica

Esta semana a Fundação Gol de Letra realizou sua tradicional pelada de fim de ano no Maracanã.

Zico, Dinamite e Chico Buarque são algumas das personalidades da música e do futebol que participaram do jogo.

O Galinho, mesmo com limitada mobilidade, deu pequenas mostras de sua categoria.

Calcanha, letra, lançamento de 30 metros. Zico fez gol.

Mas nada se compara com a caneta que reservou para Edmundo, ídolo vascaíno.

Histórica!

Dia da Memória

Hoje é o Dia da Memória!

Por isso os lances de Galo X Flamengo, na semifinal do Brasileirão de 87.

Foi minha estréia no Mineirão.

É impressionante como somos traídos por nossa memória afetiva.

Sempre jurei que os 3 gols do Flamengo neste jogo haviam sido feitos por Renato Gaúcho.

Que nada, Zico e Bebeto também marcaram. Renato só fez o último.

Mas acho que o trauma da estréia com derrota exigia um algoz, um vilão épico.

E minhas lembranças infantis concentraram as dores deste jogo em um único carrasco, Renato.

Não é o 0X0 que nos incomoda

Tudo bem, foi o terceiro 0X0 da seleção este ano jogando no Brasil. Isso por si só já é um absurdo.

Mas dos absurdos é o menor. Pois 0X0 é só um resultado, não mais que isso.

E o que nos incomoda, mais, não é o resultado. É o futebolzinho mesquinho que a seleção vem apresentando.

Um time lento, mal postado em campo e desorganizado. Sem vibração e, principalmente, sem poesia.

A seleção do Dunga é travada, joga um futebol antigo, retrógrado. E além de tudo feio.

Um time que tristemente não dribla.

E como nós gostamos da beleza. Em tudo. Não é a toa que nossos ídolos sejam Niemeyer, Drummond e João Gilberto. Todos eles são, em sua essência, defensores do belo.

Ao brasileiro pouco importa o placar, o que queremos ver é beleza, plasticidade. Isso sim é importante.

Amamos o plástico, o lindo. Preferimos o drible fantástico ao gol comum.

Por isso quando falamos em bom futebol ainda falamos de Zico, Zizinho, Sócrates, Pagão.

Falamos deles bem mais do que de Dunga e a Geração do Tetra, ironicamente campeões com um 0X0.